Sumário
ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo), Volume: 38, Publicado: 2025ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo), Volume: 38, Publicado: 2025
| Documents |
|---|
|
EDITORIAL Angelita Habr-Gama. Homenagem a uma Mulher Notável e Icone Brasileiro da Cirurgia Colorretal Global. Ex-Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (2007-2008). MARQUES, Carlos Frederico Sparapan CAMPOS, Fabio Guilherme SOBRADO, Carlos Walter |
|
Original Article CALPROTECTINA FECAL E METABÓLITOS INTESTINAIS: QUAL A IMPORTÂNCIA NA ATIVIDADE E DIFERENCIAÇÃO DE PORTADORES DE DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS? LINS, Lucas Correia DE-MEIRA, Júnia Elisa Carvalho PEREIRA, Camila Wanderley CRISPIM, Alessandre Carmo GISCHEWSKI, Marina Demas Rezende LINS-NETO, Manoel Álvaro de Freitas MOURA, Fabiana Andréa Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: A doença inflamatória intestinal (DII), que engloba a doença de Crohn (DC) e a colite ulcerativa (CU), carece de etiologia conhecida. Embora sintomas clínicos, imagens e colonoscopia sejam ferramentas diagnósticas comuns, a calprotectina fecal (CalF) atua como biomarcador amplamente utilizado para monitorar a atividade da doença. A metabolômica, no âmbito das ciências “omics,” apresenta promissoras perspectivas para identificação de biomarcadores de progressão da doença. Este método envolve o estudo de metabólitos em meios biológicos para revelar fatores patológicos. OBJETIVOS: Explorar a metabolômica fecal em pacientes com DII, avaliando seu potencial na diferenciação de subtipos e na avaliação da atividade da doença usando CalF. MÉTODOS: Estudo transversal incluindo pacientes com DII, dados clínicos e medições de CalF (=200μg/g como indicador de doença ativa). RESULTADOS: A metabolômica fecal utilizou cromatografia de massa/extração em fase sólida com o software MetaboAnalyst 5.0 para análise. Dos 52 pacientes (29 CU, 23 DC), 36 (69,2%) apresentaram atividade inflamatória. Foram identificados 56 metabólitos fecais, sendo os ácidos hexadecanoico, esqualeno e octadecanoico notáveis na distinção entre CD e CU. Para CU, os ácidos octadecanoico e hexadecanoico correlacionaram-se com a atividade da doença, enquanto o ácido octadecanoico foi mais relevante em CD. CONCLUSÕES: Os achados destacam o potencial da metabolômica como um complemento não invasivo para avaliar a doença inflamatória intestinal, auxiliando no diagnóstico e na avaliação da atividade da doença.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Inflammatory bowel disease (IBD), comprising Crohn’s disease (CD) and ulcerative colitis (UC), lacks a known etiology. Although clinical symptoms, imaging, and colonoscopy are common diagnostic tools, fecal calprotectin (FC) serves as a widely used biomarker to track disease activity. Metabolomics, within the omics sciences, holds promise for identifying disease progression biomarkers. This approach involves studying metabolites in biological media to uncover pathological factors. AIMS: The purpose of this study was to explore fecal metabolomics in IBD patients, evaluate its potential in differentiating subtypes, and assess disease activity using FC. METHODS: Cross-sectional study including IBD patients, clinical data, and FC measurements (=200 μg/g as an indicator of active disease). RESULTS: Fecal metabolomics utilized chromatography mass spectrometry/solid phase microextraction with MetaboAnalyst 5.0 software for analysis. Of 52 patients (29 UC, 23 CD), 36 (69.2%) exhibited inflammatory activity. We identified 56 fecal metabolites, with hexadecanoic acid, squalene, and octadecanoic acid notably distinguishing CD from UC. For UC, octadecanoic and hexadecanoic acids correlated with disease activity, whereas octadecanoic acid was most relevant in CD. CONCLUSIONS: These findings highlight the potential of metabolomics as a noninvasive complement for evaluating IBD, aiding diagnosis, and assessing disease activity. |
|
Original Article DIFERENÇAS NA COR DA PELE E PERCEPÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE APÓS BYPASS GÁSTRICO ROUX-EN-Y: UM ESTUDO TRANSVERSAL ANDRADE, Milca Rodrigues Vieira de VALE, Ana Rafaela Soares do SILVA, Mariana Sousa de Pina BARROS, João Henrique Cerqueira LAGARES, Laura Souza ALMEIDA, Luiz Alberto Bastos de AGUIAR, Carolina Villa Nova SANTOS, Clarcson Plácido Conceição dos Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: Diferenças na cor da pele têm implicações socioeconômicas e de saúde, no entanto, ainda existem lacunas na compreensão da percepção da qualidade de vida relacionada à saúde (HRQoL). OBJETIVOS: Examinar se as diferenças na cor da pele influenciam a HRQoL em pacientes com obesidade submetidos à cirurgia de bypass gástrico Roux-en-Y. MÉTODOS: Estudo transversal com participantes de ambos os sexos, idades entre 18 e 60 anos e 3 a 6 meses de pós-operatório. Os dados foram coletados de outubro de 2018 a julho de 2019 em uma clínica bariátrica em Salvador, Bahia. A cor da pele de cada participante, escores do Questionário de Qualidade de Vida Moorehead-Ardelt II (MAQOL-II), medidas antropométricas, status socioeconômico, atividade física e percepções da imagem corporal foram registrados. RESULTADOS: Dos 196 pacientes, 67,35% eram negros. A “Autoestima” no MAQOL-II demonstrou a melhoria pós-cirúrgica mais significativa, com 62,8% relatando resultados “Muito melhores”. Resíduos ajustados associaram respostas “Muito melhores” e “Inalteradas” com a cor da pele. O escore geral do MAQOL-II indicou escores de HRQoL mais baixos (M=1,65; DP=0,98) para indivíduos com pele negra em comparação com aqueles com pele branca. Ao analisar as respostas do questionário, ambos os grupos raciais apresentaram percentuais iguais (45,3%) relatando progresso “Muito melhor” e “Melhor” pós-cirúrgico. No entanto, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas na HRQoL ao comparar a cor da pele. CONCLUSÕES: A cor da pele parece não impactar significativamente na HRQoL de pacientes com obesidade submetidos ao bypass gástrico Roux-en-Y.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Differences in skin color have socioeconomic and health implications; however, gaps persist in understanding health-related quality of life (HRQoL) perception. AIMS: To examine whether skin color differences influence HRQoL in obese patients undergoing Roux-en-Y gastric bypass surgery. METHODS: Cross-sectional study with participants of both genders, aged 18 to 60, and three to six months postoperatively. Data were collected from October 2018 to July 2019 at a bariatric clinic in Salvador, Bahia. Skin color, Moorehead-Ardelt II Quality of Life Questionnaire (MAQOL-II) scores, anthropometric measurements, socioeconomic status, physical activity, and body image perceptions were recorded. RESULTS: Of 196 patients, 67.35% were Black. “Self-esteem” in MAQOL-II demonstrated the most significant post-surgical improvement, with 62.8% reporting “much better” outcomes. Adjusted residuals associated “much better” and “unchanged” responses with skin color. The overall MAQOL-II score indicated lower HRQoL scores (M=1.65; standard deviation - SD=0.98) for individuals with black skin compared to those with white skin. Analyzing questionnaire responses, both racial groups exhibited equal percentages (45.3%) reporting “much better” and “better” post-surgery progress. However, no statistically significant differences in HRQoL were observed when comparing skin color. CONCLUSIONS: Skin color appears not to significantly impact the HRQoL of obese patients undergoing Roux-en-Y gastric bypass. |
|
Original Article O USO DE COLETES ABDOMINAIS NA COLONOSCOPIA: UM ENSAIO CLÍNICO PROSPECTIVO RANDOMIZADO E CONTROLADO ADALI, Mert Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: A colonoscopia é um procedimento endoscópico amplamente utilizado para investigar doenças do cólon e do reto. O procedimento de colonoscopia apresenta dificuldades para o paciente e o endoscopista. OBJETIVOS: Investigar se o uso de um espartilho abdominal pode tornar o procedimento de colonoscopia mais fácil e rápido. MÉTODOS: Este é um estudo prospectivo controlado e randomizado. Foram avaliados pacientes com mais de 18 anos de idade que se submeteram à colonoscopia eletiva em nossa clínica. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o uso do espartilho. As variáveis foram comparadas entre os grupos. RESULTADOS: O total de 204 pacientes foram incluídos no estudo. Os espartilhos foram usados em 97 pacientes e não foram usados em 107 pacientes. Verificou-se que a necessidade de compressão manual diminuiu no grupo que usou o espartilho. Não houve efeito do uso do espartilho no tempo de intubação cecal na população em geral. Verificou-se que o tempo de intubação cecal diminuiu com o uso do espartilho em pacientes com IMC<30 e do sexo masculino. CONCLUSÕES: A necessidade de compressão manual pode ser reduzida com o uso de um espartilho abdominal durante a colonoscopia. O uso de um espartilho abdominal pode tornar o procedimento de colonoscopia mais rápido e fácil para o endoscopista e o paciente.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Colonoscopy is a widely used endoscopic procedure to investigate diseases of the colon and rectum. Colonoscopy procedure has difficulties for the patient and endoscopist. AIMS: To investigate whether the use of an abdominal corset can make the colonoscopy procedure easier and faster. METHODS: This is a prospective randomised controlled study. Patients over 18 years of age who underwent elective colonoscopy in our clinic were evaluated. Patients were divided into two groups according to the use of the corset. Variables were compared between the groups. RESULTS: A total of 204 patients were included in the study. Corsets were used in 97 patients and not used in 107 patients. The need for manual compression was found to be decreased in the corset use group. There was no effect of corset use on cecal intubation time in the general population. It was found that cecal intubation time decreased with corset use in patients with body mass index - BMI<30 and male gender. CONCLUSIONS: The need for manual compression can be reduced by the use of an abdominal corset during colonoscopy. The use of an abdominal corset may make the colonoscopy procedure faster and easier for the endoscopist and the patient. |
|
Original Article TRANSTORNOS POR USO DE ÁLCOOL E DEPRESSÃO EM PACIENTES APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA OLIVEIRA, Kátia Cristina SANTA-CRUZ, Fernando LEÃO, Luciana Melo Souza KREIMER, Flávio FERRAZ, Álvaro Antonio Bandeira Resumo em Português: RESUMO Racional: Pesquisas indicam que pacientes submetidos à cirurgia bariátrica enfrentam um risco seis a sete vezes maior de desenvolver transtorno por uso de álcool (TUA) em comparação à população de indivíduos obesos que não passam por intervenção cirúrgica. Estudos sugerem que o consumo problemático de álcool, incluindo depressão, aumenta gradualmente após a cirurgia. OBJETIVOS: Avaliar o impacto da cirurgia bariátrica na incidência de transtorno do uso de álcool (TUA) e depressão durante o período pós-operatório. MÉTODOS: Estudo prospectivo avaliando 68 pacientes submetidos à gastrectomia vertical (GV) ou bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR). A presença de TUA e depressão foi avaliada tanto no pré quanto no pós-operatório. A avaliação de TUA utilizou o escore AUDIT-C, enquanto a depressão foi avaliada pelo Inventário de Depressão de Beck (IDB). RESULTADOS: A idade média da amostra foi de 42,81±9,28 anos, sendo 85,3% do sexo feminino. O acompanhamento médio foi de 16,54±7,41 meses. Na avaliação pré-operatória, 92,6% da amostra estava na categoria de baixo risco para TUA. Não houve diferença significativa entre os grupos BGYR e GV. No pós-operatório, 89,7% da amostra foi classificada como de baixo risco para TUA, sem diferenças significativas em relação à avaliação pré-operatória. Em relação à depressão, não houve diferença significativa entre os períodos pré e pós-operatório para todos os pacientes. No entanto, foi observada uma tendência significativa de redução da “depressão severa” no período pós-operatório para os pacientes submetidos à GV (pré: 14,0% vs. pós: 7,0%, p=0,013, p<0.05). CONCLUSÕES: Não há diferença significativa na presença de transtorno do uso de álcool e depressão entre as avaliações pré e pós-operatórias em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Research indicates that patients undergoing bariatric surgery face a six to seven times higher risk of developing alcohol use disorder (AUD) compared with the population of obese individuals not undergoing surgical intervention. Studies suggest that problematic alcohol consumption encompassing depression escalates gradually after surgery. AIMS: The purpose of this study was to evaluate the impact of bariatric surgery on the incidence of AUD and depression during the postoperative period. METHODS: Prospective study that evaluated 68 patients who underwent either sleeve gastrectomy (SG) or Roux-en-Y gastric bypass (RYGB). The presence of AUD and depression was assessed both pre- and post-operatively. AUD assessment utilized the AUD identification test-C score, whereas depression assessment employed the Beck Depression Inventory (BDI). RESULTS: The average age of the sample was 42.81±9.28 years, with 85.3% being female. The mean follow-up was 16.54±7.41 months. In the preoperative assessment, 92.6% of the sample fell into the low-risk category for AUD. No significant difference was observed between the RYGB and SG groups. Postoperatively, 89.7% of the sample was classified as low risk for AUD, with no significant differences compared with the preoperative assessment. Regarding depression, there was no significant difference between pre- and post-operative periods for all patients. However, a notable trend toward a reduction in “severe depression” was observed in the postoperative period for patients undergoing SG (pre: 14.0% vs. post: 7.0%, p=0.013). CONCLUSIONS: There is no significant difference in the presence of AUD and depression between pre- and post-operative assessments in patients who have undergone bariatric surgery. |
|
Original Article BROTAMENTO PERI-TUMORAL COMO PREDITIVO PARA METÁSTASES LINFONODAIS EM CARCINOMAS COLORRETAIS: QUAL A IMPORTÂNCIA? SANTOS, Emily Karoline Araujo Nonato dos TRICHES, Bruna Gama SILVA, Guilherme Prestes da LINHARES, Julia Costa MEHANNA, Samya Hamad CAVALCANTI, Marcela Santos Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: A análise microscópica de brotamento peri-tumoral (BT) pode ser uma importante ferramenta preditiva de metástases linfonodais regionais em casos de câncer colorretal, principalmente entre pacientes em estágios intermediários, os quais apresentam marcante variabilidade prognóstica. OBJETIVOS: Avaliar o poder preditivo do BT em relação à presença de metástases linfonodais, bem como sua associação com outras características relacionadas à progressão do carcinoma colorretal. MÉTODOS: Trata-se de estudo transversal, retrospectivo com abordagem quantitativa, com revisão de prontuários médicos e laudos anatomopatológicos de pacientes submetidos a cirurgia oncológica por câncer colorretal. RESULTADOS: Foram analisados 153 prontuários de pacientes, predominando a faixa etária de 61-70 anos, com uma maioria masculina (50,98%). O adenocarcinoma sem especificação foi o tipo histológico mais comum (60,78%), com a maioria mostrando moderada diferenciação (87,58%). Da amostra total, 97 casos (63,39%) apresentaram BT, com 51,55% classificados como alto escore de brotamento. A invasão em tecido adiposo/subserosa foi a mais prevalente, ocorrendo em 46,41% dos casos. Metástases em linfonodos regionais e embolização angiolinfática foram observadas em 66 e 101 pacientes, respectivamente. A análise cruzada indicou uma associação estatisticamente significativa entre BT e metástase linfonodal (p<0,05). CONCLUSÕES: A relação entre BT e metástase linfonodal destaca a importância deste fator histológico na estratificação de risco e prognóstico em pacientes com câncer colorretal, complementando o estadiamento TNM. Portanto, a avaliação do brotamento tumoral é crucial em laudos anatomopatológicos, podendo influenciar decisões terapêuticas adicionais.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Microscopic analysis of tumor budding (TB) may be an essential predictive tool for regional lymph node metastases in colorectal cancer, especially among patients in intermediate stages, who exhibit considerable prognostic variability. AIMS: The aim of this study was to assess the predictive power of BT regarding the presence of lymph node metastases and its association with other characteristics related to colorectal carcinoma progression. METHODS: This is a cross-sectional, retrospective study with a quantitative approach, focusing on the review of medical records and histopathological reports of patients who underwent oncologic surgery for colorectal cancer. RESULTS: A total of 153 patient records were examined, with a predominance of the 61-70 age group and a male majority (50.98%). Adenocarcinoma not otherwise specified was the most common histological type (60.78%), with the majority exhibiting moderate differentiation (87.58%). From the total sample, 97 cases (63.39%) exhibited TB, with 51.55% classified as a high budding score. Invasion of adipose tissue/subserosa was the most prevalent, occurring in 46.41% of cases. Regional lymph node metastases and angiolymphatic invasion were observed in 66 and 101 patients, respectively. Cross-tabulation analysis showed a statistically significant association between TB and lymph node metastasis (p<0.05). CONCLUSIONS: The relationship between TB and lymph node metastasis highlights the significance of this histological factor in the risk stratification and prognosis of patients with colorectal cancer, complementing TNM staging. Therefore, the assessment of tumor budding is crucial in histopathological reports, potentially influencing additional therapeutic decisions. |
|
Original Article Padronização do white test em ressecções hepáticas abertas: taxa próxima a zero de fístulas biliares clinicamente significativas. LAZZAROTTO-DA-SILVA, Gabriel GREZZANA-FIILHO, Tomaz de Jesus Maria LEIPNITZ, Ian FEIER, Flávia Heinz RODRIGUES, Pablo Duarte HALLAL, Celina Pereira CHEDID, Marcio Fernandes KRUEL, Cleber Rosito Pinto Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: Fístula biliar é uma das complicações mais comuns após ressecção hepática e é associado a significativa morbimortalidade. Um dos métodos empregados para avaliar fístulas biliares é o white test, que consiste na injeção de uma emulsão lipídica na via biliar. No entanto, nenhuma técnica padrão para realização do white test foi publicada. OBJETIVOS: Padronização da técnica para realização do white test em pacientes submetidos a hepatectomias, com e sem colecistectomia prévia e os resultados preliminares. MÉTODOS: Paciente acima de 18 anos e submetidos a hepatectomia aberta foram incluídos na pesquisa. O desfecho primário foi a taxa de fístula biliar. Desfechos secundários foram a incidência de pancreatite aguda e morbidade geral, medida pela classificação de Clavien-Dindo. RESULTADOS: A técnica padrão para o white test foi realizada em 17 pacientes. Três pacientes tinham colecistectomia prévia e 2 tinham inserção baixa do ducto cístico, necessitando canulação do ducto hepatocolédoco. Nenhum dos pacientes desenvolveu fístula biliar clinicamente significativa. Pancreatite aguda não ocorreu em nenhum paciente. Um paciente desenvolveu pneumonia necessitando ventilação mecânica (Clavien-Dindo IV). Todos os outros tiveram complicações menores ou não tiveram complicações. CONCLUSÕES: A técnica padronizada para realização do white test sugere uma estratégia adequada para maximizar a detecção de vazamentos biliares no intraoperatório.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Biliary fistula is one of the most common complications after liver resection and is associated with significant morbidity and mortality. One of the methods used to evaluate biliary fistulas is the White test, which consists of injecting a lipid emulsion into the bile duct. However, no standard technique for performing the White test has been published. AIMS: The aim of this study was to standardize the technique for performing the White test in patients undergoing hepatectomies, with and without previous cholecystectomy, and to assess the preliminary results. METHODS: Patients over 18 years of age who were submitted to open hepatectomy were included in the study. The primary outcome was the rate of biliary fistula. Secondary outcomes were the incidence of acute pancreatitis and overall morbidity, measured by the Clavien-Dindo classification. RESULTS: The standard technique for the White test was performed on 17 patients. In total, three patients had previous cholecystectomy, and two had low insertion of the cystic duct, requiring cannulation of the hepatocholedochal duct. None of the patients developed clinically significant biliary leaks. Acute pancreatitis did not occur in any patient. One patient developed pneumonia requiring mechanical ventilation (Clavien-Dindo IV). All others had minor or no complications. CONCLUSIONS: The standardized technique for performing the White test suggests an appropriate strategy to maximize the detection of intraoperative biliary leaks. |
|
Original Article IMPACTO DA QUARENTENA DA COVID-19 NA SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL DE MULHERES PÓS-CIRURGIA BARIÁTRICA: UM ESTUDO QUALITATIVE Lima, Alisson Padilha de Marques, Isabela Gouveia Goessler, Karla Fabiana De Cleva, Roberto Santo, Marco Aurélio Roschel, Hamilton Gualano, Bruno Benatti, Fabiana Braga Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: A doença Coronavírus 2019 (COVID-19) impactou fortemente os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica devido às medidas prolongadas de quarentena e bloqueio. OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivo investigar qualitativamente o impacto das medidas de quarentena e bloqueio da COVID-19 na saúde mental e emocional de mulheres pós-cirurgia bariátrica. MÉTODOS: Foi realizado um estudo qualitativo, com entrevistas individuais realizadas por meio de chamada de vídeo, utilizando um serviço de vídeo comunicação (Google Meet®). Um guia moderador com perguntas sobre três temas pré-estabelecidos com base na literatura foi realizado: saúde mental e emocional; relacionamento social; e uso de tecnologia em saúde. RESULTADOS: Participaram deste estudo 12 mulheres, com idade média de 43±9,83 anos, massa corporal de 82,33±13,83 quilogramas, altura de 1,62±0,06 metros, índice de massa corporal de 26,32±2,97 kg/m2 e tempo pós-operatório de 12,83±4,37 meses. As entrevistas tiveram duração média de 50,71±7,26 minutos. Nossos resultados sugeriram um impacto negativo da pandemia de COVID-19 em aspectos da saúde mental e emocional, como aumento da ansiedade, sintomas depressivos, medo, estresse e angústia, que foram de alguma forma diminuídos em pacientes mais próximos de familiares. A cirurgia bariátrica foi citada como aspecto positivo pelos pacientes para o enfrentamento das condições clínicas de risco. CONCLUSÕES: O estudo mostrou um impacto negativo da pandemia de COVID-19 em aspectos da saúde mental e emocional, principalmente devido a medidas de confinamento que levaram ao isolamento social e a um aumento da carga de tarefas domésticas.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: The coronavirus disease 2019 (COVID-19) greatly impacted patients undergoing bariatric surgery due to prolonged quarantine and lockdown measures. AIMS: The aim of this study was to qualitatively investigate the impact of the COVID-19 quarantine and lockdown measures on the mental and emotional health of post-bariatric surgery women. METHODS: A qualitative study was carried out, with individual interviews conducted via video calls using a video-communication service (Google Meet®). The moderator guide inquired about three pre-established topics based on the literature: mental and emotional health, social relationship, and the use of health technology. RESULTS: A total of 12 women participated in this study, with an average age of 43±9.83 years, a body mass of 82.33±13.83 kg, a height of 1.62±0.06 m, a body mass index of 26.32±2.97 kg/m2, and post-surgery time of 12.83±4.37 months. The interviews had an average duration of 50.71±7.26 min. Our results suggested a negative impact of the COVID-19 pandemic on aspects of mental and emotional health, such as increased anxiety, depressive symptoms, fear, stress, and anguish, which were somehow diminished in patients who were closer to family members. Bariatric surgery was mentioned as a positive aspect by the patients for coping with clinical risk conditions. CONCLUSIONS: The study showed a negative impact of the COVID-19 pandemic on aspects of mental and emotional health mostly due to lockdown measures, which led to social isolation and an increased burden with household chores. |
