O texto interpela os diagnósticos e pânicos contemporâneos que veem uma situação de crise das ciências no Brasil. Se valendo de tais diagnósticos, propõe hipóteses reflexivas para repensar as relações e descontinuidades entre ciências e negacionismos. Contra o senso comum douto, argumenta que não é qualquer ciência que está hoje sob ataque, mas aqueles saberes e disciplinas mais diretamente vinculados a políticas públicas. Com base em surveys, argumenta também que não existe no país algo como um “movimento negacionista”, que seria o correlato exitoso de uma imaginária crise de confiança nas ciências. Em seguida, argumenta que ataques e grupos negacionistas são mais bem entendidos na tensão entre simetrização (boundary-work) e assimetria (falsas controvérsias). E, por fim, defende que é no caráter público dos alvos almejados (vacinas, universidades, políticas sociais, etc.) que confluem discursos negacionistas e neoliberais. São, enfim, hipóteses.
PALAVRAS-CHAVE:
Ciências; Política; Confiança; Crise; Negacionismo
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Fonte: Elaborado pelo autor.
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