Existe uma hierarquia de gênero que permite ou não a maternidade. Assim, o objetivo deste artigo é analisar os impactos da gravidez em mulheres usuárias de substâncias, localizadas na base dessa hierarquia, e a rede de assistência ofertada a elas, sob a perspectiva dos profissionais de saúde mental. Para isso, entrevistamos treze profissionais atuantes em quatro Centros de Atenção Psicossociais Álcool e Drogas localizada em São Paulo, capital. Utilizamos um método qualitativo em pesquisa: a entrevista em profundidade. Para análise, adotamos a perspectiva de análise hermenêutica, associada com discussões sobre as iniquidades em saúde produzidas pelas desigualdades de gênero. Como resultado, percebeu-se a maternidade compulsória decorrente de violência. Em contrapartida, as entrevistadas reconhecem que, quando desejada, a maternidade pode ser um fator de proteção para essas mulheres. Também acrescentam a vulnerabilidade da usuária e da criança frente ao desamparo do Estado, evidenciando a influência da maternidade no bem-estar das usuárias.
Palavras-chave:
drogas; maternidade; direitos sexuais; direitos reprodutivos; saúde.