A partir de pesquisa em curso sobre a memória de eventos violentos, este ensaio volta-se para o exílio contemporâneo, como deslocamento forçado que muda as circunstâncias da vida, por imposições incontornáveis. Seja qual for sua forma e circunstância, o exílio, experiência disruptiva por definição, é atravessado pela dor. Com base nas figuras do exilado político, aquele que emerge nas ditaduras latino-americanas do século XX, e do refugiado, como figura emblemática do exílio atual, interroga-se o sofrimento como experiência subjetiva associada ao esvaziamento ou apagamento do sentido político do exílio em sua forma contemporânea. Discutem-se as implicações políticas e existenciais dessas categorias que, ao nomear, afetam vidas, forjando sentidos e práticas que evidenciam como vidas são diferencialmente afetadas pelos acontecimentos.
Palavras-chave:
exílio; vida; direitos; sofrimento