Open-access Povos indígenas isolados ante as políticas da extrema direita brasileira no governo (2019-2022)

Isolated indigenous peoples in the face of Brazil’s far-right government policies (2019-2022)

Durante o governo de Jair M. Bolsonaro, o retrocesso nas políticas indigenistas teve especial incidência nos povos indígenas isolados e de recente contato, pois significou uma interrupção inédita na implementação do paradigma de proteção, autonomia e não contato instaurado na política nacional desde 1987. O artigo analisa diversos fatores que contribuíram nessa ruptura, tais como o impulso desordenado aos empreendimentos de mineração, energia e agronegócio, a política negacionista durante a pandemia de Covid-19, o apoio às missões fundamentalistas, os assassinatos de lideranças indígenas e ambientalistas e o aparelhamento das agências indigenistas estatais. São abordadas situações específicas em terras de povos isolados com pressões e ameaças mais críticas que colocaram em xeque a sobrevivência e os direitos fundamentais dessas populações, com base em uma metodologia desenvolvida com ferramentas geoespaciais de monitoramento da vulnerabilidade dos povos isolados. Diante do marco de desmonte estrutural e do risco de genocídio, a posição das instâncias maiores do judiciário brasileiro reafirmou o modo de vida desses grupos como declaração de livre autodeterminação. A retomada democrática nas instituições e a entrada de lideranças indígenas nos quadros de governo permitem novas possibilidades para as políticas de proteção, no cenário controverso de continuidade das pautas desenvolvimentistas na Amazônia.

Palavras-chave
Povos indígenas isolados; Política indigenista; Terras indígenas; Extrema direita; Governo Bolsonaro

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