O presente estudo pretende analisar a formação continuada de educadores da educação básica realizada por um programa de extensão universitária, o FORMACAMPO, como estratégia de fortalecimento do ensino universitário. Com o Materialismo Histórico Dialético (MHD), o estudo compreende a formação docente como parte de um processo histórico determinado por contradições sociais, políticas e educacionais. Ainda que o texto não aprofunde todas essas contradições, destaca tensões vividas pelos sujeitos da prática educativa, como o descompasso entre as políticas públicas homogêneas e a diversidade das realidades do campo, a precarização das condições de trabalho e a distância histórica entre universidade e campo. Os dados, obtidos por meio de formulários aplicados entre 2021 e 2024, revelam um crescimento expressivo na adesão ao Programa e indicam que ele contribuiu para ampliar o acesso à formação continuada de educadores/as do campo, alcançar quase a totalidade dos municípios baianos e fortalecer a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Embora os avanços sejam significativos, os resultados também evidenciam limites estruturais que desafiam a efetivação das propostas formativas nos contextos escolares. Assim, o FORMACAMPO constitui-se como prática que tensiona a lógica excludente da educação oficial, articulando saberes produzidos na universidade e nas vivências da classe trabalhadora do campo e apontando caminhos para a construção de um currículo contextualizado e emancipador.
Palavras-Chave:
Docente Universitário; Formação; FORMACAMPO; Programa de Extensão; Universidade