Open-access A ‘Expedição do Guaporé 2022’: repatriação de um patrimônio indígena preterido

The ‘Guaporé Expedition 2022’: repatriation of a neglected indigenous heritage

Entre os anos 1933-1935, o etnólogo alemão Emil Heinrich Snethlage (1897-1939) viajou pelo vale do rio Guaporé, onde encontrou 13 povos indígenas e documentou aspectos das suas culturas e línguas. O seu diário científico de mais de 1.000 páginas foi publicado somente em 2016. O valor histórico e emocional desse material único para os povos indígenas da região é inestimável. A tradução desse documento para a língua portuguesa, complementada por fotografias históricas, um filme sonorizado, gravações sonoras, acompanhada de trechos de manuscritos e de artigos do autor, inéditos no Brasil, foi finalmente publicada em 2021 pelo Museu Paraense Emílio Goeldi. Em 2022, uma expedição multidisciplinar apresentou a obra aos povos visitados pelo próprio Snethlage. Este artigo pretende celebrar e compartilhar a experiência da disponibilização pública, em português, do acervo de Emil Heinrich Snethlage para as comunidades indígenas envolvidas. A primeira parte do texto descreve o contexto histórico-cultural e a segunda metade é um relato da jornada de encontros com os povos originários do vale do Guaporé. O artigo, em si, não tem pretensões científicas; apesar disso, termina com um posfácio que cita as principais fontes científicas disponíveis para os interessados no estudo da história e da diversidade cultural e linguística do sul de Rondônia.

Palavras-chave
Snethlage; Etno-história; Povos indígenas; Vale do Guaporé; Expedição científica

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