Open-access Do impresso ao digital: uma trajetória de inovação e compromisso com as ciências da linguagem*

From print to digital: a journey of innovation and commitment to the language sciences

Revista D.E.L.T.A... 40 anos!! Uma jovem com uma carreira de sucesso, consolidada, “independente”, sem receio de mudança, inovação e experimentação, mas também sem perder de vista a responsabilidade, a ética e comprometimento com temas atuais na divulgação das muitas pesquisas na área da linguagem.

1985-2025... Uma grande revolução tecnológica ocorreu nesse período: com a chegada de computadores, internet e o mundo virtual, a DELTA passa do impresso ao digital. Da versão impressa me vem lembranças de trocas infinitas de correspondências com autores e pareceristas em meio a muitos papeis, diagramação, gráfica, envelopes, preenchimento manual de destinatários (etiquetas vieram depois...) e correio, além das atas de reuniões para registrar as decisões e planejamento dos números, feitas até hoje. E a logística para funcionar a engrenagem? Quem estava por trás de tudo isso? Professores, alunos-bolsistas, graduandos e pós-graduandos, funcionários... Desde lá, sempre houve muito trabalho voluntário. Para os leitores e professores-editores que estão hoje na ´linha de frente´, um pouquinho de história: nas décadas iniciais, tivemos vários docentes da nossa universidade que participaram do corpo editorial, com funções diversas, durante um certo período. Me lembro, com quem trabalhei mais de perto, em ordem alfabética, de Flamínia Manzano Moreira Lodovici, John Robert Schmitz (in memoriam), Sandra Madureira e Sumiko Ikeda, além daqueles que idealizaram a revista, Mary Kato, Leila Barbara (que não está mais conosco) e Kanavillil Rajagopalan, nosso querido professor Rajan, que mais uma vez nos presenteia, neste número, com um artigo - Translanguaging as a wrecking ball, a paradigm buster - and a potent weapon in the hands of the Global South, sempre levantando questões atuais e polêmicas que refletem o que estamos vivenciando nas investigações linguísticas, em cada momento.

Durante essas quatro décadas, o digital foi substituindo o impresso, até que em 2012, a revista deixou de ser publicada em papel. Durante alguns anos, mesmo já estando no SciELO, a DELTA continuava com a versão impressa, mas chegou um momento em que não tinha mais razão para assim permanecer; o chamado “eletrônico”, na época, veio para ficar. Com isso, algumas mudanças foram ocorrendo até a revista chegar ao leitor. O aperfeiçoamento dos recursos tecnológicos facilitou muito o processo. O contato com autores, pareceristas, revisores, era feito por correio ou e-mail, mas ainda por meio de sistema interno da universidade, que continha um banco de dados da revista. E... era em uma das salas do LAEL (quem conheceu sabe...) que ficavam os computadores (desktop, não laptop / notebook...) para se ter acesso ao sistema. Um “pouquinho” diferente de hoje.

Conforme registramos no número 17 especial (Barbara, Caltabiano & Ikeda, 2001),

aDeltapassou a ser a primeira revista da área de Linguística a integrar a "biblioteca eletrônica" SciELO -Scientific Electronic Library Online, que disponibiliza seus números desde 1997.

[...] Em 1996, uma consulta levada a efeito pelo CNPq, que na área de Letras e Linguística foi coordenada pelo prof. Luiz Antonio Marcuschi, apontou as melhores revistas brasileiras em cada área na opinião dos pesquisadores. De posse desses dados, a FAPESP, selecionou, em 1997, as 35 mais indicadas, que entraram no Projeto SciELO. A revista Delta foi a única da área de Linguística e Letras, e continua disponívelonline(www.scielo.br).

Em 2010, vários periódicos da nossa universidade foram inseridos ao Portal de Revistas Eletrônicas da PUC-SP, inclusive a Revista DELTA, que passou a utilizar o SEER - Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (http://revistas.pucsp.br/), o que veio facilitar o processo, como referido. A partir daquele momento, foi possível acessar os dados e os artigos da revista de qualquer lugar, como hoje. Ainda comparando as mudanças durante esses 40 anos, o que praticamente continua igual, até o momento, é o processo - o contato com autores, pareceristas, revisores e entre os editores para que a revista chegue ao público. Cada um dos membros tem grande responsabilidade em sua função, inclusive, também muito importante, os responsáveis pela ´arte final´, e diagramação, pelo envio do número para os portais. E aí, nessa fase, a necessidade de conhecimento técnico e especializado. Com o desenvolvimento dos recursos tecnológicos, o layout, os formatos foram sendo aperfeiçoados para que o texto pudesse, e possa, chegar adequado e visualmente agradável para a leitura do público1.

