O artigo analisa várias traduções culturais (BACHMANN MEDICK: 1998; 2019), ou seja, a negociação dinâmica de significados, sob uma perspectiva transcultural (WELSCH: 2017) no ensino da língua alemã no Brasil. Apresentamos primeiramente uma retrospectiva histórica dos livros de ensino, nos quais observamos representações estereotipadas. Depois oferecemos exemplos de etnografia multissituada (MARCUS: 1995; 2011), derivada de um diário etnográfico. Assim sendo, introduzimos registros de observação participante, comentários e conversas de 2012 a 2024 sobre o ensino de alemão em sala de aula (para iniciantes, avançados e proficientes), em um instituto privado de língua e cultura alemãs no Rio de Janeiro, com a utilização dos livros didáticos Menschen (A2.2, B1.1, B1.2), Sicher (C1.1, C1.2) e Auf neuen Wegen (C2). Nos referimos especialmente à tradução cultural dos países e das pessoas de línguas alemãs e o diálogo com o culturalmente outro. Assim, apresentamos práticas pedagógicas além do eurocentrismo, em sala de aula, em uma excursão, em palestras culturais e na projeção de filmes em um cineclube. Por fim, nos referimos à interconectividade multimodal dessas atividades. Desse modo, descrevemos a projeção do filme alemão “A Massai Branca” (2005), que se passa no Quênia, junto com as aulas ministradas em que discutimos criticamente as relações (neo)coloniais dos países de línguas alemãs.
Palavras-chaves:
ensino de alemão; tradução cultural; transcultural; etnografia; eurocentrismo