Você já se perguntou, durante a prática clínica, o porquê das manifestações das disfunções de deglutição serem tão heterogêneas? Por exemplo, um indivíduo pode envelhecer e passar por diferentes contextos de adoecimento e fragilidade com uma deglutição funcional ou, em outro cenário, pode apresentar diferentes formas de manifestação da disfagia. Para além das etiologias já conhecidas, quais seriam então os possíveis fatores associados ao desenvolvimento ou não de uma disfagia? Ao se debruçar sobre um livro de anatomia humana é possível compreender a complexidade das estruturas anatômicas e suas diferentes formas e correlações. Há anos observam-se inúmeras descrições na literatura em relação à variabilidade anatomofisiológica entre os indivíduos e como isso pode ou não promover alterações na funcionalidade. São incontáveis as variações anatômicas e fisiológicas conhecidas nos seres humanos. No entanto, a abordagem individual e personalizada sobre as relações anatômicas individuais da deglutição e seu impacto nas disfunções, programas terapêuticos e prognóstico ainda é escassa na literatura. Neste artigo vamos descrever um breve histórico das pesquisas em relação às variações anatômicas individuais na área da saúde e disfagia e o complexo contexto evolutivo do nosso corpo, na tentativa de refletir sobre o seguinte questionamento: seria possível alguns indivíduos apresentarem uma anatomia e/ou fisiologia naturalmente mais propensa a disfunções de deglutição? É evidente que a compreensão profunda da anatomia e fisiologia é fundamental para a atuação em disfagia, porém, acreditamos que outros aspectos futuramente deverão ser considerados para avaliação, planejamento e intervenção assertivas e personalizadas.
Descritores:
Anatomia; Fisiologia; Variação Biológica Individual; Disfagia; Deglutição