|
Original Article FATORES DE RISCO PARA FÍSTULA PANCREÁTICA PÓS-OPERATÓRIA APÓS PANCREATICODUODENECTOMIA: EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO NA TUNÍSIA Khedhiri, Nizar Zaafouri, Haithem Boujelbene, Wael Cherif, Mouna Helal, Imen Mesbahi, Meryam Haddad, Dhafer Ben-Maamer, Anis Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: A pancreaticoduodenectomia (PD) é uma intervenção importante na cirurgia digestiva. Embora sua mortalidade seja atualmente baixa em centros experientes, a morbidade permanece alta, dominada pela fístula pancreática. OBJETIVOS: Analisar os fatores de risco para fístula pancreática pós-operatória (FPO) após pancreaticoduodenectomia. MÉTODOS: Foi realizado um estudo retrospectivo no Departamento de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Habib Thameur, em Túnis, durante 12 anos (2010–2021). Todos os pacientes submetidos à pancreaticoduodenectomia foram incluídos, independentemente da indicação. RESULTADOS: Nossa série incluiu 50 pacientes, sendo 27 homens e 23 mulheres. A taxa de fístula pancreática foi de 32% (16 pacientes) com um tempo médio de início de 5 dias (1-12 dias). Foi um vazamento bioquímico (grau A) em 1 paciente (2%), fístula pancreática grau B em 5 pacientes (10%) e grau C em 10 pacientes (20%). A fístula pancreática foi responsável por 10% da mortalidade pós-operatória (5 pacientes). A análise univariada demonstrou uma correlação significativa entre a fístula pancreática pós-operatória e os seguintes fatores: diâmetro do ducto pancreático principal ≤3 mm (p=0,036, p<0,05), textura macia do pâncreas (p=0,025, p<0,05), pancreaticojejunostomia por 2 suturas sobrepostas pela metade (p=0,049, p<0,05), glicemia de jejum ≤8 mmol/l (p=0,025, p<0,05). A análise multivariada mostrou que a textura macia do pâncreas foi o único fator de risco independente para fístula pancreática pós-operatória (p=0,02, p<0,05). CONCLUSÕES: A textura macia do pâncreas é o único fator de risco independente para FPO. Ainda são necessários estudos prospectivos e randomizados para determinar com precisão os verdadeiros fatores de risco para fístula pancreática após a PD.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Pancreaticoduodenectomy (PD) is a major intervention in digestive surgery. Although its mortality is currently low in experienced centers, morbidity remains high, dominated by a pancreatic fistula. AIMS: The aim of this study was to analyze the risk factors for postoperative pancreatic fistula (POPF) after PD. METHODS: A retrospective study was conducted at the General Surgery Department of Habib Thameur University Hospital in Tunis for 12 years (2010–2021). All patients who underwent PD were included regardless of indications. RESULTS: Our series comprised 50 patients, consisting of 27 men and 23 women. The rate of a pancreatic fistula was 32% (16 patients) with an average time of onset of 5 days (1–12 days). It was observed as a biochemical leak (grade A) in 1 patient (2%), pancreatic fistula grade B in 5 patients (10%), and pancreatic fistula grade C in 10 patients (20%). Pancreatic fistula was responsible for 10% of postoperative mortality (five patients). Univariate analysis showed a statistically significant correlation between POPF and the following factors: diameter of the main pancreatic duct ≤3 mm (p=0.036, p<0.05), soft texture of the pancreas (p=0.025, p<0.05), pancreaticojejunostomy by two semi-overlapping sutures (p=0.049, p<0.05), and fasting blood glucose level ≤8 mmol/l (p=0.025, p<0.05). Multivariate analysis showed that soft pancreatic texture was the only independent risk factor for POPF (p=0.02, p<0.05). CONCLUSION: The soft texture of the pancreas is the only independent risk factor for POPF. Prospective randomized studies are still needed to accurately determine the true risk factors for a pancreatic fistula after PD. |
|
Original Article RESULTADOS DO PÓS-OPERATÓRIO DE PACIENTES INTERNADOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA APÓS LAPAROTOMIA ELETIVA E DE EMERGÊNCIA VALVERDE FILHO, Murilo Tavares ARAGÃO, Gabriel Vianna Pereira CASTRO, Igor Lima Vieira de SANTANA, Jade de Oliveira CODES, Liana ZOLLINGER, Claudio Celestino ANDRAUS, Wellington BITTENCOURT, Paulo Lisboa Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: Cirurgias estão associadas a um alto risco de morbidade e mortalidade quando realizadas em pacientes críticos. OBJETIVOS: investigar os fatores de risco associados a resultados adversos em uma coorte de pacientes admitidos em unidade de terapia intensiva (UTI) de um único centro de referência após cirurgia abdominal. MÉTODOS: Pacientes admitidos em UTI cirúrgica entre janeiro 2016 e dezembro 2022 foram avaliados retrospectivamente. Dados referentes a variáveis demográficas, clínicas e perioperatórias foram comparados à mortalidade hospitalar. RESULTADOS: Foram avaliados 1.717 pacientes (1.096 mulheres, idade 61+17 anos). A maioria dos pacientes foi submetida a cirurgia colorretal (n=499), pancreática (n=148), biliar (n=147), gástrica (n=145), hepática (n=131) e vários procedimentos ginecológicos/obstétricos (n=250). Um total de 52,3% desses procedimentos cirúrgicos foram eletivos. Os escores médios do Índice de Comorbidade de Charlson (CCI) e do APACHE II foram 4,4±2,8 e 10,1±5,6, respectivamente. Mortalidade foi observada em 158 (9,2%) pacientes. Idade (70,4±14,3 vs. 60,6±17,1 anos nos sobreviventes, p=0,002), CCI (6,1±2,5 vs. 4,3±2,8 nos sobreviventes, p=0,005), tipo de cirurgia (13,6% cirurgias emergenciais ou urgentes vs. 5,5% cirurgias eletivas, p<0,001) e APACHE II (16,7±8,4 vs. 9,4±4,7 nos sobreviventes, p=0,001) foram associados à mortalidade na análise univariada, mas somente o índice de comorbidade de Charlson, o tipo de cirurgia e APACHE II foram independentemente correlacionados a um maior risco de morte na análise multivariada. CONCLUSÕES: Atualmente, a mortalidade após cirurgia abdominal em pacientes que necessitam de suporte pós-operatório em UTI é inferior a 10%, sendo independentemente associada a cirurgias urgentes/emergenciais, gravidade da doença e comorbidades.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Surgery is associated with a high risk for morbidity and mortality, particularly when performed in critical patients requiring intensive care unit (ICU) admission. AIM: The aim of this study was to investigate risk factors associated with adverse outcomes in a large cohort of patients admitted to a single-center ICU after abdominal surgery. METHODS: All patients admitted to a surgical ICU for postoperative care, from January 2016 to December 2022, were retrospectively evaluated. Data concerning demographics and clinical and perioperative variables were compared to in-hospital mortality. RESULTS: A total of 1,717 patients (1,096 women, mean age: 61±17 years) were evaluated. Most of the patients underwent colorectal (n=499), pancreatic (n=148), biliary tract (n=147), and gastric surgeries (n=145); liver resection (n=131); and several gynecological or obstetric procedures (n=250). Only 52.3% of these surgical procedures were elective. The mean Charlson Comorbidity Index (CCI) and Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II (APACHE II) scores were 4.4±2.8 and 10.1±5.6, respectively. Mortality was observed in 158 (9.2%) patients. Age (70.4±14.3 vs. 60.6±17.1 years in survivors, p=0.002), CCI (6.1±2.5 vs. 4.3±2.8 in survivors, p=0.005), type of surgery (13.6% in emergent/urgent vs. 5.5% in elective surgeries, p<0.001), and APACHE II score (16.7±8.4 vs. 9.4±4.7 in survivors, p<0.0001) were associated with mortality on univariate analysis, but only CCI, type of surgery, and APACHE II score were independently correlated with a higher risk of death on multivariate analysis. CONCLUSIONS: Mortality after abdominal surgery in patients requiring postoperative ICU support is less than 10% nowadays, and it is independently associated with urgent or emergent surgeries, disease severity, and comorbidity. |
|
Original Article ASSOCIAÇÃO ENTRE TEMPERAMENTO AFETIVO E OBESIDADE MÓRBIDA EM CANDIDATOS À CIRURGIA BARIÁTRICA: UM ESTUDO CASO-CONTROLE MOUSFI, Alexandre Karam Joaquim MAUER, Sivan NASSIF, Paulo Afonso Nunes SIGWALT, Marcos Fabiano CUENCA, Ronaldo Mafia TORRES, Orlando Jorge Martins Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: Os temperamentos afetivos fazem parte do espectro dos transtornos do humor e compreendem os conceitos de hipertimia, distimia e ciclotimia. Vários estudos demonstraram uma forte relação entre obesidade e transtornos do humor. OBJETIVOS: O objetivo do presente estudo foi avaliar a frequência de temperamentos afetivos em indivíduos com obesidade mórbida e controles e estabelecer uma possível associação entre temperamentos afetivos e obesidade mórbida. MÉTODOS: O estudo avaliou 106 casos (obesos mórbidos) e 100 controles (não obesos). Para avaliar os temperamentos afetivos foi aplicada a escala TEMPS-Rio de Janeiro. Os sintomas depressivos foram avaliados pela Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton, os sintomas de ansiedade pela Escala de Avaliação de Ansiedade de Hamilton e os sintomas maníacos pela Escala de Avaliação de Mania de Young. Para análise univariada e multivariada foram ajustados modelos de Regressão Logística. RESULTADOS: A presença de pelo menos um temperamento afetivo foi de 74,5% no grupo de obesos mórbidos e de 63% no grupo de não obesos. Na comparação entre os dois grupos, a análise estatística do subgrupo etário dos indivíduos com 50 anos ou mais mostrou uma razão de chances de 2,56 (1,07-6,09) para o temperamento hipertímico. CONCLUSÕES: Na faixa etária de 50 anos ou mais, os casos de obesidade mórbida são significativamente mais prováveis (2,56 vezes) de ocorrer em indivíduos com temperamento hipertímico. Entre os três tipos de temperamentos afetivos avaliados, apenas a hipertimia poderia ser fator de risco para obesidade mórbida.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Affective temperaments are part of the spectrum of mood disorders and comprise the concepts of hyperthymia, dysthymia and cyclothymia. Numerous studies have demonstrated a strong relationship between obesity and mood disorders. AIMS: The objective of the present study was to evaluate the frequency of affective temperaments in morbidly obese individuals and controls and to establish a possible association between affective temperaments and morbid obesity. METHODS: The study evaluated 106 cases (morbidly obese) and one hundred controls (non-obese). To assess affective temperaments, the Temperament Evaluation in Memphis Pisa and San Diego - Rio de Janeiro TEMPS-Rio de Janeiro scale was applied. Depressive symptoms were assessed using the Hamilton Depression Rating Scale, anxiety symptoms using the Hamilton Anxiety Rating Scale and manic symptoms using the Young Mania Rating Scale. For univariate and multivariate analysis, logistic regression models were adjusted. RESULTS: The presence of at least one affective temperament was 74.5% in the morbidly obese group and 63% in the non-obese group. When comparing the two groups, the statistical analysis of the age subgroup of individuals aged 50 years or over showed an odds ratio of 2.56 (1.07-6.09) for hyperthymic temperament. CONCLUSIONS: In the age group of 50 years or more, cases of morbid obesity are significantly more likely (2.56 times) to occur in individuals with a hyperthymic temperament. Among the three types of affective temperaments evaluated, only hyperthymia could be a risk factor for morbid obesity. |
|
ORIGINAL ARTICLE IMPACTO DA GASTRECTOMIA VERTICAL NA RAZÃO NEUTRÓFILOS/LINFÓCITOS E NA RAZÃO PLAQUETAS/LINFÓCITOS E A SUA RELAÇÃO COM A PERDA DE PESO PÓS-OPERATÓRIA IWANAGA, Tiago Cavalcanti SANTA-CRUZ, Fernando FERRAZ, Álvaro Antonio Bandeira KREIMER, Flávio Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: A obesidade representa um estado pró-inflamatório crônico que acelera a aterosclerose e o envelhecimento celular. Além da proteína C-reativa (PCR) e da ferritina, outros marcadores têm ganhado atenção, como a razão neutrófilos/linfócitos (RNL) e a razão plaquetas/linfócitos (RPL), que são relacionados com o grau de inflamação sistêmica em várias patologias, incluindo a obesidade e suas comorbidades. OBJETIVOS: Comparar os valores de RNL e RPL antes e depois da gastrectomia vertical (GV). MÉTODOS: Estudo retrospectivo que incluiu 622 pacientes portadores de obesidade submetidos à GV em nosso centro. Dados relacionados à presença de comorbidades, incluindo diabetes tipo 2 (DT2), hipertensão arterial sistêmica (HAS) e doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), variações de peso e índice de massa corporal (IMC) e marcadores bioquímicos de inflamação sistêmica, incluindo RNL, RPL e PCR, foram coletados. Os valores da RNL e RPL foram correlacionados com a perda de peso e o prognóstico das comorbidades no período pós-operatório. RESULTADOS: A amostra foi predominantemente feminina (79,3%), com idade média de 36.91±10.04 anos, com a presença das seguintes comorbidades: HAS (25,1%), DT2 (8,0%), e DHGNA (80,1%). Pacientes com HAS apresentaram redução nos valores de RNL e PCR após o procedimento, enquanto os pacientes com DT2 apresentaram redução de PCR e aumento da RPL. Não houve correlação das variações do IMC com a RNL, porém houve correlação significativa com a RPL. Após a cirurgia, a RNL reduziu e a RPL aumentou nos pacientes com DHGNA. CONCLUSÕES: Pacientes com obesidade apresentam redução significativa da RNL e aumento da RPL após a realização da GV.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Obesity represents a chronic pro-inflammatory status that contributes to accelerated atherosclerosis and cell aging. Besides the widely used C-reactive protein and ferritin, other inflammatory markers have gained attention, such as neutrophil-to-lymphocyte ratio (NLR) and platelet-to-lymphocyte ratio (PLR), which are related with the degree of inflammation in various pathological conditions, including obesity and its comorbidities. AIMS: To compare and monitor the levels of NLR and PLR before and after sleeve gastrectomy (SG). METHODS: Retrospective study that included a total of 622 patients with obesity who underwent SG as primer bariatric surgery in our center. Data regarding the presence of comorbidities, including type 2 diabetes (T2D), high blood pressure (HBP) and non-alcoholic fatty liver disease (NAFLD), variations in body weight and body mass index (BMI), and biochemical markers of inflammation, including neutrophil-to-lymphocyte ratio (NLR), platelet-to-lymphocyte ratio (PLR) and C-reactive protein (CRP) were gathered. Values of NLR and PLR were correlated with weight loss and prognosis of comorbidities within the postoperative period. RESULTS: The sample was predominantly female (79.3%) with average age 36.91±10.04 years, with comorbidities including HBP (25.1%), T2D (8.0%), and NAFLD (80.1%). Patients with HBP showed reduced NLR and CRP post-intervention, while those with T2D experienced decreased CRP but increased PLR. Correlation analysis found no significant correlation between BMI/weight changes and NLR but significant correlation with PLR. Post-surgery, NLR decreased for previously NAFLD patients, and PLR increased. CONCLUSIONS: According to the results, patients with obesity present a significant decrease in NLR and an increase in PLR after SG. |
|
ORIGINAL ARTICLE A utilização de cola cirúrgica e sutura na síntese da aponeurose em parede abdominal de ratos Wistar UTRABO, Carlos Alberto Lima BUSATO, Cesar Roberto KOGA, Adriana Yuriko MACHOZEKI, Janete GUIMARÃES, Mirian BELTRAME, Danilo MACHINSKI, Elcio LIPINSKI, Leandro Cavalcante Resumo em Português: RESUMO Racional: O fechamento adequado da parede abdominal determina o sucesso da cirurgia. Objetivos: Estudar a cicatrização da parede abdominal de ratos, comparando o uso de cola cirúrgica (2-octil cianoacrilato), com fio de polipropileno 3.0, e com fio de poliglecaprone 3.0. Métodos: Sessenta ratos Wistar foram divididos em 2 grupos: Grupo 30 e Grupo 90. Cada grupo foi subdividido em 3 subgrupos, subgrupo cola cirúrgica (C1); subgrupo polipropileno (C2); subgrupo poliglecaprone (C3). Foi realizada uma incisão na aponeurose da parede abdominal, mantendo a integridade do peritônio parietal. Os 3 subgrupos de 10 animais foram eutanasiados no 30º e 90º dias de pós-operatório. Os fragmentos da parede abdominal foram submetidos à análise macroscópica, histológica e tensiométrica. Resultados: A análise macroscópica não demonstrou nenhuma anormalidade. A tensiometria no 30º dia de pós-operatório mostrou uma tensão média de ruptura no subgrupo C1 de 30,98N, no subgrupo C2 27,90N e no subgrupo C3 23,90N. No 90º dia de pós-operatório, o subgrupo C1 apresentou uma tensão média de ruptura de 30,05N, o subgrupo C2 44,42N e o subgrupo C3 34,78N. Conclusões: A síntese da aponeurose abdominal realizada com cola cirúrgica (2-octil cianoacrilato) apresentou resistência adequada à tensão de ruptura para manter sua integridade, quando comparada à síntese com fio de polipropileno ou fio de poliglecaprone, sendo ambos os métodos igualmente eficazes.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
Original Article Quais são os diferenciais clínico-endoscópicos da doença celíaca na síndrome dispéptica? CRUZ, Manoela Aguiar CZECZKO, Nicolau Gregori RUTZ, Leticia Elizabeth Augustin Czeczko MALAFAIA, Matheus Toniolo Resumo em Português: RESUMO Racional: A dispepsia é um conjunto de sintomas do abdome superior e apresenta prevalência de 10-45% da população, cursando com diversas possibilidades etiológicas, incluindo a doença celíaca. Objetivos: Avaliar a prevalência de doença celíaca em pacientes com diagnóstico clínico de síndrome dispéptica. Métodos: Estudo observacional, baseado na revisão de prontuários de pacientes atendidos por dispepsia não investigada. Foram incluídos pacientes acima de 18 anos, com essa dispepsia e que possuíssem endoscopia, imunoglobulina A total e antitransglutaminase IgA. Foram excluídos os com quadro diarreico, constipação, má-absorção, intolerância à lactose refratária ou que apresentassem sinais ou sintomas extraintestinais sugestivos de doença celíaca. Resultados: A amostra inicial foi de 1.802 registros e a final de 200 pacientes. Considerando o total da amostra a idade média foi de 45,13 anos e o sexo feminino foi predominante. Os sintomas associados ao glúten foram relatados em 6%. O anticorpo antitransglutaminase foi positivo em 1,5%. Considerando a amostra de 100 pacientes, o diagnóstico de doença celíaca teve prevalência de 3%. Conclusões: A prevalência de doença celíaca em pacientes com diagnóstico clínico de síndrome dispéptica foi de 3%.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
Original Article Câncer da junção esofagogástrica Siewert II: gastrectomia total ou esofagectomia? WOHNRATH, Durval Renato SILVA, Raphael de Oliveira e ARAUJO, Raphael Leonardo Cunha Resumo em Português: RESUMO Racional: A abordagem cirúrgica para câncer da junção esofagogástrica (JEG), Siewert II, tem sido controversa em relação ao controle de margem de segurança, reconstrução e extensão da linfadenectomia. Portanto, prever a necessidade de esofagectomia e gastrectomia proximal (EGP) ou gastrectomia total com esofagectomia distal (GTED) pode ser um desafio. Historicamente, as taxas de complicações do EGP são mais elevadas, influenciando no tratamento adjuvante e os resultados em longo prazo. Objetivos: Descrever a estratégia cirúrgica para abordagem dos cânceres Siewert II da JEG, com decisão intraoperatória entre gastrectomia total ou esofagectomia, baseada em biópsias intraoperatórios. Métodos: Todos os pacientes foram submetidos à laparotomia, iniciando com descolamento da grande curvatura gástrica, preservando as artérias gastroepiplóica direita, gástrica direita e esquerda; dissecção do hiato esofágico e transecção do esôfago distal e biopsia de congelação. A GTED foi preferido se a margem proximal do esôfago distal fosse negativa e a EGP foi realizada por acesso transhiatal se a margem fosse positiva. Resultados: Entre 38 pacientes com Siewert II, 26 (69%) foram submetidos a GTED e 12 (31%) foram submetidos a EGP e, independentemente da tendência a maiores taxas de complicações, margens positivas e menor sobrevida global no grupo EGP, não houve diferenças significantes entre os grupos. Conclusões: A ausência de diferenças significativas na morbidade entre os dois procedimentos, tem o erro tipo II como possível causa. Este estudo sugere que esofagectomias desnecessárias podem ser evitadas sem comprometer os resultados cirúrgicos ou oncológicos e optando-se por um procedimento menos mórbido.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
Original Article Variáveis relacionadas à recidiva locoregional e à distância no câncer de esôfago FONSECA, Sarah RAMOS, Igor Gabriel Silva MAEGAWA, Felipe Antonio Boff USON JUNIOR, Pedro Luiz Serrano TUSTUMI, Francisco Resumo em Português: RESUMO Racional: O câncer de esôfago continua sendo uma das neoplasias malignas mais agressivas do trato gastrointestinal, com taxas elevadas de recorrência e mortalidade, apesar da cirurgia com intenção curativa e das terapias adjuvantes. A identificação dos fatores associados à recorrência é crucial para melhorar os desfechos e orientar o tratamento personalizado. Objetivos: Avaliar as variáveis pré-tratamento e relacionadas ao tratamento associadas à recorrência, em portadores de câncer de esôfago, submetidos à ressecção cirúrgica. Métodos: Estudo retrospectivo que analisou dados de pacientes com carcinoma de esôfago em estágio I-III, submetidos à esofagectomia entre 2000 e 2025, utilizando o banco de dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP). Variáveis clínicas, histológicas e relacionadas ao tratamento foram avaliadas. A sobrevida livre de doença e os padrões de recorrência foram avaliados utilizando modelos de riscos proporcionais de Cox e modelos de risco de subdistribuição de Fine-Gray. Resultados: O total de 2.057 pacientes foram incluídos, com um acompanhamento médio de 36,5 meses (±44,8). Na análise multivariada, o estágio avançado do tumor (estágio II: HR 1,68, IC95% 1,21–2,33; estágio III: HR 3,23, IC95% 2,29–4,56; ambos p<0,01), localização (esôfago médio: HR 1,31, IC95% 1,11–1,54; p=0,001; esôfago superior: HR 1,54, IC95% 1,21–1,96; p<0,001) e subtipo histológico (histologias raras: HR 2,17, IC95% 1,35–3,49; p=0,001) foram associados a pior sobrevida livre de doença. A terapia multimodal melhorou a sobrevida livre de doença (HR 0,40, IC95% 0,24–0,66) em tumores em estágio III. O carcinoma de células escamosas foi independentemente associado à recidiva locorregional (SHR 1,52, IC95% 1,05–2,20; p=0,027). Para recidiva distante, o carcinoma de células escamosas mostrou um efeito protetor (SHR 0,52, IC95% 0,31–0,88; p=0,015), enquanto o alto grau do tumor (grau II: SHR 3,65, IC95% 1,98–6,72; p<0,001) foi associado a um risco aumentado. Os tratamentos multimodais influenciaram os padrões de recidiva, mas não previram os resultados de forma independente após o ajuste. Conclusões: O estágio, a localização e o tipo histológico do tumor foram fortes preditores de sobrevida livre de doença, após cirurgia para câncer de esôfago. Os subtipos histológicos influenciaram significativamente os padrões de recorrência. O carcinoma de células escamosas foi associado a um risco maior de recorrência locorregional, mas a um risco menor de metástase à distância em comparação ao adenocarcinoma. A terapia multimodal demonstrou efeito protetor no estágio III da doença.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
