O objetivo deste estudo é problematizar a relação entre nossa época pandêmica e o surgimento de diferentes formas de patologização do sofrimento, bem como o consequente aumento do número de suicídios. Para tanto, buscamos, por meio de diferentes publicações recentes acerca do tema pandemia, trabalhos de autores brasileiros com posicionamentos e conclusões antagônicas sobre esses temas. Em associação, avaliamos dados estatísticos da Coordenadoria de Estatística do Instituto de Segurança Pública do Governo do Estado do Rio de Janeiro, acerca do número de suicídios no Rio de Janeiro no período de março a outubro de 2020 comparados ao mesmo período do ano 2019. Após este estudo e as reflexões a respeito da relação entre pandemia, doença mental e suicídio, concluímos que o número de suicídios não teve um aumento significativo durante a pandemia e que a escolha pelo morrer parece muito mais relacionada à decisão singular frente ao sofrimento do que propriamente a uma impossibilidade de decidir pelo caminho dito normal, como defendem as pesquisas aqui relacionadas.
Palavras-chave:
Suicídio; pandemia; liberdade