A cardiomiopatia arritmogênica é uma doença cardíaca rara em gatos, sendo caracterizada por atrofia dos miócitos ventriculares e substituição por tecido fibrogorduroso, predispondo a arritmias potencialmente fatais e a insuficiência cardíaca. Este estudo relata o caso de um gato macho, sem raça definida, de 12 anos, com episódios recorrentes de síncope, caracterizados por fraqueza súbita e alteração no nível de consciência. O exame físico revelou hipotermia, hipotensão e ritmo cardíaco irregular. As avaliações diagnósticas confirmaram doença renal crônica e cardiomegalia, com evidências ecocardiográficas compatíveis com cardiomiopatia arritmogênica. Contudo, apesar do tratamento com pimobendam e clopidogrel, a insuficiência cardíaca progrediu, culminando em hipotensão refratária e a necessidade de hospitalização. Além disso, a instabilidade hemodinâmica e a ausência de resposta ao tratamento indicavam prognóstico ruim, o que culminou na decisão de eutanásia. Posteriormente, a análise histopatológica pós-morte confirmou a presença de cardiomiopatia arritmogênica com comprometimento biventricular. Desta maneira, destaca-se a importância do diagnóstico precoce da cardiomiopatia arritmogênica felina, uma vez que, nos estágios avançados, a doença tende a apresentar curso refratário mesmo diante de intervenções terapêuticas. Logo, a confirmação histopatológica permanece fundamental, especialmente diante de apresentações clínicas atípicas, como síncope recorrente, em pacientes sem sinais evidentes de insuficiência cardíaca congestiva.
Palavras-chave:
arritmia cardíaca; cardiomiopatia; gato; insuficiência cardíaca; síncope
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