Há uma lacuna na literatura quanto ao conhecimento da população sobre a demência. Embora afete idosos mais frequentemente, não é inerente ao envelhecimento. A falta de conscientização contribui para a normalização do declínio cognitivo, atrasando a busca por serviços de saúde, o diagnóstico e o tratamento.
Objetivo: Avaliar o conhecimento da população sobre demência e sua relação com características socioeconômicas.
Métodos: Estudo transversal com questionário semiestruturado aplicado presencialmente a uma amostra por conveniência de residentes de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Realizaram-se análises estatísticas descritivas e inferenciais. Nível de significância adotado: p<0,05.
Resultados: Trezentos residentes foram entrevistados. Dentre eles, 189 (63%) desconheciam o significado de demência. Na regressão multivariada, maior renda esteve associada a maiores chances de conhecer sobre demência, em comparação ao grupo de menor renda (Odds Ratio ajustado [ORa]=4,29; intervalo de confiança de 95% [IC95%] 1,40–14,11; p=0,013]. Atuar na área da saúde (ORa=3,30; IC95% 1,24–9,66; p=0,021) ou ter familiares dessa área (ORa=2,16; IC95% 1,16–4,07; p=0,016) também aumentou a probabilidade de conhecimento. Observou-se conhecimento limitado sobre fatores de risco e uma normalização de sinais e sintomas da demência, frequentemente percebidos como parte da senescência.
Conclusão: Observou-se desconhecimento significativo sobre o tema, especialmente entre indivíduos socioeconomicamente vulneráveis. A demência não foi amplamente reconhecida como condição patológica e prevenível. Diante do envelhecimento populacional, este estudo fornece bases para futuras ações e pesquisas em saúde pública, objetivando ampliar o conhecimento sobre demência e promover intervenções precoces.
Palavras-chave:
demência; envelhecimento; atitude frente a saúde; letramento em saúde; disfunção cognitiva; fatores socioeconômicos