O presente artigo revisita pormenores da conhecida querela entre Artusi e Monteverdi salientando a exigência artusiana por um discurso musical racional que se justifique por seus próprios meios, sem dispor da autoridade da palavra. Por meio de revisão bibliográfica de textos de Artusi e de comentadores recentes, objetiva-se uma análise crítica de questões como: a qualificação objetiva ou subjetiva dos intervalos musicais, tomando para estudo de caso os intervalos de trítono; a independência da música em relação ao conteúdo semântico do texto e às finalidades sociais; e a qualidade essencial dos princípios musicais frente à emulação dos afetos. Tocando desacordos que são significativos ainda hoje, conclui-se que a análise aqui proposta ajuda a avaliar como a realização musical, conforme a perspectiva de Artusi, não se desassocia do âmbito moral.
Palavras-chave:
Prima e seconda prattica; trítono; consonância e dissonância; música e texto; história da teoria musical
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