| 73,68% dos enfermeiros e 67,7% dos médicos nunca participaram de treinamentos nessa área |
“...a própria formação médica. A gente nunca teve nenhum treinamento. Eu tenho 15 anos que eu estou na Secretaria de Saúde (...). Eu nunca tive nenhuma formação da Secretaria voltada para essa parte” (PS4) “...e eu acho que o terceiro pilar é a questão em como conduzir o tratamento. Beleza, você conseguiu, fez o diagnóstico, tem a ressonância ali, e aí você vai ter, não digo capacidade, mas treinamento para poder iniciar um tratamento, para saber que medicação?” (PS3) |
| Incerteza na diferenciação diagnóstica entre os sinais e sintomas da demência e o envelhecimento normal (70,76%) e a depressão geriátrica (66,15%) |
“...é um processo natural do ser humano (...) não é uma coisa só patológica, né? Pode ser patológico, mas é um processo natural do ser humano, todos vão chegar” (PS8). “Eu sempre relaciono demência com essa coisa de fim de vida, de velhice. (...) eu não sei o termo certinho se é uma degradação, uma regressão social, física ou psicológica” (PS2) “E diferencial também, né? Qual a demência? É diferente, uma demência senil, é Alzheimer, qual a demência?” (PS6) |
| 35,38% não costumam fazer uso de testes complementares − 73,38% dos médicos utilizam o MEEM e 63,16% dos enfermeiros não utilizam; 69,23% dos médicos e 89,47% dos enfermeiros não utilizam os testes de avaliação da capacidade funcional |
“Não sei usar escala, nunca apliquei [mas] é mais uma questão de aprender, de aplicar” (PS9) “A gente sabe que tem as escalas de atividade de vida diária, de atividade instrumental de vida diária, a mini avaliação no estado mental (...) porque a gente sabe que a gente pode fazer isso, que a gente tem esses instrumentos para nos auxiliar, mas infelizmente não é sempre [que usa]” (PS10) |
| ATITUDES Análise integrada: Atitudes positivas em relação ao tratamento e acompanhamento da pessoa que vive com a demência e sua família/cuidador são diferentes do discurso sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento |
| 41,8% dos profissionais acreditam que tratar a demência é mais gratificante que frustrante |
“Frustrados! Frustrados! Triste! Renegados! Impotente também!” (PS2) (sentimento do profissional diante das dificuldades) |
| 33,61% dos profissionais consideram que os pacientes com demência não esgotam recursos com resultado pouco positivo |
“Então, para um paciente com diabetes, se a gente prescreve a insulina e atinge a meta, ótimo. Se para um paciente que tem hipotireoidismo, e aí a gente corrige esse hipotireoidismo, viu o resultado do exame, ótimo. Aquela sensação de caixinhas, que a gente vai fazendo um checklist. Agora, na parte da demência é sempre aquela caixinha aberta que, às vezes, a gente não está resolvendo. Aí acaba que dá aquela impressão, novamente, que a gente não resolveu o motivo” (PS5) “...ele é um paciente problema, trabalhoso, que dá trabalho. Então você vai ter que fazer muito esforço que vai ocupar a sua agenda a mais, porque eu vou ter que fazer mais visitas, correr atrás do suporte” (PS8) |
| 41,8% não concordam que a equipe da APS tem um papel muito limitado no cuidado de pessoas com demência |
“Então, eu acho muito difícil lidar com doenças neurológicas, porque às vezes a progressão é sempre pior. O paciente, às vezes, não apresenta tanta melhora. Às vezes, no máximo vai estabilizar. Às vezes, vai fazer os cuidados, mas a nossa formação acaba sendo muito curativa. E, muitas vezes, a gente não vai (...). Na verdade, na demência, a gente não vai curar. A gente tem que fazer o cuidado. Então, eu tenho muita dificuldade. Muita dificuldade mesmo” (PS5) |
| ≈ 65% dos profissionais acreditam que é possível implementar estratégias eficazes para melhorar a qualidade de vida das pessoa que vive com a demência e de seus cuidadores |
