Resumo
Introdução: A Doença de Chagas (DC), em sua forma cardíaca, ocorre entre 20% e 40% dos infectados, trazendo maior risco de manifestar a forma grave da COVID-19, potencializando o medo dessa infecção.
Objetivo: Conhecer a prevalência e os fatores associados ao medo da COVID-19 durante a pandemia entre os portadores da DC.
Método: Estudo transversal, conduzido com 460 portadores de DC de municípios endêmicos do norte de Minas Gerais. A variável dependente foi a Escala de Medo da COVID-19, dicotomizada ao final (pouco medo versus moderado/muito medo). As variáveis independentes foram características sociodemográficas, hábitos de vida, história clínica e isolamento social. Foram conduzidas análises descritivas, bivariadas e múltiplas.
Resultados: Observou-se que 250 (54,3%) apresentaram "Pouco medo" e 210 (45,7%) "Moderado/Muito medo" da COVID-19. O modelo múltiplo final ajustado mostrou maior chance de Medo da COVID-19 entre indivíduos do sexo feminino que moravam em casa/apartamento, não praticavam atividade física, que apresentavam autopercepção negativa da saúde, tiveram a profissão afetada pelo isolamento social e que receberam auxílio emergencial do governo durante a pandemia.
Conclusão: Um número considerável de portadores da DC teve moderado/muito medo da COVID-19, e esse medo foi maior entre os que se perceberam sob maior risco e/ou vulnerabilidade.
Palavras-chave:
doença de Chagas; COVID-19; medo; pandemias; impacto psicossocial
Abstract
Introduction: Chagas heart disease (CD) affects 20–40% of Trypanosoma cruzi infected patients, bringing a greater risk of manifesting a severe form of COVID-19, and increasing the fear of this infection.
Objective: To know the prevalence and factors associated with fear of COVID-19 during the COVID-19 pandemic among CD patients.
Method: Cross-sectional study, conducted with 460 CD patients from endemic municipalities in the north of Minas Gerais. The dependent variable was the Fear of COVID-19 Scale, dichotomized at the end (a little fear vs. a lot of fear). The independent variables were sociodemographic characteristics, life habits, clinical history and social isolation. Descriptive, bivariate and multiple analyses were conducted.
Results: It was observed that 250 (54.3%) had "a little fear" and 210 (45.7%) "a lot of fear" of COVID-19. The final adjusted multiple model showed a greater chance of fear of COVID-19 among female individuals, who live in a house/apartment, who do not practice physical activity, who have a negative self-perception of health, who have had their profession affected by social isolation, and who received financial benefits during the pandemic.
Conclusion: A considerable number of people with CD had a lot of fear of COVID-19, and this fear was greater among those who perceived themselves to be at greater risk and/or vulnerability.
Keywords:
Chagas disease; COVID-19; fear; pandemics; psychosocial impact
INTRODUÇÃO
Em dezembro de 2019, a infecção por SARS-Cov2 evoluiu ao nível de uma pandemia global, em que a doença ficou conhecida por corona virus disease (COVID-19), gerando um cenário ameaçador1. Nessas situações, níveis intensos de medo podem prejudicar a percepção lógica dos indivíduos, afetando o modo como reagem à doença2. O medo surge diante de um evento originado pelo ambiente ou por outra pessoa, sendo avaliado como uma ameaça que provoca a percepção de incerteza ou ausência de controle sobre os desdobramentos, geralmente desencadeando uma reação de evasão com o propósito de reconduzir o indivíduo a um estado de segurança3. Caracteriza-se como uma emoção central a se considerar quando se busca entender os efeitos psicológicos vivenciados em um cenário ameaçador4, a exemplo da COVID-191. Por exemplo, o medo excessivo da COVID-19 foi associado a casos de suicídio na Índia5 e em Bangladesh6. Assim, foi desenvolvida uma escala para fornecer informações valiosas sobre o medo da COVID-192.
A Doença de Chagas (DC), por sua vez, é um grave problema de saúde pública, e seu acometimento cardíaco ocorre entre 20 e 40% das pessoas infectadas, sendo a forma cardíaca responsável pela maior morbimortalidade da doença7. Sabe-se que pacientes com doenças prévias do sistema cardiovascular apresentam maior risco de manifestar a forma grave de infecção por COVID-19, também com maior risco de mortalidade1,8. Dessa maneira, a coinfecção da DC e da COVID-19, devido ao potencial de envolvimento cardíaco e ao maior estado pró-coagulante, tem sido citada como condição para dano miocárdico, depressão da função ventricular, aumento do estado arritmogênico, risco de tromboembolismo e pior prognóstico9–12. Apesar da escassez de dados e da reconhecida subnotificação relacionada à DC13, no Brasil, dos 125.691 óbitos por COVID-19 registrados de março a agosto de 2020, 207 faziam menção à DC enquanto comorbidade que contribuiu para a morte14.
Entretanto, pouca atenção tem sido dada aos sentimentos, às percepções e/ou às angústias vivenciadas por esses pacientes diante da pandemia, especialmente em momentos em que pouco se sabia a respeito da infecção e não havia vacinas disponíveis15.
Com as altas taxas de infecção e mortalidade, os indivíduos naturalmente começaram a se preocupar com a COVID-19. De fato, o medo de ter contato com pessoas possivelmente infectadas pela COVID-19 foi relatado em estudo prévio16. A importância dos aspectos psicológicos durante processos epidêmicos vem levando autores a identificar, paralelamente à ocorrência da COVID-19, uma "coronafobia" ou "pandemia do medo"17. Portanto, o objetivo deste estudo foi conhecer a prevalência e os fatores associados ao medo da COVID-19 durante a pandemia entre os portadores da DC.
