Psiquiatria e psicanálise são saberes distintos que integram o campo da Saúde Mental. A despeito da interface científica, tensões históricas sempre existiram entre elas. Os conceitos de coletivo de pensamento e estilo de pensamento, de Ludwik Fleck, serviram de referencial teórico para uma pesquisa qualitativa, cujo objetivo foi compreender as circunstâncias, motivações e sentidos da presença dos referenciais psicanalíticos, no âmbito da psiquiatria contemporânea. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, aplicadas a 47 profissionais de um curso de aprofundamento psicanalítico no IPq-HC/FMUSP. A análise de dados seguiu a Metodologia de Análise de Conteúdo de Bardin. Os fragmentos significativos foram identificados, codificados e organizados em 5 categorias temáticas, por meio do software ATLAS.ti. O presente artigo apresenta as 4 maneiras por meio das quais a presença de um coletivo de pensamento psicanalítico impacta a psiquiatria contemporânea, no que concerne à consideração da subjetividade: estímulo à escuta clínica ampliada, não reducionista; valorização da experiência subjetiva do profissional como fator formativo; percepção dos limites da racionalidade médica Moderna; ação como interrogante crítico no campo da saúde mental.
Palavras-chave:
Psiquiatria; Psicanálise; Coletivo de Pensamento; Pesquisa Qualitativa; Saúde Mental