Open-access Aconselhamento para mudança do estilo de vida de trabalhadores sedentários sobre a dor musculoesquelética: revisão sistemática

RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:  A dor musculoesquelética (DME) em trabalhadores sedentários é causa de absenteísmo, custos elevados em saúde e está relacionada ao seu estilo de vida e de trabalho. Revisões sistemáticas de intervenções sobre a condição de DME nesta população baseiam-se nos equipamentos de trabalho e não apresentam consenso quanto ao tipo de intervenção e sua efetividade. Portanto, o objetivo foi analisar as evidências dos estudos de intervenção que incluíram estratégias de educação para mudança do estilo de vida de trabalhadores sedentários para a redução da DME.

CONTEÚDO:  Esta revisão sistemática segue as recomendações do PRISMA 2020. Foram realizadas buscas até abril de 2021 nas bases de dados Pubmed, BIREME e Scielo, visando identificar estudos clínicos randomizados ou não randomizados publicados entre janeiro de 1999 e abril de 2021. Foram utilizados descritores de busca indexados e definidos critérios de elegibilidade segundo a estratégia PICOS. O risco de viés foi avaliado por meio da escala PEDro. Foram incluídos oito estudos clínicos randomizados publicados entre 2004 e 2020, realizados na Europa, Ásia, Estados Unidos e Austrália, que envolveram 1.871 pessoas (35 a 52 anos). As intervenções variaram de duas semanas a 12 meses. Cinco estudos apresentaram maior número de mulheres. Além dos aconselhamentos para estilo de vida, três estudos abordaram características do trabalho (tempo na postura sentada, postura corporal) e outros três investigaram questões relacionadas à dor (sintomas, anatomia pescoço/ombro e autogerenciamento). Seis intervenções foram efetivas para a redução da intensidade e da frequência de DME nas regiões cervical e lombar da coluna, nos ombros e coluna torácica, as quais utilizaram aconselhamentos para aumento da prática de atividade física, controle do estresse, alimentação saudável, diminuição do consumo de álcool e do tabagismo. Seis estudos apresentaram risco de viés médio/baixo nos itens alocação oculta, comparabilidade da linha de base, cegamento (indivíduos, terapeutas e avaliadores), acompanhamento adequado e análise de intenção de tratar; e dois estudos apresentaram risco médio/alto nos mesmos itens, exceto na comparabilidade da linha de base.

CONCLUSÃO:  Intervenções realizadas no local de trabalho e que incluam estratégias de educação e aconselhamentos para mudanças no estilo de vida podem ser efetivas para redução da intensidade e da frequência de DME em trabalhadores sedentários. Registro PROSPERO: CRD42022342636.

DESTAQUES 

  • Educação a respeito de estilo de vida pode reduzir a dor musculoesquelética de trabalhadores.

  • Atividade física e controle do estresse contribuem para redução da intensidade de dor.

  • O local de trabalho é um ambiente potente para melhora na dor musculoesquelética.

Descritores:
Aconselhamento; Comportamento sedentário; Dor musculoesquelética; Estilo de vida; Exercício físico; Saúde do trabalhador

ABSTRACT

BACKGROUND AND OBJECTIVES:  Musculoskeletal pain (MSP) in sedentary workers is a cause of absenteeism, high health costs and is relate to their lifestyle and work. Systematic reviews of interventions on the condition of MSP in this population are based on work equipment and do not present consensus on the type of intervention and its effectiveness. Terefore, the objective was to analyze the evidence of intervention studies that included education strategies to change the lifestyle of sedentary workers on the reduction of MSP.

CONTENTS:  This systematic review follows the recommendations of PRISMA 2020. Searches were conducted until April 2021 in the PubMed, BIREME and Scielo databases, in order to identify randomized or non-randomized clinical trials published between January 1999 and April 2021. Indexed search descriptors were used and eligibility criteria were defined according to the PICOS strategy. The risk of bias was assessed using the PEDro scale. Eight randomized clinical trials published between 2004 and 2020, conducted in Europe, Asia, the United States and Australia involving 1,871 people (35 to 52 years old) were included. Interventions ranged from two weeks to 12 months. Five studies showed a higher number of women. In addition to lifestyle counseling, three studies addressed work characteristics (time in sitting posture, body posture) and three others investigated issues related to pain (symptoms, neck/shoulder anatomy and self-management). Six interventions were effective to reduce the intensity and frequency of MSP in the cervical and lumbar regions of the spine, shoulders and thoracic spine, which used counseling to increase the practice of physical activity, stress control, healthy eating, decreased alcohol consumption and smoking. Six studies presented medium/low bias risk in the following items: occult allocation, baseline comparability, blinding (individuals, therapists and evaluators), adequate follow-up and intention to treat analysis; and two studies presented medium/high risk in the same items, except in baseline comparability.