METODOLOGIA
Delineamento
Trata-se de um recorte transversal de um estudo longitudinal denominado "Avaliação da COVID-19 na progressão da cardiopatia chagásica: uma avaliação longitudinal do projeto SaMi-Trop- 2020", cujo objetivo é avaliar se a infecção por COVID-19 leva a uma piora do quadro cardíaco nos portadores de DC.
População
O projeto foi conduzido com 463 portadores de DC, residentes no norte do estado de Minas Gerais, região endêmica para a doença. Em todos os pacientes foi testada a presença do anticorpo anti-T.cruzi, utilizando duas diferentes metodologias. Os resultados foram considerados positivos quando o resultado foi reagente em ambas as metodologias. Todos os participantes apresentavam mais de 18 anos.
Coleta de dados
Foram realizadas duas avaliações (baseline e followup 12 meses depois). A coleta de dados ocorreu no Ambulatório de Doença de Chagas do Hospital Universitário Clemente de Faria em Montes Claros, Minas Gerais, ao longo de um ano (2020/2021) e foi realizada uma entrevista, pelas assistentes de pesquisa, que contemplou questões sociodemográficas, hábitos de vida, história clínica e isolamento social, além da aplicação da escala de Medo da COVID-19. Foi realizada coleta de material biológico (sangue) com a finalidade de testar a sorologia da COVID-19, que foi avaliada qualitativamente usando o kit SARS-CoV-2 AntibodyTest (Lateral Flow Method) — Wondfo®.
O presente estudo considerou os dados provenientes da entrevista realizada no Followup (2021). Os critérios de inclusão foram: ser participante da coorte SaMi-Trop e apresentar respostas válidas para o questionário aplicado.
Variável dependente
A variável dependente desse estudo é o medo da COVID-19, obtida através do instrumento Escala de Medo da COVID-19, proposto por pesquisadores do Irã para investigação do medo das pessoas em relação à doença2, e posteriormente validada no Brasil18. A escala apresenta 7 itens a serem respondidos em escala tipo Likert (concordo plenamente; concordo parcialmente; não concordo nem discordo; discordo parcialmente; discordo plenamente). A pontuação mínima possível para cada questão é 1 e a máxima é 5. A pontuação total é calculada pela soma da pontuação de cada item (variando de 7 a 35). Quanto maior a pontuação, maior o medo da COVID-19. Então, para este estudo, foi utilizado o ponto de corte de 19 pontos18, sendo consideradas a categoria pouco medo abaixo desse ponto de corte, e a categoria moderado/muito medo acima do ponto de corte adotado.
Variáveis independentes
As variáveis independentes foram agrupadas em quatro blocos: características sociodemográficas, hábitos de vida, história clínica e isolamento social.
As Características Sociodemográficas consideradas foram: sexo (masculino vs. feminino); idade (coletada de forma numérica e categorizada pela média em abaixo de 57 anos vs. acima de 58 anos); cor da pele (branco vs. parda/preta/amarela/indígena); alfabetização (sim vs. não); estado civil (união estável — casado/coabita vs. sem união estável — solteiro/viúvo); classe econômica, avaliada pelo Critério de Classificação Econômica Brasil19. Essa classificação é feita com base na posse de bens, e não com base na renda familiar. Para cada bem possuído há uma pontuação, e cada classe é definida pela soma dessa pontuação (classes A1, A2, B1, B2, C, D e E). Para fins de análise, a categorização foi classe alta (A, B1, B2, C1) vs. classe baixa (C2 e D/E); e tipo de domicílio, categorizado em fazenda/sítio vs. casa/apartamento.
Quanto aos Hábitos de vida, foram abordados: etilismo, tabagismo e atividade física. A variável etilismo foi dicotomizada em uso não frequente (não consumiu/consumiu menos de uma vez por semana/consumiu de 1 a 2 vezes por semana) vs. uso frequente (consumiu de 3 a 5 vezes por semana/consumiu todo dia). A variável tabagismo foi categorizada em não fumante (ex-fumantes/nunca fumou) vs. fumante (os que fumavam à época da coleta de dados). A variável atividade física foi avaliada por meio do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ)20, que contempla 8 questões avaliando o tempo gasto por semana em diferentes dimensões da atividade física, e foi dicotomizado em muito ativo/ativo vs. irregularmente ativo/sedentário21.
No bloco História Clínica foram abordados: vacina prévia para COVID-19, sintoma gripal, hipertensão, diabetes e autopercepção da saúde. A avaliação da autopercepção da saúde foi dicotomizada em positiva (boa, muito boa e média) vs. negativa (ruim e muito ruim). As demais variáveis permaneceram conforme coletadas. A coleta ocorreu simultaneamente ao início da disponibilização da vacina para COVID-19.
