Este trabalho tem como foco central os dilemas na produção de conhecimento sobre corpo, emoções, comportamento e saúde nas neurociências de um ponto de vista etnográfico. Mais especificamente, aborda-se aqui o trabalho de um centro de pesquisas que realizava experimentos com universitários, militares e pacientes psiquiátricos. Centro este que tinha por intuito investigar questões relativas ao chamado transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), entre outras problemáticas relacionadas à violência urbana e, nos termos êmicos, “situações aversivas” da vida de um modo mais geral. Para compreender a centralidade adquirida pelo corpo nas práticas neurocientíficas de conhecimento, buscou-se acompanhar então o cotidiano efervescente das dinâmicas laboratoriais. Procurou-se ainda atentar para as controvérsias intrínsecas a uma atividade científica que discute possíveis ontologias para o humano e seus sofrimentos.
Palavras-chave:
corpo; memória traumática; práticas de conhecimento; etnografia de laboratório.