O presente número é um marco de 40 anos da DELTA. Retomo trechos do que escrevemos, do que escrevi em coautoria com a profa. Leila Barbara para a edição de 30 anos2

[...] Os números especiais da revistaDelta, desde 1992, têm homenageado linguistas brasileiros e divulgado trabalhos em áreas de interesse da comunidade acadêmica ou de eventos representativos, como é o caso dos volumes que estão no Scielo.

Nos últimos anos, receberam homenagem, entre outros, Ataliba Teixeira de Castilho (1998), Mary A. Kato (2000), Lúcia Maria Pinheiro Lobato (2007), Aryon Dall'Igna Rodrigues (2014). A visita de Noam Chomsky mereceu um volume especial em 1997, que traz suas conferências e entrevistas no Brasil e aDeltajuntou-se às homenagens a Joaquim Mattoso Câmara com uma publicação em 2004 pelo centenário de seu nascimento. O número organizado por Ataliba T. de Castilho, 30 anos da ABRALIN, em 1999, traz retrospectivas de diferentes estudos linguísticos, que também são contemplados em volumes especiais envolvendo Tradução (2003), Metáfora, Pensamento, Cognição (2002, 2006, 2010) Discurso em diferentes vertentes (2005, 2013), Autonomia (2008), Linguística Sistêmico-Funcional (2009, 2012).

Assim, nesses últimos 10 anos, além dos números regulares, as merecidas homenagens - Kanavillil Rajagopalan (2016), Anna Raquel Machado (2016), John Robert Schmitz (2019), Marilda Cavalcanti (2022) e as edições temáticas e comemorativas continuaram, com editores convidados de universidades nacionais e internacionais e que refletem a diversidade da área dos estudos da linguagem. Todos os artigos, de volumes temáticos e homenagens, como a profa. Leila fazia questão de registrar, passa(va)m por avaliações anônimas feitas pelos pares, seguindo os mesmos critérios dos números regulares. Hoje (2025), há um movimento de mudança em relação às avaliações: algumas revistas já têm adotado o sistema de revisão aberta, em que os autores e pareceristas não são mais anônimos e os preprints.

E foi também há uma década que registramos mudanças na comissão editorial (Barbara & Caltabiano, 2016). Tony Berber Sardinha passou a ser o editor-chefe em 2016, depois de praticamente trinta anos em que Leila atuou como editora, dos quais vinte estive ao lado dela, também no corpo editorial, aprendendo muito! Com o Tony, uma nova equipe, mesclada aos mais antigos, professores de várias partes do país, graças à tecnologia, dedicados e sendo reconhecidos em suas respectivas áreas e universidades. Como registrei em áudio, no Laelcast3, em 2020, ter idade é ter histórias para contar. A referência sobre alterações na editoria me faz lembrar do Tony e de trocas de correspondência durante o processo de avaliação dos seus primeiros trabalhos publicados na DELTA (v. 13, n.12, 1997; vol. 15.1,1999), provavelmente via correio ou e-mail, ele ainda em Liverpool, terminando o doutorado ou recém doutor. Era o Tony, trazendo novidades e começando a introduzir para nós, a Linguística de Corpus e, com ela, o que existe de mais avançado no seu campo de estudo, como o trabalho Corpus Linguistics and Artificial Intelligence desta edição.

Este número 41.4 traz dez artigos de pesquisadores dos diferentes campos da Linguística e da Linguística Aplicada, representando algumas regiões do Brasil e um da Espanha. E como não poderia deixar de ser, tratam de temas atuais, que estão provocando debates e muita reflexão, como ideologias de gênero e poder, luta antirracista, translinguagem, Inteligência Artificial, além da divulgação e avanços nas pesquisas, igualmente relevantes, na área de Ensino de língua portuguesa, Libras, Sociolinguística e Sociolinguística Histórica. Da Linguística Sistêmico-Funcional, entre os três autores que trazem sua contribuição ao número, estão Christian Matthiessen com quem Leila Barbara iniciou o Projeto SAL - Systemics Across Languages e Sara Cabral que dá continuidade ao projeto, coordenando o agora grupo de pesquisa Sistêmica, Ambientes e Linguagens, cadastrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq.

A seguir, uma síntese de cada um dos trabalhos, em que procuro trazer as vozes dos autores.