Para avaliação do Isolamento Social foi aferida a restrição de contato social, através da seguinte pergunta: Durante a pandemia do novo coronavírus, em que intensidade você fez (ou ainda está fazendo) restrição do contato com as pessoas? A restrição de contato social por membro familiar, por sua vez, foi aferida através da pergunta: Considerando as pessoas com quem o(a) senhor(a) divide moradia, alguém está saindo de casa? A atividade profissional afetada foi aferida pela pergunta: A atividade profissional do(a) senhor(a) foi afetada pelo isolamento social? A Renda afetada foi aferida através da pergunta: A fonte de renda do(a) senhor(a) foi afetada pelo isolamento social? Se recebeu auxílio emergencial do governo, aferiu-se através da seguinte pergunta: Alguém do domicílio recebeu algum benefício financeiro do governo relacionado à pandemia do novo coronavírus? Pessoas próximas com diagnóstico da COVID-19, através da pergunta: Algum parente, familiar, amigo ou vizinho do(a) senhor(a) foi diagnosticado com COVID-19? As variáveis categorizadas foram: Restrição de contato em Ficou em casa, saindo quando necessário (Fiquei em casa, só saindo para compras em supermercado e farmácia/Fiquei rigorosamente em casa, saindo só por necessidades de atendimento à saúde) vs. Tomou cuidados, mas levou vida normal (Procurei tomar cuidados, ficar à distância das pessoas, reduzir um pouco o contato, não visitar idosos, mas continuei trabalhando e saindo/Não fiz nada, levei vida normal); Restrição de contato profissional em não (não) vs. sim (sim, completamente e sim parcialmente); Renda afetada devido a restrição de contato em não (não) vs. sim (sim, completamente e sim parcialmente). As demais variáveis desse bloco permaneceram conforme coletadas.
Análises conduzidas
Inicialmente foi conduzida análise descritiva de todas as variáveis envolvidas. Foram estimadas as frequências simples (n) e relativas (%) para cada categoria das variáveis. Foram conduzidas análises bivariadas (χ2 de Pearson), e as variáveis com p≤0,25 foram incluídas no modelo múltiplo de Regressão Logística Binária. O modelo foi ajustado, e permaneceram no modelo final apenas variáveis com p≤0,05. As análises foram conduzidas utilizando o software estatístico Predictive Analytics SoftWare (PASW/SPSS)® versão 18.0 para Windows®.
Aspectos éticos
A aprovação ética foi obtida no dia 14 de agosto de 2020 através do Comitê de ética da Universidade Estadual de Montes Claros (4.214.302). Todos os participantes da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
RESULTADOS
Participaram da coleta de dados 463 portadores de DC; entretanto, 3 indivíduos foram excluídos por não apresentarem resposta para a variável dependente. Assim, este estudo foi conduzido com 460 portadores de DC; dentre eles, 103 (22,4%) apresentaram sorologia positiva para COVID-19. Quanto ao medo da COVID-19, os participantes apresentaram um escore médio da escala de 19,71 (±9,1 desvio padrão, valor mínimo de 7 e valor máximo 35), sendo que 250 (54,3%) apresentaram "Pouco medo" e 210 (45,7%) apresentaram "Moderado/Muito medo" da COVID-19.
Quanto às questões sociodemográficas, a maioria dos participantes era do sexo feminino, com idade abaixo de 60 anos, de cor parda/preta/amarela/indígena, com união estável, alfabetizados e de baixa classe econômica. Quanto aos hábitos de vida, a maioria era não etilista, não fumante e muito ativa/ativas. Quanto à história clínica, a maioria não tinha recebido vacina prévia contra COVID-19, não tinha hipertensão nem diabetes e apresentava autopercepção positiva da saúde. Quanto ao isolamento social, a maioria fez restrição de contato social, relatou que os membros familiares fizeram uma restrição de contato parcial, a profissão não foi afetada e nem a renda, recebeu auxílio emergencial do governo e relatou ter pessoas próximas com diagnóstico da COVID-19. Demais informações sobre a caracterização da amostra pesquisada estão na Tabela 1.
Análise descritiva e bivariada do medo da COVID-19 segundo variáveis sociodemográficas, hábitos de vida, história clínica e isolamento social de portadores de DC de áreas endêmicas do estado de Minas Gerais (n=460), Brasil, 2021.
Na análise bivariada, ficaram associadas ao medo da COVID-19 as variáveis: sexo, idade, tipo de domicílio, atividade física, autopercepção em saúde, atividade profissional afetada, renda afetada e recebeu auxílio emergencial do governo.
O modelo múltiplo final ajustado mostrou maior chance de medo da COVID-19 entre indivíduos do sexo feminino, que moravam em casa/apartamento, que não praticavam atividade física, que apresentavam autopercepção negativa da saúde, que tiveram a profissão afetada pelo isolamento social e que receberam auxílio emergencial do governo durante a pandemia (Tabela 2).
Modelo de regressão logística final ajustado dos fatores associados ao medo da COVID-19 em portadores de DC de áreas endêmicas do estado de Minas Gerais (n=460), Brasil, 2021
DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo demonstraram que quase metade dos portadores de DC referiram moderado/muito medo da COVID-19 e esse medo se mostrou associado a fatores como sexo feminino, residir em domicílio de perfil mais urbano (casa ou apartamento), ser irregularmente ativo/sedentário, apresentar autopercepção negativa da saúde (sendo esse o fator mais fortemente associado ao desfecho), ter sido afetado profissionalmente pelo isolamento social e ter recebido auxílio emergencial do governo durante a pandemia.
O medo de ser infectado por um patógeno potencialmente fatal e cujas origens e curso são desconhecidos afeta a saúde mental de muitos indivíduos17,22, principalmente se tratando de quem já tem uma doença de base. Já foi observado que, entre os portadores de DC, existe uma maior prevalência de pior saúde mental quando comparado com a população geral23. Estudo prévio realizado em 18 países explicou que o medo do adoecimento e o sentimento de maior vulnerabilidade em relação à COVID-19 fazem com que indivíduos sigam as orientações de distanciamento social de forma mais rigorosa, buscando se proteger24. Contudo, vale ressaltar que o medo em excesso torna-se prejudicial e relacionado ao desenvolvimento de vários transtornos25,26, como distúrbios psiquiátricos persistentes, abrangendo o transtorno de estresse pós-traumático e diversas categorias de fobias, incluindo fobias específicas25.
