Resumo
Esta resenha analisa a tese Instrumentos Musicais nas Línguas Bantu e Herança no Português do Brasil, de Alzenir Menezes, destacando suas contribuições e limitações no campo da linguística histórica e da etnomusicologia. A obra propõe uma investigação lexical abrangente sobre nomes de instrumentos musicais em línguas bantu e sua projeção no português brasileiro, com base em reconstruções temáticas, dados do BLR3 e classificações onomasiológicas. Os capítulos dedicados às línguas bantu demonstram rigor metodológico e riqueza documental, enquanto o capítulo voltado ao contexto brasileiro apresenta lacunas importantes no uso de fontes e na articulação com comunidades locais. A resenha destaca a abordagem interdisciplinar de Menezes e sua articulação entre linguagem, música e identidade cultural, ao mesmo tempo em que aponta assimetrias analíticas e ausência de dados atualizados. Apesar dessas limitações, a tese representa uma contribuição relevante e inaugura caminhos promissores para pesquisas futuras sobre a herança linguística africana na diáspora.
Palavras-chave:
bantuísmos
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lexicologia histórica
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instrumentos musicais
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português brasileiro
Abstract
This review examines the dissertation Instrumentos Musicais nas Línguas Bantu e Herança no Português do Brasil, by Alzenir Menezes, highlighting its contributions and limitations in the fields of historical linguistics and ethnomusicology. The work presents a comprehensive lexical investigation of musical instrument names in Bantu languages and their projection into Brazilian Portuguese, drawing on thematic reconstructions, the BLR3 database, and an onomasiological framework. The chapters dedicated to Bantu languages demonstrate methodological rigor and rich documentation, whereas the chapter focused on the Brazilian context reveals significant gaps in source usage and engagement with local communities. The review underscores the author's interdisciplinary approach and her articulation of language, music, and cultural identity, while also pointing out analytical asymmetries and the absence of updated data. Despite these limitations, the dissertation stands as a relevant contribution and opens promising paths for future research on the African linguistic heritage in the diaspora.
Keywords:
Bantuisms
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historical lexicology
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musical instruments
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Brazilian Portuguese
A tese de doutorado Instrumentos Musicais nas Línguas Bantu e Herança no Português do Brasil, de Alzenir Mendes Martins de Menezes, publicada pela LOT (Netherlands Graduate School of Linguistics) em 2024, representa uma contribuição relevante para os estudos sobre a interface entre linguagem, cultura e música no espaço atlântico. Ao investigar o vocabulário relacionado a instrumentos musicais nas línguas bantu e seu legado linguístico no português do Brasil, Menezes propõe um diálogo interdisciplinar que mobiliza não apenas métodos da linguística histórica, mas também perspectivas etnomusicológicas e antropológicas. Em um cenário acadêmico marcado pelo crescente interesse na valorização das línguas africanas e de sua presença no português brasileiro, a tese se apresenta como uma tentativa de sistematização lexical e reconstrução histórica capaz de interessar a linguistas, historiadores, musicólogos e estudiosos da diáspora africana. O estudo descreve, compara e analisa os reflexos de 5.700 itens lexicais, identificados por meio de uma extensa revisão bibliográfica. A coleta de dados foi realizada principalmente no Royal Museum for Central Africa, na Bélgica, com base em suas coleções especializadas de instrumentos musicais e literatura relevante. A pesquisa foi ainda enriquecida por cruzamentos com fontes musicológicas fundamentais.
No contexto linguístico bantu, temas referem-se aos significados conceituais subjacentes às palavras (por exemplo, ‘tocar um tambor’), enquanto formas correspondem às suas expressões linguísticas específicas nas diferentes línguas. As análises apresentadas nos Capítulos 2 e 3 combinam pesquisa bibliográfica e o método comparativo — técnica da linguística histórica empregada na análise de estruturas e na reconstrução de proto-línguas. Com essa abordagem, o estudo identifica temas e formas: alguns já documentados no banco de dados Bantu Lexical Reconstructions (BLR3), outros propostos por Menezes em níveis proto-bantu, regionais e zonais. No Capítulo 4, esses elementos linguísticos são rastreados até sua influência nos termos de origem bantu relacionados a instrumentos musicais no português do Brasil. A tese também examina a difusão histórica desses instrumentos e sua importância cultural durante o período proto-bantu. As comparações entre étimos reconstruídos e termos de origem bantu no português brasileiro permitem localizar e analisar sua presença em diferentes zonas bantu.
