Palavras-chave
Aneurisma; Variação Anatômica; Anormalidades Cardiovasculares
Keywords
Aneurysm; Anatomic Variation; Cardiovascular Abnormalities
Palavras-chave
Aneurisma; Variação Anatômica; Anormalidades Cardiovasculares
Keywords
Aneurysm; Anatomic Variation; Cardiovascular Abnormalities
Uma mulher de 73 anos, com histórico de hipertensão arterial, foi encaminhada ao serviço de cirurgia vascular por dor torácica intensa e sinais de choque (taquicardia e tendência à hipotensão). Foi realizada uma angiotomografia com achado de aneurisma toracoabdominal (Classificação de Crawford tipo 2 – Figura 1 ) com sinais de ruptura ( Figura 2A e 2B ) e variação anatômica dos troncos supra-aórticos, artéria subclávia direita aberrante (ASDA) ( Figura 3A e 3B ) e tronco bicarotídeo ( Figura 4 ). Ela foi submetida a cirurgia de emergência com reparo híbrido, envolvendo ramificação visceral via laparotomia e correção endovascular do aneurisma. Infelizmente, durante o procedimento, ela apresentou instabilidade hemodinâmica, choque refratário culminando em óbito. A família autorizou a publicação e assinou o termo de consentimento.
Angiotomografia com reconstrução 3D. Visão geral do aneurisma toracoabdominal e variações dos troncos supra-aórticos em visão anteroposterior (A) e perfil (B).
Angiotomografia em corte axial. A) Rotura de aneurisma Crawford 2 com extravasamento de contraste (seta vermelha) e hemotórax (*); B) Ruptura de aneurisma Crawford 2 com hematoma retroperitoneal (*).
Demonstração da ASDA na angiotomografia em corte axial (A; seta vermelha) e angiografia intraoperatória (B).
A ASDA é uma anomalia rara com prevalência de 0,2% a 13,3%.1 , 2 Há um predomínio no sexo feminino, indivíduos com anomalias congênitas (até 3%) e na síndrome de Down (até 35%).3A ASDA pode estar associada a um tronco bicarotídeo em 0,8 até 20% dos casos, no qual as duas artérias carótidas comuns se originam do mesmo local no arco aórtico.2Os Aneurismas da Aorta Toracoabdominal (AATA) representam 10% de todos aneurismas da aorta. São potencialmente fatais se não forem tratados precocemente, podendo evoluir com ruptura e/ou dissecção.4A taxa de mortalidade dos aneurismas toracoabdominais em um levantamento epidemiológico na cidade de São Paulo foram duas vezes maiores para reparos de emergência, do que em reparo eletivo (42,10% vs. 26,78%). Alguns autores atribuem essa diferença à instabilidade hemodinâmica dos aneurismas rotos, bem como a falta de preparo pré-operatório em tempo hábil para os pacientes em situações de urgência ou emergência.5O estudo anatômico é imprescindível para o tratamento dos AATAs seja por cirurgia aberta, endovascular ou técnicas hibridas. Variações anatômicas dos troncos supra-aórticos aumentam a complexidade cirúrgica, independente das técnicas empregadas.6
A técnica "híbrida" foi proposta por Quinones-Baldrich et al ., em 1999 e envolve a revascularização sequencial dos vasos viscerais, seguindo para o reparo endovascular com exclusão da aorta. O suprimento visceral é garantido pelas pontes confeccionadas de uma artéria doadora não coberta (frequentemente as artérias ilíacas).7O tempo cirúrgico aberto é limitado a laparotomia e, teoricamente, reduz o estresse fisiológico de uma incisão e reparo toracoabdominal maior. Essa abordagem também poupa o paciente de vários pontos negativos associados à cirurgia aberta, incluindo toracotomia, ventilação monopulmonar, necessidade de perfusão por bomba extracorpórea, pinçamento aórtico e isquemia visceral, medular e dos membros.8Em situações de emergência, não há tempo hábil para customização de endopróteses para o reparo endovascular em casos complexos. Assim, uma alternativa são as próteses modificadas pelo cirurgião, para confecção de scallops ou fenestras. Yang et al., comparou os resultados de pacientes com AATA tratados com endopróteses modificadas pelo médico e a técnica híbrida. Foi relatado uma mortalidade geral baixa (3,4% em 30 dias), com uma taxa de reintervenção maior nos pacientes submetidos a cirurgia endovascular (13% vs. 0%).9Descrevemos um caso raro de variações anatômicas dos troncos supra-aórticos associado a aneurisma toracoabdominal Crawford 2 roto.
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Fontes de Financiamento
O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.
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Vinculação Acadêmica
Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.
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Aprovação Ética e Consentimento Informado
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do CEP-FAMERP sob o número de protocolo 567/9522300005415/Parecer 6778289. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo.
Referências bibliográficas
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2 Hanžič N, Čizmarević U, Lesjak V, Caf P. Aberrant Right Subclavian Artery with a Bicarotid Trunk: The Importance of Diagnosing This Rare Incidental Anomaly. Cureus. 2019;11(11):e6094. doi: 10.7759/cureus.6094.
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9 Yang G, Zhang M, Muzepper M, Du X, Wang W, Liu C, et al. Comparison of Physician-Modified Fenestrated/Branched Stent-Grafts and Hybrid Visceral Debranching Plus Stent-Graft Placement for Complex Thoracoabdominal Aortic Aneurysm Repair. J Endovasc Ther. 2020;27(5):749-56. doi: 10.1177/1526602820934466.
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Editado por
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Editor responsável pela revisão:
Tiago Magalhães