Entre os portadores de DC, 20 a 40% desenvolvem Cardiopatia Chagásica Crônica (CCC)27,28, e as doenças cardiovasculares subjacentes são um importante fator de risco para hospitalização e morte por COVID-1929. Apesar desse risco estar bem definido em estudos prévios, até o presente momento os poucos estudos clínico-epidemiológicos que avaliaram pacientes com CCC coinfectados pelo coronavírus não comprovaram essa associação30–32. Ao contrário disso, estudo recente, conduzido na Venezuela, indica "efeito protetor" da DC nos infectados por COVID-1933, reforçando a falta de consenso sobre os efeitos dessa coinfecção.
Foi possível observar que as mulheres portadoras de DC apresentaram maior chance de moderado/muito medo da COVID-19. Vários estudos prévios que utilizaram o mesmo instrumento corroboram com esse achado. Um deles foi realizado com 364 indivíduos brasileiros durante a pandemia34. Também foram conduzidos estudos semelhantes em outros países, que também observaram maiores níveis de medo da COVID-19 entre mulheres35–41. Isso pode estar relacionado às diferenças de gênero na sensibilidade ao estresse, uma vez que as mulheres têm uma maior propensão a transtornos mentais42, pois deve-se considerar a sobrecarga do trabalho doméstico e o papel de cuidadora desempenhado pela mulher, o que gera preocupação consigo mesma e com seus familiares35,43.
Indivíduos portadores de DC que moram em casa ou apartamento apresentaram maiores chances de moderado/medo da COVID-19. Uma hipótese para tal achado é que, diferentemente daqueles que moram em sítio ou fazenda, normalmente localizados em áreas rurais e afastados socialmente, os que residem em casas ou apartamentos se sentem mais expostos e suscetíveis a se contaminar com o coronavírus, possivelmente por viverem em áreas mais povoadas/urbanas44. Estudo no Brasil tem demonstrado que populações que residem em área rural apresentaram uma melhor autopercepção da sua qualidade de vida45. Essa condição é atribuída a boa rede de apoio e a relações sociais no meio rural45. Outro estudo realizado em Portugal também concluiu que a residência apresenta papel importante na autopercepção da qualidade de vida46. Esse ambiente parece contribuir para um enfrentamento mais positivo da pandemia; consequentemente, diminuindo o medo. Além disso, a desigualdade no acesso a políticas públicas de saúde e sociais na área rural e urbana tem diminuído ao longo dos anos47, contribuindo para melhor qualidade de vida e manejo da saúde.
O sedentarismo e a irregularidade na prática de atividade física estiveram associados ao maior medo. Possivelmente, indivíduos que praticam atividade física têm menor medo por apresentarem maior autocuidado em saúde e, assim, sentirem-se mais seguros e saudáveis em relação à COVID-1948. Um estudo qualitativo, que descreveu a percepção das pessoas sobre como a vida foi afetada pelo isolamento social, mostrou que os indivíduos que praticavam atividade física revelaram menores níveis de estresse e uma melhora qualitativa no sono49. O exercício físico foi capaz de reduzir a ansiedade comum à época de pandemia através da liberação de neurotransmissores como endorfina e serotonina50. Entretanto, estudo prévio observou que, durante a pandemia, pacientes com doenças crônicas reduziram a prática de atividade física, aumentaram o hábito de assistir televisão e diminuíram o consumo de vegetais51. Essa situação pode ter ocorrido entre os participantes desse estudo, já que a DC se trata de uma doença crônica.
O principal achado deste estudo refere-se à forte associação do maior medo da COVID-19 entre aqueles que apresentaram autopercepção negativa da saúde. Estudo prévio realizado com 920 participantes brasileiros de ambos os sexos mostrou elevada proporção de medo da COVID-19 entre aqueles que se percebem sob maior risco52. Além disso, aspectos comportamentais, como menor engajamento com práticas preventivas de saúde e menor adesão às recomendações médicas, foram associados a autopercepção negativa da saúde53, e isso pode levar ao aumento do medo da COVID-19. Além disso, já foi observada alta prevalência de autopercepção negativa da saúde entre indivíduos com DC (22,1%)54.
Portadores de DC que tiveram a atividade profissional afetada pelo isolamento social apresentaram maior medo. Estudo prévio apontou que, mesmo entre as pessoas que trabalham remotamente ou, ainda, entre aquelas impossibilitadas de trabalhar, a incerteza financeira quanto ao sustento próprio e da família durante a pandemia gerou estresse e medo55. Estudo conduzido entre adultos do estado de Minas Gerais verificou que aqueles que vivenciaram redução da renda durante a pandemia apresentaram maior número de episódios de tristeza, ansiedade e dificuldade no sono56.
Da mesma forma, aqueles que receberam auxílio emergencial do governo durante a pandemia também apresentaram maior medo. O Auxílio Emergencial foi um benefício financeiro pago pelo Governo Federal para garantir uma renda mínima aos brasileiros em situação de vulnerabilidade social, durante o período de emergência de saúde pública decorrente da COVID-19, previsto na Lei n° 13.982, de 2 de abril de 2020. Esse benefício foi concedido para assegurar a manutenção de alguma renda para famílias que comprovassem maior vulnerabilidade financeira durante a pandemia57. Reforçando a situação social da pandemia, estudo prévio apontou que as taxas de incidência e mortalidade por COVID-19 foram mais acentuadas entre os estados brasileiros com maior desigualdade econômica58. Dessa forma, aqueles que enfrentavam maiores obstáculos em termos de emprego formal, estabilidade financeira, acesso aos serviços de saúde e condições menos dignas de alimentação e moradia estiveram mais expostos às consequências da crise sanitária59 e, possivelmente, a maior medo diante da doença.