ORIGINAL ARTICLE Correção preventiva da fibrinólise com ácido épsilon aminocapróico detectado pela tromboelastometria durante transplante de fígado NASCIMENTO, José Carlos Rodrigues FREITAS, Luiz Henrique PINTO, Daniel Vieira SOUZA, Antônia Lima AQUINO, Cristhyane Costa SANTOS, Denise Teixeira NUNES, Rogean Rodrigues Resumo em Português: RESUMO Racional: O transplante ortotópico de fígado (TOF) é um procedimento altamente complexo, que pode ser de difícil controle intraoperatório em pacientes com coagulopatias. Objetivos: Avaliar a administração profilática de ácido épsilon aminocapróico (EACA) para reduzir a necessidade de transfusão de hemoderivados e sua relevância para a trombose. Métodos: Os pacientes foram randomizados em dois grupos: um grupo recebeu EACA (20 mg/kg/h) antes da incisão cirúrgica até o final do TOF, e um grupo controle recebeu um volume semelhante de solução salina a 0,9%. O sangue foi coletado para analisar fibrinólise e distúrbios de coagulação por tromboelastometria rotacional (ROTEM®). Resultados: Vinte e quatro pacientes receberam EACA e 26 pacientes receberam solução salina. Na análise do perfil de coagulação fibrinolítico e hemostático pelo ROTEM®, a fibrinólise foi significativamente menos frequente no grupo de pacientes tratados com EACA (p<0,001) na fase anepática. Não houve diferenças significativas nas análises de tromboelastometria por outras vias extrínsecas e tromboelastometria específica para fibrinogênio. Além disso, não houve diferenças significativas entre os dois grupos em relação à média e à porcentagem de transfusão de hemoderivados, complicações pós-operatórias, pacientes que receberam alta hospitalar e aqueles que faleceram em até 3 meses após o transplante de fígado. Conclusões: Embora a administração de EACA não tenha reduzido a transfusão de hemoderivados, este medicamento tratou eficazmente a fibrinólise e não foi associado a quaisquer complicações com aumento do risco de trombose venosa e arterial hepática ou mortalidade em até 3 meses após o transplante de fígado.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
ORIGINAL ARTICLE Doenças inflamatórias intestinais no brasil: jornada de médicos que atendem pacientes. Qual a importância? CRAVEIRO, Marcela Maria Silvino SASSAKI, Lígia Yukie VILELA, Eduardo Garcia HOSSNE, Rogério Saad Resumo em Português: RESUMO Racional: As doenças inflamatórias intestinais são afecções inflamatórias crônicas de caráter recorrente, cujas taxas de incidência e prevalência têm aumentado mundialmente. Objetivos: Traçar o perfil dos médicos que atendem pacientes com doenças inflamatórias intestinais no Brasil, compreender e analisar a jornada e importância deste atendimento. Métodos: Trata-se de um estudo transversal que analisou de forma descritiva e inferencial o banco de dados pré-existente do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil, observando a realidade do atendimento da doença de Crohn e retocolite ulcerativa no país. Resultados: Na análise descritiva, encontramos resultados quanto ao perfil do médico como: especialidade, número de pacientes atendidos com estas doenças e suas dificuldades de acesso a medicamentos, exames complementares e equipe multidisciplinar. Na análise estatística referente ao Índice de Desenvolvimento Humano dos estados, os resultados significativos foram em relação: ao local de trabalho, dificuldade de acesso a medicamentos, encaminhamento para outros especialistas. Quanto à associação das variáveis com a demografia médica os resultados foram significativos em relação a: local de trabalho, dificuldade de acesso a medicamentos e exames complementares. Conclusões: O estudo mostrou um retrato do perfil dos médicos que atendem portadores de doenças inflamatórias intestinais e que participaram deste levantamento. Além da análise e descrição do perfil do médico e de suas dificuldades, relacionamos os principais aspectos que prejudicam tanto ao diagnóstico e o tratamento, atribuídos a fatores externos, independente da sua realidade e competência.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
Original Article Pancreatoduodenectomia no tratamento da pancreatite do sulco APODACA-TORREZ, Franz Robert ZOTTI, Orlando Rondan APODACA-RUEDA, Marcio SANTOS, Mariana Araújo FUZIY, Rogério Aoki LOBO, Edson José Resumo em Português: RESUMO Racional: A pancreatite do sulco (PS) é uma forma rara e segmentar de pancreatite crônica que afeta o sulco pancreatoduodenal, cuja fisiopatologia ainda não é bem conhecida e se atribuem vários fatores etiológicos, sendo o consumo crônico do álcool a associação mais comum. O tratamento da mesma ainda gera controvérsias. Prevalece a abordagem clínica inicial seguida de terapêuticas endoscópicas. A cirurgia está indicada diante da falha das mesmas. Objetivos: Analisar os dados clínicos, de imagem e do tratamento cirúrgico de uma série de doentes com diagnóstico de pancreatite do sulco. Métodos: Foram analisados dados clínicos, radiológicos, da cirurgia e do acompanhamento pós-operatório, além do resultado histopatológico de pancreatite crônica de pacientes submetidos a pancreatoduodenectomia, Resultados: Foram incluídos oito doentes, seis do sexo masculino; a média de idade foi de 45 anos. O principal sintoma apresentado foi a dor abdominal de longa data de evolução em uso de analgésicos e a perda de peso; todos os pacientes eram etilistas crônicos. Os métodos de imagem definiram o diagnóstico de pancreatite do sulco ainda no pré-operatório em cinco doentes. Em três doentes, o diagnóstico pré-operatório foi de neoplasia de cabeça de pâncreas. Todos os doentes foram submetidos à pancreatoduodenectomia e um doente evoluiu com fístula pancreática. Houve regressão da dor em todos os pacientes. Conclusões: Pacientes com pancreatite do sulco que não respondem à abordagem clínica, ou, diante da dúvida diagnóstica, a pancreatoduodenectomia constitui-se em uma boa opção terapêutica.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
Original Article Transplante hepático em idade maior que 70 anos GENZINI, Tércio RODRIGUES, Marina Guitton ALMEIDA, Thais Natalia de DANZIERE, Fernanda Ribeiro FONSECA, Luiz Edmundo Pinto da GENZINI, Marcella Costa LERNER, Fernando Kruglensky COELHO, Aloysio Ikaro Martins GROCHOSKI, Keli Camila Vidal PEROSA, Marcelo Resumo em Português: RESUMO Racional: O transplante de fígado é cada vez mais reconhecido como uma opção de tratamento para diversas doenças que afetam uma crescente população idosa. No entanto, seu uso em pacientes com mais de 70 anos permanece controverso em centros com menos desenvolvidos ou alta mortalidade em lista de espera. Objetivos: Avaliar a eficácia do transplante de fígado como opção de tratamento para pacientes idosos com 70 anos ou mais, em comparação com receptores mais jovens. Métodos: Estudo retrospectivo baseado em dados de prontuários médicos de 309 receptores de transplante de fígado tratados pela mesma equipe cirúrgica em três hospitais — dois localizados em São Paulo (SP) e um em Rio Branco (AC). Os pacientes foram divididos em dois grupos para comparação: aqueles com até 69 anos (Grupo I) e aqueles com 70 anos ou mais (Grupo II). Resultados: As características dos doadores foram semelhantes entre os dois grupos, exceto por uma dose maior de norepinefrina no Grupo I (p<0,05). O Grupo II apresentou maior necessidade de transfusão e maior tempo de internação na UTI (p<0,05), além de maiores taxas de desnutrição e comorbidades. A sobrevida em noventa dias foi comparável entre os grupos. Conclusões: Pacientes com 70 anos ou mais podem alcançar evoluções comparáveis aos de receptores mais jovens, desde que recebam enxertos de doadores cuidadosamente selecionados. Essa população não deve ser excluída das listas de espera para transplante, e políticas específicas de alocação ou ajustes de pontuação devem ser considerados para garantir acesso equitativo.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
ORIGINAL ARTICLE Implementação das recomendações do II Consenso Brasileiro de Câncer Gástrico na prática clínica: estudo multicêntrico da Associação Brasileira de Câncer Gástrico RAMOS, Marcus Fernando Kodama Pertille PEREIRA, Marina Alessandra ALBUQUERQUE, Alexandre Farias de VIANA, Eduardo Freitas COSTA JUNIOR, Wilson Luiz SANCHES, Soraya Rodrigues de Almeida SILVA, Andre Maciel RIBEIRO JUNIOR, Ulysses OLIVEIRA, Andrea Pedrosa Ribeiro Alves VICTER, Felipe Carvalho TARGA, Giovanni Zenedin ASSUMPÇÃO, Paulo Pimentel WESTON, Antonio Carlos RIBEIRO NETO, João Paulo MOREIRA, Luis Fernando MRUE, Fatima LOPES, Luiz Roberto KASSAB, Paulo PINTO, João Odilo Gonçalves BARCHI, Leandro Cardoso FORONES, Nora Manoukian Resumo em Português: RESUMO Racional: O manejo do câncer gástrico tornou-se cada vez mais complexo, ressaltando a importância de diretrizes clínicas e consensos especializados para padronizar o cuidado. O 2º Consenso Brasileiro sobre Câncer Gástrico foi elaborado com o objetivo de orientar a prática clínica em todo o país. Objetivos: Avaliar o grau de implementação das recomendações do 2o Consenso Brasileiro sobre Câncer Gástrico em centros de referência oncológica no Brasil. Métodos: Estudo multicêntrico com participação de 18 centros especializados no tratamento do câncer, que coletaram dados prospectivamente ao longo de um ano. Foram analisadas 21 declarações-chave do Consenso. Considerou-se aderência quando a declaração foi seguida em mais de 80% dos casos aplicáveis. Resultados: Das 21 declarações avaliadas, 11 (52,4%) atingiram o critério de adesão. O uso seletivo da ultrassonografia endoscópica e do PET-CT esteve de acordo com o Consenso. No entanto, a laparoscopia diagnóstica foi subutilizada, sendo realizada em apenas 24,7% dos pacientes. A terapia nutricional pré-operatória foi oferecida em 42% dos casos. A linfadenectomia D2 foi realizada em 79,8% das cirurgias, mas apenas 63,3% das peças continham ≥25 linfonodos, número recomendado para estadiamento adequado. A cirurgia minimamente invasiva foi utilizada em cerca de 25% dos tumores distais precoces, sendo rara nos tumores proximais avançados. Apesar de não recomendadas para tumores iniciais, omentectomia e bursectomia ainda foram realizadas em número significativo de casos T1/T2. A quimioterapia pré-operatória foi utilizada em 35,4% dos tumores distais estádio ≥IB e em 54,3% dos proximais, evidenciando adesão parcial. Conclusões: Pouco mais da metade das recomendações do 2o Consenso Brasileiro foram implementadas na prática. Houve boa adesão à linfadenectomia D2 e à cirurgia minimamente invasiva para tumores distais precoces. No entanto, a laparoscopia diagnóstica, o suporte nutricional, a linfadenectomia adequada e o uso mais amplo da quimioterapia neoadjuvante ainda exigem melhorias.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
Original Article Colonoscopia assistida por inteligência artificial para detecção de lesões colorretais: um estudo de caso-controle sobre precisão diagnóstica e concordância histopatológica FACANALI JUNIOR, Marcio Roberto SOUSA JUNIOR, Afonso Henrique da Silva MARQUES, Carlos Frederico Sparapan SAFATLE-RIBEIRO, Adriana Vaz Resumo em Português: RESUMO Racional: A colonoscopia assistida por inteligência artificial (IA) tem sido proposta como uma ferramenta para aumentar a taxa de detecção de adenomas (TDA) e melhorar a caracterização de lesões. No entanto, sua eficácia em ambientes clínicos reais, especialmente em países em desenvolvimento, ainda é incerta. Objetivos: Avaliar o impacto da IA sobre a TDA e sua concordância com o diagnóstico histopatológico. Métodos: Estudo caso-controle pareado realizado em um centro de referência para rastreamento de câncer colorretal (CCR), incluindo 146 pacientes entre 45 e 75 anos submetidos à colonoscopia para rastreamento ou vigilância de CCR. Os pacientes foram alocados em dois grupos: colonoscopia com IA (n=74) e colonoscopia convencional de alta definição (n=72). O desfecho primário foi a TDA, e o secundário, a concordância entre a caracterização da lesão por IA e o resultado histopatológico. O nível de significância foi p<0,05. Resultados: A TDA foi maior no grupo com IA (60%) do que no controle (50%), sem significância estatística (p>0,05). A caracterização das lesões pela IA mostrou concordância substancial com a histopatologia (Kappa=0,692). O tempo de retirada do colonoscópio não diferiu significativamente entre os grupos (29 min vs. 27 min; p>0,05), indicando que a IA não interferiu na eficiência do procedimento. Conclusões: Embora não tenha aumentado significativamente a TDA, a IA demonstrou alta concordância histológica, reforçando sua utilidade na caracterização de lesões e na tomada de decisão clínica em tempo real.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
ORIGINAL ARTICLE APACHE II, SOFA e SAPS III após esofagectomia transhiatal e toracoscópica para câncer de esôfago: análise de coorte retrospectiva de centro único FERRER, José Antonio Possatto TERCIOTI JUNIOR, Valdir FALCÃO, Antonio Luis Eiras COELHO NETO, João de Souza MACEDO, Ary Augusto de Castro ANDREOLLO, Nelson Adami LOPES, Luiz Roberto Resumo em Português: RESUMO Racional: A esofagectomia é uma cirurgia de grande porte, invasiva e de longa duração; realizada em pacientes com comorbidades e condições nutricionais comprometidas. Os desafios históricos do tratamento cirúrgico do câncer esofágico são superar mortalidade, melhorar sobrevida e diminuir a morbidade. Objetivos: Comparar a morbidade transoperatória de duas técnicas cirúrgicas distintas de esofactomia no câncer esofágico, a esofagectomia transhiatal e a videotoracoscopia em posição prona, analisando parâmetros fisiológicos intraoperatórios, escores de admissão à Unidade de Terapia Intensiva (SOFA, SAPS III e APACHE II) e evolução pós-operatória. Métodos: Estudo retrospectivo, transversal, avaliando pacientes admitidos à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em pós-operatório imediato de esofagectomia em caráter eletivo por neoplasia de esôfago (carcinoma spinocelular e adenocarcinoma). Os dados foram obtidos de uma base de registro informatizado do Serviço de Terapia Intensiva e dos prontuários dos pacientes. Resultados: Foram avaliados 63 pacientes maiores de 18 anos de idade, distribuídos em dois grupos: 31 (49,21%) submetidos a esofagectomia transhiatal; e 32 (50,79%) submetidos a esofagectomia por videotoracoscopia. Não foi observado diferença estatisticamente significativa para tempo de internação em UTI (p=0,5309), tempo de internação pós-operatória (p=0,3066) e óbito no período perioperatório (30 dias, p=0,6562). Com relação aos parâmetros intraoperatórios, não foi observado diferença estatisticamente significativa para pacientes que receberam transfusão (p=0,2097); quantidade de hemoderivados em ml (p=0,2893); pacientes que fizeram uso de droga vasoativa (DVA) (p=0,9243); tempo de uso de DVA (p=0.9327); volume de líquidos infundidos em ml (p=0,7825); diurese em ml (p=0,7286). Observada diferença estatisticamente significativa para tempo cirúrgico (310 minutos na esofagectomia trans hiatal vs 373 minutos na videotoracoscopia, p=0,0012) e tempo anestésico (385 minutos na trans hiatal vs 467 minutos na videotoracoscopia, p<0,0001). Observada diferença estatisticamente significativa na quantidade de pacientes extubados ao final do procedimento (48,38% na transhiatal vs 9,37% na videotoracoscopia, p=0,0022). Com relação aos parâmetros gasométricos ao final do procedimento cirúrgico, apenas pO 2 apresentou diferença estatisticamente significativa (p=0,0010). Com relação aos escores de admissão à UTI, não houve diferenças quanto ao APACHE II (p=0,6542), SOFA (p=0,8949) e SAPS III (p=0,7656). Conclusões: Este estudo não demonstrou diferenças entre a esofagectomia transhiatal e a toracoscópica em posição prona, no desempenho dos escores prognósticos, nos parâmetros operatórios estudados, nos tempos de internação na UTI e permanência hospitalar, bem como na mortalidade perioperatória, em concordância com os achados da literatura. O advento das técnicas minimamente invasivas nas esofagectomias videoassistidas trouxe os mesmos benefícios da toracotomia, oferecendo maior segurança na dissecção mediastinal sob visão direta, além de atenuar as repercussões fisiológicas das toracotomias.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Esophagectomy is a major, invasive, and long-lasting surgery performed in patients with comorbidities and compromised nutritional conditions. The historical challenges of surgical treatment of esophageal cancer are to overcome mortality, improve survival, and decrease morbidity. Aims: The aim of the study is to compare the intraoperative morbidity of two distinct surgical techniques of esophagectomy in esophageal cancer, transhiatal esophagectomy and video-assisted thoracoscopy in the prone position, analyzing intraoperative physiological parameters, scores on admission to the intensive care unit (ICU) (APACHE II, SOFA, and SAPS III), and postoperative evolution. Methods: Retrospective, cross-sectional study evaluating patients admitted to the ICU in the immediate postoperative period of elective esophagectomy for esophageal neoplasia (squamous cell carcinoma and adenocarcinoma). Data were obtained from a computerized registry database of the ICU and from patient records. Results: Sixty-three patients over 18 years of age were evaluated and divided into two groups: 31 (49.21%) underwent transhiatal esophagectomy, and 32 (50.79%) underwent videoassisted thoracoscopic esophagectomy. No statistically significant difference was observed for length of ICU stay (p=0.5309), length of postoperative hospital stay (p=0.3066), or death in the perioperative period (30 days, p=0.6562). Regarding intraoperative parameters, no statistically significant difference was observed for patients who received blood transfusion (p=0.2097); amount in milliliters (p=0.2893); patients who used vasoactive drugs (VADs) (p=0.9243); time VAD use (p=0.9327); volume of fluids infused in milliliters (p=0.7825); or diuresis in milliliters (p=0.7286). A statistically significant difference was observed for surgical time (310 min in transhiatal esophagectomy vs. 373 min in video-assisted thoracoscopy, p=0.0012) and anesthetic time (385 minutes in transhiatal vs. 467 min in video-assisted thoracoscopy, p<0.0001). A statistically significant difference was observed in the number of patients extubated at the end of the procedure (48.38% in transhiatal vs. 9.37% in video-assisted thoracoscopy, p=0.0022). Regarding gasometric parameters at the end of the surgical procedure, only pO2 showed a statistically significant difference (p=0.0010). Regarding ICU admission scores, there were no differences regarding APACHE II (p=0.6542), SOFA (p=0.8949), and SAPS III (p=0.7656). Conclusions: This study showed no differences between the transhiatal and thoracoscopic esophagectomy in the prone position, in prognostic score performance, studied operative parameters, ICU stay and hospital stay times, and perioperative mortality, in agreement with literature findings. The advent of minimally invasive techniques in video-assisted esophagectomies brought the same benefits as thoracotomy, offering greater safety in mediastinal dissection under direct vision, in addition to mitigating the physiological repercussions of thoracotomies. |
|
ORIGINAL ARTICLE Resposta histológica dos adenocarcinomas gástricos após quimioterapia na população tunisiana BACHA, Dhouha MALLEK, Ines BEN-REJEB, Sarra ATTIA, Monia GHARBI, Lassaad LAHMAR, Ahlem BEN-SLAMA, Sana Resumo em Português: RESUMO Racional: O câncer gástrico é o quinto mais comum e uma das principais causas de morte por câncer no mundo. Desde 2005, a quimioterapia perioperatória (QT) tem sido o padrão para adenocarcinomas gástricos não metastáticos. A resposta tumoral depende essencialmente de critérios histológicos. Objetivos: Avaliar a regressão tumoral após quimioterapia neoadjuvante e comparar os sistemas de pontuação de Mandard e Becker. Métodos: Estudo retrospectivo de 15 anos com pacientes com adenocarcinoma gástrico tratados com quimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia. A regressão tumoral (RGT) foi avaliada pelos escores de Mandard e Becker, com análise da homogeneidade, monotonicidade e capacidade discriminativa por meio da AUC. A classificação seguiu o Comitê Conjunto Americano sobre Câncer e classificado conforme a Organização Mundial de Saúde. Resultados: Foram incluídos 40 pacientes (idade média: 62 anos; razão H:M de 2,6). O adenocarcinoma tubular foi o tipo mais comum (48%) e 20% estavam em estágio IV. Pelo escore de Mandard, 15% foram RGT 1 e 15% RGT 5, com sobrevidas medianas de 48 e 30,5 meses. No escore de Becker, as sobrevidas medianas foram de 25,15 meses (RGT1), 24 meses (RGT2) e 54 meses (RGT3). As sobrevidas médias foram de 49,2 meses (RGT1) e 39,2 meses (RGT5) para Mandard; 50,3 meses (RGT1) e 42,2 meses (RGT3) para Becker. Os valores preditivos positivos aos 12 meses foram 1,116 (Mandard) e 0,418 (Becker); aos 5 anos, 5,719 e 1,820. AUC: 0,568 (Mandard) e 0,545 (Becker) em 1 ano; 0,606 para ambos em 5 anos. Conclusões: A regressão tumoral é um preditor independente de sobrevida no câncer gástrico. Os escores de Mandard e Becker têm desempenho semelhante e, combinados ao estadiamento ypTNM, podem melhorar a previsão prognóstica.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Gastric cancer is the fifth most common and a leading cause of cancer death. Since 2005, perioperative chemotherapy (CT) has been the standard for non-metastatic gastric adenocarcinomas. Tumor response relies essentially on histological criteria. Aims: The aim of the study was to evaluate tumor regression grade (TRG) after neoadjuvant CT and compare the Mandard and Becker scoring systems. Methods: This 15-year retrospective study included patients with gastric adenocarcinoma treated with neoadjuvant CT and surgery. The TRG was assessed using Mandard and Becker scores, evaluated by area under the curve (AUC) for homogeneity, monotonicity, and discrimination. Tumors were staged by the American Joint Committee on Cancer and classified as the World Health Organization. Results: Forty patients (mean age 62 years; M:F ratio 2.6) were included. Tubular adenocarcinoma was the most common (48%), and 20% were stage IV. Mandard TRG1 and TRG5 each accounted for 15%, with median survivals of 48 and 30.5 months, respectively. For Becker TRG, they were 25.15 months (TRG 1), 24 months (TRG 2), and 54 months (TRG 3). The mean survival was 49.2 months for TRG1 and 39.2 months for TRG5 (Mandard), 50.3 months for TRG1 and 42.2 months for TRG3 (Becker). The positive predictive values for Mandard and Becker were 1.116 and 0.418 at 1 year and 5.719 and 1.820 at 5 years. The linearity values for Mandard and Becker were 0.6 and 0.3 at 1 year and 2.5 and 2.2 at 5 years. The AUC values at 1 year were 0.568 (Mandard), and 0.545 (Becker), and 0.606 for both at 5 years. Conclusions: TRG is an independent survival predictor in gastric cancer, with similar performance between Mandard and Becker scores. Combined with ypTNM staging, it may enhance prognostic accuracy. |
|
Original Article Eficácia da cirurgia bariátrica na massa corporal, parâmetros bioquímicos e esteatose em pacientes com obesidade metabolicamente saudável vs. não saudável ITO, Ana Paula de Sousa ITAHIDES, Lindsey Mikulski RIBEIRO, Rosane Aparecida BONFLEUR, Maria Lúcia Resumo em Português: RESUMO Racional: O efeito da cirurgia bariátrica em pacientes metabolicamente saudáveis (MHO) vs. não saudáveis (MUO) é pouco explorada na literatura. Objetivos: Comparar os efeitos da cirurgia bariátrica na perda de peso, composição corporal, parâmetros bioquímicos plasmáticos e esteatose hepática em indivíduos MHO e MUO. Métodos: Foram analisados os registros médicos pré-operatórios e pós-operatórios de um ano de 82 homens e mulheres, com idades entre 18 e 65 anos, com IMC > 30 kg/m2, que foram submetidos à cirurgia bariátrica entre setembro de 2021 e março de 2023. Indivíduos MUO foram definidos como aqueles que apresentavam dois fatores de risco para síndrome metabólica nos dados pré-operatórios. Resultados: A prevalência de indivíduos MHO e MUO foi de 22 e 78%. A circunferência do pescoço e o índice de adiposidade visceral pré-operatórios foram maiores nos indivíduos MUO. Esteatose hepática foi a comorbidade mais comum nos dois grupos. Após um ano, ambos os grupos apresentaram benefícios semelhantes da cirurgia bariátrica na redução de peso corporal, adiposidade e índices antropométricos. A cirurgia bariátrica também melhorou a glicemia, a sensibilidade à insulina e a dislipidemia nos indivíduos MUO. No entanto, 30% dos indivíduos MUO apresentaram esteatose, enquanto apenas 5,6% dos MHO exibiram esteatose. Esse efeito foi acompanhado por níveis plasmáticos mais altos de ferritina, ALT e AST nos indivíduos MUO. Conclusões: A cirurgia bariátrica promoveu benefícios similares na massa corporal entre MHO e MUO, mas os indivíduos MUO mantiveram, após um ano, marcadores elevados de inflamação, lesão hepática e esteatose, sugerindo maior vulnerabilidade metabólica residual.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: The effects of bariatric surgery in metabolically healthy obese (MHO) versus metabolically unhealthy obese (MUO) patients are underexplored in the literature. Aims: The aim of the study was to compare the impact of bariatric surgery on weight loss, body composition, plasma biochemical parameters, and hepatic steatosis in MHO and MUO individuals. Methods: Preoperative and 1-year postoperative medical records of 82 men and women aged 18–65 years, with body mass index >30 kg/m2, who underwent bariatric surgery from September 2021 to March 2023 were analyzed. MUO individuals were defined as those, metabolically unhealthy obese, with two metabolic syndrome risk factors, in preoperative data. Results: The prevalence of MHO and MUO individuals was 22 and 78%, respectively. Preoperative neck circumference and visceral adiposity index were higher in MUO individuals. Hepatic steatosis was the most common comorbidity in both groups. After 1 year, both groups demonstrated similar benefits from bariatric surgery in reducing body weight, adiposity, and anthropometric indices. Bariatric surgery also improved blood glucose, insulin sensitivity, and dyslipidemia in MUO individuals. However, 30% of MUO individuals presented with steatosis, compared to only 5.6% of MHO individuals. This outcome was accompanied by higher plasma levels of ferritin, alanine aminotransferase, and aspartate aminotransferase in MUO individuals. Conclusions: Bariatric surgery provided similar benefits in body mass for MHO and MUO individuals. However, after 1 year, MUO individuals still exhibited elevated markers of inflammation, liver injury, and steatosis, suggesting greater residual metabolic vulnerability. |