CONCLUSION:  Workplace interventions that include education strategies and counseling for lifestyle changes are effective for reducing the intensity and frequency of MSP in sedentary workers. PROSPERO registration: CRD42022342636.

HIGHLIGHTS 

  • Lifestyle education can reduce musculoskeletal pain in workers.

  • Physical activity and stress control contribute to reducing pain intensity.

  • The workplace is a potent environment for decreasing musculoskeletal pain.

Keywords:
Counseling; Exercise; Lifestyle; Musculoskeletal pain; Occupational health; Sedentary behavior

INTRODUÇÃO

Os problemas musculoesqueléticos compreendem mais de 150 afecções que afetam o sistema locomotor das pessoas, sendo caracterizados por dor e limitações de mobilidade, podendo reduzir a capacidade de trabalhar1. Uma análise sistemática dos dados do Global Burden of Disease Study de 2019 mostrou que, em todo o mundo, aproximadamente 1,71 bilhão de pessoas apresentavam problemas associados com dor musculoesquelética (DME)2, os quais tiveram aumento de 58% nas duas últimas décadas, sendo que mulheres tiveram maior incidência que homens e as condições de dor lombar, dor cervical, artrite reumatoide, osteoartrite e gota foram as cinco com maior ocorrência3.

No Brasil, as prevalências de DME variaram entre 16% e 82%4, o que configura um problema de saúde pública. De acordo com dados da Previdência Social brasileira, problemas musculoesqueléticos como dorsopatias, traumatismos de mão, punhos, joelhos e pernas são as causas mais prevalentes de incapacidade para o trabalho5, sendo que trabalhadores sedentários (serviços administrativos ou de escritório) foram os que apresentaram maior número de dias de ausência no trabalho por esses problemas6. Ta l situação gera perda de produtividade e custos elevados à saúde pública7.

A DME em trabalhadores está relacionada ao seu estilo de vida8, incluindo baixo nível de atividade física (AF), hábitos alimentares inadequados, massa corporal elevada, difícil controle de estresse, comportamento sedentário e fatores sociais como a atividade laboral exercida8, 9, 10, 11. Em relação a trabalhadores sedentários, a literatura mostra que, além de longos períodos na posição sentada e posturas corporais inadequadas, outros fatores como A F, obesidade e fatores psicossociais (estresse, baixo suporte social e problemas de saúde mental) estão relacionados ao surgimento da DME9,12,13.

Um estudo de revisão de escopo realizado pela European Agency for Safety and Health at Work (EU-OSHA)9 com a população trabalhadora de 28 países da comunidade europeia mostrou que 30% dos trabalhadores passam entre 25% e 75% do tempo de seu turno de trabalho na postura sentada, a qual é um fator de risco para o surgimento da dor, principalmente nas regiões do pescoço, ombros, membros superiores, lombar e parte superior das costas9,12,13.

Nesse contexto, o local de trabalho aparece como um ambiente propício para intervenções em benefício da saúde dos trabalhadores14, o que é reconhecido pela World Health Organization15 e pela EU-OSHA9,16, como um local adequado para promoção de A F, alimentação saudável e para diminuição da DME, principalmente em trabalhadores sedentários ou de escritório9,15,16. Em relação à dor, as estratégias para redução devem considerar os fatores de risco e de proteção contra o agravo, como mudanças no estilo de vida (AF, hábitos alimentares, redução do consumo de álcool e tabaco, e controle do estresse), e abordar questões relacionadas ao trabalho e aos trabalhadores, como tempo sentado e controle postural na posição sentada9,16.

Estas estratégias devem ser na forma de aconselhamentos, palestras, cursos, conversas em grupo16, oferta de alimentos saudáveis nos refeitórios do local de trabalho, disponibilização de espaços de convivência para prática de A F, de equipamentos de ginástica no espaço do escritório15, oferta de programas de exercícios físicos e de educação sobre fatores de risco psicossociais para DME relacionados à vida dos indivíduos, ao ambiente de trabalho, bem como ao controle do estresse9,17,18.

Contudo, um estudo de revisão sistemática de revisões mostrou que grande parte das intervenções para mudanças no estilo de vida, realizadas no local de trabalho, utilizavam estratégias baseadas em indivíduos ou em ajustes no ambiente. Além disso, poucos estudos de revisão avaliaram estratégias de intervenção amplas visando a saúde total do trabalhador, o que também foi observado em estudos que avaliaram a DME como desfecho, principalmente em trabalhadores sedentários19.

Outros estudos de revisão que avaliaram intervenções sobre a DME no local de trabalho, nesta população, não apresentaram consenso sobre os modelos de intervenção e sua efetividade20,21. Portanto, o objetivo foi analisar as evidências dos estudos de intervenção que incluíram estratégias de educação para mudança do estilo de vida de trabalhadores sedentários, a fim de obter uma redução da DME.