Em Contar histórias e o desenvolvimento dos processos discursivos em Libras por crianças surdas, Ana Claudia Balieiro Lodi analisa o desenvolvimento discursivo de duas crianças surdas ao longo de quatro anos de interação com um professor surdo, utilizando contos de fadas e lendas brasileiras em Libras. As produções das crianças, registradas por gravações em vídeo, permitiram reflexões sobre a construção de sentidos nos textos. Observou-se progresso no uso de elementos como marcadores temporais, diferenciação das pessoas do discurso e expressões faciais e corporais adequadas ao contexto. Os resultados indicam que a convivência em um ambiente comunicativo em Libras foi essencial para a formação discursiva e identitária das crianças como sujeitos surdos que se expressam em língua de sinais.

Célia Regina dos Santos Lopes tem dois objetivos principais no seu artigo A categorização de corpora diacrônicos no âmbito da Sociolinguística Histórica: questões teóricas e metodológicas: primeiramente, discute os princípios da Sociolinguística Histórica em comparação à Linguística Histórica e a Sociolinguística contemporânea, focando na metodologia para analisar fontes escritas do passado, especialmente quando não se tem informações biográficas sobre os autores. O segundo objetivo refere-se à aplicação de uma proposta metodológica para estudar o perfil sociolinguístico de duas mulheres cariocas a partir de suas cartas pessoais do início do século XX. A análise revelou diferenças no domínio da escrita entre as redatoras e destacou a presença de aspectos da oralidade nas cartas, evidenciando sua relevância para os estudos em Sociolinguística Histórica.

O trabalho de Christian M.I.M. Matthiessen tem o título de Transitivity in different registers: the system of process type. Nele, o autor investiga a variação de registro nas escolhas do sistema experiencial da gramática da oração, com foco no sistema de Transitividade, especialmente no tipo de processo (material, relacional, mental, comportamental, verbal e existencial). A partir de ampla análise manual de textos em diferentes registros do inglês, o autor apresenta resultados quantitativos sobre a frequência desses tipos de processo e resultados qualitativos sobre seus usos discursivos característicos conforme o registro. A análise mostra que os usos típicos de cada tipo de processo se relacionam ao campo de atividade do contexto comunicativo - isto é, ao que está acontecendo em determinada situação. O estudo dialoga com uma tipologia de registros baseada no contexto, desenvolvida pelo autor em trabalhos anteriores.

Dante Eustachio Lucchesi Ramacciotti, em As orações relativas resumptivas na norma culta da cidade do Rio de Janeiro em cinquenta anos (1973-2023) analisa a variação nas estratégias de relativização na norma culta do Rio de Janeiro, com foco nas relativas resumptivas - aquelas em que, conforme o autor, “um pronome ocupa a posição de relativização, recuperando a referência do antecedente da oração relativa”. A pesquisa baseia-se em dados de falantes com nível superior de escolaridade, coletados em três períodos (década de 1970, 1990 e 2023). Os resultados mostram que essa estratégia é condicionada por fatores estruturais, o que limita seu uso, mas sugerem um aumento ao longo do tempo, especialmente entre as mulheres.

Glenda Cristina Valim de Melo, por sua vez, em Race, discourse and intersectionality in the antiracist struggle in Brazil, analisa como discursos raciais circulam nas mídias brasileiras e internacionais e destaca o papel da linguagem na luta contra o racismo, acreditando que há esperança em discursos que valorizam a população negra e abrem espaço para resistência. Conforme a autora, no contexto educacional, a linguagem e o discurso são fundamentais para compreender como mecanismos de opressão se manifestam. Destaco aqui alguns trechos com os quais Glenda encerra o artigo e lança um desafio: “se a linguagem e o discurso podem matar, através deles também podemos fazer a vida recomeçar” [...], “podemos iniciar nossa luta antirracista, se estivermos dispostos a isso” [...] e “todos nós ficaremos melhor com nosso envolvimento”.

Quanto à Kanavillil Rajagopalan, em Translanguaging as a wrecking ball, a paradigm buster - and a potent weapon in the hands of the Global South, como referido, ele discute o fenômeno da translinguagem, considerando-a como uma arma potente nas mãos do Sul Global, ao descontruir paradigmas. Para o autor, a translinguagem também denota um certo posicionamento político. Trazendo outros pesquisadores que estudam o tema, fazendo relação com o (pos)colonialismo, Rajagopalan recorre a uma comparação: a transliguagem é semelhante à escolha de se vestir, muitas vezes de forma chamativa ou propositalmente excêntrica, extrapolando o senso de moda para se destacar dos demais e, assim, assumir uma postura política.

No artigo Scaling and indexing sexual anxiety in the Brazilian contemporary extreme right, Luiz Paulo Moita-Lopes e Branca Falabella Fabricio discutem o fenômeno da extrema direita contemporânea caracterizando-o como fascismo social, baseado na exclusão e inferiorização do outro, alimentado por redes sociais, biopoder e discursos sobre sexualidade. Segundo os autores, foi utilizado “o construto teórico-metodológico da trajetória textual como forma de analisar a construção de significados”. A partir desse construto, eles mostram como esses discursos circulam nas mídias sociais e reforçam ideologias de gênero e poder e defendem a necessidade de uma análise de aspectos micropolíticos da subjetividade e de uma epistemologia engajada que aponte para futuros alternativos.

