As conjunções tradicionais (conectivos) já foram consideradas como responsáveis pelo estabelecimento das relações de sentido entre as orações que conectam, no mais das vezes, ignorando a relevância do co-texto (intradiscurso) para a produção do efeito. Da mesma maneira, também já se considerou que a relação de sentido produzida dependia apenas dos fragmentos/orações articulados entre si, neste caso, à revelia de suporte “implícito” (interdiscursivo) que funciona como premissa ideológica para a articulação. Com este ensaio, pretendo, considerando como suporte teórico a Análise de Discurso de linha francesa, colocar estas concepções em xeque e sustentar a hipótese de que, paralelamente a um conectivo específico e ao “conteúdo” das orações encadeadas, o que garante a articulação entre elas e a produção do efeito resultante se ancora sobre o que Michel Pêcheux (1995), pautado em Frege, designa como Terceiro Elemento ou Evocação Lateral, de cuja percepção resulta um ganho sobre a compreensão do funcionamento dos conectivos em geral e, sobretudo, do acesso a primados ideológicos que constituem uma determinada sociedade.
Palavras-chave:
discurso
;
conectivos
;
intradiscurso
;
interdiscurso
;
evocação lateral