Eu deveria me sentir bem ao receber um prêmio por ativismo acadêmico? Por mais bem-intencionado que seja o reconhecimento do nosso ativismo, ele dilui o sentido do que é ativismo ao destacar uma pessoa só, especialmente acadêmica. O perigo de considerar o ativismo acadêmico como heroico é duplo. Primeiro, ele torna os ativistas excepcionais, insinuando que a sociedade pode confiar em indivíduos excepcionais em vez de valorizar o nosso corpo coletivo. Segundo, glorifica o ativismo de acadêmicos, como se este fosse mais valioso do que o de outros, ao mesmo tempo em que ignora as hierarquias que empoderam e protegem a academia. Em vez disso, sugiro normalizar o ativismo acadêmico, compartilhando a carga com quem está na linha de frente e usando nossos corpos como escudos. É possivel unirnos ao ativismo coletivo que se faz em constelação, valorizar o poder das emoções, e deixar assim que nossas ideias ganhem corpo à medida que nos tornamos acadêmicos ativistas.
Palavras-chave:
Política Incorporada; Ativismo Acadêmico; Corpo Coletivo