A tese é estruturada em torno de quatro perguntas centrais de pesquisa. Em primeiro lugar, Menezes investiga quais temas bantu se destacam no vocabulário de instrumentos musicais, identificando padrões na reconstrução lexical. Em segundo lugar, analisa a profundidade dessas influências linguísticas, as classes nominais predominantes envolvidas e as motivações semânticas que orientam sua categorização. Em terceiro lugar, o estudo examina as contribuições do patrimônio linguístico bantu para a história do Brasil, especialmente no campo da terminologia musical. Por fim, a pesquisa identifica as regiões bantu onde os temas associados aos bantuísmos do português brasileiro se concentram com maior frequência, buscando lançar luz sobre a difusão histórica desses elementos lexicais. Essas perguntas norteadoras oferecem um quadro claro e coeso para o desenvolvimento da investigação.
O estudo demonstra que as classes nominais associadas à terminologia de instrumentos musicais nas línguas bantu são, em sua maioria, aquelas ligadas a objetos, ferramentas e ações. As motivações semânticas por trás desses nomes são moldadas, sobretudo, pela função, pela composição material e pelo modo de produção sonora dos instrumentos. Muitos termos têm origem em verbos que descrevem a forma como o instrumento é tocado (por exemplo, ‘percutir’, ‘dedilhar’ ou ‘soprar’), enquanto outros derivam de ideofones onomatopeicos que imitam o som que produzem. Além disso, processos de nomeação metonímica e metafórica também desempenham um papel relevante, com instrumentos sendo nomeados com base em sua semelhança com objetos naturais (como ‘chifre curvado’) ou por seu valor ritual e simbólico. Esses padrões linguísticos ressaltam a integração entre música, linguagem e identidade cultural nas comunidades falantes de línguas bantu.
O Capítulo 1 estabelece as bases da tese ao apresentar um panorama das pesquisas sobre instrumentos musicais no universo bantu. O capítulo inicia com a classificação desses instrumentos em quatro categorias: idiofones (instrumentos de percussão), membranofones (tambores), cordofones (instrumentos de corda) e aerofones (instrumentos de sopro). Em seguida, explora suas funções sociais, destacando seus papéis em rituais, comunicação, terapias, símbolos de poder, entretenimento e vida comunitária. Além disso, o estudo examina as técnicas de construção e de execução de diversos instrumentos, oferecendo uma compreensão aprofundada de sua relevância cultural e funcional. Ao integrar perspectivas antropológicas e linguísticas, o capítulo contextualiza essas observações em marcos culturais mais amplos. Estudos de caso ilustram a relação dinâmica entre práticas culturais e classificação linguística. Uma seção final analisa as características morfossêmicas dos nomes dos instrumentos, com apoio de tabelas que apresentam classificações nominais em línguas bantu. Essa seção também discute processos de inovação lexical, incluindo derivação verbal, metonímia e o papel dos ideofones onomatopeicos — alguns dos quais imitam sons de animais. Atenção especial é dada aos temas reconstruídos no banco de dados BLR3. Embora altamente informativo, o capítulo poderia se beneficiar de elementos mais interativos, como recursos visuais ilustrativos e maior acessibilidade às referências. A ausência de imagens, por exemplo, limita a capacidade do leitor de visualizar os instrumentos e seus detalhes intricados.