CONTEÚDO

Esta revisão sistemática seguiu as recomendações da Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA) 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews22 (lista de verificação – Anexo 1). Está registrada na base de dados International prospective register of systematic reviews (PROSPERO), número CRD4202234263623. Partiu da seguinte questão norteadora: quais as características de estudos de intervenção que utilizaram, entre outras estratégias, o aconselhamento de mudança no estilo de vida de trabalhadores sedentários para evitar a dor musculoesquelética?

Estratégia de busca

Foram realizadas buscas em inglês na base de dados eletrônica Medline/Pubmed (14/04/2021), em inglês e português, no Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde/BIREME (14/04/2021) e na Scientific Eletronic Library Online/SciELO (15/04/2021). Foi aplicado o limite temporal entre 1º de janeiro de 1999 até as datas das buscas, em abril de 2021.

Para as buscas, foram utilizados descritores indexados no Medical Subject Headings (MeSH) e no Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), com as seguintes combinações: 1) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND pain; 2) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND musculoskeletal pain; 3) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND musculoskeletal pain AND counseling; 4) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND musculoskeletal pain AND universities; 5) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND musculoskeletal pain AND healthy diet; 6) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND musculoskeletal pain AND body composition; 7) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND pain AND healthy diet; 8) motor activity OR physical activity OR exercise AND occupational health AND pain AND body composition.

Critérios de elegibilidade

Foram definidos critérios de inclusão e exclusão segundo a estratégia PICOS22,24 (Participantes, Intervenções, Comparadores, Outcome/desfecho e Study/estudo). Os participantes deveriam ser trabalhadores sedentários (que executassem suas atividades na posição sentada, como serviços administrativos ou de escritório) na ativa, de 18 anos ou mais de idade, recrutados no local de trabalho, sem diagnóstico médico por qualquer tipo de doença ou problema relacionado a DME e que não estivessem em tratamento no período do estudo. As intervenções deveriam ser no local ou no horário de trabalho e conter aconselhamentos (independente do meio utilizado) para mudança do estilo de vida (AF, hábitos alimentares, controle do estresse, comportamento sedentário). Os estudos deveriam apresentar, além do grupo com intervenção, um ou mais grupos para comparações (controle ou outra intervenção) e ter como desfecho primário ou secundário a redução da DME avaliada em, pelo menos, dois períodos. Eram elegíveis estudos de intervenção (estudos clínicos randomizados ou não randomizados)25, publicados em inglês ou português.

Foram excluídos estudos transversais, coortes, revisões, casos-controle, diretrizes, estudos de validação de instrumentos/questionários, estudos com pacientes em tratamento, protocolos de pesquisas, entrevistas, livros, teses, dissertações, monografias, cartas ao editor e ensaios teóricos. Também foram excluídos estudos de intervenção que não foram conduzidos com trabalhadores sedentários, estudos em que a intervenção ou parte da intervenção tenha sido realizada fora do local ou do horário de trabalho, estudos com intervenções multicomponentes que não apresentassem componentes para mudança de comportamentos no estilo de vida, (por exemplo, somente aplicação de AF ou exercício físico ou somente mudanças no ambiente de trabalho), estudos que não avaliaram DME, estudos repetidos (mesma amostra e mesma intervenção) e estudos escritos em idiomas diferentes do inglês ou português.

Processo de seleção, extração de dados e risco de viés

O processo de seleção dos estudos, extração de dados e avaliação do risco de viés foi realizado de forma independente por dois revisores (JSJ e SVL), sendo as dúvidas resolvidas por consenso e, quando necessário, com o auxílio de um terceiro revisor (MCS). Os registros identificados nas bases de dados eletrônicas foram exportados para o gerenciador de referências EndNote X4. Após a exclusão dos duplicados, foram lidos títulos, resumos e textos completos dos artigos elegíveis. Foram realizadas buscas manuais nas listas de referências dos estudos selecionados e aplicado o mesmo processo de seleção. Os dados foram extraídos e registrados em um formulário criado pelos autores, o qual continha as variáveis de interesse: autor, ano de publicação, país de realização, tipo de estudo, objetivo, tamanho da amostra, população, idade, sexo, características da intervenção (número de grupos, estratégia, período e número de avaliações) e resultados sobre a DME (quantificação e regiões corporais). Os dados foram sintetizados e apresentados na forma de texto; fluxograma para a seleção dos estudos; uma tabela para a descrição das intervenções; principais resultados (proporções e valor p para o grau de significância de diferença entre os grupos); e uma tabela para o risco de viés. Para avaliar o risco de viés dos estudos incluídos na revisão, foi utilizada a escala Physiotherapy Evidence Database (PEDro)26, a qual apresenta 11 critérios que mensuram a validade interna e se os estudos mostram informações estatísticas suficientes para que os resultados sejam interpretados. O primeiro critério da escala não é computado, assim os estudos podem receber uma pontuação de zero a 10 pontos, sendo que, quanto maior a pontuação, menor o risco de viés. A escala PEDro foi traduzida para o português do Brasil e testada em relação à versão em inglês, demonstrando adequada reprodutibilidade e similaridade26. Além disso, esta escala apresenta concordância moderada com o instrumento de avaliação de risco de viés utilizado pela Cochrane Library49. Embora a escala seja eficiente e de fácil aplicação, não permite inferências quanto ao grau das evidências.