Vale ressaltar a importância do preparo psicológico das pessoas portadoras de doenças crônicas como a DC frente a um quadro pandêmico como o da COVID-19, para amenizar o impacto trazido pelo medo em pessoas que já têm preocupação com a doença de base. A DC necessita de maior evidência no meio científico, pois é uma doença negligenciada em vários aspectos, como o seu diagnóstico tardio, a falta de oportunidade de tratamento e a falta de intervenção oportuna, principalmente para a forma cardíaca da doença60.
Destaca-se, ainda, que, como não foi utilizado um grupo controle não portador da DC, não foi possível verificar se o maior medo da COVID-19 está associado com a presença da DC. Enfatiza-se que não foi esse o propósito do trabalho, e sim identificar os fatores relacionados ao maior medo entre portadores de DC.
Cabe mencionar como limitação que, em virtude da metodologia adotada, as informações foram obtidas a partir do autorrelato; desse modo, é passível de viés de aferição. Por outro lado, ressalta-se a relevância dos achados em virtude das poucas publicações na temática, bem como a possibilidade de utilização das informações no sentido de organização da rede de saúde para o adequado atendimento à saúde mental da população portadora de DC, não somente durante a pandemia, como também posteriormente.
CONCLUSÃO
Os achados revelam a dimensão do impacto da pandemia e do isolamento social sobre aspectos da saúde mental da população portadora de DC. Maior é o impacto e o medo da COVID-19 entre mulheres, residentes em casa ou apartamento, sedentários, com autopercepção negativa da saúde, que tiveram a profissão afetada pelo isolamento social e que receberam auxílio emergencial do governo durante a pandemia. Essas são características que sinalizam segmentos demográficos de maior vulnerabilidade, a demandar a aplicação e o aprimoramento das estratégias de preservação e atenção à saúde mental durante e após a pandemia. Considerando o importante papel do medo na saúde mental das pessoas, os achados indicam a importância da criação de políticas públicas de saúde voltadas para as populações vulneráveis, com o objetivo de acompanhar os indivíduos de forma holística.
DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo estão disponíveis com o autor correspondente mediante solicitação.
REFERêNCIAS
-
1 Centers for Disease Control and Prevention. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Groups at Higher Risk for Severe Illness [Internet]. Centers for Disease Control and Prevention; 2020 [acessado 2026 jun. 17]. Disponível em: https://www.cdc.gov/covid/index.html
» https://www.cdc.gov/covid/index.html -
2 Ahorsu DK, Lin CY, Imani V, Saffari M, Griffiths MD, Pakpour AH. The fear of COVID-19 scale: development and initial validation. Int J Ment Health Addict. 2022;20(3):1537-45. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00270-8
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00270-8 -
3 Miguel FK. Psicologia das emoções: uma proposta integrativa para compreender a expressão emocional. Psico-USF. 2015;20(1):153-62. https://doi.org/10.1590/1413-82712015200114
» https://doi.org/10.1590/1413-82712015200114 -
4 Ornell F, Schuch JB, Sordi AO, Kessler FHP. Pandemia de medo e Covid-19: impacto na saúde mental e possíveis estratégias. Debates Psiquiatr. 2020;10(2):12-6. https://doi.org/10.25118/2236-918X-10-2-2
» https://doi.org/10.25118/2236-918X-10-2-2 -
5 Goyal K, Chauhan P, Chhikara K, Gupta P, Singh MP. Fear of COVID-2019: First suicidal case in India. Asian J Psychiatr. 2020;49:101989. https://doi.org/10.1016/j.ajp.2020.101989
» https://doi.org/10.1016/j.ajp.2020.101989 -
6 Roy N, Amin M, Mamun M, Hossain E, Aktarujjaman M, Sarker B. Suicidal ideation among people with disabilities during the COVID-19 pandemic in Bangladesh: Prevalence and associated factors. BJPsych Open. 2023;9(1):E3. https://doi.org/10.1192/bjo.2022.615
» https://doi.org/10.1192/bjo.2022.615 -
7 Nunes MCP, Buss LF, Silva JLP, Martins LNA, Oliveira CDL, Cardoso CS, et al. Incidence and predictors of progression to chagas cardiomyopathy: long-term follow-up of Trypanosoma cruzi-seropositive individuals. Circulation. 2021;144(19):1553-66. https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.121.055112
» https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.121.055112 -
8 Martini N, Piccinni C, Pedrini A, Maggioni A. CoViD-19 e doenças crônicas: conhecimento atual, passos futuros e o projeto MaCroScopio. Recentes Prog Meds. 2020;111(4):198-201. https://doi.org/10.1701/3347.33180
» https://doi.org/10.1701/3347.33180 -
9 Eastin C, Eastin T. Clinical characteristics of coronavirus disease 2019 in China. J Emerg Med. 2020;58(4):711-2. https://doi.org/10.1016/j.jemermed.2020.04.004
» https://doi.org/10.1016/j.jemermed.2020.04.004 -
10 Rodriguez-Morales AJ, Cardona-Ospina JA, Gutiérrez-Ocampo E, Villamizar-Peña R, Holguin-Rivera Y, Escalera-Antezana JP, et al. Clinical, laboratory and imaging features of COVID-19: A systematic review and meta-analysis. Travel Med Infect Dis. 2020;34:101623. https://doi.org/10.1016/j.tmaid.2020.101623
