O presente artigo tem por objetivo analisar, no contexto histórico, a implantação dos Institutos Federais (IFs) e a criação da carreira do professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), buscando problematizar o trabalho docente em sua complexidade. Recorremos a uma revisão integrativa da literatura sobre o tema. Os resultados obtidos mostram que os IFs passam a ocupar papel de destaque no sistema educacional brasileiro ao oferecer uma proposta de atuação acadêmica verticalizada, ancorada na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e materializada a partir da criação da carreira de professor do EBTT. Esta última, por sua vez, insere-se num espectro que pode oscilar entre os polos da inovação-precarização, sobretudo quando observada frente às demandas do projeto político neoliberal. Nesse sentido, chamamos a atenção para a necessidade de duas frentes de lutas que corroborem com o fortalecimento da identidade do docente do EBTT e do projeto desejado na lei de criação dos IFs. São elas: consolidação de uma formação político-pedagógica baseada nos fundamentos estruturantes e princípios educativos da instituição; a construção de uma “resistência por dentro”, que se desdobra na reelaboração crítica do conhecimento público por meio das ações de ensino, pesquisa e extensão, bem como na imbricação com as pautas dos movimentos sociais, sindicatos, organizações científicas, políticas, artísticas e culturais.
Palavras-chave:
institutos federais; carreira EBTT; atuação acadêmica verticalizada; inovação; precarização