O Capítulo 2 adota uma abordagem onomasiológica no estudo da terminologia de instrumentos musicais em línguas bantu, com foco não apenas em temas já existentes, mas também em novos temas propostos. A onomasiologia examina como os conceitos são expressos linguisticamente e, dentro desse marco teórico, o capítulo analisa tanto os temas documentados no banco de dados BLR3 quanto aqueles identificados por Menezes. A tese categoriza os termos relacionados a instrumentos musicais em quatro grandes famílias: aerofones (trompas, apitos, flautas), cordofones (arcos musicais, cítaras, harpas e harpas com múltiplas cordas), idiofones (instrumentos de percussão direta e indireta) e membranofones (tambores e tambores de fricção). A pesquisa destaca variações regionais e a distribuição linguística desses temas, observando que, enquanto alguns são amplamente atestados em regiões de fala bantu, outros apresentam uma difusão geográfica mais restrita. Além disso, o capítulo identifica temas zonais com atestações fora do domínio linguístico bantu. Por meio da análise das classes nominais, padrões tonais e processos produtivos de formação lexical, o estudo refina significados, revisa interpretações anteriores e oferece subsídios esclarecedores sobre a evolução histórica e fonética desses termos. Esta seção é particularmente rica em material visual, contando com 40 figuras, 169 tabelas e 39 mapas que ilustram a difusão de itens lexicais bantu entre diferentes zonas linguísticas.
O Capítulo 3 apresenta resultados comparativos detalhados sobre o vocabulário de instrumentos musicais em diferentes regiões de fala bantu, oferecendo uma visão abrangente das variações e recorrências léxicas no continente africano. O capítulo examina os processos envolvidos na nomeação desses instrumentos, categorizando-os em quatro tipos principais: processos deverbais, ideofônicos, metonímicos e metafóricos. A discussão destaca a derivação verbal como mecanismo central, com muitos termos motivados por ações específicas de execução — como bater, soprar, friccionar ou dedilhar — e por estruturas fonéticas características dessas ações. A derivação ideofônica é especialmente relevante no caso de instrumentos de sopro e de percussão, baseando-se em formações monossilábicas, onomatopeicas e de forte carga expressiva. Já os processos metonímicos e metafóricos refletem associações com o material de confecção dos instrumentos, suas formas externas e também com significados culturais mais profundos, muitas vezes vinculados a rituais ou simbolismos tradicionais. Esta seção inclui 49 tabelas e 36 mapas que ilustram visualmente os reflexos identificados de temas bantu em diferentes zonas linguísticas, contribuindo para uma documentação visual expressiva. Esses dados comparativos oferecem uma perspectiva ampliada e analiticamente consistente sobre a distribuição histórica e a evolução da terminologia musical nas línguas bantu.
O Capítulo 4 examina a influência das línguas bantu no português do Brasil, com foco especial no vocabulário relacionado a instrumentos musicais e em suas possíveis continuidades culturais e linguísticas. O capítulo inicia destacando a importância das contribuições africanas para os estudos linguísticos brasileiros, ainda que a revisão de pesquisas anteriores sobre o tema seja relativamente limitada e pouco aprofundada. A principal contribuição desta seção está na identificação de bantuísmos presentes no português brasileiro relacionados a dezenove instrumentos musicais, associados a temas bantu conforme os critérios de classificação propostos por Maniacky (2009), oferecendo um ponto de partida relevante para futuras investigações lexicais. No entanto, uma limitação importante do capítulo reside na dependência quase exclusiva de uma única fonte — Angenot et al. (2013) — para a identificação de termos de origem bantu no Brasil. Embora valiosa, essa fonte consiste em uma compilação de registros escritos diversos, e não resulta de uma investigação linguística primária com abordagem sistemática. A pesquisa tampouco estabelece diálogo direto com comunidades afro-brasileiras, nem incorpora dados provenientes de acervos linguísticos ou musicológicos especializados existentes no Brasil — muitos dos quais poderiam ter enriquecido significativamente a análise. Essas ausências comprometem a confiabilidade dos resultados, restringem a profundidade interpretativa e geram um quadro comparativo assimétrico em relação à análise detalhada das línguas bantu desenvolvida nos capítulos anteriores.
