Este artigo analisa contribuições do conto Ordem a bom preço, de Primo Levi, para refletirmos criticamente a respeito do apagamento moral dos sujeitos na nossa sociedade científica e tecnológica. Para isso, construímos uma fundamentação teórica que realça discussões sobre o destino da razão e da ciência em tempos da amplificação do absurdo e sobre a necessidade do pensamento crítico em uma sociedade alienada. Trata-se de uma pesquisa qualitativa constituída por quatro unidades de análise: crença no progresso científico neutro e contínuo; funcionamento fantasmagórico da ciência e da tecnologia; relações entre ciência, tecnologia e interesses econômicos; e o papel prometeico da ciência na construção de mundos e objetos. Por meio de uma narrativa em torno de um produto tecnológico, o Mimete, o conto permite problematizar diferentes dimensões da ciência e da tecnologia em inter-relação com a dimensão ética e moral, trazendo implicações importantes nos horizontes da educação, da educação científica e da formação de professores.
Palavras-chave:
Primo Levi; ciência e tecnologia; histórias naturais; educação científica; formação de professores.