Este artigo analisa as reflexões de Hans-Georg Gadamer sobre o ato da tradução poética, tendo como eixo central uma entrevista concedida pelo filósofo em Heidelberg, em 28 de setembro de 2001, e uma correspondência prévia entre ele e sua tradutora brasileira, de 9 de julho de 2001. Partindo da tese da (in)traduzibilidade da lírica e do conceito de escutar junto (mithören) no ato tradutório, o estudo articula a posição gadameriana com os fundamentos da hermenêutica filosófica, explorando suas implicações para uma epistemologia da tradução. Com reflexões sobre a lírica de Paul Celan, tópico da entrevista e da carta, examinamos esse “acorde” entre ler, interpretar e traduzir no ato de “escuta” do tradutor. O artigo identifica e explora as tensões constitutivas na posição gadameriana, propondo que sua contribuição específica reside em compreender a tradução como ato hermenêutico transformador que exige escuta conjunta, fidelidade radical ao poema de partida e criatividade responsável na língua de chegada.
Palavras-chave
Hans-Georg Gadamer; tradução poética;
mithören
; hermenêutica filosófica; Paul Celan