RESULTADOS

As buscas identificaram 3.670 títulos. Após a exclusão dos duplicados, foram rastreados 2.026 estudos, dos quais foram lidos 28 textos completos elegíveis. Nas buscas manuais, foram identificados 291 títulos e lidos sete textos completos elegíveis. De acordo com os critérios de elegibilidade, foram excluídos 27 textos completos e selecionados oito estudos (Figura 1).

Figura 1
Fluxograma PRISMA22 de seleção dos estudos.

Os estudos selecionados foram publicados no período de 2004 a 2020. Todos foram caracterizados como estudos clínicos randomizados27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, com dois ou mais grupos, e tiveram a DME como desfecho primário. As regiões corporais avaliadas foram: cervical27,29, 30, 31, 32, ombros27,29,30,32, membros superiores27,28, coluna torácica30,32 e lombar30,33,34. Envolveram um total de 1.871 sujeitos, com idade entre 35 e 52 anos, que trabalhavam em escritórios de diferentes locais: administração pública27, 28, 29, universidades31,33,34, serviços públicos de telecomunicações30 e companhia aérea32.

Em cinco estudos, observou-se maior frequência de mulheres nas amostras: 64%29, 76% no grupo intervenção e 78% no grupo controle31, 56%32, 78%33 e 69%34. Dentre estes, quatro ensaios apresentaram efeitos redução de intensidade de dor nas regiões cervical29,31, do ombro e coluna torácica32, e da lombar33.

Em seis estudos selecionados27, 28, 29, 30, 31, 32 havia pacientes com diferentes graus de DME, inclusive sem dor alguma, os quais foram analisados em conjunto, tanto nos grupos intervenção quanto nos grupos de controle. Ou seja, em ambos os tipos de grupo, nestes seis estudos, haviam sujeitos com DME (sintomáticos) e sujeitos sem DME (assintomáticos). Em dois estudos33,34, os sujeitos eram sintomáticos e assintomáticos, respectivamente (Tabela 1). No primeiro, o critério de inclusão era apresentar dor crônica (≥ a 3 meses) e no segundo era não ter tido dor nos últimos 12 meses.

Tabela 1
Descrição dos estudos selecionados na revisão (n = 8)

As intervenções tiveram período de duração de duas semanas32 a 12 meses29 e utilizaram estratégias de intervenção contendo aconselhamentos para estilo de vida (AF27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, alimentação28,33, estresse28,30,33, consumo de álcool28,33 e tabagismo28,33); prática de exercícios físicos29,32,34 e meios eletrônicos com informações sobre controle do estresse, promoção da saúde30 e sobre como aumentar o número de passos diários31. Além destes componentes, três estudos utilizaram aconselhamentos relacionados a características do trabalho (tempo sentado33,34, comportamento sedentário33, postura corporal durante o trabalho27) e três abordaram questões relacionadas à DME (sintomas28, anatomia do pescoço e ombro32 e autogerenciamento da dor33).

Os oito estudos selecionados continham aconselhamentos para a prática de AF27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34 ou aplicação de exercícios físicos29,32,34. Seis apresentaram efeitos estatisticamente significativos na intensidade e na frequência de DME27,29, 30, 31, 32, 33, dos quais cinco apresentaram redução da dor dos trabalhadores nas regiões cervical27,29,30, ombros27,30,32, coluna torácica32 e lombar30,33. Um estudo apresentou menor frequência de dor cervical31. A tabela 1 apresenta as características dos estudos selecionados, bem como a descrição detalhada da intervenção e seus principais resultados sobre a DME.

Em relação ao risco de viés, de acordo com a escala PEDro, a pontuação dos estudos selecionados variou de quatro pontos em dois estudos28,32 a oito pontos em outros dois33,34. Os demais atingiram cinco30,31 ou seis pontos27,29. Dos oito estudos selecionados, seis apresentaram risco de viés médio/baixo (≥ cinco pontos)27,29, 30, 31,33,34. Por outro lado, metade dos estudos27,28,31,32 não alcançou um acompanhamento adequado dos participantes e três estudos não utilizaram análise de intenção de tratar28,30,32. A tabela 2 apresenta a pontuação detalhada para cada um dos critérios.

