Este artigo oferece uma reflexão crítica sobre a prática filosófica com crianças e jovens em Porto Rico, baseada em experiências pessoais, comunitárias e institucionais. Por meio de projetos como Guailimanai, Filosofia para Crianças Porto Rico (FpNPR) e ZONA-FILO, explora-se como a filosofia pode ser uma ferramenta pedagógica transformadora desde a infância. Enfatiza-se a importância do diálogo filosófico, da participação familiar e do pensamento crítico enraizado em contextos de opressão. Inspirado na obra de Walter Omar Kohan (2018), o artigo estabelece um diálogo entre as propostas de Matthew Lipman e Paulo Freire. Enquanto Lipman buscava desenvolver habilidades cognitivas por meio do raciocínio lógico, Freire defendia uma educação voltada para a consciência crítica e a transformação social. O artigo amplia a discussão de Kohan ao abordar a noção de neutralidade educacional, argumentando que a neutralidade é uma ilusão em contextos marcados por desigualdades estruturais. A partir de uma perspectiva de pedagogia crítica, afirma-se que a educação é inerentemente política. A neutralidade, longe de garantir igualdade, pode tornar-se aliada do poder opressor. Assim, o artigo propõe uma prática filosófica comprometida, na qual educadores e aprendizes assumam posturas éticas diante de temas como colonialismo, gentrificação, feminicídio, racismo e adultocentrismo. Nesse contexto, a filosofia não busca impor pontos de vista, mas fomentar o diálogo sincero, o questionamento profundo e a ação transformadora.
palavras-chave:
filosofia para/com crianças; pedagogia crítica; neutralidade; transformação educacional