Esta tese oferece uma contribuição valiosa e inovadora para a documentação e análise da terminologia relacionada a instrumentos musicais nas línguas bantu, bem como para a compreensão de sua difusão histórica ao longo do tempo e do espaço. O exame comparativo dos temas lexicais em diferentes regiões de fala bantu constitui um recurso linguístico e cultural de grande relevância, especialmente para pesquisadores atuantes nas áreas de linguística histórica, reconstrução de línguas africanas e estudos sobre empréstimos lexicais em contextos de contato linguístico. No entanto, os Capítulos 2 e 3 carecem de uma seção conclusiva que sintetize, de forma clara e sistemática, os resultados das análises desenvolvidas, o que deixa o leitor sem um panorama final das principais contribuições teóricas e empíricas apresentadas. A força desses capítulos reside na metodologia rigorosa e bem estruturada empregada ao longo do trabalho, que inclui o uso sistemático de acervos linguísticos e musicológicos especializados, a aplicação consistente de métodos da linguística histórica e o cruzamento criterioso de fontes relevantes. Por outro lado, esses mesmos critérios metodológicos não são aplicados de forma igualmente consistente ao contexto brasileiro analisado no Capítulo 4, o que enfraquece significativamente suas conclusões sobre o legado linguístico africano no português do Brasil e compromete, em parte, a comparabilidade entre as duas frentes principais da pesquisa.
No entanto, ao aplicar uma metodologia rigorosa, ampla e diversificada em termos de fontes e abordagens às regiões de fala bantu, mas recorrer a um tratamento mais limitado, pontual e fragmentado no que se refere ao contexto brasileiro, a tese acaba por introduzir um desequilíbrio analítico que compromete parte de suas conclusões mais amplas. Embora existam fontes linguísticas e etnomusicológicas relevantes, atualizadas e acessíveis sobre o Brasil — muitas delas produzidas por pesquisadores brasileiros ou vinculadas a centros de pesquisa especializados —, essas referências não são incorporadas ao estudo. Tal omissão limita significativamente a possibilidade de uma compreensão mais aprofundada de como os nomes de instrumentos musicais de origem bantu foram preservados, ressignificados, adaptados ou reinterpretados no interior das comunidades afro-brasileiras ao longo do tempo. Sem o enfrentamento dessas lacunas metodológicas e documentais, as afirmações sobre o legado linguístico bantu no Brasil permanecem parciais e incompletas, o que reduz o potencial de contribuição da tese aos debates contemporâneos sobre a herança linguística africana na diáspora e sobre os processos históricos de formação lexical no português brasileiro.
A tese também apresenta um padrão recorrente de negligência em relação a pesquisas disponíveis e fontes atualizadas, especialmente no que diz respeito ao tratamento de dados demográficos históricos, referências linguísticas contemporâneas e documentação lexical recente. Essa limitação metodológica compromete a atualização e a precisão da base empírica utilizada. Um exemplo claro desse problema é o uso de dados de Mattoso (2003) para abordar o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, apesar da existência de estudos mais recentes e de bases de dados amplamente reconhecidas, como o banco de dados SlaveVoyages (2019), que oferece estimativas mais detalhadas, revisadas e refinadas. A incorporação dessas fontes atualizadas teria contribuído de forma significativa para uma contextualização histórica mais robusta e precisa dos achados linguísticos apresentados na tese, além de reforçar a articulação entre léxico, história e diáspora africana. A ausência de tais referências, portanto, enfraquece a consistência histórica do trabalho e limita seu diálogo com a produção acadêmica mais recente.
Uma questão semelhante se manifesta na dependência da edição de 2001 do Dicionário Houaiss, apesar da disponibilidade de uma versão online continuamente atualizada, que incorpora revisões editoriais frequentes e novas entradas lexicais. Considerando que os dicionários passam por atualizações sistemáticas com o objetivo de refletir as transformações do uso contemporâneo da língua, o uso de uma edição desatualizada implica riscos metodológicos importantes — como o de ignorar atestações mais recentes, alterações semânticas relevantes ou mudanças no status de termos de origem bantu no português brasileiro atual. Em um contexto de crescente valorização e estudo da herança linguística afro-brasileira, uma abordagem mais criteriosa e atualizada teria exigido a consulta às versões mais recentes dessas fontes lexicográficas. A ausência dessa atualização compromete não apenas a precisão terminológica da pesquisa, mas também sua capacidade de captar a vitalidade e a permanência desses bantuísmos no uso linguístico contemporâneo. Tais omissões recorrentes acabam por limitar o alcance e a relevância da contribuição da tese para os estudos sobre influências linguísticas africanas no Brasil e sobre os processos contínuos de transformação do léxico do português brasileiro.
