A publicação do romance póstumo Um sopro de vida em 1978, de Clarice Lispector, e a biografia Esboço para um possível retrato em 1981, escrita por Olga Borelli, são objetos de análise deste artigo. Por meio dessa dupla de obras, o plano de coincidência entre “autenticidade” e “cumplicidade” que envolve Lispector e Borelli de uma perspectiva subjetiva na respectiva edição, nas publicações biográficas clariceanas e produções acadêmicas posteriores é revisto criticamente à luz da “tirania da intimidade”. O artigo revisa um ideal de transparência que permeia o gênero biografia, traçando um sobrevoo da vida da primeira biógrafa de Lispector, e complexifica noções como autoria e mediação editorial a fim de repensar os efeitos da intimidade tanto na força criativa quanto na força crítica da arte, da literatura e da biografia.
Palavras-chave:
Tirania da intimidade; crítica biográfica; mediação editorial; Olga Borelli
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