Sumário
História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Volume: 32 Suplemento 1, Publicado: 2025História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Volume: 32 Suplemento 1, Publicado: 2025
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CARTA DO EDITOR Coleções coloniais e pós-coloniais em Portugal: reconstituir trajetórias e repensar narrativas Pereira, Elisabete Simões, Catarina Lopes, Quintino |
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ANÁLISE Missões religiosas e património africano nos museus etnográficos: a circulação de umacoleção missionária reunida em Angola,entre o colonial e o pós-colonial Amaral, Ana Rita Resumo em Português: Resumo Este artigo aborda uma camada da história de uma coleção reunida pelos missionários da Congregação do Espírito Santo durante o período colonial em Angola. Essa coleção constituiu um museu missionário nas décadas de 1950 e 1960, sendo transferida, já depois do 25 de abril e da independência de Angola, para o então Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra, atual Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Revisita-se a pesquisa realizada sobre a coleção, considerando algumas questões levantadas em projetos recentes dedicados à “pesquisa de proveniência” de coleções coloniais, e abre-se a discussão sobre as coleções associadas à missionação como legados situados na intersecção entre religião, colonialismo e património.Resumo em Inglês: Abstract This article addresses one layer of the history of a collection gathered by missionaries from the Congregação do Espirito Santo during the colonial period in Angola. This collection comprised a missionary museum in the 1950s and 1960s, and after the April 25 Revolution and Angola’s independence was transferred to the Museum and Anthropology Laboratory at the University of Coimbra (now known as the Science Museum at the University of Coimbra). We reexamine research on this collection, considering some issues raised in recent projects dedicated to provenance studies on colonial collections, and discuss collections associated with religious missions as legacies where religion, colonialism and heritage intersect. |
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ANÁLISE Reflexões pós-coloniais sobre a coleção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian: António Ole, Grada Kilomba, Kiluanji Kia Henda e Mónica de Miranda Passos, Joana Filipa da Silva de Melo Vilela Resumo em Português: Resumo Partindo de conceitos propostos pelos estudos pós-coloniais – como a necessidade da revisão do arquivo histórico colonial, a crítica do eurocentrismo e a recuperação de memórias silenciadas –, procura-se promover uma renovação epistemológica do conhecimento ocidental, caracterizado, segundo as reconhecidas teorias de Said, Chakrabarty e Mignolo, como uma prática hegemónica, que marginaliza outras culturas e povos. Dada a atualidade e urgência dessas teorias, considera-se o reconhecimento e a valorização da arte moderna africana uma prática positiva, no sentido da renovação de ideias dominantes, transcendendo práticas eurocêntricas. Como exemplo concreto desse reconhecimento analisam-se quatro obras de artistas africanos, ou de ascendência africana, presentes na coleção da Fundação Calouste Gulbenkian, nomeadamente, António Ole, Grada Kilomba, Kiluanji Kia Henda e Mónica de Miranda.Resumo em Inglês: Abstract This article uses concepts of post-colonial studies (like the need to revise the colonial historical archive, critiques of Eurocentrism and recovery of silenced memories) to promote an epistemological renewal of Western knowledge, characterized by Said, Chakrabarty and Mignolo as a hegemonic practice that marginalizes other cultures and peoples. Given the topical and urgent nature of these theories, recognizing and valuing modern African art is a practice that can renovate dominant ideas and transcend Eurocentric practices. In a concrete example of this recognition, we analyze four works by African or African-descent artists featured in the Calouste Gulbenkian Foundation’s collection: António Ole, Grada Kilomba, Kiluanji Kia Henda and Mónica de Miranda. |
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ANÁLISE Experiências d’“Áfricas”: coleções de peças africanas de três artistas portugueses contemporâneos Rivera, Jorge Croce Resumo em Português: Resumo Antiga potência colonial, são frequentes em Portugal coleções privadas de peças oriundas das suas possessões em África. Reunidas, em geral, por membros da administração colonial, militares, comerciantes, simples colonos ou viajantes, hoje guardadas pelos seus herdeiros, elas encontram-se também em outros grupos: intelectuais, especialistas, empresários, galeristas ou artistas, entre outros. Neste estudo são consideradas as coleções de “arte africana” de três artistas contemporâneos de diferentes orientações estéticas – Cruzeiro Seixas, Eduardo Nery e José de Guimarães –, atentando-se às suas vivências e representações de “África”, aos modos de constituição das coleções e ao influxo das peças no percurso pessoal e na obra de cada um desses artistas.Resumo em Inglês: Abstract Because of its colonial history, Portugal holds many collections of African objects from its former possessions. They were generally gathered by colonial administrators, the military, merchants, simple settlers or travelers, and today are maintained by their heirs, but are also found among other groups including intellectuals, specialists, entrepreneurs, gallery owners and artists. This study looks at collections of “African art” belonging to three contemporary artists with different aesthetic orientations (Cruzeiro Seixas, Eduardo Nery and José de Guimarães) and considers their experiences and representations of “Africa,” how the collections came to be created, and the influence of these pieces on the personal career and work of each of these artists. |
