Intervenções psicossociais podem direcionar de forma diferenciada sintomas afetivos e cognitivos na demência leve, porém as evidências comparativas em instituições de longa permanência são limitadas.
Objetivo: Comparar os efeitos da Terapia de Reminiscência (TR) e da Terapia de Estimulação Cognitiva (TEC) sobre depressão, ansiedade e funcionamento cognitivo em idosos com demência leve residentes em instituições de longa permanência.
Métodos: Estudo quantitativo, quase-experimental, realizado com 24 participantes diagnosticados com demência leve, distribuídos igualmente entre TR (n=12) e TEC (n=12). Treze eram do sexo masculino e onze do sexo feminino. Os dados foram coletados por meio de um Formulário de Informações Sociodemográficas, da Escala de Depressão Geriátrica (EDG), do Inventário de Ansiedade de Beck (IAB) e do Mini Exame do Estado Mental (MEEM) padronizado. Ambos os grupos receberam 10 sessões semanais com duração de 90 minutos cada.
Resultados: Padrões distintos emergiram entre as intervenções. A TR mostrou-se mais eficaz para os sintomas emocionais: os sintomas depressivos reduziram significativamente (t(11)=8,26; p<0,001) e a ansiedade também apresentou melhora (t(11)=10,41; p<0,001). A TEC resultou em maiores ganhos no desempenho cognitivo (t(11)=-2,42; p=0,034), além de reduzir sintomas depressivos (t(11)=3,08; p=0,010) e de ansiedade (t(11)=5,05; p<0,001). Esses efeitos diferenciais sugerem mecanismos terapêuticos específicos.
Conclusão: Tanto a TR quanto a TEC podem oferecer benefícios psicossociais relevantes para idosos com demência leve. Os achados ressaltam a necessidade de estratégias de intervenção individualizadas, que considerem o perfil emocional e cognitivo de cada pessoa ao planejar cuidados em saúde mental em instituições de longa permanência.
Palavras-chave:
Demência; Depressão; Ansiedade; Cognição; Terapêutica