Tabela 2
Análise do risco de viés dos estudos incluídos na revisão (n=8)

DISCUSSÃO

Além dos aconselhamentos para mudança do estilo de vida, os estudos selecionados aplicaram estratégias de educação sobre características do trabalho e sobre DME, como sugerido pela literatura referente a intervenções no local de trabalho para trabalhadores sedentários9,15,16. Tal fato mostra que todos os estudos selecionados apresentam aspecto educacional no local de trabalho, o que, segundo a EU-OSHA16, pode apresentar resultados muito satisfatórios na prevenção da DME.

Dos oito estudos incluídos, cinco apresentaram maior frequência de mulheres nas amostras29,31, 32, 33, 34. Esses resultados talvez indiquem que mulheres apresentem maior relação com o desfecho DME que homens, ou por apresentarem maior sintomatologia de problemas musculoesqueléticos, ou por serem em maior número em trabalhos administrativos e sedentários. Neste sentido, os relatórios da EU-OSHA mostram que mulheres são mais acometidas por problemas musculoesqueléticos que homens10, e entre os fatores de risco para a DME estão o sexo e o tempo na postura sentada durante o traba− lho9. A agência afirmou que, embora homens sejam mais propensos a relatar problemas relacionados à DME, principalmente dor nas costas, as mulheres apresentam maior prevalência de problemas no pescoço, ombros e membros superiores9,10.

Entretanto, um dos estudos incluídos na revisão da EU-OSHA9, o qual avaliou 12.426 trabalhadores de 18 países, incluindo trabalhadores de escritório, identificou associação significativa entre sexo feminino e incapacidade por dor lombar. Além disso, o relatório mostrou que 31% das mulheres trabalhadoras da comunidade europeia relatam passar mais que 75% do período de trabalho sentadas, enquanto a frequência de homens para o tempo sentado no trabalho foi de 25%9.

Nesse sentido, um estudo35 mostrou que o hormônio prolactina, produzido por mulheres durante a gestação, é liberado em excesso em situações de estresse. Os autores observaram que nessas situações, o aumento desse hormônio pode produzir maior sensação de dor inespecífica, o que não determina, mas pode contribuir para explicação multifatorial do fato de mulheres sentirem mais dor do que homens, resultando em maiores frequências de DME no sexo feminino.

Outros estudos com intervenções no local de trabalho realizados com trabalhadores sedentários, também apresentaram maior frequência de mulheres nas amostras. Em um estudo36, 79% da amostra foi composta por mulheres e foram observadas reduções no tempo na postura sentada e nos problemas musculoesqueléticos. Em outro estudo13, 62,5% dos participantes eram do sexo feminino, os autores verificaram uma associação direta entre tempo na posição sentada e lombalgia crônica. Outro estudo37 apresentou 61,7% da amostra composta por mulheres.

Embora esses resultados refitam a realidade de trabalhadoras europeias, corroboram os achados da presente revisão sistemática, mostrando que mulheres trabalhadoras de escritório em outros continentes também são mais acometidas por dores musculoesqueléticas que homens, já que quatro dos cinco estudos com maior número de mulheres foram realizados fora do continente europeu31, 32, 33, 34. Além disso, os achados também mostraram que tanto exercícios específ− cos para as regiões do pescoço, ombro e lombar29,32,34 quanto aconselhamentos para prática de AF genérica, como caminhadas29,31,33, podem ser eficazes na redução da DME em mulheres.

Os oito estudos selecionados continham componentes relacionados à A F, com aconselhamentos para a prática de AF27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34 ou prática de exercícios físicos29,32,34, dos quais seis estudos27,29, 30, 31, 32, 33 apresentaram redução da dor de trabalhadores. As exposições à prática ou aos aconselhamentos para a prática, variaram de duas semanas de aplicação de exercícios, com recomendações para prosseguir a prática por um período de três meses32, até doze meses29. Em três estudos29,30,32, os exercícios foram para as regiões cervical (fexão, extensão e rotação) e ombros (elevação lateral e frontal) e para relaxamento, para serem realizados de três vezes por semana (três séries de quinze repetições)29 a todos os dias, de uma a duas vezes ao dia (10 repetições em sessões de 15-20 minutos)32. Já em outro estudo30, os aconselhamentos para a prática de exercícios de relaxamento foram através de um dispositivo eletrônico acessível durante todo o tempo do estudo. Os outros três estudos27,31,33 ofereceram recomendações para AF geral de intensidade moderada a vigorosa nos domínios do deslocamento, ocupacional, doméstico e lazer (caminhada, ciclismo, jardinagem, tarefas domésticas, esportes e aumento de passos diários).

Esses achados sugerem que houve adesão à prática de AF e vão ao encontro do reportado na literatura sobre prática de AF e redução da dor38. A explicação neurofisiológica para a hipoalgesia pós-AF ocorre pela produção de opioides endógenos e pelo aumento de neurotransmissores, as catecolaminas (dopamina e noradrenalina). Esse mecanismo neurofisiológico ocasiona o aumento no limiar de dor devido à redução da excitabilidade da membrana plasmática do neurônio, principalmente nas fibras nervosas aferentes do tipo A que apresentam maior sensibilidade. Com isso, quanto maior o nível de AF do indivíduo maior a produção β-endorfinas (opioides endógenos), os quais agem nos mecanismos descendentes na medula espinhal reduzindo a percepção da dor38.

