Efetivamente, a análise de um Sistema de Saúde deve sempre atender aos determinantes de saúde da comunidade a que respeita, não podendo ignorar os respectivos constrangimentos sociais, incluindo os aspectos demográficos e culturais que moldam a sua evolução e a sua capacidade de mudança 1 .
Nesta perspectiva de comparação e troca de experiências o território de Manguinhos é um ótimo exemplo a ser destacado. Neste território-escola, as ações de serviço, pesquisa e ensino são potencializadas pela Escola Nacional de Saúde Pública.
No período da reforma este território também apresentou um incremento importante no sistema de saúde local, vale destacar a inauguração da Clinica da Família Victor Valla que levou consigo novas equipes implantadas no Centro de Saúde-Escola Germano Sinval Faria a atingir 100% de cobertura de Saúde da Família em um dos bairros com menor IDH da cidade. A grande expectativa é que este espaço sociossanitario com diversas metodologias, mas em especial utilizando a pesquisa avaliativa, possam desenvolver soluções e inovações para o Sistema Único de Saúde (SUS)2.
Também vale destacar as ações intersetoriais potencializadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal que reurbanizou várias áreas do bairro, a mudança do modelo de segurança pública local com a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e das diversas ações de desenvolvimento sócio educacional local, a criação da cooperativa dos Trabalhadores Autônomos de Manguinhos e uma forte presença na oferta de trabalho por parte da Fundação Oswaldo Cruz. Entretanto, apesar dos avanços nas ações intersetoriais, efetivamente não podemos ignorar a situação de extrema baixa renda local e a presença ostensiva do tráfico de drogas na região.
Como destaca a Professora Zulmira Hartz, a avaliação do processo local oferece à sociedade brasileira uma experiência em promoção à saúde ‘radical’, validada, reconhecida e, potencialmente possível de ser reproduzida como parte da Reforma dos Cuidados em Atenção Primária em Saúde (RCAPS) na cidade do Rio de Janeiro3.
Para concluir, e nos inspirar ainda mais, na contribuição dos autores, gostaríamos de (re)abrir o debate internacional ao convidar colegas para compartilhar e trocar experiências em curso nos dois países, Brasil e Portugal e também no mundo, para a análise dos sistemas e soluções em andamento.
Referências
- 1 Pineault R. Compreendendo O Sistema de Saúde para Uma Melhor Gestão. Brasília: Conass; 2016.
- 2 Engstrom E, Fonseca Z, Leimann B, organizadores. A experiência do Território Escola Manguinhos na Atenção Primária de Saúde Rio de Janeiro: Fiocruz; 2012.
- 3 Hartz Z, Bodstein R, Potvin L. Avaliação em promoção da saúde: uma antologia comentada da parceria entre o Brasil e a cátedra de abordagens comunitárias e iniquidades em saúde (CACIS), da Universidade de Montreal de 2002 a 2012 Brasília: Conass; 2014.