|
ORIGINAL ARTICLE Doador feminino está associado à diminuição da sobrevivência de transplante de fígado de receptores masculinos independentemente da antropometria do doador e do receptor CHEDID, Marcio Fernandes PREDIGER, Lucas LAZZAROTTO-DA-SILVA, Gabriel CRONST, Jane DE ARAUJO, Alexandre GREZZANA FILHO, Tomaz de Jesus Maria GOLDANI, Luciano Zubaran Resumo em Português: RESUMO Racional: Os dados sobre a influência do sexo do doador nos resultados pós-transplante de fígado são escassos ou faltam. Objetivos: Analisar os fatores prognósticos de mortalidade em pacientes submetidos a transplante hepático (TH) mediante avaliação minuciosa da influência das variáveis do doador. Métodos: Foram incluídos todos os pacientes submetidos a TH em um único centro no período de dezembro de 2011 a dezembro de 2018. O principal desfecho do estudo foi a sobrevida global do paciente. Os preditores de mortalidade foram avaliados por meio da regressão de Cox. Resultados: Foram analisados 202 pacientes, sendo 118 (58,1%) do sexo masculino, e a idade média foi de 54,19±11,66 anos. A sobrevida pós-TH para toda a coorte de 202 pacientes avaliada pelo método Kaplan-Meier em 1, 3, 5 e 7 anos foi de 81,6, 73,1, 67,6 e 63%, respectivamente. O único preditor de aumento da mortalidade geral foi o sexo do doador feminino [HR 1,918, IC95% 1,150–3,201, p=0,013]. As diferenças de peso e altura entre doador e receptor não foram relacionadas à mortalidade (p=0,545 para peso e p=0,964 para altura). Conclusões: O sexo feminino do doador foi associado a um aumento na mortalidade global pós-TH, especialmente para receptores do sexo masculino, independentemente dos parâmetros antropométricos. Para pacientes do sexo masculino que receberam fígados de doadores do sexo feminino, a infecção foi a causa mais comum de mortalidade ocorrida no primeiro ano após o TH.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Data on the influence of donor gender on post-liver transplant outcomes is scarce and is lacking. Aims: The aim of this study was to evaluate the prognostic factors of mortality in patients undergoing liver transplantation (LT) with a thorough evaluation of the influence of the donor variables. Methods: All patients undergoing LT at a single center from December 2011 to December 2018 were included. The main outcome measure of the study was overall patient survival. The mortality predictors were evaluated using Cox regression. Results: The study analyzed 202 patients, 118 (58.1%) being males, and the average age was 54.19±11.66 years. Post-LT survival for the entire cohort of 202 patients as assessed by the KaplanMeier method at 1, 3, 5, and 7 years was 81.6, 73.1, 67.6, and 63%, respectively. The only predictor of increased overall mortality was female donor gender [HR 1.918, 95%CI 1.150–3.201, p=0.013]. Weight and height differences between donor and recipient were not related to mortality (p=0.545 for weight and p=0.964 height). Conclusions: Female donor gender was associated with an increase in overall post-LT mortality, especially for male recipients, regardless of anthropometric parameters. For male patients receiving livers from female donors, infection was the most common cause of mortality, occurring in the first year following LT. |
|
Original Article Cirurgia bariátrica: comorbidades pré-operatórias, resultados pós-operatórios e complicações: uma análise de coorte retrospectiva de centro único BANDEIRA, Raphael Sidney VIEIRA, Kaio Waltrick TREVISOL, Beatriz Schuelter SCHUELTER-TREVISOL, Fabiana TREVISOL, Daisson José Resumo em Português: RESUMO Racional: A cirurgia bariátrica é o tratamento com melhor perda de peso, além de remissão de comorbidades metabólicas pré-operatórias. Objetivos: Analisar as comorbidades pré-operatórias, avaliar o resultado pós-operatório e complicações associadas após 6 meses da cirurgia bariátrica em um hospital do estado de Santa Catarina, Brasil. Métodos: Estudo de coorte retrospectiva com os pacientes submetidos á cirurgia bariátrica no período 2021 a 2022 e que tiveram um acompanhamento por um período de seis meses após o procedimento. Resultados: Houve uma predominância do sexo feminino (81,6%), a idade média foi de 38,7 anos e a prevalência pré-operatória de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, dislipidemia, esteatose hepática foram, respectivamente, de 36,7; 22,4; 22,4 e 32,7%. As taxas de remissão pós-operatória destas doenças foram 55; 64; 70 e 69%. Exceto a diabetes, não houve diferença entre os grupos submetidos a bypass em Y de Roux (BYR) e gastrectomia vertical (GV). Houve queda significativa do peso (p<0,01) e do índice de massa corpórea (IMC) (p<0,01), mas sem diferenças entre os grupos BYR e GV. Complicações pós-operatórias ocorreram em 73,5% dos indivíduos, incluindo anemia, deficiência de vitaminas, colelitíase, dumping, úlcera de boca anastomótica, diarreia crônica e estenose de anastomose. Conclusões: O estudo traçou um perfil de comorbidades pré-operatórias, resultados pós-operatórios e complicações com achados compatíveis com a literatura existente, exceto pela subnotificação de dislipidemia e esteatose. Não houve diferença estatística quanto ao procedimento realizado.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Bariatric surgery is the most effective treatment for weight loss and also promotes remission of preoperative metabolic comorbidities. Aims: The aim of this study was to analyze preoperative comorbidities, evaluate postoperative outcomes, and assess complications 6 months after bariatric surgery in a hospital in the state of Santa Catarina, Brazil. Methods: A retrospective cohort study was conducted with patients who underwent bariatric surgery between 2021 and 2022 and were followed up for a period of 6 months after the procedure. Results: There was a predominance of female patients (81.6%), with a mean age of 38.7 years. The preoperative prevalence of hypertension, Type 2 diabetes, dyslipidemia, and hepatic steatosis was 36.7, 22.4, 22.4, and 32.7%, respectively. The postoperative remission rates for these conditions were 55, 64, 70, and 69%, respectively. Except for diabetes, no significant differences were found between the Roux-en-Y gastric bypass (RYGB) and sleeve gastrectomy (SG) groups. There was a significant reduction in weight (p<0.01) and body mass index (BMI) (p<0.01), with no statistical differences between the RYGB and SG groups. Postoperative complications occurred in 73.5% of patients, including anemia, vitamin deficiencies, cholelithiasis, dumping syndrome, anastomotic ulcer, chronic diarrhea, and anastomotic stricture. Conclusions: The study described the preoperative comorbidity profile, postoperative outcomes, and complications with findings consistent with existing literature, except for underreporting dyslipidemia and hepatic steatosis. No statistical difference was observed between the surgical techniques performed. |
|
Original Article Tratamento cirúrgico do adenocarcinoma gástrico: quais fatores influenciam o prognóstico? NAUFEL JUNIOR, Carlos Roberto AGULHAM, Anelyse Pulner MATTAR, Beatriz Alvarez Resumo em Português: RESUMO Racional: O câncer gástrico é o quinto câncer mais diagnosticado e a quarta principal causa de morte relacionada ao câncer em todo o mundo. Objetivos: Investigar os fatores que afetam a sobrevida de pacientes com adenocarcinoma gástrico submetidos à gastrectomia em um centro terciário no sul do Brasil. Métodos: Estudo transversal, observacional e retrospectivo, de 82 pacientes com adenocarcinoma gástrico, submetidos a tratamento cirúrgico, no período de janeiro de 2018 a agosto de 2022. Foram analisados fatores epidemiológicos e prognósticos, como idade, sexo, localização do tumor no estômago, invasão linfonodal, extensão tumoral, invasão angiolinfática, diferenciação do tumor, presença de metástase à distância, margens cirúrgicas comprometidas, quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante e tempo de sobrevida dos pacientes. Resultados: Dos 82 pacientes, 41,5% foi à óbito no período de seguimento, sendo o período máximo de acompanhamento de 56 meses. A mediana de tempo até o óbito foi de 22,4 meses, após a realização da gastrectomia. Idade avançada (HR=2,76; p=0,014, p<0,05), localização do tumor no fundo do estômago (HR=2,77; p=0,020) e presença de metástase à distância (HR=2,13; p=0,039, p>0,05) apresentaram um impacto negativo significativo na sobrevida, na análise multivariada. Por outro lado, os pacientes submetidos à quimioterapia adjuvante (HR=5,33; p=0,001, p<0,05) ou à neoadjuvante (HR=3,36; p=0,006, p<0,05) obtiveram um impacto positivo. Conclusões: O presente estudo demonstrou que a sobrevida em pacientes com adenocarcinoma gástrico é influenciada negativamente por idade avançada, localização do tumor em fundo do estômago e presença de metástases à distância. Em contraste com o impacto positivo da realização de quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Gastric cancer is the fifth most common cancer in the world and the fourth leading cause of deaths in oncology. Aims: The aim of this study was to investigate the factors that affect the survival of patients with gastric adenocarcinoma undergoing gastrectomy in a tertiary center in South Brazil. Methods: This was a cross-sectional, observational, and retrospective study of 82 patients with gastric adenocarcinoma who underwent surgical treatment from January 2018 to August 2022. Epidemiological and prognostic factors were analyzed, such as age, sex, tumor location in the stomach, lymph node invasion, tumor extension, angiolymphatic invasion, tumor differentiation, presence of distant metastasis, compromised surgical margins, adjuvant or neoadjuvant chemotherapy, and patient survival time. Results: Of the 82 patients, 41.5% died during the follow-up period, with a maximum follow-up period of 56 months. The median time to death was 22.4 months after performing the gastrectomy. Advanced age (hazard ratio [HR]=2.76; p=0.014, p<0.05), location of the tumor in the fundus of the stomach (HR=2.77; p=0.020, p>0.05), and presence of distant metastasis (HR=2.13; p=0.039) showed a significant negative impact on survival in the multivariate analysis. On the other hand, patients undergoing adjuvant (HR=5.33; p=0.001, p<0.05) or neoadjuvant (HR=3.36; p=0.006, p<0.05) chemotherapy had a positive impact. Conclusions: The present study demonstrated that survival in patients with gastric adenocarcinoma is negatively influenced by advanced age, tumor location in the fundus of the stomach, and the presence of distant metastases, in contrast to the positive impact of performing adjuvant or neoadjuvant chemotherapy. |
|
ORIGINAL ARTICLE Análise dos fatores de risco associados à síndrome da ressecção anterior baixa em uma coorte Sul-Americana GAETE, María Inés JARRY, Cristián Ignacio MORENO, Daniel LARACH, José Tomás BELLOLIO, Felipe Resumo em Português: RESUMO Racional: A Síndrome da Resseção Anterior Baixa (SRAB) é uma disfunção intestinal comum após cirurgia para câncer retal com preservação do esfíncter. Os sintomas incluem incontinência fecal e de gases, urgência evacuatória, evacuações frequentes e fragmentadas. A SRAB compromete a qualidade de vida em até 90% dos casos. Diversos fatores, como altura tumoral, extensão da excisão mesorretal, radioterapia pré-operatória e ileostomia de proteção, estão associados ao seu desenvolvimento. Contudo, estes fatores são menos estudados em populações sul-americanas, onde diferenças culturais, raciais e nos sistemas de saúde podem influenciar os resultados. Objetivos: Avaliar os fatores de risco associados ao SRAB numa coorte chilena com câncer retal, com foco nos casos classificados como SRAB grave. Métodos: Um estudo de coorte prospectivo não concorrente com pacientes submetidos à resseção anterior baixa entre 2012 e 2021. Foram coletados dados como altura tumoral, tipo de cirurgia, radioterapia pré-operatória e ileostomia de proteção. Análises univariada e multivariada foram realizadas utilizando o "SRAB score" adaptado ao espanhol chileno. Resultados: Foram incluídos 110 pacientes, com seguimento mediano de 51 meses. SRAB foi identificado em 52,7% dos casos, sendo 29,1% classificados como graves. Idade mais jovem, tumores mais baixos, excisão total do mesorreto, radioterapia pré-operatória e ileostomia de proteção associaram-se significativamente ao SRAB grave. Na análise multivariada, apenas idade mais jovem e radioterapia mantiveram-se como fatores independentes. Conclusões: Quase metade dos pacientes submetidos à cirurgia de preservação do esfíncter para câncer retal desenvolveu SRAB, nesta coorte chilena. E cerca de um terço apresentou a forma grave, destacando a necessidade de estratégias direcionadas para mitigar a SRAB e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Low Anterior Resection Syndrome (LARS) is a common postoperative bowel dysfunction in patients undergoing sphincter-preserving surgery for rectal cancer. Symptoms include fecal and gas incontinence, urgency, increased bowel frequency, and fragmented evacuations. LARS significantly impairs quality of life, affecting up to 90% of patients. Various factors contribute to its development, such as tumor height, extent of mesorectal excision, preoperative radiotherapy, and ileostomy. However, these factors are less studied in South American populations, where racial, cultural, and healthcare system differences may influence outcomes. Aims: The aim of the study was to evaluate risk factors associated with LARS in a Chilean cohort of rectal cancer patients, with emphasis on cases classified as severe. Methods: A non-concurrent prospective cohort study including patients who underwent low anterior resection between 2012 and 2021. Perioperative data collected included tumor height, surgical procedure type, preoperative radiotherapy, and protective ileostomy. Univariate and multivariate analyses were conducted to identify factors significantly associated with severe LARS, using the LARS score adapted to Chilean Spanish. Results: A total of 110 patients were included, with a median follow-up of 51 months. LARS was identified in 52.7% of cases, with 29.1% classified as major. Younger age, lower tumors, total mesorectal excision, preoperative radiotherapy, and ileostomy were significantly associated with severe LARS in univariate analysis. In multivariate analysis, only younger age and preoperative radiotherapy remained as independent risk factors. Conclusions: In this Chilean cohort, nearly half of patients undergoing sphincterpreserving surgery for rectal cancer developed LARS. About one-third had the severe form, highlighting the need for targeted strategies to mitigate LARS and improve patient quality of life. |
|
Original Article Associação entre constipação e hérnia inguinal: um estudo de caso-controle em uma população adulta MOSTACERO-ROJAS, Giorgia CABALLERO-ALVARADO, Jose Antonio LOZANO-PERALTA, Katherine VASQUEZ-PAREDES, Gino SARMIENTO-FALEN, Joaquin LAU-TORRES, Victor Eduardo ZAVALETA-CORVERA, Carlos Resumo em Português: RESUMO Racional: A hérnia inguinal é a hérnia mais frequentemente diagnosticada e afeta aproximadamente um terço da população masculina. Diversos fatores de risco foram identificados, incluindo idade avançada, atividade física limitada, tabagismo e aumento da pressão intra-abdominal, entre outros. Objetivos: Determinar se a constipação é um fator de risco para hérnia inguinal na população adulta. Métodos: Um estudo de caso-controle foi conduzido no Departamento de Cirurgia de um hospital no norte do Peru, incluindo 121 pacientes com diagnóstico confirmado de hérnia inguinal como casos e 242 pacientes sem tal diagnóstico como controles. Critérios de inclusão e exclusão foram aplicados, e os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais usando um questionário estruturado que abordou aspectos clínicos, estilos de vida e presença de constipação, avaliados de acordo com os critérios de Roma IV. Resultados: Os resultados revelaram diferenças significativas entre os grupos de pacientes com e sem hérnia inguinal em termos de idade, sexo e características antropométricas. Além disso, foram encontradas associações estatisticamente significativas entre a presença de hérnia inguinal e diabetes tipo 2, tabagismo e constipação. Uma análise multivariada mostrou que idade, sexo masculino, índice de massa corporal (IMC), pressão alta e constipação foram fatores significativos e independentes associados à presença de hérnia inguinal. Conclusões: A constipação é um fator de risco significativo para hérnia inguinal na população adulta. Esses resultados reforçam a importância de considerar a constipação como um fator de risco na avaliação e no tratamento de pacientes com hérnia inguinal, destacando a relevância do cuidado clínico adequado nesse grupo de pacientes.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Inguinal hernia is the most frequently diagnosed hernia and affects approximately one-third of the male population. Several risk factors have been identified, including advanced age, limited physical activity, smoking, and increased intra-abdominal pressure, among others. Aims: The aim of the study was to determine whether constipation is a risk factor for inguinal hernia in the adult population. Methods: A case-control study was conducted at the Department of Surgery of one hospital in the north of Peru, including 121 patients with a confirmed diagnosis of inguinal hernia as cases and 242 patients without such a diagnosis as controls. Inclusion and exclusion criteria were applied, and data were collected through individual interviews using a structured questionnaire that addressed clinical aspects, lifestyles, and the presence of constipation, assessed according to the Rome IV criteria. Results: The results revealed significant differences between the groups of patients with and without inguinal hernia in terms of age, sex, and anthropometric characteristics. In addition, statistically significant associations were found between the presence of an inguinal hernia and type 2 diabetes, smoking, and constipation. A multivariate analysis showed that age, male sex, body mass index, high blood pressure, and constipation were significant and independent factors associated with the presence of inguinal hernia. Conclusions: Constipation is a significant risk factor for inguinal hernia in the adult population. These results support the importance of considering constipation as a risk factor in the evaluation and management of patients with inguinal hernia, highlighting the relevance of adequate clinical care in this group of patients. |
|
ORIGINAL ARTICLE Rara ocorrência de intussuscepção intestinal secundária a metástase sincrônica de carcinoma de células renais AGUIAR, Matheus Felipe Ferreira PINTO, Rodrigo Ambar RIBEIRO-JUNIOR, Ulysses SOARES, Pedro Castro MARQUES, Carlos Frederico Sparapan Resumo em Português: RESUMO Racional: O carcinoma renal é o terceiro câncer urológico mais frequente, sendo que 30% dos pacientes apresentam metástases já ao diagnóstico. Raramente são encontradas metástases no intestino delgado (0,7–1,1%), e ainda menos frequente é a apresentação da metástase como intussuscepção intestinal, com poucos relatos na literatura até então. Objetivos: Relatar o caso de paciente com carcinoma de células claras renais em estágio IV, cuja rara apresentação foi manifestada por intussuscepção intestinal e admissão em serviço de emergência por anemia grave e melena. Métodos: Homem, 62 anos, admitido com melena há 2 meses e achado crítico de hemoglobina de 2,9 g/dL (normal 13,5–17,5g/dL). Realizada angiotomografia de abdome e pelve com achado de lesão exofítica em rim esquerdo compatível com neoplasia primária e intussuscepção de alça ileal, por cerca de 16 cm. Resultados: Foi submetido a laparotomia exploradora, com identificação de intussuscepção intestinal a 80 cm do ângulo de Treitz, e lesão de 4 cm na borda antimesentérica, suspeita para acometimento neoplásico. Foi realizada enterectomia segmentar com anastomose primária, com boa evolução pós operatória. O resultado anatomopatológico e imunohistoquímica foram compatíveis com carcinoma pouco diferenciado células claras renais metastático. Conclusões: O doente apresentado traz a importância de se manter suspeição para sintomas gastrointestinais em pacientes com diagnóstico de carcinoma renal, tendo em vista a possibilidade, ainda que em raros casos, de metástase intestinal. Há de se ressaltar, que em caso de metástases sincrônicas, o diagnóstico é ainda mais incomum e o grau de suspeição mais desafiador.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Renal carcinoma is the third most common urological cancer, with 30% of patients presenting with metastases at diagnosis. Metastases to the small intestine are rare (0.7–1.1%), and their presentation as intestinal intussusception is even more uncommon, with only a few cases reported in the literature. Aims: The aim of the study was to present a case of stage IV clear cell renal carcinoma with a rare presentation of intestinal intussusception, leading to emergency department admission due to severe anemia and melena. Methods: A 62-year-old man presented with melena for 2 months and a critically low hemoglobin level of 2.9 g/dL (normal range: 13.5–17.5 g/dL). Abdominal and pelvic angiotomography identified an exophytic lesion in the left kidney consistent with renal carcinoma and an approximately 16 cm ileal intussusception. Results: Exploratory laparotomy revealed intestinal intussusception and a 4 cm lesion on the antimesenteric border, suspected to be a tumor. A segmental resection with primary anastomosis was performed, resulting in a favorable postoperative recovery. Histopathological and immunohistochemical analyses confirmed poorly differentiated metastatic clear cell renal carcinoma. Conclusions: This report underscores the need to consider gastrointestinal symptoms in patients with renal carcinoma, as an intestinal metastasis, although rare, is a potential complication. Synchronous metastases are even rarer and present a significant diagnostic challenge. |
|
