Open-access FALANDO COM AS PAREDES: ESPAÇOS DE SOLIDÃO E CLAUSURA EM JÚLIA LOPES DE ALMEIDA E CHARLOTTE PERKINS GILMAN

TALKING TO A BRICK WALL: SPACES OF SOLITUDE AND CLOISTER IN JÚLIA LOPES DE ALMEIDA AND CHARLOTTE PERKINS GILMAN

Neste artigo, analiso a representação da solidão feminina em obras de Júlia Lopes de Almeida e Charlotte Perkins Gilman. Há indícios de que Almeida tenha lido o conto “The yellow wallpaper” (1892), de sua contemporânea Gilman, e tenha se inspirado nele em pelo menos duas circunstâncias, como o artigo evidenciará. No romance Cruel amor (1911), de Almeida, a clausura (como no conto de Gilman) está na raiz da loucura feminina, é sua causa e consequência. Já no conto “No muro” (1898), não há precisamente clausura, mas isolamento, que permite à personagem um mergulho em suas memórias, por meio das quais ela acessa lembranças que preferiria ter deixado nas sombras. Trazer ao centro do palco a relação inédita entre a escritora brasileira e a norte-americana é um modo de sugerir que influxos externos serviram como estímulo para a ampliação dos recursos expressivos da escrita feminista brasileira.

Palavras-chave
autoria feminina; loucura; Júlia Lopes de Almeida; Charlotte Perkins Gilman

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