“Tem tanta coisa boa para se fazer, né? E aí, por isso que a gente se frustra. Porque a gente sabe que, às vezes, no fim vai voltar para você aquele mesmo paciente, com aquele mesmo problema, com aquela mesma solução que você não vai conseguir resolver. (...). Me sinto impotente” (PS5) |
| PRÁTICAS Análise integrada: Profissionais de saúde possuem práticas pouco voltadas ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento da pessoa que vive com a demência e sua família/cuidador, e as que realizam são permeadas de dificuldades |
| 52,3% raramente realizam o diagnóstico; 36,92% o fazem ocasionalmente. Diagnóstico da demência frequentemente em estágio moderado (55,38%) |
“É porque eu acho que chega para a gente muitas vezes precoce! Como chega muito precoce, com muitas queixas, muitas coisas válidas, a gente tem que estabelecer que é uma demência” (PS1) |
| 75,38% alegam falta de tempo |
“Então, assim, eu tenho 14 pacientes lá fora aguardando e se a gente não consegue dar uma direcionada, você vai ficar ali uma hora naquela consulta. Você não tem uma hora para aquela consulta” (PS2) “A gente tem as limitações para os exames complementares. É mais uma etapa, mais uma demanda, demora bastante. Depois que você pode pedir a ressonância” (PS1) |
| ≈ 50% têm pouca confiança no diagnóstico que realizam, pois têm dúvidas quanto ao paciente realmente ter uma demência |
“A minha dificuldade, quando o paciente chega, assim, muito no começo, eu vejo essa dificuldade de falar, é uma demência mesmo!” (PS1) “Eu sei falar tudo o que você quiser de tuberculose, de demência eu não me sinto tão segura assim (...) a gente fica meio perdida dentro daquele quadro tão amplo, como fazer essa condução? Inclusive o diagnóstico” (PS4) |
| 40,16% concordam que a demência é mais bem diagnosticada em serviços especializados. 44,62% dos médicos encaminham mais de 75% dos pacientes para serviços especializados para confirmar o diagnóstico |
“Não, não, a médica encaminhou para o especialista: para o neuro. (...) até porque ela fala que [a demência] não é da alçada dela” (PS6) |
| Dificuldades para o tratamento e acompanhamento da pessoa que vive com a demência e sua família: complexidade do tratamento (56,92), indisponibilidade de medicamentos específicos (61,54%), escassez de tempo nas consultas (52,31%), e ausência de apoio multiprofissional e de retaguarda especializada, especialmente em casos de demência grave (66,15% dos médicos e 80,7% dos enfermeiros) |
“Eu acho que no fundo a gente tem muita dificuldade de ter essa equipe multidisciplinar. A gente não consegue fazer essa troca. Então isso faz a gente ficar sozinho ali. [Também] não tem remédio na unidade! (...) a gente vê uma dificuldade de acesso também ao especialista neurologista” (PS4) |
| Mais de 60% dos profissionais afirmam que habitualmente programam visitas domiciliares aos pacientes e suas famílias, mas 47,69% dos médicos 42,1% dos enfermeiros não planejam as visitas frequentemente |
“Às vezes quando tem que fazer visita eu falo assim: ‘Ah, eu tenho que ir lá ver aquele paciente’ (...). Então, você já pensa: ‘Ai, aquela visita!!!’ Parece como se fosse coisa de outro mundo. Como se você tem que fazer uma preparação psicológica para isso. Então, acontece!” (PS3) |
| 60% consideram que as necessidades dos cuidadores é um fator dificultador para o tratamento e acompanhamento das pessoas que vivem com a demência na APS |
“Então, essa questão de sobrecarga de família acaba ficando mesmo uma pessoa responsável e às vezes acaba nos faltando mesmo mecanismos para lidar, para conseguir auxiliar” (PS2) “Eu acho que uma questão minha, maior assim, não é com o paciente. Acho que a questão maior, de uma forma geral, quando a gente faz visitas para os pacientes é muitas vezes a família (...) sempre coloca empecilhos” (PS4) |