Original Article Tratamento do tumor desmoide associado à polipose adenomatosa familiar: uma experiência de três décadas de um centro terciário no Brasil LIMA, Amanda Pereira LEAL, Raquel Franco CAMARGO, Michel Gardere MARTINEZ, Carlos Augusto Real FAGUNDES, João José COY, Claudio Saddy Rodrigues AYRIZONO, Maria de Lourdes Setsuko Resumo em Português: RESUMO Racional: A fibromatose agressiva, também conhecida como tumor desmoide (TD), é uma neoplasia miofibroblástica localmente agressiva originária de tecidos moles profundos, caracterizada por um padrão de crescimento infiltrativo com tendência à recorrência local. Representam 0,03% das neoplasias, e os casos associados à polipose adenomatosa familiar (PAF) representam 5–15% dos TD. Objetivos: Relatar a prevalência de TD em pacientes operados por PAF, descrever o perfil epidemiológico e avaliar os fatores de risco para o desenvolvimento do tumor, tratamentos realizados, complicações associadas e acompanhamento. Métodos: Este estudo retrospectivo avaliou os prontuários médicos de pacientes com PAF que foram submetidos à cirurgia entre 1990 e 2021 e desenvolveram TD durante o acompanhamento. Resultados: No período do estudo, 147 pacientes com PAF foram operados: 97 foram submetidos à retocolectomia total e anastomose ileanal com reservatório ileal; 33, colectomias totais com anastomose ileorretal; 14, proctocolectomias totais com ileostomia terminal; e três, colectomia total com proctectomia parcial e anastomose ileorretal baixa com reservatório ileal. Vinte e seis pacientes (17,7%) desenvolveram TD; a maioria era do sexo feminino (61,5%), branca (73,1%) e tinha histórico familiar de TD (84,6%). As complicações mais frequentes foram obstruções intestinais e ureterais. O acompanhamento em longo prazo mostrou que seis pacientes estavam livres da doença, 14 estavam estáveis em tratamento medicamentoso, quatro morreram devido a complicações da doença e dois perderam o acompanhamento. Conclusões: A prevalência de TD foi relativamente alta e mais comumente observada em pacientes com histórico familiar do tumor. A doença apresentou altas taxas de morbidade e mortalidade.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Aggressive fibromatosis, also known as desmoid tumor (DT), is a locally aggressive myofibroblastic neoplasm originating from deep soft tissues, characterized by an infiltrative growth pattern with a tendency for local recurrence. DTs account for 0.03% of all neoplasms, and cases associated with familial adenomatous polyposis (FAP) account for 5–15% of DTs. Aims: The aim of this study was to report the prevalence of DTs in patients operated on for FAP, describe the epidemiological profile, and evaluate the risk factors for tumor development, treatments performed, associated complications, and follow-up. Methods: This retrospective study assessed the medical records of patients with FAP who underwent surgery between 1990 and 2021 and developed DTs during follow-up. Results: In the study period, 147 patients with FAP were operated on; of these, 97 underwent total proctocolectomy with ileal-pouch anal anastomosis, 33 underwent total colectomy with ileorectal anastomosis (IRA), 14 underwent total proctocolectomy with terminal ileostomy, and three underwent total colectomy with partial proctectomy and low IRA using an ileal-pouch. A total of 26 patients (17.7%) developed DT; most were female (61.5%), were White (73.1%), and had a family history (84.6%). The most frequent complications were intestinal and ureteral obstructions. Long-term follow-up showed that six patients were free of disease, 14 were stable and undergoing drug therapy, four died due to complications of the disease, and two were lost to follow-up. Conclusions: The prevalence of DT tumor was relatively high and more commonly observed in patients with a family history of the tumor. The disease presented high rates of morbidity and mortality. |
|
ORIGINAL ARTICLE Abordagem sistematizada para sangramento do intestino médio em uma rede hierárquica de saúde com diferentes níveis de complexidade Carvalho, Rafael Pasqualini de Gama-Cunha, Giovanna Martinez, Edson Zangiacomi Santos, José Sebastião dos Resumo em Português: RESUMO Racional: A abordagem sistematizada dos pacientes com sangramento digestivo no intestino médio (SIM) pode reduzir riscos e custos para os pacientes e para o Sistema Único de Saúde. Objetivo: Avaliar a evolução da abordagem sistematizada do SIM em rede assistencial hierarquizada, regulada e de complexidade distinta. Métodos: Foram analisados os prontuários de pacientes com SIM tratados em hospital terciário, público e de ensino, em dois momentos, antes da implantação de serviço e algoritmo para o SIM, entre os anos de 2001 a 2014 (GSA) e depois mediante definição de equipe capacitada e dedicada, disponibilização da cápsula endoscópica e de enteroscopia e entre os anos de 2015 e 2023 (GCA). Os dados demográficos, clínicos e assistenciais dos prontuários de 184 pacientes foram coletados e inseridos na plataforma redcap. Adicionalmente, fez-se a análise de custos. Resultados: Dentre os 184 pacientes avaliados, 82 (45%) foram abordados no GSA e 102 (55%), no GCA. O número médio de exames específicos utilizados foi 7,19 por paciente no GSA e 6,37 para o GCA (p=0,02, p<0.05). As transfusões sanguíneas foram realizadas em 64 pacientes (78,05%) no GSA e em 68 pacientes (66,67%) no GCA (p=0,05). A média de tempo para se alcançar o diagnóstico foi de 309,9 semanas no GSA e 75,37 semanas no GCA (p<0,01). A média de tempo de internação foi de 2,55 semanas para o GCA e de 7,57 semanas para o GSA (p<0,01). No GSA, a mortalidade foi de 19 pacientes (23,2%) em decorrência do SIM, enquanto no GCA, apenas 6 (5,9%) (p=0.001, p<0.05). O custo médio foi maior para o GSA, (R$ 44.434,59) em relação ao GCA (R$ 17.818,73) (p<0,01). Conclusões: Os resultados da organização de referência para atenção ao SIM são suficientes para subsidiar o planejamento dos serviços e das redes regionais de atenção à saúde.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: The systematized approach to patients with small bowel bleeding (SBB) can reduce risks and costs for both patients and the Unified Health System (SUS). Aim: Evaluate the evolution of the systematized approach to SBB in a regulated, hierarchically organized healthcare network of varying complexity. Methods: Analysis of the medical records of patients with SBB treated at a tertiary, public, and teaching hospital in two distinct periods: before the implementation of a specialized service and algorithm for SBB (2001–2014, group without algorithm—GSA) and after the establishment of a trained, dedicated team, availability of capsule endoscopy and enteroscopy (2015–2023, group with algorithm—GCA). Demographic, clinical, and care-related data from 184 patient records were collected and entered into the REDCap platform. Additionally, a cost analysis was conducted. Results: Among the 184 patients, 82 (45%) were in the GSA group and 102 (55%) in the GCA group. The average number of specific exams per patient was 7.19 in GSA and 6.37 in GCA (p=0.02, p<0.05). Blood transfusions were performed in 64 patients (78.05%) in GSA and 68 patients (66.67%) in GCA (p=0.05). The average time to reach diagnosis was 309.9 weeks in GSA and 75.37 weeks in GCA (p<0.01). The average hospital stay was 7.57 weeks in GSA and 2.55 weeks in GCA (p<0.01). In GSA, 19 patients (23.2%) died due to SBB, while in GCA only six did (5.9%) (p=0.001, p<0.05). The average cost was higher compared to GCA (p<0.01). Conclusions: The results of organizing a reference service for SBB care support are sufficient to subsidize the planning of services and regional healthcare networks. |
|
ORIGINAL ARTICLE Gastrectomia vertical e bypass gástrico: alterações de perda de peso após dois anos de acompanhamento - qual é mais efetivo? FREIRE, Alexandra Rabello KREIMER, Flávio LIMA, Denise Sandrelly Cavalcanti de CALADO, Cinthia Katiane Martins SILVA, Silvia Alves da BURGOS, Maria Goretti Pessoa de Araújo Resumo em Português: RESUMO Racional: A cirurgia bariátrica é atualmente o padrão ouro no tratamento da obesidade, no entanto há recorrência de peso em diferentes técnicas empregadas. Objetivos: Comparar a evolução ponderal de pacientes, no 1º e 2º ano de pós-operatório, após a cirurgia bariátrica, submetidos às técnicas de bypass gástrico e gastrectomia vertical. Métodos: Estudo transversal, com adultos de ambos os sexos, acompanhados até 2 anos de cirurgia após bypass gástrico e gastrectomia vertical, analisando variáveis antropométricas associadas com características sociodemográficas, clínicas e de estilo de vida. Resultados: Foram avaliados 184 pacientes (gastrectomia vertical=136 e bypass gástrico=48), predominando o sexo feminino (82,1%). Ambos os grupos apresentaram boa adesão ao uso de polivitamínico, mas não à dieta e à atividade física. Após 1 e 2 anos de cirurgia, o percentual de perda de peso e percentual de perda do excesso de peso, foram maiores no bypass gástrico (p<0,001 e p=0,010 e p<0,001 e p<0,001 respectivamente). O ganho de peso médio foi de 2,37 Kg, sendo maior após a gastrectomia vertical (p=0,042), enquanto o percentual de recorrência ponderal não demostrou diferença entre as técnicas. A perda e recorrência de peso aos 2 anos, sofreram influência da dieta, em ambos os grupos. Houve maior percentual de perda de peso pós o bypass gástrico, após 1 e 2 anos de cirurgia e maior recorrência de peso após a gastrectomia vertical, sem interferir no sucesso cirúrgico da técnica. Conclusões: O bypass gástrico, demonstrou maior eficácia na perda ponderal, aos 12 e 24 meses. Houve recorrência de peso aos 24 meses em ambas as técnicas, sobretudo na gastrectomia vertical, sem configurar insucesso cirúrgico.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Bariatric surgery is currently the gold standard for the treatment of obesity. However, weight recurrence varies among the different surgical methods. Aims: To compare changes in weight one and two years after bariatric surgery considering the gastric bypass and gastric sleeve methods. Methods: A cross-sectional study was conducted at a hospital with adults of both sexes followed up for two years after surgery. Anthropometric, sociodemographic, clinical, and lifestyle characteristics were analyzed. Results: A total of 184 patients, predominantly women (82.1%), were assessed (136 submitted to gastric sleeve and 48 to gastric bypass). Good adherence to the multivitamin, but not to diet or physical activity, was verified in both groups. The percentages of weight loss and excess weight loss were higher in the gastric bypass group (one year after surgery: p<0.001 and p=0.010, respectively; two years after surgery: p<0.001 and p<0.001, respectively). Average weight gain was 2.37 kg and higher after gastric sleeve (p=0.042), whereas no difference between methods was found for the percentage of weight recurrence. Weight loss and recurrence at the two-year follow-up were influenced by diet in both groups. The percentage of weight loss was higher after gastric bypass one and two years after surgery. Weight recurrence was higher after the gastric sleeve method, without interfering with the surgical success of the technique. Conclusions: We verified greater efficacy in the gastric bypass technique in terms of weight loss at 12 and 24 months postoperatively. Weight recurrence was found 24 months after both methods, especially in the gastric sleeve group, without constituting surgical failure. |
|
ORIGINAL ARTICLE Validade do sistema de pontuação para cuidados paliativos em oncologia: CODETM – “Avaliação do cuidado ao morrer.” É importante na avaliação do processo de fim de vida? OLIVEIRA, Thayssa de Morais PASSARINI, Juliana Nalin HAUGEN, Dagny Faksvåg MAYLAND, Catriona Rachel LOPES, Luiz Roberto Resumo em Português: RESUMO Racional: Pacientes com câncer avançado experimentam uma série de sintomas angustiantes. Os cuidados paliativos (CP) despontam como área essencial a ser implementada pelos sistemas de saúde, na assistência aos pacientes com doenças irreversíveis e fora de possibilidades terapêuticas. Objetivos: Comparar a percepção de cuidadores de pacientes em cuidados paliativos oferecidos por dois hospitais públicos por meio do questionário CODETM; determinar a pontuação obtida pelo questionário e sua utilidade na avaliação dos cuidados paliativos oferecidos. Métodos: Foi aplicado o questionário pós-falecimento “Care of the Dying Evaluation” (CODETM) aos familiares que acompanhavam os pacientes nos últimos dias, avaliando a percepção sobre a qualidade do atendimento prestado ao paciente e o nível de apoio à família. Resultados: Sem diferença estatística nos dados demográficos. Os participantes que receberam cuidados paliativos apresentaram maior escore na pontuação, bem como na unidade de enfermaria e UTI comparados à unidade de emergência. O valor de corte preditivo para a prática adequada de cuidados paliativos foi de 97 pontos, correspondendo a 78,6% da pontuação. Conclusões: Não houve diferença estatística entre a percepção dos cuidadores com os cuidados oferecidos aos pacientes entre os dois hospitais, sendo pior na unidade de Pronto Socorro. O valor de corte foi de 78,6% sendo considerado adequado e o questionário CODETM foi uma ferramenta útil na avaliação dos cuidados paliativos oferecidos pelos hospitais aos pacientes e pode ser aplicado para propor melhorias na atenção em cuidados paliativos. Portanto, há a necessidade de um instrumento que possa classificar e qualificar constantemente a assistência aos pacientes e seus familiares para ofertar uma atenção digna, integral e humanizada, como proposto pelo questionário CODETM.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Patients with advanced cancer experience a range of distressing symptoms. Palliative care (PC) emerges as an essential area to be implemented by health systems in the care of patients with irreversible diseases and beyond therapeutic possibilities. Aims: To compare the perception of caregivers of patients in palliative care offered by two public hospitals using the CODETM questionnaire; to determine the score obtained by the questionnaire and its usefulness in the evaluation of the palliative care offered. Methods: The post-death questionnaire “Care of the Dying Evaluation” (CODETM) was applied to the family members who accompanied the patients in the last days, assessing the perception of the quality of care provided to the patient and the level of support to the family. Results: No statistical difference in demographics. Participants who received palliative care had higher scores in the score, as well as in the ward and ICU unit compared to the emergency unit. The predictive cut-off value for adequate palliative care practice was 97 points, corresponding to 78.6% of the score. Conclusions: There was no statistical difference between the caregivers’ perception of the care offered to patients between the two hospitals, being worse in the emergency unit. The cut-off value was 78.6% and was considered adequate and the CODETM questionnaire was a useful tool in the evaluation of palliative care offered by hospitals to patients and can be applied to propose improvements in palliative care. Therefore, there is a need for an instrument that can constantly classify and qualify the care provided to patients and their families in order to offer dignified, comprehensive and humanized care, as proposed by the CODETM questionnaire |
|
ORIGINAL ARTICLE Perda de peso e autopercepção da qualidade de vida após bypass gástrico laparoscópico em Y de Roux: é importante? CASTRO, Gustavo Rodrigues Alves MACEDO, Laís Ducatti FERRI, João Victor Vecchi VULCANIS, Isabella Benitez ANDRADE, Diancarlos Pereira de SADOWSKI, José Alfredo BASTOS, Eduardo Lemos de Souza MARCHESINI, João Caetano Dallegrave Resumo em Português: RESUMO Racional: A perda de peso (PP) é o dado mais comumente utilizado para mensurar os resultados da cirurgia bariátrica e metabólica. A quantidade de PP geralmente está direta e proporcionalmente associada à melhora da qualidade de vida (QV), visto que quanto maior a primeira, maior a percepção de bem-estar. Objetivo: Avaliar a relação entre a quantidade de peso perdido após bypass gástrico laparoscópico em Y de Roux (BGYR) e a melhora autopercebida na qualidade de vida (QV). Métodos: Foram analisados os prontuários médicos de pacientes submetidos a BGYR entre janeiro de 2017 e dezembro de 2019 com um acompanhamento mínimo de 3 anos. Os dados obtidos nos subgrupos compostos de acordo com a porcentagem média de perda de peso total (%PPT), idade e tempo decorrido desde a cirurgia, foram comparados com a QoL autopercebida por meio do questionário Short Form Survey 36 (SF-36). Resultados: 95 indivíduos (71,6% feminino) com idade média de 45 anos e acompanhamento pós-operatório médio de 61,1 meses foram analisados. Os pesos médios pré- e pós-operatórios foram de 114 kg e 73,4 kg, respectivamente, e a %PPT média foi de 35,6%. A comparação entre os dados dos prontuários e a avaliação da autopercepção da QoL mostrou que D1 (capacidade funcional) foi o domínio com melhor pontuação, enquanto D3 (dor) foi o pior. Houve melhora significativa do domínio D4 (estado geral de saúde) em pacientes com %PPT maior que 30% (p<0,05), domínios D7 (aspectos emocionais) e D8 (saúde mental) em pacientes com mais de 45 anos (p<0,05), além de melhores resultados no domínio D7 em pacientes com mais de 5 anos de cirurgia. Conclusões: A maior perda de peso e a idade, e maior tempo após a cirurgia mostraram melhora autopercebida importante na QV após BGYR em alguns domínios de avaliação, tanto físicos quanto emocionais.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Weight loss (WL) is the most commonly used datum to measure the results of metabolic and bariatric surgery. The amount of WL is generally directly and proportionally associated with the improvement in quality of life (QoL), as the greater the former, the greater the perception of well-being. Aims: To assess the relationship between the amount of weight lost after laparoscopic Roux-en-Y gastric bypass (LRYGB) and self-perceived improvement in quality of life (QoL). Methods: The medical records of patients who underwent LRYGB between January 2017 and December 2019 with a minimum follow-up of 3 years were analyzed. The data obtained in the subgroups made up according to percentage of total weight loss (%TWL), age, and time elapsed since surgery were compared with the self-perceived QoL by the Short Form Survey 36 (SF-36) questionnaire. Results: A total of 95 individuals (71.6% women) with an average age of 45 years and an average postoperative (PO) follow-up of 61.1 months were enrolled. The mean pre- and postoperative weight was 114 kg and 73.4 kg, respectively, and the mean %TWL was 35.6%. According to the comparison between the data from the medical records and the self-perceived QoL assessment, D1 (physical functioning) was the best scoring domain, while D3 (pain) was the worst. There was a significant improvement of the D4 (general health) domain in patients with %TWL greater than 30% (p<0.05), D7 (role emotional), and D8 (mental health) domains in patients older than 45 years (p<0.05) and better results in D7 (role emotional) domain in patients over 5 years after surgery (p<0.05). Conclusions: Greater weight loss and age and longer time after surgery showed important self-perceived improvement in QoL after LRYGB in some assessment domains, both physical and emotional. |
|
ORIGINAL ARTICLE Fatores preditivos de resposta histológica à terapia neoadjuvante em adenocarcinomas gástricos BACHA, Dhouha BOUDRIGUA, Nour MALLEK, Ines CHAMMEM, Safé ATTIA, Monia GHARBI, Lassaad LAHMAR, Ahlem BEN-SLAMA, Sana Resumo em Português: RESUMO Racional: A quimioterapia perioperatória é o tratamento padrão para o adenocarcinoma gástrico ressecável, melhorando a sobrevida global e livre de recidiva. A resposta histológica à terapia neoadjuvante, avaliada pelo grau regressão tumoral (GRT) de Mandard, é um importante fator prognóstico. Objetivos: Identificar fatores preditivos para resposta histológica à terapia neoadjuvante no carcinoma gástrico. Métodos: Estudo retrospectivo com pacientes submetidos à cirurgia após quimioterapia neoadjuvante (2015–2020). A resposta foi classificada em GRT 1–3 (com resposta) e GRT 4–5 (sem resposta). Foram aplicados testes estatísticos, com p<0,05 como nível de significância. Resultados: Foram analisados 40 pacientes (razão H/M 2,64; média de idade 63 anos). Resposta histológica completa (GRT 1–3) foi observada em 48%, enquanto 52% não apresentaram resposta (GRT 4–5). A análise univariada mostrou associação significativa com: tumor >38 mm (p=0,03), diferenciação (p=0,02), invasão parietal, ausência de linfonodos acometidos (ambos p<0,001), estadiamento pTNM (p<0,001), e ausência de invasão vascular/perineural (p=0,001). Na análise multivariada, invasão parietal (odds ratio=2,351; p=0,022, p<0.05) e ausência de metástases linfonodais (odds ratio=1,491; p=0,01, p<0.05) foram preditores independentes. Conclusões: A invasão parietal e a ausência de metástases linfonodais são fatores preditivos de resposta histológica à quimioterapia neoadjuvante no adenocarcinoma gástrico.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Perioperative chemotherapy is the standard curative treatment for resectable gastric adenocarcinoma, significantly improving both overall and recurrence-free survival. The histological response to neoadjuvant therapy is a critical prognostic factor, commonly assessed through grading systems such as Mandard’s tumor regression grade (TRG). Aims: The aim of the study was to identify predictive factors for histological response to neoadjuvant therapy in gastric adenocarcinoma. Methods: A retrospective study was performed on patients with gastric adenocarcinoma who underwent surgery following neoadjuvant chemotherapy, from 2015 to 2020. The histological response was evaluated using Mandard TRG, which includes five grades (1–5), based on the proportion of residual viable tumor cells and fibrosis. Grades 1–3 were considered a response, and Grades 4 and 5 were considered no response. Students’ t-test, chi-squared test, and multivariate logistic regression were used, with significance set at p<0.05. Results: Forty patients were included (male-to-female ratio 2.64, mean age 63 years). Histological response (TRG 1–3) was observed in 48%, while 52% showed no response (TRG 4–5). Univariate analysis showed significant correlations between histological response and tumor size >38 mm (p=0.03), differentiation (p=0.02), parietal wall invasion, absence of nodal involvement (both p<0.001), pathological tumor, node, and metastasis stage (p<0.001), and absence of vascular and perineural invasion (both p=0.001). Multivariate analysis identified parietal wall invasion (odds ratio=2.351, p=0.022) and absence of lymph node metastases (odds ratio=1.491, p=0.01) as independent predictive factors. Conclusions: Parietal wall invasion and absence of nodal metastases are predictive of histological response to neoadjuvant therapy in gastric adenocarcinoma. |
|
ORIGINAL ARTICLE Tumor budding no adenocarcinoma gástrico: valor prognóstico e associação com marcadores clínico-patológicos BACHA, Dhouha KAMMOUN, Neirouz TROUDI, Bilel ATTIA, Monia LAHMAR-BOUFAROUA, Ahlem BEN-SLAMA, Sana Resumo em Português: RESUMO Racional: A análise do tumor budding (TB) e seu valor prognóstico no adenocarcinoma gástrico (AG) tem sido foco de diversos estudos, com resultados inconsistentes. Este parâmetro não é incluído nas classificações prognósticas gástricas nem em relatórios patológicos padronizados. Objetivos: O objetivo foi avaliar o TB no AG e sua significância prognóstica por meio de análise de sobrevida. Além disso, buscamos examinar a associação entre o TB e marcadores clínico-patológicos considerados fatores prognósticos para este tipo de câncer. Métodos: Este estudo retrospectivo abrangeu um período de dez anos, de janeiro de 2008 a dezembro de 2017, incluindo pacientes submetidos à cirurgia para AG. A avaliação do TB seguiu as diretrizes consensuais de 2016 para câncer colorretal, com três classificações: Bd1 (0-4 brotos), Bd2 (5-9 brotos) e Bd3 (10 ou mais brotos). Também utilizamos um sistema de classificação binário, diferenciando TB de baixo grau (menos de 10 brotos) e alto grau (10 ou mais brotos). Resultados: O TB foi classificado como de baixo grau em 69% dos casos e alto grau em 31%. O TB de alto grau apresentou correlação significativa com invasão perineural (HR 2,98, IC95% 1,04–8,53, p=0,004), estádios III e IV (HR 4,04, IC95% 1,27–12,83, p=0,01) e mortalidade (HR 3,65, IC95% 1,24–10,74, p=0,02). Foi identificado como um fator prognóstico independente para a sobrevida livre de recorrência (SLR) (p=0,005, p<0.05). Conclusões: Demonstramos que o valor prognóstico e preditivo do TB no AG é significativo, especialmente em relação à sobrevida dos pacientes.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: The analysis of tumor budding (TB) and its prognostic value in gastric adenocarcinoma (GA) has been the focus of several studies, with inconsistent results. This parameter is not included in gastric prognostic classifications or standardized pathological reports. Aims: To evaluate TB in GA and its prognostic significance through survival analysis, in addition to investigating the association between TB and clinicopathological markers that are considered prognostic factors for this type of cancer. Methods: This retrospective study covers a period of ten years, from January 2008 to December 2017. It included patients who underwent surgery for GA. TB evaluation followed the 2016 consensus guidelines for colorectal cancer, with three grades: Bd1 (0–4 buds), Bd2 (5–9 buds), and Bd3 (10 or more buds). Additionally, a two-grade classification system was employed, distinguishing between low-grade budding (fewer than 10 buds) and high-grade budding (10 or more buds). Results: TB was classified as low-grade in 69% of the cases and high-grade in 31%. High-grade TB was significantly correlated with perineural invasion (HR [hazard ratio]: 2.98, 95%CI [95% confidence interval] 1.04–8.53, p=0.004), stages III and IV (HR 4.04, 95%CI 1.27–12.83, p=0.01), and mortality (HR 3.65, 95%CI 1.24–10.74, p=0.02). It was an independent prognostic factor for recurrence-free survival (RFS) (p=0.005, p<0.05). Conclusions: We have demonstrated that TB prognostic and predictive value in GA is significant, particularly regarding patient survival. |