» https://doi.org/10.1016/j.tmaid.2020.101623 -
11 Madjid M, Safavi-Naeini P, Solomon SD, Vardeny O. Potential effects of coronaviruses on the cardiovascular system: a review. JAMA Cardiol. 2020;5(7):831-40. https://doi.org/10.1001/jamacardio.2020.1286
» https://doi.org/10.1001/jamacardio.2020.1286 -
12 Aldien AS, Ganesan GS, Wahbeh F, Al-Nassr N, Altarawneh H, Al Theyab L, et al. Systemic inflammation may induce cardiac injury in COVID-19 patients including children and adolescents without underlying cardiovascular diseases: a systematic review. Cardiovasc Revasc Med. 2022;35:169-78. https://doi.org/10.1016/j.carrev.2021.04.007
» https://doi.org/10.1016/j.carrev.2021.04.007 -
13 Lima SBA, Sousa Júnior CP, Sobral RVS, Bezerra JM, Ampuero NFF, Malaquias AC, et al. Monitoramento de casos da doença de Chagas aguda no Brasil: um estudo descritivo. Res Soc Dev. 2022;11(4):e27311427487. https://doi.org/10.33448/rsd-v11i4.27487
» https://doi.org/10.33448/rsd-v11i4.27487 -
14 Brasil. Boletim Epidemiológico, doença de Chagas [Internet]. Brasil: Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde; 2021 [acessado em 2026 jun. 11]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2021/boletim_especial_chagas_14abr21_b.pdf
» https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2021/boletim_especial_chagas_14abr21_b.pdf -
15 G1. Mapa da vacinação contra COVID-19 no Brasil. G1. 2021 [acessado 2021 ago. 13]. Disponível em: https://especiais.g1.globo.com/bemestar/vacina/2021/mapa-brasil-vacina-covid/
» https://especiais.g1.globo.com/bemestar/vacina/2021/mapa-brasil-vacina-covid/ -
16 Lin CY. Social reaction toward the 2019 novel coronavirus (COVID-19). Asian J Soc Health Behav. 2020;3(1):1-2. https://doi.org/10.4103/SHB.SHB_11_20
» https://doi.org/10.4103/SHB.SHB_11_20 - 17 Asmundson GJG, Taylor S. Coronaphobia: fearandthe 2019-nCoVoutbreak. J Anxiety Disord. 2020;70:102196. Coronaphobia: fearandthe 2019-nCoVoutbreak. J AnxietyDisord.
-
18 Faro A, Silva LS, Santos DN, Feitosa ALB. The fear of COVID-19 scale adaptation and validation. Estud Psicol. 2022;39:e200121. https://doi.org/10.1590/1982-0275202239e200121
» https://doi.org/10.1590/1982-0275202239e200121 - 19 Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Critério de classificação econômica Brasil. Brasil: ABEP; 2008.
-
20 Matsudo S, Araújo T, Matsudo V, Andrade D, Andrade E, Oliveira LC, et al. Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ): estudo de validade e reprodutibilidade no Brasil. Rev Bras Ativ Fís Saúde. 2012;6(2):5-18. https://doi.org/10.12820/rbafs.v.6n2p5-18
» https://doi.org/10.12820/rbafs.v.6n2p5-18 -
21 Matsudo SM, Matsudo VR, Araújo T, Andrade D, Andrade E, Oliveira L, et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo: análise de acordo com o gênero, idade, nível socioeconômico, distribuição geográfica e de conhecimento. Rev Bras Ciênc Mov. 2002;10(4):41-50. https://doi.org/10.18511/rbcm.v10i4.469
» https://doi.org/10.18511/rbcm.v10i4.469 -
22 Carvalho PMM, Moreira MM, Oliveira MNA, Landim JMM, Rolim Neto ML. The psychiatric impact of the novel coronavirus outbreak. Psychiatry Res. 2020;286:112902. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.112902
» https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.112902 -
23 Hueb MFD, Loureiro SR. Revisão: aspectos cognitivos e psicossociais associados a Doença de Chagas. Psicol Estud. 2005;10(1):137-42. https://doi.org/10.1590/S1413-73722005000100016
» https://doi.org/10.1590/S1413-73722005000100016 -
24 Barone MTU, Villarroel D, Luca PV, Harnik SB, Lima BLS, Wieselberg RJP, et al. COVID-19 impact on people with diabetes in South and Central America (SACA region). Diabetes Res Clin Pract. 2020;166:108301. https://doi.org/10.1016/j.diabres.2020.108301
» https://doi.org/10.1016/j.diabres.2020.108301 -
25 Garcia R. Neurobiology of fear and specific phobias. Learn Mem. 2017;24(9):462-71. https://doi.org/10.1101/lm.044115.116
» https://doi.org/10.1101/lm.044115.116 -
26 Shin LM, Liberzon I. The neurocircuitry of fear, stress, and anxiety disorders. Neuropsychopharmacology. 2010;35(1):169-91. https://doi.org/10.1038/npp.2009.83
» https://doi.org/10.1038/npp.2009.83 -
27 Sabino EC, Ribeiro AL, Salemi VMC, Ianni BM, Nastari L, Fernandes F, et al. Response to Letters Regarding Article, ‘Ten-Year Incidence of Chagas Cardiomyopathy Among Asymptomatic, Trypanosoma cruzi-Seropositive Former Blood Donors’. Circulation. 2013;128(9):e137-8. https://doi.org/10.1161/circulationaha.113.004018
» https://doi.org/10.1161/circulationaha.113.004018 -
28 Simões MV, Romano MMD, Schmidt A, Martins KSM, Marin-Neto JA. Chagas disease cardiomyopathy. Int J Cardiovasc Sci. 2018;31(2):173-89. https://doi.org/10.5935/2359-4802.20180011
» https://doi.org/10.5935/2359-4802.20180011 -
29 Costa JA, Silveira JA, Santos SCM, Nogueira PP. Implicações cardiovasculares em pacientes infectados com Covid-19 e a importância do isolamento social para reduzir a disseminação da doença. Arq Bras Cardiol. 2020;114(5):834-8. https://doi.org/10.36660/abc.20200243
» https://doi.org/10.36660/abc.20200243 -
