Este artigo analisa a expansão da agroindústria de etanol de milho no Brasil, destacando seus prováveis impactos socioambientais e contradições no contexto das mudanças climáticas e da transição energética. A pesquisa, fundamentada em referencial teórico crítico e em dados empíricos, demonstra que a produção de etanol de milho tem crescido aceleradamente, impulsionada por políticas públicas, incentivos financeiros e demandas do agronegócio. Embora apresentada como alternativa “sustentável” aos combustíveis fósseis, essa modalidade de agroenergia reproduz lógicas históricas de concentração fundiária, monocultura intensiva, uso excessivo de recursos naturais e agravamento de conflitos agrários. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em análise descritiva de dados oficiais e em informações coletadas por meio de observação direta e entrevistas não estruturadas realizadas em trabalhos de campo exploratórios em municípios do Centro-Oeste. O levantamento de dados secundários e empíricos sustentou a análise e interpretação do processo de expansão da agroindústria de etanol de milho no Brasil, observando princípios éticos de pesquisa. O estudo, ainda em andamento, indica que a expansão do setor tende a fortalecer grandes corporações agroindustriais, ampliar a degradação de ecossistemas, estimular o desmatamento e restringir a reforma agrária e a soberania alimentar. Assim, conclui-se que o etanol de milho não representa uma transição energética justa ou efetivamente voltada à mitigação das mudanças climáticas, mas sim a perpetuação de um modelo de desenvolvimento agroindustrial excludente, que subordina a natureza e as populações tradicionais à lógica de reprodução e acumulação do capital.
Palavras-chave:
Biocombustíveis; transição energética; territorialização do capital; desterritorialização; questão agrária
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Fonte: elaborado pelo autor (2025).