|
ORIGINAL ARTICLE Resposta glicêmica à dieta de muito baixa caloria no pré-operatório como preditor de remissão tardia do diabetes tipo 2 pós-cirurgia bariátrica BORTOLAN, Mariana Fior Frias Thomaz DE CLEVA, Roberto FERREIRA, Leandro PAJECKI, Denis SANTO, Marco Aurelio Resumo em Português: RESUMO Racional: A obesidade e o diabetes mellitus tipo 2 são condições altamente prevalentes e com impacto significativo na saúde pública, o que destaca a necessidade de estratégias eficazes para seu manejo. A cirurgia bariátrica é amplamente reconhecida por promover perda de peso sustentada e altas taxas de remissão do diabetes mellitus tipo 2. Objetivos: Investigar a resposta glicêmica pré-operatória a uma dieta de muito baixa caloria, como preditor de remissão tardia do diabetes mellitus tipo 2, após gastroplastia com derivação em Y-de-Roux. Métodos: Foram incluídos 198 participantes que seguiram uma dieta de muito baixa caloria (600 kcal/dia) no pré-operatório, com monitoramento da resposta glicêmica. Resultados: A remissão completa do diabetes mellitus tipo 2 ocorreu em 66,7% dos pacientes. Dois anos após a cirurgia, pacientes com níveis de glicemia abaixo de 143 mg/dl no segundo dia da dieta de muito baixa caloria, tiveram maior probabilidade (acima de 70%) de atingir remissão completa do diabetes mellitus tipo 2 no período pós-operatório tardio. Conclusões: Os níveis de glicemia capilar pré-operatória demonstraram boa especificidade na predição de remissão. Esses achados reforçam a utilidade clínica do controle glicêmico precoce como indicador viável para prever o sucesso do tratamento cirúrgico do diabetes mellitus tipo 2.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Obesity and type 2 diabetes mellitus are highly prevalent conditions with a significant public health impact, highlighting the need for effective management strategies. Bariatric surgery is widely recognized for promoting sustained weight loss and high rates of type 2 diabetes mellitus remission. Aims: This study investigated the preoperative blood glucose response to a very low-calorie diet as a functional predictor of type 2 diabetes mellitus remission following Roux-en-Y gastric bypass. Methods: 198 participants who followed a very low-calorie diet (600 kcal/day) during the preoperative period were included, with glycemic response monitoring. Results: Complete remission of type 2 diabetes mellitus occurred in 66.7% of patients. Two years after surgery, patients with blood glucose levels below 143 mg/dL on the second day of the very low-calorie diet had a higher likelihood (over 70%) of achieving complete remission type 2 diabetes mellitus in the late postoperative period. Conclusions: Preoperative capillary blood glucose levels demonstrated good specificity in predicting remissions. These findings reinforce the clinical utility of early glycemic control as a valuable indicator for predicting the success of surgical treatment for type 2 diabetes mellitus. |
|
ORIGINAL ARTICLE Valor prognóstico e preditivo do AXL e C-MET em pacientes com câncer de reto RIBAS, Carmen Austrália Paredes Marcondes N DOELKEN, Efstathia TRIPATHI, Sudipta POLAT, Bülent LISSNER, Reinhard BÖELDICKE, Thomas RIBAS-FILHO, Jurandir Marcondes MALAFAIA, Osvaldo GASSER, Martin WAAGA-GASSER, Ana Maria Resumo em Português: RESUMO Racional: O câncer de reto continua sendo desafio clínico significativo com demanda por biomarcadores conclusivos, essenciais no prognóstico e monitoramento terapêutico de estratégias de tratamento neoadjuvante e adjuvante. Objetivos: Avaliar os biomarcadores AXL e C-MET para células-tronco cancerígenas e correlacioná-los com características clínico-patológicas e dados de resultados de pacientes em relação à radioquimioterapia neoadjuvante. Métodos: Os níveis séricos dos marcadores de superfície solúveis AXL e C-MET foram analisados retrospectivamente em 164 pacientes com câncer retal com análises adicionais de imunofluorescência de seus tecidos tumorais primários. Resultados: A análise de Kaplan-Meier confirmou a significância prognóstica dos estágios da UICC, mas sem correlação significativa entre os marcadores investigados com a idade, sexo ou estágio do tumor do paciente. Em contraste, os tecidos tumorais demonstraram expressão de marcadores aumentada em função do estágio. Enquanto a AXL foi detectada em níveis baixos, o C-MET exibiu distribuição bimodal, com níveis elevados observados na maioria dos pacientes, particularmente na terapia pós-neoadjuvante e de forma não significativa no subgrupo com pior resposta à terapia neoadjuvante (p=0,074, p>0.05). Conclusões: Os níveis séricos de AXL na coorte de câncer retal foram significativamente diferentes dos indivíduos saudáveis, mas não se correlacionaram com o estágio do tumor ou a sobrevida durante e após a terapia neoadjuvante/adjuvante. Os níveis de C-MET solúvel no sangue, influenciados pela radioquimioterapia neoadjuvante, podem servir como um marcador preditivo para a resposta ao tratamento.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Rectal cancer remains a significant clinical challenge with demand for conclusive biomarkers, essential in prognostication and therapy monitoring of neoadjuvant and adjuvant treatment strategies. Aims: The aim of the study was to evaluate AXL and cellular mesenchymal-epithelial transition factor (C-MET) biomarkers for cancer stem cells and to correlate them with clinicopathological characteristics and patient outcome data with respect to neoadjuvant chemoradiotherapy. Methods: Serum levels of soluble surface markers AXL and C-MET were retrospectively analyzed in 164 rectal cancer patients with additional immunofluorescent analyses of their primary tumor tissues. Results: Kaplan-Meier analysis confirmed the prognostic significance of Union for International Cancer Control stages, but with no significant correlation between investigated markers with patient age, gender, or tumor stage. In contrast, tumor tissues demonstrated stage-dependently increased marker expression. While AXL was detected at low levels, C-MET exhibited a bimodal distribution, with elevated levels seen in most patients, particularly post-neoadjuvant therapy and non-significantly in the subgroup with poorer response to neoadjuvant therapy (p=0.074). Conclusions: AXL serum levels in the rectal cancer cohort were significantly different from healthy subjects but did not correlate with tumor stage or survival during and after neoadjuvant/adjuvant therapy. Soluble C-MET levels in the blood, influenced by neoadjuvant chemoradiotherapy, may serve as a predictive marker for treatment response. |
|
ORIGINAL ARTICLE Repercussões da cirurgia bariátrica na densidade mineral óssea: uma análise comparativa entre o Bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical FRADIQUE, Bruna Nolasco Siqueira Silva COSTA, André Santos ANTUNES, Margarida Castro RODRIGUES, Anatália Teixeira da Silva SANTA-CRUZ, Fernando FERRAZ, Álvaro Antonio Bandeira Resumo em Português: RESUMO Racional: A má absorção de micronutrientes, incluindo cálcio e vitamina D, pode predispor à fraturas patológicas no pós-operatório tardio de cirurgia bariátrica. Objetivos: Avaliar os efeitos do bypass gástrico em Y de Roux (BGYR) e a gastrectomia vertical (GV) na densidade mineral óssea (DMO) e na ingesta de cálcio e vitamina D após 3 anos da cirurgia. Métodos: Estudo transversal que incluiu 66 pacientes no pós-operatório tardio de cirurgia bariátrica para avaliação da DMO. Foram coletados dados antropométricos e demográficos, e um recordatório de 24h foi aplicado para avaliar os padrões de consumo alimentar. DMO foi avaliada através de densitometria óssea do fêmur e coluna lombar e os valores foram expressos através do z-score. Resultados: A média de idade foi de 40,1 anos, 86,4% foram do sexo feminino. BGYR foi realizado em 60,3% da amostra, e a GV em 39,7%. Não houve diferença significante entre as técnicas em relação aos dados antropométricos, composição corporal e padrão de consumo alimentar. Houve correlação positiva, no grupo BGYR, entre o z-score do fêmur, ingesta de cálcio e vitamina D e suplementação multivitamínica. 12,7% da amostra apresentaram densidade óssea comprometida e, dentre estes, 87,5% foram submetidos ao BGYR, 100% apresentaram consumo insuficiente de cálcio e vitamina D e 12,5% encontravam-se no climatério. Conclusões: Uma pequena porcentagem da amostra apresentou perda de DMO após BGYR e GV. O tipo de cirurgia não foi um fator significante na perda de DMO. Contudo, todos os pacientes afetados apresentavam baixa ingesta de cálcio e vitamina D.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Malabsorption of micronutrients including calcium and vitamin D may lead to pathological bone fractures in the late postoperative period of bariatric surgery. Aims: The aim of this study was to evaluate the effects of Roux-en-Y gastric bypass (RYGB) and sleeve gastrectomy (SG) on bone mineral density (BMD) and calcium and vitamin D intake after 3 years of surgery. Methods: Cross-sectional study that included 66 patients in the late postoperative period of bariatric surgery to analyze their BMD. Anthropometric and demographic data were collected, and a 24-hour recall questionnaire was carried out to assess food consumption patterns. BMD was assessed by bone densitometry of the femur and spine, and the values were expressed as z-scores. Results: The mean age was 40.1 years, 86.4% were female. RYGB was performed in 60.3% and SG in 39.7%. There was no significant difference between the techniques when comparing anthropometry, body composition, and food consumption patterns. There was a positive correlation, after RYGB, between femoral z-score, calcium and vitamin D intake, and multivitamin supplementation. A total of 12.7% of the sample had compromised bones, and among these, 87.5% underwent RYGB, 100% had inadequate consumption of calcium and vitamin D, and 12.5% were in menopause. Conclusions: A small percentage of the sample showed bone loss after RYGB and SG. The type of surgery was not a significant factor in changing BMD. However, all those affected had a low intake of calcium and vitamin D. |
|
ORIGINAL ARTICLE Impactos da manobra de pringle em hepatectomias: análise de sobr evida e efeitos clínicos CANSI, Allan Rubens Zucolotto VITOR, Jhonatan de Souza LOPES, João Felipe da Silva GLÓRIA, Rogério Dardengo Resumo em Português: RESUMO Racional: A manobra de Pringle é amplamente utilizada em cirurgias hepáticas, mas seus efeitos nos desfechos pós-operatórios e na sobrevida ainda são motivo de debate. Este estudo visa avaliar seu impacto na função hepática e nos resultados em longo prazo. Objetivos: Avaliar o impacto da manobra de Pringle intermitente na função hepática pós-operatória e na sobrevida em pacientes submetidos à hepatectomia, com enfoque em marcadores precoces de disfunção como fatores prognósticos. Resultados: Nesta coorte retrospectiva com 198 pacientes (106 mulheres e 92 homens; média de idade: 59 anos), o grupo Pringle apresentou maior tempo cirúrgico (226,87±82,18 vs. 184,00±80,90 minutos, p<0,001) e maior tempo de UTI (4,02±2,1 vs. 3,11±1,9 dias, p=0,026), porém com menores níveis de bilirrubina (2,18±0,33 vs 3,13±0,39 mg/dL, p=0,049, p<0.05). A manobra reduziu o risco de mortalidade (HR 0,540, IC95% 0,333–0,876, p=0,013, p<0.05). Bilirrubina elevada aumentou o risco de morte (HR 1,975, IC 95%: 1,1003,545, p=0,023) e atividade de protrombina <50% o triplicou (HR 3,055, IC95% 1,839–5,075, p<0,001). Conclusões: Apesar de aumentar o tempo operatório e a permanência em UTI, a manobra de Pringle demonstrou efeito protetor na sobrevida. Disfunção hepática precoce é fortemente associada a piores desfechos, reforçando a necessidade de monitoramento rigoroso no pós-operatório.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: The Pringle maneuver remains a widely used technique in hepatic surgery with varying opinions on its effects on postoperative outcomes and survival, requiring evidence-based evaluation of its impact on liver function and long-term results. Aims: The aim of this study was to evaluate the impact of the intermittent Pringle maneuver on postoperative liver function and survival in hepatectomy patients, focusing on early dysfunction markers as prognostic factors. Results: In this retrospective cohort of 198 patients (106 women and 92 men; mean age, 59 years), the Pringle group showed longer surgical times (226.87±82.18 vs. 184.00±80.90 min, p<0.001) and extended intensive care unit stays (4.02±2.1 vs 3.11±1.9 days, p=0.026), but lower bilirubin levels (2.18±0.33 vs. 3.13±0.39 mg/dL, p=0.049). Multivariate analysis revealed that the Pringle maneuver reduced mortality risk (hazard ratio [HR]=0.540, 95% confidence interval [95%CI]: 0.333–0.876, p=0.013). Early liver dysfunction markers strongly predicted worse outcomes: elevated bilirubin nearly doubled mortality risk (HR 1.975, 95%CI 1.100–3.545, p=0.023), and decreased prothrombin activity tripled it (HR 3.055, 95%CI 1.839–5.075, p<0.001). Conclusions: While the Pringle maneuver extends operative time and intensive care unit stay, it demonstrates a protective effect on survival. Early postoperative liver dysfunction strongly predicts poor outcomes, emphasizing the importance of careful postoperative monitoring regardless of vascular control strategy. These findings suggest that a controlled intermittent Pringle maneuver offers survival benefits when properly timed. |
|
ORIGINAL ARTICLE Cirurgia de princípio ótima para adenocarcinoma gástrico. Realidade brasileira com resultados comparáveis ao tratamento neoadjuvante GONÇALVES, Augusto Canton RACY, Rodrigo Silveira MITIDIERI, Anna Clara Hebling CASTRO, Beny Goulart Dias de ZANON, Caio de Carvalho FREITAS JUNIOR, Wilson Rodrigues CASTRO, Osvaldo Antonio Prado KASSAB, Paulo Resumo em Português: RESUMO Racional: O tratamento neoadjuvante completo para o câncer gástrico nem sempre é tolerado por razões nutricionais e clínicas, como obstrução antropilórica. Nesse contexto, a cirurgia de princípio torna-se uma alternativa. Objetivos: Comparar ressecção de princípio com terapia sistêmica neoadjuvante, e identificar fatores que influenciam os resultados. Métodos: Estudo retrospectivo entre 2012 e 2020, de 410 pacientes com tumores localmente avançados. Lesões precoces (cT1N0), metastáticas e câncer de coto gástrico foram excluídos. O estadiamento foi estratificado sem influência do tratamento sistêmico (estadiamento primário). Ressecções com dissecção D2, sem tumor residual (não R2) e sem complicações foram consideradas cirurgias ótimas. Resultados: A ressecção de princípio foi realizada em 216 pacientes (85% das cirurgias de princípio). A gastrectomia após o tratamento neoadjuvante ocorreu em 47 casos (76% das indicações), e outras 4 gastrectomias foram realizadas entre 39 pacientes com cirurgias prévias sem ressecção (10%). No total, houve 51 ressecções após quimioterapia. Fatores independentes associados à sobrevida global em 60 meses foram: quimioterapia pré-operatória (57,3% vs. 40,7%, p=0,029), taxa de complicação, linfadenectomia D2 e estadiamento primário. Casos iniciais mostraram um melhor resultado no grupo neoadjuvante sem significância estatística (p=0,447), o que foi observado nos tumores mais avançados (p=0,027). A cirurgia ótima foi alcançada em 68,6% do grupo neoadjuvante e 51,9% do grupo de cirurgia de princípio (p=0,030), com sobrevida global semelhante (56,6% vs. 52,4%, p=0,904). Conclusões: Cirurgia de princípio ótima, seguida de terapia adjuvante, com dissecção D2, é eficaz e não foi estatisticamente inferior ao tratamento neoadjuvante.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Complete neoadjuvant treatment for gastric cancer is not always tolerated due to nutritional and clinical reasons, such as gastric outlet obstruction. In this context, upfront surgery becomes an alternative. Aims: The aim of the study was to compare upfront resection with neoadjuvant systemic therapy followed by surgery and identify factors influencing their outcomes. Methods: Retrospective study of 410 patients with locally advanced gastric adenocarcinoma followed between 2012 and 2020, comparing upfront surgery and perioperative treatment. Patients with early tumor (cT1N0), metastasis, and stump cancer were excluded. The comparison was stratified by stage without the influence of systemic treatment (primary stage). Resections with D2 dissection, no residual tumor (no R2), and no complications were considered optimal surgery. Results: Upfront resection was performed in 216 patients (85% of upfront surgeries). Gastrectomy after neoadjuvant treatment was performed in 47 cases (76% of indications), and another four were resected among 39 previous unsuccessful surgeries (10%). In total, there were 51 resections after chemotherapy. Independent factors associated with overall survival at 60 months were: preoperative chemotherapy (57.3% vs. 40.7%, p=0.029); complication rate; D2 lymphadenectomy; and primary stage. Initial cases showed a better outcome in the neoadjuvant group without statistical significance (p=0.447), but it was present in more advanced tumors (p=0.027). Optimal surgery was achieved in 68.6% of the neoadjuvant group and 51.9% of the upfront group (p=0.030) and resulted in similar overall survival (56.6% vs. 52.4%, p=0.904). Conclusions: Optimal upfront surgery followed by adjuvant therapy, particularly with D2 dissection, is effective and was not statistically inferior to neoadjuvant treatment. |
|
ORIGINAL ARTICLE ALDH1 E ALCAM como biomarcadores emergentes na terapia personalizada do câncer retal RIBAS-FILHO, Jurandir Marcondes N DOELKEN, Efstathia TRIPATHI, Sudipta POLAT, Bülent LISSNER, Reinhard BÖELDICKE, Thomas RIBAS, Carmen Austrália Paredes Marcondes MALAFAIA, Osvaldo GASSER, Martin WAAGA-GASSER, Ana Maria Resumo em Português: RESUMO Racional: A avaliação pré-operatória de marcadores tumorais séricos fornece valiosos insights prognósticos e terapêuticos em neoplasias sólidas. Embora não sejam diagnósticos por si só, o aumento das concentrações pré-operatórias geralmente reflete maior carga tumoral, estágio avançado da doença e desfechos clínicos desfavoráveis. Objetivos: Investigar a expressão e o potencial diagnóstico-prognóstico dos marcadores tumorais ALDH1 e ALCAM no sangue de pacientes com câncer de reto sob influência de radio/radioquimioterapia de curta ou longa duração (RTx/RCTx). Métodos: Amostras de soro retiradas de pacientes com carcinoma retal (n=164) em diferentes momentos durante e após RTx/RCTx foram examinadas retrospectivamente para determinar se esses marcadores poderiam prever a progressão da doença e a sobrevida em longo prazo. Resultados: A análise de Kaplan-Meier confirmou a relevância prognóstica do estadiamento da UICC, enquanto não foram observadas associações significativas entre os níveis séricos dos biomarcadores investigados e as características individuais do paciente ou do tumor, como idade, sexo ou estágio tumoral. No geral, ALCAM e ALDH1 nesta coorte limitada de pacientes exibiram níveis séricos elevados em comparação com controles saudáveis, e os tecidos tumorais demonstraram aumentos dependentes do estágio na expressão do marcador (UICC III/IV versus I/II). Conclusões: As concentrações séricas de ALCAM e ALDH1 foram significativamente elevadas nesta coorte de pacientes com câncer retal, mas não mostraram correlação significativa com o estágio ou sobrevida do tumor, sempre que amostras de soro foram obtidas durante ou após a terapia neoadjuvante e adjuvante, o que pode ser particularmente devido ao número limitado de indivíduos estudados. Embora sua utilidade prognóstica permaneça limitada, sua elevação consistente em pacientes com câncer ressalta seu valor potencial na detecção precoce ou como componentes de um painel de biomarcadores mais amplo.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: The preoperative evaluation of serum tumor markers provides valuable prognostic and therapeutic insights in solid malignancies. Although not diagnostic by themselves, increased preoperative concentrations often reflect greater tumor burden, advanced disease stage, and unfavorable clinical outcomes. Aims: The aim of this study was to investigate the expression and diagnostic-prognostic potential of the tumor markers aldehyde dehydrogenase 1 (ALDH1) and activated leukocyte cell adhesion molecule (ALCAM) in the blood of rectal cancer patients under the influence of short- or long-term radio-/chemoradiotherapy (RTx/RCTx). Methods: Serum samples taken from patients with rectal carcinoma (n=164) at different time points during and after RTx/RCTx were retrospectively examined to determine whether these markers could predict disease progression and long-term survival. Results: Kaplan-Meier analysis confirmed the prognostic relevance of the Union for International Cancer Control (UICC) staging, while no significant associations were observed between serum levels of the investigated biomarkers and individual patient or tumor characteristics such as age, sex, or tumor stage. Overall, ALCAM and ALDH1 in this limited patient cohort exhibited elevated serum levels compared with healthy controls, and tumor tissues demonstrated stage-dependent increases in marker expression (UICC III/IV versus I/II). Conclusions: Serum concentrations of ALCAM and ALDH1 were significantly elevated in our patient cohort with rectal cancer but showed no significant correlation with tumor stage or survival, whenever serum samples were obtained either during or after neoadjuvant and adjuvant therapy, which may be particularly due to the limited number of studied subjects. Although their prognostic utility remains limited, their consistent elevation in cancer patients underscores their potential value in early detection or as components of a broader biomarker panel. |
|
ORIGINAL ARTICLE Tumores neuroendócrinos gástricos: análise das características clinicopatológicas e resultados de sobrevida de centro de referência RIBEIRO, Mateus Barradas PEREIRA, Marina Alessandra MUCERINO, Donato Roberto YAGI, Osmar Kenji DIAS, André Roncon NIGRO, Bruna de Camargo RIBEIRO JUNIOR, Ulysses RAMOS, Marcus Fernando Kodama Pertille Resumo em Português: RESUMO Racional: Tumores Neuroendócrinos Gástricos (TNEg) são neoplasias raras que surgem das células enterocromafins, representando um subconjunto distinto de neoplasias gástricas, com manejo clínico desafiador. Objetivos: Analisar a classificação, a indicação do tratamento e sobrevida de doentes com diagnóstico de TNEg. Métodos: Foram avaliados retrospectivamente pacientes diagnosticados com TNEg entre 2009 e 2025 em centro de referência no Brasil. Pacientes foram classificados de acordo com a WHO e critérios clinicopatológicos em Tipos I, II e III. Resultados: Dos 75 pacientes incluídos, 53 (70,7%) foram classificados como Tipo I, 5 (6,7%) como Tipo II e 17 (22,6%) como Tipo III. Ressecção cirúrgica foi realizada em 25 pacientes (33,3%), e endoscópica em 50 (66,7%). Tumores Tipo I tiveram associação com sexo feminino (p<0,001), multifocalidade (p<0,001), IMC elevado (p=0,002) e manejo endoscópico (p=0,008). Os tumores Tipo II foram raros e associados à MEN1, enquanto Tipo III foi predominante em homens, de alto grau (G3), e frequentemente metastáticos, exigindo ressecção cirúrgica e terapia sistêmica. Entre os 25 pacientes tratados cirurgicamente, foram principalmente do sexo masculino (52%) e incluía 12 pacientes (48,0%) com tumores Tipo I, 3 (12,0%) com Tipo II e 10 (40,0%) com tumores Tipo III. A análise de sobrevida mostrou resultados significativamente piores para os tumores Tipo III e G3. A análise multivariada identificou a idade avançada (HR 4,11; IC 95%: 1,14-14,80; p=0,030) e o estadio TNM III/IV (HR 5,42; IC 95%: 1,26-23,26; p=0,023) como preditores independentes de pior sobrevida. Conclusões: Os TNEg exibem um perfil clínico heterogêneo, com os tumores Tipo I predominando na população brasileira. O tipo do tumor, grau e estadiamento TNM definem manejo e prognóstico.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Gastric neuroendocrine tumors (gNETs) are uncommon neoplasms arising from enterochromaffin-like cells, representing a distinct subset of gastric malignancies, with challenging clinical management. Aims: To analyse the classification, treatment indication, and survival of patients diagnosed with gNETs. Methods: We retrospectively analyzed patients diagnosed with gNETs between 2009 and 2025 at a high-volume tertiary center in Brazil. Clinical, pathological, and treatment data were reviewed, and tumors were classified according to World Health Organization and clinicopathological criteria into Types I, II, and III. Results: Of the 75 patients included, 53 (70.7%) were classified as Type I, 5 (6.7%) as Type II, and 17 (22.6%) as Type III. Treatment included surgery in 25 patients (33.3%) and endoscopic resection in 50 (66.7%). Type I tumors predominated in females (p<0.001), were frequently multifocal (p<0.001), associated with higher body mass index (p=0.002), and were mainly managed endoscopically (p=0.008). Type II tumors were rare and associated with multiple endocrine neoplasia Type 1, while Type III tumors were predominantly male, larger, high-grade (G3), and frequently metastatic, requiring surgical resection and palliative therapy. Among the 25 surgically treated patients, most were men (52%) and included 12 patients (48.0%) with Type I, 3 (12.0%) with Type II, and 10 (40.0%) with Type III tumors. Survival analysis showed significantly worse outcomes for Type III and G3 tumors. Multivariable analysis identified advanced age (hazards ratio 4.11; 95% confidence interval (95%CI): 1.14–14.80; p=0.030) and tumor, lymph node, metastasis (TNM) stage III/IV (HR 5.42; 95%CI: 1.26–23.26; p=0.023) as independent predictors of poorer survival. Conclusions: gNETs exhibit heterogeneous clinical behavior, with Type I tumors predominating in the Brazilian population. Tumor type, grade, and TNM stage are critical determinants of prognosis and should guide individualized treatment strategies. |
