As políticas de convivência escolar na América Latina oscilam entre lógicas formativas e punitivas, sendo o Chile um caso emblemático dessa hibridização. Este artigo examina a configuração discursiva da punição na Lei Aula Segura de 2018, utilizando a análise do discurso foucaultiana sobre o texto legal e documentos de sua tramitação legislativa. Foram identificadas cinco operações: a instrumentalização da convivência para a qualidade, a inversão da vulnerabilidade entre vítimas e perpetradores, a concentração do poder sancionador no diretor, a tradução do social em déficits individuais e a configuração de uma convivência empresarial. Essas operações reorganizam a convivência segundo critérios de mercado e legitimam a punição como ferramenta de gestão escolar.
Palavras-chave
Política Educativa; Punição; Disciplina Escolar; Análise do Discurso; Neoliberalismo