A saúde pública no território transfronteiriço conformado por Puerto Iguazú, Argentina, Foz do Iguaçu, Brasil, e Ciudad Del Este, Paraguai, enfrenta barreiras na estruturação dos sistemas de saúde, materializadas por dificuldades institucionais na oferta de cuidado pela dinâmica complexa do viver no lugar. O espaço-entre a cidadania nacional e internacional, ao se deparar com as fragilidades, pode por vezes apresentar tensões advindas da escassez da oferta. O objetivo deste estudo é analisar os discursos da cidadania dos três lados da fronteira quanto a suas percepções sobre o fluxo da busca por saúde entre fronteiras e possibilitar trazer subsídios para a superação dos desafios transfronteiriços na saúde coletiva. Estudo qualitativo fundamentado na filosofia da existência. Foram realizadas 16 entrevistas semiestruturadas com a cidadania em instituições de saúde na fronteira trinacional. Os resultados indicam que ocorrem disputas cidadãs por políticas sociais de saúde. Esta configuração simbólica se afirma quando o si-mesmo pensa a cidadania nos três Estados e suas instituições de saúde, criando mundos divergentes sobre quem deve ter direito a atenção à saúde. Conclui-se que os discursos da cidadania denunciam sobretudo fragilidades importantes a serem enfrentadas pelos Estados nacionais e subnacionais para que se proteja a vida no território.
Palavras-chave:
Saúde Coletiva; Áreas fronteiriças; Organização e administração