Contexto: Atresia biliar (AB) é a principal causa de icterícia colestática nos primeiros meses de vida. A rigidez hepática avaliada pelo Shear wave elastography (2D-SWE) pode ajudar a discriminar a AB de outras causas de colestase.
Objetivo: Avaliar a ultrassonografia abdominal com bidimensional shear wave elastography e histologia hepática em lactentes colestáticos para diagnóstico diferencial entre atresia biliar e outras causas de colestase em lactentes. Avaliar a associação da rigidez hepática por 2D-SWE em comparação à classificação histológica da fibrose.
Métodos: Foram incluídos lactentes de até 3 meses de idade com colestase, divididos em 2 grupos: AB e não-AB (colestase de outras etiologias). Avaliada rigidez hepática por 2D-SWE e fibrose segundo classificação de Metavir. Foram construídas curvas receiver operator characteristic (ROC) para analisar se as variáveis de rigidez hepática poderiam ser utilizadas para identificação de pacientes com AB e os melhores pontos de corte.
Resultados: Foram incluídos 21 lactentes com AB e 26 não-AB, sendo 53,2% do sexo masculino. Cordão triangular foi visto em 15/21 (71,4%) na AB e 2/26 (7,7%) não-AB, P<0,0001. A mediana dos valores de rigidez hepática no primeiro grupo foi de 2,7m/s (IQ 2,1/3,6) e no segundo de 1,6m/s (IQ 1,2/2), P<0,0001. Área sob a curva ROC para a rigidez hepática para predizer AB foi de 0,85 IC95% 0,74-0,96; P<0,0001). O melhor valor de ponto de corte foi de1,99 m/s, com sensibilidade de 81% e especificidade de 73.1%. Pacientes com AB que tiveram classificação F0-2, tiveram média de valores de rigidez hepática por 2D-SWE de 1,8±0,2m/s e os F3-4, média de 3±0,8m/s, P=0,008.
Conclusão: Achados ultrassonográficos e histológicos auxiliam na diferenciação de AB e outros diagnósticos. Elastografia hepática é promissora no diagnóstico diferencial entre AB e outras causas de colestase, podendo dimensionar o grau de fibrose ao diagnóstico.
Palavras-chave:
Atresia Biliar; elastografia; histologia; fígado
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