Dos seis estudos que apresentaram reduções significativas na DME dos trabalhadores, quatro foram efetivos para a redução da intensidade da dor27,29,30,33, sendo três destes na intensidade da dor cervical27,29,30, os quais continham em suas intervenções componentes sobre postura cervical, AF, exercícios de resistência para o pescoço e gestão do estresse. Como já mostrado a ocorrência de DME em trabalhadores sedentários é infuenciada por fatores de seu estilo de vida (AF, índice de massa corporal-IMC, controle do estresse) e de trabalho (tempo sentado e posturas corporais inadequadas)8, 9, 10, 11, 12, 13. Esses resultados são confirmados por um estudo de coorte prospectiva11, com 18.562 trabalhadores, o qual mostrou proteção para DME em qualquer região corporal, em sujeitos ativos fisicamente e risco em indivíduos com sobrepeso e obesidade. Além disso, sujeitos inativos fisicamente e com obesidade apresentaram maior risco de dor crônica. Um outro estudo39 mostrou que, em trabalhadores sedentários, a postura do pescoço é um determinante para a produção de força e resistência na região cervical, capacidades físicas que estão relacionadas ao surgimento de dor neste ponto corporal. Os autores sugerem que se identificado tal fator relacionado ao trabalho, é possível modificá-lo e, assim, reduzir o surgimento de cervicalgia relacionada ao trabalho na população em questão.

Contudo, outros fatores estão relacionados ao manejo da DME em trabalhadores, como controle de estresse dentro e fora do local de trabalho. Três estudos incluídos nesta revisão ofereceram aos sujeitos informações sobre manejo do estresse, os quais apresentaram reduções da frequência e da intensidade da dor nas regiões lombar, cervical e do ombro28,30,33. Um desses estudos28, que ofereceu aos sujeitos informações sobre controle do estresse no trabalho, mostrou redução da presença de DME, tanto no grupo intervenção (recebeu material impresso e palestras) quanto no controle, que recebeu apenas um material impresso com as mesmas informações, o que demonstra a relevância da informação sobre gestão do estresse para redução da DME.

Por outro lado, os outros dois estudos que utilizaram abordagem sobre controle do estresse mostraram reduções significativas da intensidade da dor30,33. Cabe destacar o estudo30, que comparou dois grupos intervenção e um controle. Diferentemente dos outros dois estudos28,33, este30 entregou intervenções focadas na gestão do estresse com abordagem ampla de promoção da saúde, incluindo exercícios de relaxamento e encontrou redução da intensidade da dor para ambos os grupos em relação ao controle. Os achados apresentados por esses três estudos28,30,33 mostram que intervenções múltiplas que relacionam promoção da saúde e estilos de vida, incluindo gestão do estresse dentro e fora do local de trabalho, podem ser efetivas para a redução da frequência e da intensidade de DME, apresentando melhores resultados quando a intervenção é focada no controle do estresse30.

Nesse sentido, um estudo de revisão17 mostrou que processos educacionais sobre dor podem diminuir intensidade de DME e de sofrimento psíquico, fator que está relacionado ao estresse40. Um estudo randomizado18 mostrou que educação sobre DME, aliada a exercícios que contribuem para o controle de estresse, como os praticados na ioga, também podem diminuir a DME em trabalhadores, incluindo os sedentários18. Ta l achado corrobora os resultados dos três estudos incluídos nesta revisão que utilizaram, como estratégia de intervenção, informações sobre controle do estresse28,30,33.

Apesar dos resultados descritos, a relação entre os fatores citados e a intensidade de DME ainda é uma questão controversa. Um estudo de revisão sistemática realizado pelo grupo Cochrane, com intervenções no local de trabalho em trabalhadores sedentários, não encontrou relação entre aumento do nível de AF durante o turno de trabalho (ficar em pé ou caminhar) e redução da intensidade de DME20. Tal achado contraria metade dos estudos selecionados nesta revisão, pois quatro estudos que continham nas intervenções componentes para aumento da AF e que avaliaram a intensidade da DME, demonstraram diferenças entre os grupos, com reduções significativas27,29,30,33.

A revisão proposta pelo grupo Cochrane analisou 10 estudos com diferentes delineamentos e diferentes estratégias de intervenção20. Dos estudos que avaliaram a intensidade da DME, quatro continham estratégias de intervenção focadas em mudanças no ambiente físico de trabalho, como fornecer mesas com esteiras ou estações de trabalho em pé e dois estudos eram com estratégias individuais, como fornecer um rastreador de AF ou um pedômetro, o que pode explicar a falta de associação entre o aumento do nível de AF e a intensidade da DME. Cabe salientar que as revisões realizadas pela Cochrane empregam métodos que analisam os estudos selecionados em conjunto, verificando a força da evidência de forma conjunta.

