Este artigo visa a debater o livro intitulado (In)Confidências (2023), a obra mais recente da escritora guineense Odete Semedo, considerando o pensamento de Amílcar Cabral como chave de leitura. Em seu terceiro livro de poesia e quinto livro literário, Odete Semedo revela-se como sujeito singular e coletivo, que, ao mesmo tempo, mostra sua individualidade e o clamor social de seu povo, reforçando o caminho que vem trilhando desde sua primeira obra, em 1996. Neste artigo, pretendemos investigar as relações do passado - seja este ancestral, considerando a memória e a história dos povos constituintes do território da Guiné-Bissau, seja colonial, atentando para os benefícios e malefícios advindos da empreitada lusitana - e do presente em que se encontra a autora, os quais se materializam poeticamente nos versos da escritora. Para tanto, a discussão tratará de ancestralidade, herança literária e sociedade guineense, a partir das reflexões realizadas por Amílcar Cabral, Moema Augel, Honorat Aguessy, Linda Houtcheon, Julia Kristeva e Mikail Bakhtin.
Palavras-chave:
Odete Semedo; literatura da Guiné-Bissau; ancestralidade; política; herança literária