Além das questões metodológicas já apontadas, o texto apresenta também falhas editoriais que comprometem sua precisão, clareza e apresentação geral. Um exemplo notável encontra-se na página 589, onde Menezes afirma: “existe outro dado diferente, registrado por Alencastro (2000), estimando um número que passa de quatro mil escravos transferidos para o Brasil (de 1551 a 1870)”. A alegação de que apenas quatro mil pessoas escravizadas teriam sido trazidas ao Brasil ao longo de mais de três séculos suscita dúvidas relevantes quanto à acurácia na seleção dos dados, à interpretação das fontes e às práticas de citação adotadas no trabalho. Trata-se de um número consideravelmente inferior ao consenso historiográfico atual, o que sugere um possível equívoco na leitura ou na contextualização da fonte. Além disso, há falhas formais, como a presença de um cabeçalho incorreto na página referente ao Capítulo 4, identificado com o título do Capítulo 3 — erro que indica uma supervisão editorial falha ou insuficiente. Embora tais deslizes possam, isoladamente, parecer pontuais, seu acúmulo ao longo do texto contribui para uma percepção de falta de rigor na edição final da tese. Somados às inconsistências metodológicas previamente discutidas, esses problemas enfraquecem a confiabilidade do trabalho como um todo e reduzem seu impacto potencial no debate acadêmico sobre a herança linguística africana no Brasil.
Apesar das limitações metodológicas apontadas ao longo desta resenha — em especial, a assimetria entre a análise detalhada das línguas bantu e o tratamento mais restrito dado ao português brasileiro —, a tese representa um avanço significativo na documentação e análise do léxico de instrumentos musicais no mundo bantu e em sua projeção no Brasil. O trabalho oferece um repertório lexical amplo e bem estruturado, apresenta uma metodologia sólida na análise das línguas africanas e contribui para o aprofundamento do conhecimento sobre processos de formação vocabular, especialmente aqueles guiados por motivações semânticas e sonoras.
Sua abordagem rigorosa, baseada na linguística histórica, constitui um recurso valioso para pesquisadores que atuam nas áreas de classificação de línguas africanas, reconstrução de proto-línguas e estudos de empréstimos lexicais. No entanto, para que essa contribuição se estenda de maneira mais robusta ao campo dos estudos sobre o português do Brasil e a herança linguística afro-brasileira, seria necessário incorporar fontes mais atualizadas, ampliar o escopo empírico e estabelecer diálogo direto com comunidades e acervos especializados no Brasil.
Ainda assim, o trabalho de Alzenir Menezes abre caminhos frutíferos para futuras investigações, não apenas em contextos africanos, mas também no espaço da diáspora. Ao articular música, linguagem e identidade, a tese oferece uma perspectiva interdisciplinar promissora, que merece atenção e continuidade em pesquisas posteriores.
Referências
- Alencastro, L. F. de. (2000). O trato dos viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul Companhia das Letras.
-
Angenot, J. P., Angenot, G. de L. V., & Maniacky, J. (2013). Glossário de bantuísmos brasileiros presumidos Revista Eletrônica Língua Viva UNIR. https://www.periodicos.unir.br/index.php/linguaviva/article/view/724
» https://www.periodicos.unir.br/index.php/linguaviva/article/view/724 - Houaiss, A. (2001). Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa (Versão 3.0). Objetiva.
- Instituto Antônio Houaiss. (n.d.). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Edição online). Houaiss.
- Maniacky, J. (2009). Thèmes régionaux et africanismes brésiliens. In M. Peter & R. B. Mendes (Eds.), Proceedings of the Special World Congress of African Linguistics, São Paulo 2008: Exploring the African language connection in the Americas (pp. 153-165). Humanitas.
- Mattoso, K. M. de Q. (2003). Ser escravo no Brasil (J. Amado, Trad.). Brasiliense.
-
SlaveVoyages. (2019). The Trans-Atlantic Slave Trade Database https://www.slavevoyages.org
» https://www.slavevoyages.org
Editado por
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EDITORA GERAL:
Marcia Veirano Pinto http://orcid.org/0000-0002-0795-6297
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado na própria resenha.