30 Molina I, Marcolino MS, Pires MC, Ramos LEF, Silva RT, Guimarães-Júnior MH, et al. Chagas disease and SARS-CoV-2 coinfection does not lead to worse in-hospital outcomes. Sci Rep. 2021;11(1):20289. https://doi.org/10.1038/s41598-021-96825-3
» https://doi.org/10.1038/s41598-021-96825-3 -
31 Hasslocher-Moreno AM, Saraiva RM, Silva GMS, Xavier SS, Sousa AS, Costa AR, et al. Chagas disease mortality during the coronavirus disease 2019 pandemic: A Brazilian referral center experience. Rev Soc Bras Med Trop. 2022;55:e0562. https://doi.org/10.1590/0037-8682-0562-2021
» https://doi.org/10.1590/0037-8682-0562-2021 -
32 Silva GMS, Mediano MFF, Murgel MF, Andrade PM, Holanda MT, Costa AR, et al. Corrigendum: Impact of COVID-19 in-hospital mortality in chagas disease patients. Front Med. 2022;9:963805. https://doi.org/10.3389/fmed.2022.963805
» https://doi.org/10.3389/fmed.2022.963805 -
33 Anez N, Crisante G, Salmen S, Paredes C, Parada H. Chagas disease / COVID-19 comorbidity. An advantage to chagasic patients? Rev Biomédica. 2022;33(3):105-13. https://doi.org/10.32776/revbiomed.v33i3.1054
» https://doi.org/10.32776/revbiomed.v33i3.1054 -
34 Aguiar MM, Barros MNS, Macedo A, Puccia MIR, Pereira AT. Escala de medo da COVID-19 - tradução e validação para a versão brasileira. J Hum Growth Dev. 2021;31(3):376-86. https://doi.org/10.36311/jhgd.v31.12604
» https://doi.org/10.36311/jhgd.v31.12604 -
35 Broche-Pérez Y, Fernández-Fleites Z, Jiménez-Puig E, Fernández-Castillo E, Rodríguez-Martin BC. Gender and fear of COVID-19 in a Cuban population sample. Int J Ment Health Addict. 2022;20(1):83-91. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00343-8
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00343-8 -
36 Doshi D, Karunakar P, Sukhabogi JR, Prasanna JS, Mahajan SV. Assessing coronavirus fear in Indian population using the fear of COVID-19 scale. Int J Ment Health Addict. 2021;19(6):2383-91. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00332-x
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00332-x -
37 Mahmood QK, Jafree SR, Qureshi WA. The psychometric validation of FCV19S in Urdu and socio-demographic association with fear in the people of the Khyber Pakhtunkhwa (KPK) Province in Pakistan. Int J Ment Health Addict. 2022;20(1):426-36. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00371-4
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00371-4 -
38 Reznik A, Gritsenko V, Konstantinov V, Khamenka N, Isralowitz R. COVID-19 fear in Eastern Europe: validation of the fear of COVID-19 scale. Int J Ment Health Addict. 2021;19(5):1903-8. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00283-3
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00283-3 -
39 Tsipropoulou V, Nikopoulou VA, Holeva V, Nasika Z, Diakogiannis I, Sakka S, et al. Psychometric properties of the Greek version of FCV-19S. Int J Ment Health Addict. 2021;19(6):2279-88. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00319-8
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00319-8 -
40 Bitan DT, Grossman-Giron A, Bloch Y, Mayer Y, Shiffman N, Mendlovic S. Fear of COVID-19 scale: Psychometric characteristics, reliability and validity in the Israeli population. Psychiatry Res. 2020;289:113100. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.113100
» https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.113100 -
41 Sakib N, Bhuiyan AKMI, Hossain S, Al Mamun F, Hosen I, Abdullah AH, et al. Psychometric validation of the Bangla fear of COVID-19 scale: confirmatory factor analysis and rasch analysis. Int J Ment Health Addict. 2022;20(5):2623-34. https://doi.org/10.1007/s11469-020-00289-x
» https://doi.org/10.1007/s11469-020-00289-x -
42 Coutinho LMS, Matijasevich A, Scazufca M, Menezes PR. Prevalência de transtornos mentais comuns e contexto social: análise multinível do São Paulo Ageing & Health Study (SPAH). Cad Saúde Pública. 2014;30(9):1875-83. https://doi.org/10.1590/0102-311X00175313
» https://doi.org/10.1590/0102-311X00175313 -
43 Nguyen HT, Do BN, Pham KM, Kim GB, Dam HTB, Nguyen TT, et al. Fear of COVID-19 scale-associations of its scores with health literacy and health-related behaviors among medical students. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(11):4164. https://doi.org/10.3390/ijerph17114164
» https://doi.org/10.3390/ijerph17114164 -
44 Sathler D, Leiva G. A cidade importa: urbanização, análise regional e segregação urbana em tempos de pandemia de Covid-19. Rev Bras Estud Popul. 2022;39:e0205. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0205
» https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0205 -
45 Tavares DMS, Fachinelli AMP, Dias FA, Bolina AF, Paiva MM. Preditores da qualidade de vida de idosos urbanos e rurais. Rev Baiana Enferm. 2015;29(4):361-71. https://doi.org/10.18471/rbe.v29i4.13359
» https://doi.org/10.18471/rbe.v29i4.13359 - 46 Fonseca AM, Paúl C, Martin I, Amado J. Condição psicossocial de idosos rurais numa aldeia do interior de Portugal. In: Paúl M, AM Fonseca, editores. Envelhecer em Portugal: psicologia, saúde e prestação de cuidados. Lisboa: Climepsi; 2005. P. 97-108.
