Este trabalho é o relato da experiência de atendimentos remotos em um plantão psicológico, efetuado em um serviço-escola de uma universidade pública, durante o lockdown decorrente da covid-19. O novo formato foi proposto pela instituição ante à imperiosa continuidade do serviço prestado à comunidade acadêmica. Os atendimentos foram realizados diariamente, com duração média de 50 minutos cada, pelas plataformas Meet e Skype. A partir da noção de Sociedade do Cansaço, proposta pelo filósofo Byung-Chul Han, vê-se como o profissional se tornou um empreendedor de si, funcionando sob a lógica da autoexigência e desempenho perante as demandas de atendimento. Também se observa que a necessidade emergente de estar em movimento (a fim de se ver produtivo) propiciou a iminência de uma banalização dos afetos em relação ao outro; e que a exposição prolongada à tela fatigou o profissional, comprometendo o aspecto contemplativo, imprescindível à escuta própria do fazer clínico. Por fim, aponta-se a necessidade do compromisso, pelo profissional, de não assumir a posição de tecnocrata, sob risco de fazer rodar a engrenagem de uma produtividade alienada, nos moldes neoliberais, e de tomar o outro apenas como demanda de trabalho, abdicando da alteridade do outro. São apontadas aplicações dessa reflexão à prática profissional e ao autocuidado pelo psicólogo, como o engajamento em grupos de discussão de casos, rodas de conversas e tempo de descanso.
Palavras-chave:
Atendimento Online; Plantão Psicológico; Covid-19; Sociedade do Cansaço.