O renascimento do fact-checking na década de 2000 refere-se principalmente ao discurso político, que passará parcialmente para o registro da “pós-verdade” no final da década de 2010. Confrontada com o desprezo pelos fatos e a desinformação, a verificação dos fatos reafirma a autoridade dos jornalistas e apresenta-se como um meio de promover a emancipação dos cidadãos-leitores, como mostra o fact-checking dos debates entre os dois turnos na França e no Brasil, analisados neste artigo. As provas convocadas estabelecem o método jornalístico como norma e ignoram a dimensão narrativa do jornalismo, em que estão em jogo a liberdade de expressão e a representação da diversidade de opiniões. Entre políticos e jornalistas, leitores convencidos e públicos distantes, emerge um “nós contra eles” que questiona a pretensão inicial do fact-checking de colocar o jornalismo no centro dos debates públicos.
Palavras-chave
Fact-checking; Autoridade jornalística; Fontes primárias; Desinformação; Debate político