-
47 Pessoa VM, Almeida MMC, Ferreira F. Como garantir o direito à saúde para as populações do campo, da floresta e das águas no Brasil? Saúde Debate. 2018;42(spe. 1):302-14. https://doi.org/10.1590/0103-11042018S120
» https://doi.org/10.1590/0103-11042018S120 -
48 Brazo-Sayavera J, Apolinario T, Trapé Átila A, Camacho-Cardenosa M, Camacho-Cardenosa A, Merellano-Navarro E. Influência da atividade física nos estados psicológicos de adultos durante a pandemia de covid-19. Medicina. 2022;55(2):e-192222. https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2022.192222
» https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2022.192222 -
49 Bezerra ACV, Silva CEM, Soares FRG, Silva JAM. Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de COVID-19. Ciênc Saúde Coletiva. 2020;25(Supl. 1):2411-21. https://doi.org/10.1590/1413-81232020256.1.10792020
» https://doi.org/10.1590/1413-81232020256.1.10792020 -
50 Lima Júnior LC. Alimentação saudável e exercícios físicos em meio à pandemia da COVID-19. BOCA. 2020;3(9):33-41. https://doi.org/10.5281/zenodo.3988664
» https://doi.org/10.5281/zenodo.3988664 -
51 Malta DC, Gomes CS, Barros MBA, Lima MG, Almeida WS, Sá ACMGN, et al. Doenças crônicas não transmissíveis e mudanças nos estilos de vida durante a pandemia de covid-19 no Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2020;24:E210009. https://doi.org/10.1590/1980-549720210009
» https://doi.org/10.1590/1980-549720210009 -
52 Lindemann IL, Simonetti AB, Amaral CP, Riffel RT, Simon TT, Stobbe JC, et al. Percepção do medo de ser contaminado pelo novo coronavírus. J Bras Psiquiatr. 2021;70(1):3-11. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000306
» https://doi.org/10.1590/0047-2085000000306 - 53 Evangelista LR. Associação entre autopercepção de saúde e mortalidade por todas as causas em idosos de Alcobaça, BA: Estudo Elsia [dissertação]. Uberaba: Universidade Federal do Triângulo Mineiro; 2022.
-
54 Ferreira AM, Sabino EC, Oliveira-da-Silva LC, Oliveira CL, Cardoso CS, Ribeiro ALP, et al. Influência contextual na pior autopercepção em saúde de portadores de Doença de Chagas: estudo multinível. Ciênc Saúde Coletiva. 2022;27(7):2827-42. https://doi.org/10.1590/1413-81232022277.01682022
» https://doi.org/10.1590/1413-81232022277.01682022 -
55 Cluver L, Lachman JM, Sherr L, Wessels I, Krug E, Rakotomalala S, et al. Parenting in a time of COVID-19. Lancet. 2020;395(10231):e64. https://doi.org/10.1016/s0140-6736(20)30736-4
» https://doi.org/10.1016/s0140-6736(20)30736-4 -
56 Lima CA, Oliveira AJS, Freitas WML, Lopes HHS, Montes GA, Silva PG, et al. Redução da renda familiar dos professores da educação básica de Minas Gerais na pandemia da Covid-19. Trab Educ Saúde. 2021;19:e00329160. https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00329
» https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00329 - 57 Brasil. Lei n. 13.982, de 2 de abril de 2020. Dispõe sobre parâmetros adicionais de caracterização da situação de vulnerabilidade social para fins de elegibilidade ao benefício e estabelece medidas excepcionais de proteção social a serem adotadas durante o período de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) responsável pelo surto de 2019, a que se refere a Lei n° 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. 2020.
-
58 Demenech LM, Dumith SC, Vieira MECD, Neiva-Silva L. Desigualdade econômica e risco de infecção e morte por COVID-19 no Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2020;23:e200095. https://doi.org/10.1590/1980-549720200095
» https://doi.org/10.1590/1980-549720200095 - 59 Almenfi M, Gentilini U, Orton I, Dale P. Social protection and jobs responses to Covid-19: a real-time review of country measures. Washington, D.C.: World Bank; 2020.
-
60 Dias JCP, Ramos Jr. AN, Gontijo ED, Luquetti A, Shikanai-Yasuda MA, Coura JR, et al. II Consenso Brasileiro em Doença de Chagas, 2015. Epidemiol Serv Saúde. 2016;25(esp.):7-86. https://doi.org/10.5123/s1679-49742016000500002
» https://doi.org/10.5123/s1679-49742016000500002
Editado por
-
Editor responsável:
Alberto Novaes Ramos Júnior https://orcid.org/0000-0001-7982-1757