|
ORIGINAL ARTICLE Câncer de bolsa ileal na polipose adenomatosa familiar. Incidência, fatores de risco e revisão da literatura: a propósito de três casos raros CAMPOS, Fábio Guilherme MARTINEZ, Carlos Augusto Real MOURA, Renata Nobre SAFATLE-RIBEIRO, Adriana Vaz MARQUES, Carlos Frederico Sparapan RIBEIRO JUNIOR, Ulysses HERMAN, Paulo Resumo em Português: RESUMO Racional: O desenvolvimento de câncer na bolsa ileal constitui um grande desafio para o cirurgião e pacientes com Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) após a proctocolectomia (RPC). Objetivos: Apresentar nossa experiência com o diagnóstico de câncer na bolsa ileal e rever a literatura relacionada à incidência e fatores de risco associados. Métodos: O presente estudo retrospectivo envolveu pacientes PAF submetidos a RPC entre 1981 e 2023 em nossa instituição acadêmica. Incluíram-se apenas doentes com 3 anos de seguimento, Dados demográficos e características da doença foram extraídos dos prontuários. Resultados: Após excluir 7 doentes, foram selecionados 87 RPC e 3 casos (3.4%) de câncer na bolsa ileal foram identificados. Os tumores foram diagnosticados em 3 homens com 23-40 anos na RPC e 41-62 anos no diagnóstico de câncer. O intervalo entre RPC e câncer na bolsa variou de 11.6 a 20 anos (média 14.6 anos). Todos os doentes tiveram câncer colorretal (CRC) detectados néco espime da cirurgia primária, dois deles com lesões multicêntrica. Uma breve revisão das séris da literatura demonstrou que o câncer de bolsa ileal tem sido detectado em incidências variando de 0.8 a 3.4%. Sexo masculino, CRC no espécime da RPC, fenótipo da bolsa durante o seguimento e associação com adenomas duodenais são considerados fatores de risco. Conclusões: Câncer na bolsa ileal é um evento raro associado com fatores de risco específicos. Após proctocolectomia, todos os doentes devem fazer vigilância endoscópica, com especial atenção para aqueles que desenvolvem fenótipo agressivo na bolsa durante os primeiros dez anos de seguimento.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Development of pouch cancer is a great challenge to both surgeons and patients with familial adenomatous polyposis (FAP) after restorative proctocolectomy (RPC). Aims: We aimed to present our experience with pouch cancer diagnosis and review literature data regarding incidence and associated risk factors. Methods: This retrospective study enrolled FAP patients undergoing RPC between 1981 and 2023 in our academic institution. It included only J-pouch stapled patients with at least three years of follow-up. Patients’ demographics and disease features were retrieved. Results: After excluding seven patients, we selected 87 RPC, and three cases (3.4%) of pouch cancer were identified. They were diagnosed in three men aged 23–40 years at RPC and 41–62 years at cancer diagnosis. Interval from RPC to pouch cancer diagnosis varied from 11.6 to 20 years (average 14.6 years). All patients had colorectal cancers (CRC) detected in the specimen from the index surgery, two of them with multicenter lesions. A brief review of the literature series showed that pouch cancer has been detected in incidences ranging from 0.8 to 3.4%. Male sex, CRC in the RPC specimen, pouch phenotype during follow-up and an association with duodenal adenomas are considered risk factors. Conclusions: Pouch cancer is a rare event associated with specific risk factors. After RPC, all patients should undergo endoscopic surveillance, with special attention to those who develop an aggressive phenotype during the first decade of follow-up. |
|
ORIGINAL ARTICLE Fístulas anais: as classificações cirúrgicas predizem os resultados pós-operatórios? HORA, José Américo Bacchi SOBRADO, Lucas Faraco SOBRADO, Carlos Walter HORVAT, Natally MARQUES, Carlos Frederico Sparapan RIBEIRO JUNIOR, Ulysses NAHAS, Sérgio Carlos Resumo em Português: RESUMO Racional: Fístulas anais são um desafio na cirurgia colorretal, com recorrência e incontinência pós-operatória frequentes. Diversos sistemas de classificação existem, mas seu valor preditivo para o tratamento e desfechos cirúrgicos ou funcionais permanece incerto. Objetivos: Comparar as classificações Parks, American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) e St. James University Hospital (SJUH), baseada em ressonância magnética, quanto à predição de desfechos cirúrgicos e preservação da continência. Métodos: Análise retrospectiva de 89 pacientes submetidos a tratamento cirúrgico definitivo de fístula anal (2012–2019). Foram excluídos pacientes com fístula retovaginal, doença de Crohn ou radioterapia pélvica prévia. Fístulas foram classificadas pelos sistemas Parks, ASCRS e SJUH (n=49). Desfechos incluíram número de procedimentos, tipo de procedimento inicial, fechamento da fístula e fechamento sem piora da continência. Continência pré e pós operatória avaliada pelo escore Jorge-Wexner. Resultados: A maioria das fístulas era transesfincteriana (Parks Tipo 2, 62%) e complexa (ASCRS, 65%). O fechamento da fístula ocorreu em 86,5% e sem piora da continência em 73%. Parks e ASCRS associaram-se ao fechamento com preservação da continência (p=0,008 e p=0,007) e ao tipo de procedimento inicial. Parks manteve significância considerando apenas o fechamento (p=0,005), enquanto ASCRS apresentou associação limítrofe (p=0,051). SJUH associou-se apenas à escolha do procedimento inicial. Conclusões: Parks e ASCRS estiveram associadas ao fechamento da fístula com preservação da continência e ao tipo de procedimento inicial. Considerando apenas o fechamento, apenas Parks manteve associação significativa. SJUH esteve limitada à escolha do procedimento. No geral, Parks e ASCRS orientam planejamento cirúrgico e predição de desfechos, com Parks ligeiramente superior.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Anal fistulas remain challenging in colorectal surgery, with recurrence and postoperative incontinence common despite advances in treatment. Multiple classification systems exist, but their predictive value for surgical and functional outcomes is unclear. Aims: The aim of this study was to compare Parks, American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS), and St. James’s University Hospital (SJUH) MRI-based classifications in predicting surgical outcomes, including continence preservation. Methods: Retrospective analysis of 89 patients undergoing definitive surgical treatment for anorectal fistulas at a single referral center (2012–2019). Exclusions included rectovaginal fistulas, Crohn’s disease, or prior pelvic radiotherapy. Fistulas were classified using Parks, ASCRS, and, when available, SJUH (n=49). Outcomes included the number of procedures, type of initial procedure, fistula closure, and closure without continence deterioration. Continence was assessed using the Cleveland Clinic Jorge-Wexner score. Results: Most fistulas were transsphincteric (Parks Type 2, 62%) and complex (ASCRS, 65%). Overall, 86.5% achieved fistula closure, and 73% achieved closure without continence deterioration. Parks and ASCRS were significantly associated with fistula closure with continence preservation (p=0.008 and 0.007, respectively) and type of initial procedure. Parks remained significant when considering closure alone (p=0.005), while ASCRS showed a borderline association (p=0.051). SJUH classification was associated only with procedure selection. Conclusions: Parks and ASCRS classifications were associated with fistula closure with continence preservation and type of initial procedure. Considering closure alone, only Parks remained significant. SJUH was limited to procedure selection. Overall, Parks and ASCRS guide surgical planning and prediction of functional outcomes, with Parks slightly more sensitive. |
|
ORIGINAL ARTICLE Cirurgia robótica para a síndrome do ligamento arqueado mediano: aspectos técnicos e correlação por imagem SIQUEIRA, Michele Andreza Fidelis DAIM, Rafael Hardman KNAESEL, Maria Eduarda Hardman COTTA-PEREIRA, Ricardo Lemos Resumo em Português: RESUMO Racional: A síndrome do ligamento arqueado mediano (SLAM) é uma condição incomum caracterizada por dor abdominal crônica e intermitente, tipicamente pós-prandial, com perda de peso, causada pela compressão extrínseca do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano. A fisiopatologia da doença não é totalmente compreendida. O diagnóstico é desafiador devido aos sintomas inespecíficos e requer uma correlação cuidadosa entre os achados clínicos e os exames de imagem. Objetivos: Demonstrar a viabilidade, segurança e aspectos técnicos da liberação robótica do ligamento arqueado mediano utilizando uma abordagem baseada em casos clínicos com correlação detalhada por imagem. Métodos: Os autores relatam os aspectos técniocos em um paciente idoso do sexo masculino com sintomas típicos de SLAM foi submetido à liberação robótica do ligamento arqueado mediano utilizando a plataforma da Vinci X. A avaliação pré-operatória incluiu angiotomografia computadorizada e a ultrassonografia Doppler colorida, demonstrando estenose focal proximal do tronco celíaco. Resultados: A abordagem robótica permitiu a dissecção precisa e a descompressão completa do tronco celíaco sem complicações intraoperatórias. Os exames de imagem pós-operatórios demonstraram a resolução da estenose e a normalização dos parâmetros de fluxo Doppler. O paciente apresentou resolução completa dos sintomas e permaneceu assintomático, após um ano de acompanhamento. Conclusões: A liberação robótica do ligamento arqueado mediano é uma opção minimamente invasiva segura e eficaz, proporcionando excelente visualização e dissecção precisa em uma região anatômica complexa. Essa técnica deve ser considerada uma abordagem valiosa para pacientes selecionados, com síndrome do ligamento arqueado mediano.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Median arcuate ligament syndrome (MALS) is an uncommon condition characterized by chronic and intermittent abdominal pain, typically postprandial, and weight loss, caused by extrinsic compression of the celiac trunk by the median arcuate ligament. The pathophysiology of the disease is not fully understood. Diagnosis is challenging due to nonspecific symptoms, and requires a careful correlation between clinical findings and imaging studies. Aims: To demonstrate the feasibility, safety, and technical aspects of robotic median arcuate ligament release using a case-based approach with detailed imaging correlation. Methods: The authors report the technical aspects in an elderly male patient with typical symptoms of MALS, who underwent robotic-assisted median arcuate ligament release using the da Vinci X platform. Preoperative evaluation included CT angiography and color Doppler ultrasound, demonstrating focal proximal celiac trunk stenosis. Results: The robotic approach allowed precise dissection and complete decompression of the celiac trunk without intraoperative complications. Postoperative imaging demonstrated resolution of the stenosis and normalization of Doppler flow parameters. The patient experienced complete symptom resolution, and remained asymptomatic after one year of follow-up. Conclusions: Robotic median arcuate ligament release is a safe and effective minimally invasive option, providing excellent visualization and precise dissection in a challenging anatomical region. This technique should be considered a valuable approach for selected patients with MALS. |
|
ORIGINAL ARTICLE Ablação por radiofrequência guiada por ultrassonografia endoscópica de insulinoma pancreático LOZADA-CALLE, Silvia Johanna FUNARI, Mateus Pereira VERAS, Matheus de Oliveira CAMPOS, Rayssa Kethlyn Alves de CRUZ JUNIOR, Jurandir Batista da BERNARDO, Wanderley MOURA, Eduardo Guimarães Hourneaux de Resumo em Português: RESUMO Racional: O insulinoma é um tumor neuroendócrino pancreático raro, originado das células beta, que leva à secreção excessiva de insulina e episódios de hipoglicemia potencialmente fatais. Embora a ressecção cirúrgica continue sendo o padrão-ouro, a ablação por radiofrequência guiada por ultrassom endoscópico (EUS-RFA) tem se destacado como uma alternativa minimamente invasiva, especialmente em pacientes não elegíveis para cirurgia. Objetivos: Metanálise conforme as diretrizes PRISMA, para comparar a eficácia e a segurança da EUS-RFA e da cirurgia no tratamento de insulinomas pancreáticos. Métodos: Foram realizadas buscas sistemáticas nas bases PubMed, Cochrane Library, Embase e Scopus, utilizando descritores MeSH relacionados a insulinoma, ablação por radiofrequência e cirurgia. Foram incluídos estudos de coorte e séries de casos com dados sobre desfechos clínicos, eventos adversos, recorrência e tempo de internação. As análises estatísticas foram feitas com os softwares Comprehensive Meta-analysis e RevMan 5. Resultados: Foram incluídos 20 estudos, envolvendo 142 pacientes tratados com EUS-RFA e 249 submetidos à cirurgia. A taxa de sucesso clínico foi maior na EUS-RFA (97,5 vs. 88,9%), com menos complicações (23 vs. 59%), menor internação (2,4 vs. 11 dias) e nenhuma mortalidade. A recorrência, porém, foi maior na EUS-RFA (11 vs. 4,8%). Conclusões: A EUS-RFA é segura, eficaz e menos invasiva, sendo alternativa valiosa para pacientes de alto risco, embora com maior taxa de recorrência. A cirurgia segue como primeira escolha em casos ressecáveis.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Insulinoma is a rare pancreatic neuroendocrine tumor (pNET) arising from beta cells, leading to excessive insulin secretion and life-threatening hypoglycemia. While surgical resection remains the gold standard, endoscopic ultrasound-guided radiofrequency ablation (EUS-RFA) has emerged as a minimally invasive alternative, particularly for patients unfit for surgery. Aims: A meta-analysis was performed according to PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis) guidelines to compare the efficacy and safety of EUS-RFA and surgery for pancreatic insulinomas. Methods: Systematic searches were conducted in PubMed, Cochrane Library, Embase, and Scopus, using MeSH terms related to insulinoma, RFA, and surgery. Eligible studies included cohort studies and case series reporting clinical outcomes, adverse events, recurrence rates, and hospitalization. Statistical analyses were performed with Comprehensive Meta-analysis Software and RevMan 5. Results: A total of 20 studies were included, comprising 142 patients treated with EUS-RFA and 249 with surgery. Clinical success was higher in the EUS-RFA group (97.5%) compared with surgery (88.9%). Patients undergoing EUS-RFA experienced fewer complications (23 vs. 59%), shorter hospital stays (mean 2.4 vs. 11 days), and zero procedure-related mortality. However, recurrence rates were greater with EUS-RFA (11%) than with surgery (4.8%). No significant differences were found in overall survival during follow-up. Conclusions: EUS-RFA is a safe, effective, and less invasive option for managing pancreatic insulinomas, ensuring rapid recovery and fewer complications. Nevertheless, its higher recurrence rate highlights the importance of patient selection and strict follow-up. Surgery remains the treatment of choice in resectable cases, while EUS-RFA represents a valuable alternative in high-risk or inoperable patients. |
|
Review Article METÁSTASE HEPÁTICA COLORRETAL METACRÔNICA OLIVEIRA, Cássio Virgílio Cavalcante de SANTANA, Rodolfo Carvalho COIMBRA, Felipe José Fernandez KOW, Alfred PAWLIK, Timothy M. ADAM, Rene SOUBRANE, Olivier HERMAN, Paulo COTTA-PEREIRA, Ricardo Lemos , Resumo em Português: RESUMO Os óbitos relacionados ao câncer colorretal são geralmente associadas às suas metástases que afetam o fígado (50%), por via hematogênica. Aproximadamente 20-25% desses pacientes já apresentam metástases sincrônicas no fígado no momento do diagnóstico do tumor primário. Em outros, as metástases hepáticas ocorrerão durante o curso da doença e são chamadas de metacrônicas. Acredita-se que as metástases metacrônicas tenham um melhor prognóstico, no entanto, 20%-25% dos casos metastáticos podem ser ressecados durante o curso da doença. Não há consenso sobre o intervalo de tempo diagnóstico para que uma metástase seja considerada metacrônica na literatura consultada. O tratamento cirúrgico das metástases e dos linfonodos é indicado, e a doença neoplásica extra-hepática deve ser cuidadosamente avaliada. O transplante de fígado pode beneficiar o paciente, deve ser avaliado e é indicado em algumas situações especiais.Resumo em Inglês: ABSTRACT Deaths related to colorectal cancer are generally associated with its metastases that affect the liver (50%) through the hematogenous route. Approximately 20-25% of these patients already have synchronous metastases in the liver at the time of primary tumor diagnosis. In others, liver metastases will occur during the course of the disease and are called metachronous. Metachronous metastases are believed to have a better prognosis; however, 20-25% of metastatic cases can be resected during the course of the disease. There is a lack of consensus on the diagnostic time interval for metastases to be considered metachronous in the consulted literature. Surgical treatment of metastases and lymph nodes is indicated, and extrahepatic neoplastic disease must be carefully evaluated. Liver transplantation can benefit the patient, should be evaluated, and is indicated in some special situations. |
|
Review Article VARIAÇÕES ANATÔMICAS DA ARTÉRIA CÍSTICA DURANTE COLECISTECTOMIAS: É IMPORTANTE O CIRURGIÃO CONHECER? SCHIEWE, João Alfredo MIRANDA, Livia Hoyer Garcia ROMANO, Renata Marino ROMANO, Marco Aurelio Resumo em Português: RESUMO RACIONAL: O conhecimento anatômico da artéria cística e de suas variações é essencial para a realização de colecistectomias seguras. A artéria cística possui origem na artéria hepática direita, passando posteriormente ao ducto hepático comum, anteriormente ao ducto cístico, ramificando-se em dois ramos no colo da vesícula biliar. Todavia, variações de posição, tamanho e relação com estruturas adjacentes são comuns. OBJETIVOS: Este artigo apresenta uma revisão de literatura em relação às variações da artéria cística e sua frequência durante colecistectomias. MÉTODOS: Os artigos selecionados desta revisão foram escolhidos a partir das bases de dados PubMed e SciELO. Utilizou-se os descritores padronizados: Anatomic variation e cholecystectomy. Estes, foram escolhidos usando o “Medical Subject Headings” e combinados com o operador booleano AND e o descritor não padronizado Cystic artery. RESULTADOS: Verificou-se em 54,5% dos estudos que o padrão anatômico da artéria cística foi o tipo de maior ocorrência. Citou-se uma origem diferente do padrão em 63,6% dos artigos. Encontrou-se a irrigação dupla da vesícula biliar em 59,1%. Em 36,4% a artéria cística estava anteriormente ao ducto hepático comum ou ao ducto cístico. Encontrou-se artérias císticas fora do triângulo de Calot em 36,4%. Artérias císticas curtas foram encontradas em 13,6%. Relatou-se a ausência ou não identificação da artéria em 9,1%. CONCLUSÕES: Variações da artéria cística são comuns, sendo frequentemente relatadas. Um aspecto de uma colecistectomia segura é o conhecimento anatômico e de possíveis variações. Assim, cirurgiões devem estar familiarizados com este ponto a fim de reduzir lesões vasculares e biliares.Resumo em Inglês: ABSTRACT BACKGROUND: Knowledge of the cystic artery and its variations is essential to perform safe cholecystectomies. The cystic artery originates from the right hepatic artery, passing posterior to the common hepatic duct, anterior to the cystic duct, and branching into two branches at the neck of the gallbladder. However, variations in position, size, and relationship with adjacent structures are common. AIMS: This article presents a literature review regarding cystic artery variations and their frequency during cholecystectomies. METHODS: The articles selected for this review were chosen from the PubMed and SciELO databases. The standardized descriptors used were anatomic variation and cholecystectomy. These were chosen using the “Medical Subject Headings” and combined with the Boolean operator AND and the non-standard descriptor cystic artery. RESULTS: It was found in 54.5% of the studies that the anatomical pattern of the cystic artery was the most frequent type. A different origin from the standard was cited in 63.6% of the articles. Double irrigation of the gallbladder was found in 59.1%. In 36.4%, the cystic artery was anterior to the common hepatic duct or the cystic duct. Cystic arteries outside Calot’s triangle were found in 36.4%. Short cystic arteries were found in 13.6%. The absence or non-identification of the artery was reported in 9.1%. CONCLUSIONS: Variations of the cystic artery are common and are frequently reported. One aspect of a safe cholecystectomy is anatomical knowledge and its possible variations. Thus, surgeons must be familiar with this point in order to reduce vascular and biliary injuries. |
|
REVIEW ARTICLE Ressecção simultânea de câncer colorretal e metástases hepáticas ARAUJO, Raphael Leonardo Cunha LINHARES, Marcelo Moura TEIXEIRA, Antonio Roberto Franchi KARAMARKOVIC, Aleksandar MARQUES, Hugo Pinto PAWLIK, Timothy M. ADAM, Rene SOUBRANE, Olivier BRAGHIROLI, Maria Ignez HERMAN, Paulo COTTA-PEREIRA, Ricardo Lemos , Resumo em Português: RESUMO Embora a presença de metástases hepáticas colorretais síncronas (MHCS) represente um fator prognóstico importante para a sobrevida livre de recorrência (SLR) e sobrevida global (SG), as definições de sincronicidade são variáveis na literatura, incluindo metástases no momento do diagnóstico, ou mesmo antes do diagnóstico do sítio primário do câncer colorretal (CCR), e até seis ou doze meses após o momento do diagnóstico, de acordo com as designações do autor de cada estudo. Abordagens simultâneas para tratar CCR e MHCS parecem ser seguras para pacientes cuidadosamente selecionados sem comprometer os resultados oncológicos, com taxas de complicações semelhantes, menor tempo de internação hospitalar e tempos de operação, mesmo para hepatectomias maiores. No entanto, não há consenso sobre o momento ideal para abordar o tumor primário e o MHCS, seja simultaneamente ou em estágios, e tanto o status de desempenho quanto a presença de sintomas desempenham papéis importantes na sequência do tratamento e talvez evitando dois procedimentos de alto risco ao mesmo tempo.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
REVIEW ARTICLE Incorporando um novo critério de resectabilidade para adenocarcinoma ductal pancreático BELOTTO, Marcos DA SILVA, Luís Felipe Leite PEIXOTO, Renata D’Alpino FERNANDES, Eduardo de Souza Martins TORRES, Orlando Jorge Martins Resumo em Português: RESUMO A classificação da ressecabilidade no adenocarcinoma ductal pancreático é fundamental para orientar as estratégias terapêuticas. Um sistema recente, que incorpora fatores anatômicos (A), biológicos (B) e condicionais (C), tem sido utilizado na seleção de pacientes submetidos à pancreatoduodenectomia, sendo que a centralização do tratamento tem se associado à baixa mortalidade e se consolidado como determinante crítico dos desfechos cirúrgicos. Esta revisão abrangente da literatura avaliou o impacto da incorporação dos critérios ABC em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático. A inclusão de critérios biológicos e condicionais pode aprimorar a estratificação dos pacientes, melhorando os desfechos clínicos e a sobrevida.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