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ANÁLISE As coleções coloniais da Universidade de Lisboa: critérios para a caracterização de patrimónios sensíveis Simões, Catarina Mateus, Catarina Godinho, Ana Resumo em Português: Resumo As coleções do Instituto de Investigação Científica Tropical foram integradas na Universidade de Lisboa em 2015, ficando o Museu Nacional de História Natural e da Ciência com a responsabilidade pela sua gestão, preservação e acesso. Esse património histórico-científico inclui arquivos, bibliotecas, coleções de história natural, arqueológicas e etnográficas, instrumentos científicos e o Jardim Botânico Tropical. As coleções foram, na sua maioria, constituídas no âmbito de missões científicas coloniais promovidas pelo Estado português nos séculos XIX e XX. Este artigo reflete sobre esse património à luz dos debates contemporâneos sobre os legados do colonialismo, apresentando o trabalho que o Museu tem desenvolvido no tratamento, na identificação e na caracterização das suas coleções histórica e culturalmente sensíveis.Resumo em Inglês: Abstract The collections of the Instituto de Investigação Científica Tropical were integrated into the Universidade de Lisboa in 2015, leaving the Museu Nacional de História Natural e da Ciência responsible for their management, preservation and access. This historical and scientific heritage includes archives, libraries, natural history, archaeological and ethnographic collections, scientific instruments and the Jardim Botânico Tropical. Most of the collections were created as part of colonial scientific missions promoted by the Portuguese government during the nineteenth and twentieth centuries. This article reflects on this heritage in light of contemporary debates on the legacies of colonialism, presenting the museum’s work to address, identify and describe its historically and culturally sensitive collections. |
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ANÁLISE Coleções coloniais em Portugal e suas invisibilidades: João Jardim e o Museu Municipal da Figueira da Foz Figueira, Maria Lopes, Quintino Pereira, Elisabete Resumo em Português: Resumo Conhecer os atores associados ao desenvolvimento das coleções contribui para rastrear os traços de colonialidade do discurso dos museus. O caso de estudo de João dos Santos Pereira Jardim, principal doador de uma coleção da seção de etnografia do Museu Municipal da Figueira da Foz, confirma que as campanhas militares nos territórios coloniais são momentos vitais de enriquecimento das coleções dos museus portugueses. Reconstituindo o percurso e o significado de dois objetos recolhidos por esse militar evidenciamos como essa tipologia de atores contribuiu para o crescimento das coleções e para as prevalecentes narrativas eurocêntricas dos museus.Resumo em Inglês: Abstract Learning about the actors associated with the development of collections helps trace the signs of coloniality in museum discourse. The case of João dos Santos Pereira Jardim, the main donor of a collection in the ethnography section of the Municipal Museum of Figueira da Foz, confirms that military campaigns in colonial territories were key to enriching the collections of Portuguese museums. By reconstructing the journey of this military officer and the significance of two objects he collected, we reveal how this type of actor contributed to the growth of collections and prevailing Eurocentric narratives in museums. |
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ANÁLISE Colecionismo e contextos coloniais no Museu Nacional de Arqueologia e Museu Municipal Santos Rocha, 1893-1930 Pereira, Elisabete Caldeira, Liliana Figueira, Maria Laevski, Francisca Ferreira, Ana Margarida Lopes, Quintino Resumo em Português: Resumo Mais de dois mil objetos transnacionais estão hoje no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, e no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz. Sua história está relacionada com o nacionalismo, o colonialismo e o desenvolvimento da arqueologia pré-histórica no final do século XIX e início do século XX. Cruzando múltiplas fontes e publicações de época, o artigo aborda o itinerário dessas coleções decorrentes, principalmente, das campanhas militares de ocupação de territórios africanos e das redes de poder que transportaram até Portugal múltiplos artefactos. As narrativas, descrições e categorizações eurocêntricas que perduram desde essa época mostram como a pesquisa de proveniência é fundamental para documentar e confrontar os legados coloniais dos museus.Resumo em Inglês: Abstract Over two thousand transnational objects (most with colonial origins) are currently in the Museu Nacional de Arqueologia in Lisbon and the Museu Municipal Santos Rocha in Figueira da Foz. Their histories are linked to nationalism, colonialism and the development of prehistoric archaeology in the late nineteenth and early twentieth centuries. This article cross-references multiple sources and periodicals to trace the journeys of these collections (primarily involving military campaigns in Africa) and the power networks that brought these objects to Portugal. The Eurocentric narratives, descriptions and categorizations that have endured since that time show how provenance research is essential to document and confront the colonial legacies of museums. |
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NOTA DE PESQUISA Coleções não europeias do antigo Museu de Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Gaspar, Rita Neves Resumo em Português: Resumo As coleções do antigo Museu de Antropologia da Faculdade de Ciências, criado em 1912, encontram-se integradas no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto. Com cerca de 125 mil objetos (arqueológicos, etnográficos, de antropologia biológica e numismática), o museu inclui algumas coleções de origem não europeia. Este trabalho pretende identificar as dinâmicas de incorporação das coleções etnográficas não europeias (cerca de 1.100 objetos) ao longo do século XX. Para tal, recorre-se ao levantamento das biografias dos objetos e coleções, identificando proveniências e atores associados, por meio das fontes documentais disponíveis. A identificação dessas dinâmicas de incorporação e documentação dos objetos possibilita vislumbrar como as mudanças de paradigma científico são vertidas para a organização das coleções nas instituições de memória.Resumo em Inglês: Abstract The collections of the former Anthropology Museum at the Faculty of Science (established in 1912) are now part of the Natural History and Science Museum at the University of Porto. The museum contains 125,000 objects in archaeology, ethnography, biological anthropology and numismatics, including some collections of non-European origin. This study investigates how the non-European ethnographic collections (around 1,100 objects) were incorporated throughout the twentieth century, examining documentary sources and surveying biographies of the objects and collections to identify provenance and associated actors. Exploring how objects were incorporated and documented allows us to glimpse how changes in the scientific paradigm reflect in the organization of collections in memory institutions. |
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