No entanto, cinco estudos selecionados na presente revisão mostraram redução da intensidade de DME, os quais aplicaram intervenções direcionadas aos indivíduos de forma ampliada, envolvendo, além da AF no domínio ocupacional, os domínios do deslocamento, lazer e doméstico27,29,30,33,34. Isso pode indicar que abordagens que envolvam os quatro domínios da AF e que sugiram mudanças no estilo de vida dos sujeitos, apresentem efetividade na redução da intensidade da dor. De acordo com a EU-OSHA9, as intervenções para diminuição da DME devem considerar o caráter multifatorial da dor, superar a perspectiva biomecânica e incorporar estratégias de intervenção que busquem compreender e atingir o fenômeno da DME em sua totalidade, envolvendo questões relacionadas ao estilo de vida e de trabalho dos sujeitos.

Além disso, a literatura apresenta outros estudos clínicos randomizados que avaliaram trabalhadores de escritório e que continham na intervenção o componente para aumento da A F, os quais mostraram redução da intensidade de dor41,42. Estes estudos também utilizaram estratégias amplas com abordagens que envolveram aspectos relacionados ao aumento da A F, incluindo processos educacionais sobre os fatores de risco e de proteção para prevenir a DME, como prolongado tempo sentado, conhecimento sobre DME (definição e sintomas, patogenia da dor, relação com doenças e impactos físicos e psicológicos), tratamentos não farmacológicos (exercícios, postura corporal, nutrição) e gerenciamento do sono e do humor, com momentos para discussões sobre as temáticas abordadas41,42, estratégias semelhantes as utilizadas pelos autores30,33.

Três estudos apresentaram maior efetividade na redução da intensidade da dor com seis meses de intervenção e com estratégias amplas, através de processos educacionais e aconselhamentos que sugerem a autogestão de comportamentos relacionados com a saúde, como prática de AF no lazer e deslocamento, controle alimentar, redução no consumo de álcool, redução no hábito de fumar e autogestão do estresse, dentro e fora do local de trabalho29,30,33. Isso também pôde ser observado no estudo27 que mostrou, através de reuniões interativas sobre postura corporal e estilo de vida, redução da intensidade de DME. Entretanto, a redução foi observada após o período da intervenção, ou seja, no seguimento de seis meses. Ta l achado sugere que os indivíduos autogerenciaram as informações que lhes foram passadas.

Além disso, estudos27,29,33 sugerem que intervenções com períodos de acompanhamento maiores que seis meses podem favorecer a assimilação das informações e facilitar a aquisição e a autogestão de hábitos saudáveis. Nesse sentido, a literatura mostra que a prática autosselecionada de exercício pode apresentar respostas afetivas positivas e maior prazer durante a prática43, e, talvez, os processos de escolhas e de respostas afetivas e prazerosas possam explicar os resultados apresentados.

Esses resultados indicam que a autogestão da informação sobre DME e sobre aspectos relacionados (incluindo AF e outros fatores do estilo de vida), bem como a liberdade de escolha dos participantes, dentro e fora do ambiente de trabalho, são fatores importantes a serem considerados em intervenções que visem redução da intensidade de dor. Em relação à prática de exercícios físicos, três estudos continham esse componente na intervenção, um para a região lombar34 e dois29,32 para as regiões cervical e ombro. No que se refere à região lombar, não foi encontrada diferença entre os grupos avaliados34. Os dois estudos que analisaram dor nas regiões cervical e do ombro utilizaram, como estratégia de intervenção, exercícios de resistência específicos para essas áreas, mostrando redução da intensidade29 e da frequência32 de dor. Tais achados corroboram os resultados apresentados na literatura. Um estudo de revisão sistemática que analisou intervenções realizadas no local de trabalho em trabalhadores de escritório concluiu que exercícios para ombros e pescoço realizados três vezes por semana utilizando pesos leves ou bandas elásticas durante 10 semanas foram eficazes para a diminuição da dor44. Ta l resultado foi ratificado pelo estudo29 que utilizou uma estratégia de intervenção semelhante à descrita anteriormente (tiras elásticas e pesos leves três vezes por semana), observando redução da intensidade de dor na região cervical. Por outro lado, outro estudo32 também identificou redução no percentual de sujeitos com dor nos ombros e coluna torácica, porém, em sua intervenção, os exercícios eram realizados diariamente com supervisão de um fisioterapeuta e os sujeitos que a realizavam não utilizavam qualquer tipo de material para execução das atividades. Na presente revisão, não foram encontrados estudos latino-americanos e somente dois foram realizados em países de baixa e média renda31,32. Entretanto, a literatura mostrou que em populações de países de baixa e média renda, assim como em países de alta renda, fatores do estilo de vida dos indivíduos, como IMC elevado ou obesidade, consumo de tabaco, baixo nível de AF e postura corporal inadequada estão relacionados a DME9,45. Como medidas de prevenção da DME em populações de países de baixa e média renda, a literatura sugere a implementação de intervenções na comunidade que visem mudanças comportamentais com criação e manutenção de hábitos saudáveis45. Contudo, há necessidade de condução de maiores estudos em países com essas características.

