Partimos da premissa de que a representação e o conceito estão diretamente relacionados quando se trata de ensino e aprendizagem de Química. Neste artigo analisamos dois episódios de ensino nos quais foram executadas performances corporais com o objetivo de investigar os significados produzidos nas aulas em que o corpo foi empregado para representar um ente químico. Esses episódios foram extraídos dos vídeos produzidos por dois grupos de pesquisa em ensino de Química. Foram evidenciados nas análises os recursos modais empregados pelos professores durante a representação com o corpo e os possíveis significados produzidos junto aos estudantes. A análise indicou que os estudantes perceberam o comportamento do ente químico nos sujeitos que representavam os átomos e que essa corporificação apresentou affordances que auxiliaram no entendimento dos conceitos explorados durante a performance. Os dados nos levam a argumentar que o corpo e os movimentos também produzem aprendizagens. Representar um ente químico usando o corpo se mostrou uma estratégia racional e afetiva no entendimento dos conceitos, o que traz implicações para a formação de professores no sentido de superar obstáculos epistemológicos e afetivos.
Palavras-chave:
Representação estrutural química; Performance corporal; Multimodalidade; Transições modais
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