Sara Regina Scotta Cabral, em Metáfora lógica: uma investigação interestratal em língua portuguesa, apresenta uma discussão da relação natural entre semântica e léxico-gramática na linguagem, destacada por Halliday, e explica que as metáforas gramaticais surgem da tensão entre esses estratos. Focando nas metáforas ideacionais - especialmente o subtipo lógico, o estudo analisa seu uso em dez teses recentes de um programa de pós-graduação brasileiro. As ocorrências de metaforização lógica por transcategorização em coisas, qualidades, processos e circunstâncias foram identificadas e examinadas por meio da ferramenta Voyant Tools. Os resultados apontam para a predominância de metáforas lógicas realizadas por processos e por grupos nominais ligados a causa/propósito e adição.

Em Corpus Linguistics and Artificial Intelligence, Tony Berber Sardinha defende que uma descrição multidimensional baseada em registros é adequada para caracterizar a linguagem gerada por IA em estudos de linguística de corpus. Para demonstrar isso, apresenta duas análises: uma voltada à gramática, aplicando a Análise Multidimensional Tradicional a textos de livros didáticos de inglês como língua estrangeira, e outra voltada ao discurso, usando Análise Lexical Multidimensional para examinar letras de músicas pop geradas por IA. Os resultados mostram diferenças marcantes entre textos produzidos por IA e textos humanos, em relação ao registro. Nos materiais de EFL, textos da IA são mais informativos, abstratos e impessoais, enquanto textos humanos apresentam maior envolvimento interpessoal, postura e engajamento. Nas letras de músicas, a IA produz discursos moralizantes de empoderamento que transformam conflitos históricos típicos do rap em narrativas genéricas de virtude.

E por fim, Wagner Rodrigues Silva, em Análise linguística pela educação científica, relata uma pesquisa colaborativa que busca tornar o ensino de gramática mais significativo no Ensino Fundamental, especialmente em escolas públicas. A partir da criação de um jogo didático em laboratório virtual, desenvolveu uma abordagem de análise linguística baseada em práticas investigativas, unindo gramática tradicional, linguística sistêmico-funcional e princípios da educação científica. Foram produzidos materiais multimodais com gêneros textuais diversos, integrando cores, sons, imagens e movimentos para apoiar o ensino. Além de contribuir diretamente para as aulas de Língua Portuguesa, o estudo busca, de forma indireta, popularizar as ciências da linguagem além do espaço escolar.

Termino esta apresentação do número comemorativo dos 40 anos da Revista Delta, recuperando mais uma vez o que escrevemos em 2001 (Barbara, Caltabiano & Ikeda, 2001). Tenho certeza de que Leila estaria endossando minhas - nossas - palavras:

Se o objetivo inicial do grupo de professores que idealizaram aDeltaera "preencher uma lacuna: a área não possuía um periódico de âmbito nacional" (na época, 1985) e o "objetivo primeiro da Revista era ser uma publicação com representatividade nacional, servindo à comunidade de linguistas do país, e não apenas uma revista da PUCSP", acreditamos que a meta foi alcançada: em todos esses anos se manteve ininterrupta e continua a ser reconhecida pela comunidade de linguistas e linguistas aplicados do País ao lado de outras publicações nacionais.

Referências

  • *
    Agradeço aos editores, especialmente à Maria Claudia Delfino, editora convidada e organizadora deste número especial, pelo convite para escrever a Apresentação.
  • 1
    Aqui quero deixar registrado a relevante colaboração de Paulo Roberto da Silva, que tem nos acompanhado desde o início dos anos 2000, responsável pela diagramação impecável e pelos trâmites até a publicação da revista na SciELO.
  • 2
    Volume 31 esp. 2015, em Uma palavra inicial https://doi.org/10.1590/0102-445092880563325347
  • 3
    LAELCAST - Podcast em que alunos e egressos do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da PUC-SP, contam sobre suas trajetórias de pesquisa, planos de carreiras. 24 de abr. de 2020. https://creators.spotify.com/pod/profile/laelcast/episodes/11--Maria-Aparecida-Caltabiano-ed6o6m
  • Disponibilidade de Dados
    Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

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Disponibilidade de dados

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Dez 2025
  • Data do Fascículo
    Oct-Dec 2025

Histórico

  • Recebido
    20 Nov 2025
  • Aceito
    20 Nov 2025
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