Um ponto interessante a destacar é que os estudos incluídos nesta revisão apresentaram estratégias de intervenção que podem ser aplicadas em outros contextos, principalmente considerando o momento pandêmico por Covid-19, no qual se observa o aumento do trabalho remoto ou domiciliar46, período no qual relatos de mulheres indicaram um aumento da sobrecarga de trabalho em razão da sobreposição de tarefas (trabalho, flhos e casa). Contudo, elas também relataram aproximação com flhos e maridos e maior tempo para prática de AF47. Por outro lado, no trabalho em casa durante a pandemia, também se observou tanto aumento da presença de DME, principalmente dor lombar e cervical48, quanto do risco para desenvolver problemas musculoesqueléticos46, o que sugere a necessidade de intervenções que possam ser realizadas nesse contexto. Em relação à avaliação do risco de viés, cabe ressaltar que os estudos incluídos utilizaram processos educacionais sobre DME, o que dificulta o cegamento dos participantes e dos terapeutas, o que sugere que a avaliação deva ser analisada de forma relativa.

Esta revisão apresenta limitações e alguns pontos fortes que merecem ser destacados. Primeiramente, não foi conduzida uma metaná-lise, nem avaliação do grau de certeza das evidências, o que difficulta afirmar o efeito do conjunto das mesmas sobre o desfecho. Além disso, dos seis estudos que apresentaram efeitos estatisticamente significativos sobre a DME27,29, 30, 31, 32, 33, em cinco27,29, 30, 31, 32 haviam sujeitos assintomáticos e sintomáticos, os quais foram analisados em conjunto, o que pode ter direcionado o sentido do efeito das intervenções. Outros fatores a relatar foram as buscas, realizadas em três bases de dados e com limite temporal entre 1999 a 2021, o que pode gerar um viés de publicação dos estudos selecionados. Além disso, um critério de inclusão desta revisão foi que os estudos deveriam ser publicados em inglês ou português, critério que pode contribuir para o referido viés. Apesar disso, as bases utilizadas para pesquisa estão entre as principais da América Latina, Caribe e do contexto internacional da saúde, o que minimiza a chance de artigos referentes a essa temática não terem sido incluídos na seleção.

Como pontos fortes, pode-se destacar o uso de técnicas sólidas de revisão metodológica, como a utilização das diretrizes PRISMA22 para a escrita deste relatório e o preenchimento da sua lista de verificação (Anexo 1), o registro da revisão na base PROSPERO23, a utilização de descritores de busca indexados no MeSH e no DeCS, a definição de critérios de elegibilidade segundo a estratégia PICOS22,24, o processo de seleção dos estudos e demais etapas da revisão realizados por dois revisores independentes, o uso de uma ferramenta para avaliação do risco de viés em estudos26 e as conclusões ponderadas com base na qualidade das evidências. Futuros estudos de intervenção para a redução da DME em trabalhadores sedentários devem ater-se à potencialidade de estratégias de educação sobre DME entregues no local de trabalho e ser voltados para mudanças do estilo de vida destes indivíduos. Além disso, os pesquisadores devem direcionar maior atenção a possíveis perdas de sujeitos durante o estudo e, para minimizar o efeito de tais perdas, empregar a análise de intenção de tratar.

CONCLUSÃO

As intervenções multicomponentes realizadas no local de trabalho e que incluem estratégias de educação e aconselhamentos para mudanças do estilo de vida, são efetivas para a redução da intensidade e da frequência das dores cervical, nos ombros, nos membros superiores e na região lombar, em trabalhadores sedentários. Destaca-se a necessidade de mais estudos de intervenção com trabalhadores latino-americanos e de países de baixa e média renda. Considerando a heterogeneidade dos estudos em relação às formas de mensuração do desfecho DME, a generalização dos achados desta revisão deve ser avaliada com cautela.

AGRADECIMENTOS

Ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEF) da Escola Superior de Educação Física (ESEF) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ao Grupo de Estudos em Fisiologia do Exercício (GEFEX) e ao Grupo de Estudos em Epidemiologia da Atividade Física (GEEAF).

  • Fontes de fomento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) -Código de Financiamento 001.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Nov 2022
  • Data do Fascículo
    Jul-Sep 2022

Histórico

  • Recebido
    29 Dez 2021
  • Aceito
    18 Ago 2022
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