O transplante de útero é um procedimento relativamente novo, com nascimentos bem-sucedidos realizados com doadoras vivas na Suécia, desde 2014 e com uma doadora falecida, pela primeira vez no Brasil, em 2016. A endomicroscopia confocal baseada em sonda é considerada um método de biópsia óptica (com ampliação de 1000 vezes) que permite a visualização detalhada da citoarquitetura tecidual e dos padrões microvasculares em uma profundidade de penetração de aproximadamente 50 a 60 μm. A aplicação da endomicroscopia confocal ao colo do útero surge como uma alternativa promissora aos exames cervicais semanais no acompanhamento de pacientes submetidas a transplante de útero. Os autores relatam o caso de uma mulher de 34 anos com síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), diagnosticada aos 15 anos de idade, que em agosto de 2026 foi submetida ao primeiro transplante de útero bem-sucedido, com doadora viva, realizado na América Latina. O procedimento cirúrgico transcorreu sem intercorrências. A endomicroscopia confocal do colo do útero foi empregada para avaliar sua potencial utilidade na identificação de alterações inflamatórias que possam preceder a rejeição do enxerto. Não foram observadas irregularidades ou distorções no epitélio, nem inflamação grave, e esse achado foi confirmado por biópsias e análises histológicas. Os autores concluíram que a endomicroscopia confocal baseada em sonda pode auxiliar em um manejo pós-transplante mais eficaz e individualizado, representando um avanço significativo nos campos da medicina regenerativa e da transplantação.
Descritores:
Infertilidade; Transplante; Útero; Endoscopia; Microscopia; Fluorescência
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