REVIEW ARTICLE Pancreatoduodenectomia com reconstrução vascular versus quimioterapia isolada em pacientes com câncer de pâncreas localmente avançado: uma revisão sistemática COSTA, Adriano Carneiro da DUARTE, Vitoria Alessandra SANTA CRUZ, Fernando CHAOUCH, Mohamed Ali KUMAR, Jayant RECCIA, Isabella FERRAZ, Álvaro Antonio Bandeira HABIB, Nagy Resumo em Português: RESUMO Racional: O câncer de pâncreas ainda é uma condição assustadora que tem uma taxa de mortalidade elevada devido à sua rápida progressão e complexidade de tratamento. No entanto, ainda não há consenso sobre qual é o padrão ouro de tratamento para câncer de pâncreas localmente avançado (CPLA). Objetivos: Revisar os dados atuais baseados em evidências sobre estratégias de tratamento para câncer de pâncreas localmente avançado, comparando pancreatoduodenectomia com reconstrução vascular (PDRV) e quimioterapia isolada (QI). Métodos: Esta revisão sistemática foi realizada de acordo com as diretrizes PRISMA 2020. A sobrevida global (SG) foi o desfecho primário, enquanto a sobrevida livre de progressão (SLP) foi o desfecho secundário. Os estudos incluídos foram publicados entre 2013 e 2023. Resultados: Dezesseis artigos relevantes foram encontrados na busca bibliográfica. A duração mediana da sobrevida livre de progressão para quimioterapia isolada variou de 3,22 a 11,7 meses, enquanto a sobrevida mediana da sobrevida global variou de 5,95 a 23,0 meses. A mediana de sobrevida global variou de 12,7 a 24,9 meses, e o tempo mediano de sobrevida livre de progressão variou de 8,5 a 22,5 meses para pacientes submetidos à terapia neoadjuvante seguida de pancreatoduodenectomia com reconstrução vascular. Conclusões: O câncer de pâncreas localmente avançado apresenta piores resultados quando os pacientes são submetidos à quimioterapia apenas com gemcitabina, ou quando os pacientes são submetidos a DP inicial com reconstrução vascular.Resumo em Inglês: VISUAL ABSTRACT |
|
REVIEW ARTICLE Estratégias para a difusão da cirurgia robótica no mundo TUSTUMI, Francisco BOLM, Louisa EDELMUTH, Rodrigo Camargo Leão MAEGAWA, Felipe Antonio Boff ANDRAUS, Wellington HERMAN, Paulo MCKECHNIE, Tyler TSUNG, Allan SAMREEN, Sarah MERKOW, Ryan D’SOUZA, Nigel ZAFAR, Syed Nabeel SHIMODA, Giovanna Mennitti WOLOSKER, Nelson KAWAGUCHI, Yoshikuni TSOULFAS, Georgios MONTALVO-JAVE, Eduardo Esteban DUDEJA, Vikas KHAITAN, Puja Gaur KHAN, Sajid Resumo em Português: RESUMO Racional: A adoção global da cirurgia robótica avançou rapidamente em países de alta renda, mas sua difusão permanece limitada em ambientes com menos recursos devido a barreiras financeiras, de infraestrutura e educacionais. À medida que a tecnologia cirúrgica evolui, há uma necessidade urgente de promover o acesso equitativo dos países às plataformas robóticas em todo o mundo. Objetivos: Analisar as estratégias globais empregadas para promover a difusão da cirurgia robótica, com foco particular na superação de barreiras em ambientes com recursos limitados, e fornecer insights práticos que possam orientar a sua implementação equitativa e sustentável. Métodos: Este estudo é uma revisão integrativa multinacional orientada a políticas, conduzida sob a orientação do Comitê de Pesquisa da Sociedade de Cirurgia do Trato Alimentar nos Estados Unidos da América (SSAT, EUA). O estudo integra uma análise bibliométrica, uma revisão de literatura e insights de especialistas de diversos ambientes de saúde. As contribuições foram coletadas dos membros da SSAT. Resultados: As plataformas robóticas concentram-se predominantemente na América do Norte, Europa Ocidental e Ásia Oriental, com os EUA abrigando quase 60% de todas as instalações. A produção científica é igualmente distorcida, com poucos países e instituições produzindo a maioria dos ensaios clínicos. As principais barreiras à difusão incluem altos custos, falta de infraestrutura, capacidade limitada de treinamento, obstáculos regulatórios e resistência entre cirurgiões. Os facilitadores incluem parcerias público-privadas, apoio filantrópico, transferência de tecnologia, plataformas de simulação e integração curricular por sociedades profissionais. Conclusões: Alcançar a equidade global na cirurgia robótica requer ações coordenadas entre pesquisa, educação, prática clínica, políticas e infraestrutura. A cooperação global e a inovação em estratégias de implementação podem ajudar a superar as disparidades atuais e promover cuidados cirúrgicos seguros e economicamente viáveis em regiões carentes, melhorando os resultados dos pacientes.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: The global adoption of robotic surgery has advanced rapidly in high-income countries, yet its diffusion remains limited in resource-constrained settings due to financial, infrastructural, and educational barriers. As surgical technology evolves, there is an urgent need to promote countries’ equitable access to robotic platforms worldwide. Aims: The aim of this study was to analyze global strategies employed to promote the diffusion of robotic surgery, with a particular focus on overcoming barriers in resource-limited settings, and to provide practical insights that can guide its equitable and sustainable implementation. Methods: This study is a multinational, policy-oriented integrative review conducted under the guidance of the Research Committee of the Society for Surgery of the Alimentary Tract in the USA (SSAT). The study integrates a bibliometric analysis, a literature review, and expert insights from diverse healthcare environments. Contributions were gathered from SSAT members. Results: Robotic platforms are predominantly concentrated in North America, Western Europe, and Eastern Asia, with the USA hosting nearly 60% of all installations. Research output is similarly skewed, with few countries and institutions producing most clinical trials. Key barriers to diffusion include high costs, lack of infrastructure, limited training capacity, regulatory hurdles, and resistance among surgeons. Facilitators include public–private partnerships, philanthropic support, technology transfer, simulation platforms, and curriculum integration by professional societies. Conclusions: Achieving global equity in robotic surgery requires coordinated action across research, education, clinical practice, policy, and infrastructure. Global cooperation and innovation in implementation strategies can help bridge the current disparities and promote safe, cost-effective surgical care in underserved regions, improving patient outcomes. |
|
REVIEW ARTICLE Doença do refluxo gastroesofágico e o fantasma do esôfago de Barrett após procedimentos bariátricos mais utilizados: investigações futuras são necessárias? BRAGHETTO, Italo CARREÑO, Barbara HERMOSILLA, Ramón ZANABRIA, Rafael Resumo em Português: RESUMO Racional: Estudos têm investigado a incidência de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e esôfago de Barrett (EB) após cirurgias bariátricas habituais, mas muitos deles apresentam vieses ou limitações. Portanto, é crucial determinar a verdadeira incidência de DRGE em acompanhamentos de longo prazo após a cirurgia. Objetivos: Revisar e resumir dados de longo prazo sobre a incidência de DRGE e EB no pós-operatório tardio, após vários procedimentos bariátricos, discutir as características das informações atuais disponíveis e estabelecer a necessidade de estudos futuros para determinar desfechos funcionais objetivos que ainda não foram relatados. Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa utilizando múltiplas bases de dados eletrônicas. Foram incluídos 15 meta-análises e mais de 200 artigos revisados. Resultados: A qualidade dos artigos que analisam DRGE e EB após cirurgia bariátrica varia amplamente, alguns fornecendo desfechos detalhados, enquanto outros oferecem informações limitadas. A porcentagem de ocorrência de DRGE pós-operatória de novo após gastrectomia vertical varia de 4,06 a 74,7% (média de 33,8±19,1%), e o esôfago de Barrett varia de 0,2 a 27% (média de 8,2±7,5%). Após bypass gástrico em Y-Roux também apresenta ampla variação, e a incidência de EB foi confirmada em taxas de 1,6 a 17,5% (média de 7,5±5,9). Após bypass gástrico com uma anastomose (OAGB), há poucas informações disponíveis e a maioria dos relatos é incompleta. A incidência de esofagite erosiva varia de 15 a 70%, com incidência de EB relatada em apenas dois artigos (1–9,5%). Poucos dados específicos estão disponíveis após procedimentos de bypass duodeno-ileal com anastomose única e gastrectomia vertical (SADI-S), fundoplicatura com sleeve ou bipartição com sleeve, relatando apenas sintomas, sem dados sobre esofagite, hérnia de hiato ou esôfago de Barrett. Conclusões: Esta revisão fornece evidências de que a cirurgia bariátrica, de fato, pode levar a um risco aumentado de EB. Numerosos estudos sugerem que o bypass gástrico em Y de Roux (RYGB) protege contra EB. Outros procedimentos bariátricos devem ser extensivamente avaliados. Foi observado uma qualidade relativamente baixa da literatura disponível sobre este tópico. Portanto, estudos prospectivos bem controlados com acompanhamento de longo prazo são necessários para compreender completamente o efeito da cirurgia bariátrica no EB.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Studies have investigated the incidence of gastroesophageal reflux disease (GERD) and Barrett’s esophagus (BE) after common bariatric surgeries. However, many of these studies have bias or limitations. Therefore, it is crucial to determine the true incidence of GERD in long-term follow-ups (FUs) post-surgery. Aims: The aim of this study was to review and summarize long-term data regarding the incidence of post-surgical GERD and BE after various bariatric procedures, discuss the characteristics of current information available, and establish the need for future studies to determine objective functional outcomes that have not yet been reported. Methods: A narrative review was conducted using multiple electronic databases, including the review of 15 meta-analyses and over 200 articles. Results: The quality of studies analyzing GERD and BE following bariatric surgery varies widely. Some papers provide detailed outcomes, while others offer limited information. The reported rate of de novo postoperative GERD development after sleeve gastrectomy varies from 4.06 to 74.7% (mean=33.8±19.1), and the incidence of BE ranges from 0.2 to 27% (mean=8.2±7.5). After Roux-en-Y gastric bypass (RYGB), similar variability is observed, with BE incidence ranging from 1.6 to 17.5% (mean=7.5±5.9). In the case of one-anastomosis gastric bypass (OAGB), scarce information is available and most reports are incomplete. The incidence of erosive esophagitis ranges from 15 to 70%, with BE incidence reported in only two papers (1–9.5%). For procedures such as single-anastomosis duodeno-ileal bypass with sleeve gastrectomy (SADI-S), fundoplication-sleeve, or sleeve bipartition, few specific data are available, with most reports limited to symptoms and lacking findings such as esophagitis, hiatal hernia, or BE. Conclusion: This revision provides evidence that SG may indeed lead to an increased risk of BE. Numerous studies suggest that RYGB protects against BE. Other bariatric procedures must be extensively evaluated. Relatively low quality of available literature on this topic was observed; therefore, well-controlled prospective studies with long-term FUs are necessary to fully understand the effect of bariatric surgery on BE. |
|
REVIEW ARTICLE Transplante de útero – indicações, técnica e resultados ANDRAUS, Wellington EJSENBERG, Dani WAISBERG, Daniel Reis SANTANA, Alexandre Chagas DUCATTI, Liliana ARANTES, Rubens Macedo MARTINO, Rodrigo Bronze de SANTOS, Vinicius Rocha PINHEIRO, Rafael Soares LEIS, Luciana SILVA, Maciana Santos HADDAD, Luciana Bertocco SOARES JUNIOR, José Maria MONTELEONE, Pedro Augusto Araujo BARACAT, Edmund Chada Resumo em Português: RESUMO O transplante de útero foi uma inovação transformadora na medicina reprodutiva e no transplante de órgãos em geral, além de ser uma alternativa para o tratamento da infertilidade. O problema da infertilidade afeta de 8 a 12% da população em idade reprodutiva, causando enorme impacto social. O transplante de útero, um tratamento relativamente novo, surgiu como uma excelente opção para casais com infertilidade uterina absoluta. O primeiro transplante de útero realizado foi em 2000, na Arábia Saudita. Nessa mesma época, um grupo na Suécia iniciou diversos trabalhos experimentais, com transplante uterino, em diferentes modelos animais. Apenas mais de uma década após a primeira tentativa em humanos, um segundo caso foi realizado, na Turquia, em 2011. O primeiro transplante nas Américas foi realizado nos Estados Unidos, em 2016, com doadora falecida. No mesmo ano, no Brasil, o grupo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) realizou o primeiro transplante de útero na América Latina, também com doadora falecida. Este caso brasileiro resultou no primeiro nascimento no mundo, a partir de um transplante de útero de doadora falecida, em dezembro de 2017, colocando o Brasil e o Hospital das Clínicas na vanguarda do cenário mundial de transplantes. Atualmente, temos hoje mais de 100 transplantes realizados no planeta, com o nascimento de mais de 70 crianças.Resumo em Inglês: ABSTRACT Uterus transplantation was a transformative innovation in reproductive medicine and organ transplantation in general, and an alternative for the treatment of infertility. The problem of infertility affects 8–12% of the population of reproductive age, causing an enormous social impact. Uterus transplantation, a relatively new treatment, has emerged as an excellent option for couples with absolute uterine infertility. The first uterus transplant performed was in 2000, in Saudi Arabia. At this same time, a Swedish researcher began several experimental works with uterine transplantation in different animal models. Only more than a decade after the first attempt in humans was a second case performed, in Turkey, in 2011. The first transplant in the Americas was performed in the United States of America, in 2016, with a deceased donor. In the same year, in Brazil, the group from Hospital das Clínicas, Faculty of Medicine, University of São Paulo, performed the first uterus transplant in Latin America, also with a deceased donor. This Brazilian case resulted in the world’s first birth from a deceased donor uterus transplant in December 2017, making Brazil and Hospital das Clínicas in a vanguard position in the world transplant scenario. Even so, we have today more than 100 transplants performed on the planet, with the birth of more than 70 children. |
|
REVIEW ARTICLE Revisões, opiniões de especialistas, consensos, position papers, protocolos e diretrizes baseadas em evidências: quais os seus papéis na prática clínica? TUSTUMI, Francisco CALTHORPE, Lucia COIMBRA, Felipe José Fernández ALSEIDI, Adnan Resumo em Português: RESUMO O crescimento da pesquisa primária em cirurgia digestiva levou a uma necessidade crescente de interpretação estruturada e aplicação à prática clínica. Os artigos de orientação tornaram-se ferramentas essenciais para a tomada de decisões. No entanto, a terminologia em torno desses artugis é frequentemente inconsistente, e diferentes formatos são muitas vezes usados de forma intercambiável. Embora os artigos de revisão sintetizem as evidências disponíveis, eles não constituem orientação clínica, a menos que suas descobertas sejam interpretadas por meio de uma estrutura explicitamente orientada para o cuidado do paciente, aplicabilidade e tomada de decisões. Este artigo de revisão esclarece as distinções conceituais entre opinião de especialistas, declarações de consenso, documentos de posição, protocolos e diretrizes baseadas em evidências. Nenhum formato de orientação é universalmente superior e cada um tem seu contexto apropriado. Em cirurgia digestiva, onde os ensaios randomizados são frequentemente difíceis de realizar e as lacunas de evidências permanecem frequentes, a interpretação estruturada é indispensável. À medida que a tecnologia avança e os dados do mundo real se tornam cada vez mais disponíveis, novas ferramentas metodológicas — incluindo inteligência artificial e revisões sistemáticas contínuas — podem aprimorar a reprodutibilidade e acelerar as atualizações. Em última análise, distinções mais claras entre os guias de orientação e maior transparência metodológica podem melhorar o julgamento clínico, estimular a pesquisa e fortalecer o cuidado ao paciente em cirurgia gastrointestinal.Resumo em Inglês: ABSTRACT The growth of primary research in digestive surgery has led to an increasing need for structured interpretation and application to clinical practice. Guidance documents have become essential tools for decision-making. However, the terminology surrounding clinical guidance documents is frequently inconsistent, and different formats are often used interchangeably. Although review articles synthesize available evidence, they do not constitute clinical guidance unless their findings are interpreted through a framework explicitly oriented toward patient care, applicability, and decision-making. This review article clarifies the conceptual distinctions between expert opinion, consensus statements, position papers, protocols, and evidence-based guidelines. No single guidance format is universally superior, and each has its appropriate context. In digestive surgery, where randomized trials are often difficult to perform and evidence gaps remain frequent, structured interpretation is indispensable. As technology advances and real-world data become increasingly available, new methodological tools — including artificial intelligence and living systematic reviews — may enhance reproducibility and accelerate updates. Ultimately, clearer distinctions among guide orientations and greater methodological transparency may improve clinical judgment, stimulate research, and strengthen patient care in gastrointestinal surgery. |
|
REVIEW ARTICLE - POSITION PAPER Consenso brasileiro e recomendações baseadas em evidências no diagnóstico e tratamento da insuficiência exócrina do pâncreas em pacientes após cirurgias do aparelho digestive. Posicionamento de seis Sociedades Médicas Brasileiras de Cirurgia MONTAGNINI, Andre Luis BERNARDO, Wanderley Marques KASSAB, Paulo QUIREZE JUNIOR, Claudemiro OLIVEIRA, Cassio Virgílio Cavalcante de DINIZ, Alessandro Landskron PINHEIRO, Rodrigo Nascimento OLIVEIRA, Alexandre Ferreira PORTARI FILHO, Pedro RAVANINI, Guilherme de Andrade Gagheggi FORONES, Nora Manoukian PERTILLE, Marcus Fernando Kodama VALEZI, Antonio Carlos DANTAS, Anna Carolina Batista MARZINOTTO, Maira Andrade Nacimbem FIGUEIRA, Estela Regina JUKEMURA, José RIBEIRO JUNIOR, Ulysses HERMAN, Paulo Resumo em Português: RESUMO Racional: A insuficiência pancreática exócrina (IPE) é a situação em que ocorre redução da secreção exócrina e consequente diminuição da digestão alimentar e as cirurgias do trato digestivo podem ser sua causa. A IPE “de novo” é definida como o aparecimento de sintomas de digestivos após cirurgias e que apresentam melhora significativa com a instituição da terapia de reposição de enzimas pancreáticas (TREP). O diagnóstico da IPE “de novo” pode ser tardio em virtude dos sintomas serem leves ou pouco específicos, tanto nas cirurgias pancreáticas quanto nas cirurgias abdominais superiores. Objetivos: Revisão sistemática sobre diagnóstico e tratamento sobre a IPE “de novo” ligada às cirurgias digestivas com a colaboração e desenvolvimento de um consenso com as principais sociedades de cirurgia do Brasil. Métodos: O comitê diretivo elaborou 10 questões relacionadas a dois domínios de interesse: diagnóstico e tratamento. Foram realizadas buscas sistemáticas para cada um dos domínios. As evidências foram avaliadas em relação à qualidade pelo instrumento GRADEpro. Para a cada uma das questões foram elaboradas recomendações. O relatório final foi avaliado pelos representantes das sociedades de cirurgia para a consolidação e aprovação das recomendações pelo sistema Delphi modificado. Resultados: A IPE “de novo” deve ser considerada quando houver aparecimento de sintomas digestivos pós-operatórios. Os métodos diagnósticos apresentam variados graus de complexidade na execução com sensibilidade e especificidade variadas na condição de pós-operatório. A Elastase-1 fecal (FE-1) tem pouco valor no diagnóstico de IPE no pós-operatório. A TREP pode ser iniciada com base na suspeita clínica e não existe diferença na abordagem em relação ao tipo cirurgia realizada. Iniciar a TREP com a dose adequada para a intensidade dos sintomas e ajustada para mais ou menos de acordo com a resposta clínico. O correto tratamento da IPE proporciona melhora dos sintomas e aumento na qualidade de vida. A TREP deve ser mantida enquanto houver resposta clínica. Conclusões: As recomendações deste consenso abrangem o diagnóstico e tratamento da IPE “de novo” e podem servir de base para a instituição de programas de educação, capitaneados pelas sociedades cirúrgicas participantes.Resumo em Inglês: ABSTRACT Background: Exocrine pancreatic insufficiency (EPI) is a condition characterized by reduced exocrine secretion, leading to decreased food digestion, and digestive tract surgeries can be a cause. Postoperative “de novo” EPI is defined as the onset of digestive symptoms following surgeries, which show significant improvement after the initiation of pancreatic enzyme replacement therapy (PERT). The diagnosis of postoperative EPI may be delayed due to mild or nonspecific symptoms, both in pancreatic surgeries and in upper abdominal surgeries. Aims: The aim of this study was to conduct a systematic review on the diagnosis and treatment of “de novo” EPI related to digestive surgeries, in collaboration with the development of a consensus among the main surgical societies in Brazil. Methods: The steering committee developed 10 questions related to two areas of interest: diagnosis and treatment. A systematic review was conducted for each of the domains. The evidence was assessed for quality using the GRADEpro tool. Recommendations were formulated for each of the questions. The final report was reviewed by representatives of the surgical societies for the consolidation and approval of the recommendations through a modified Delphi system. Results: “De novo” EPI should be considered in case of the onset of postoperative digestive symptoms. Diagnostic methods vary in complexity of execution, with varying sensitivity and specificity in the postoperative condition. Fecal Elastase-1 (FE-1) has limited value in diagnosing EPI in the postoperative setting. PERT can be initiated based on clinical suspicion, and there is no difference in approach regarding the type of surgery performed. PERT should be started at the appropriate dose for the intensity of symptoms and adjusted up or down according to symptom control. Proper treatment of EPI leads to symptom improvement and an increase in quality of life. PERT should be maintained as long as patients have a favorable clinical response. Conclusions: The recommendations encompass the diagnosis and treatment of “de novo” EPI and can serve as a basis for the establishment of educational programs led by the participating surgical societies. |
|
Letter to the Editor Operação de Finsterer- Bancroft-Plenk e síndrome de Bouveret: uma rara associação Tafner, Philipe Franco do Amaral Brito, Giulia Trucolo de Vaz, Joao Guilherme Oliveira Albuquerque, Bruna Mattos Vanetti de Arantes, Ana Carolina Macedo, Ary Augusto de Castro Tercioti Junior, Valdir Coelho Neto, João de Souza Andreollo, Nelson Adami Lopes, Luiz Roberto Resumo em Português: RESUMO A doença ulcerosa péptica (DUP) apresenta diferentes espectros de evolução e gravidade. A dor epigástrica é a queixa mais importante do paciente e pode estar associada a outras complicações, como hemorragias, perfurações e estenose, além de comorbidades. Atualmente, a incidência de evolução para formas graves e complicações da DUP diminuiu significativamente, principalmente devido ao uso indiscriminado de inibidores da bomba de prótons. Os autores relatam um caso incomum de um paciente do sexo masculino, de 36 anos, com DUP e estenose duodenal associada à colelitíase complicada. Após a liberação das aderências hepáticas, foi identificada uma fístula colecistoduodenal e a presença de um grande cálculo biliar impactado no duodeno (1,2 cm), caracterizado como síndrome de Bouveret. A técnica de Finsterer-Bancroft-Plenk foi escolhida, com preservação e mucosectomia do antro, fechamento do duodeno, seguida de gastrectomia parcial com reconstrução em Y de Roux, vagotomia troncular, colecistectomia e sutura duodenal para correção da fístula colecistoduodenal. |
|
Erratum ERRATUM |
Leia a Declaração de Acesso Aberto
