Open-accessA mulher não existe”. E O homem?

The woman does not exist”. And what about the man?

La femme n’existe pas.” Et l’homme ?

La mujer no existe”. ¿Y el hombre?

Resumo:

A partir do aforismo lacaniano “A mulher não existe”, este artigo tem como objetivo interrogar se O homem existe. Para tanto, retomou-se a construção lacaniana sobre a inexistência dA mulher por meio das suas fórmulas da sexuação para, em seguida, fundamentar, a partir do próprio ensino de Lacan, considerações que permitem sustentar a inexistência do homem. Tal fundamentação foi acrescida de uma discussão sobre como a masculinidade tem sido pautada em discursos sobre o ideal viril que buscam lhe dar certa consistência, mas que na contemporaneidade fracassam em assegurar o que é um homem em função dos abalos na ordem patriarcal. Conclui-se, assim, que a masculinidade é plural e que a ideia de um conjunto fechado no qual todos se fazem semelhantes é apenas reflexo de uma monotonia sustentada na referência fálica.

Palavras-chave:
mulher; homem; inexistência; Lacan; sexuação.

Abstract:

Based on the Lacanian aphorism “The Woman does not exist,” this study aims to question if The Man exists. To this end, a review of Lacan’s construction on the nonexistence of The Woman was conducted via his sexuation formulas, followed by an exploration, grounded in Lacan’s own teachings, of considerations that support the nonexistence of The Man. This foundation is supplemented by a discussion on how masculinity has been shaped by discourses on the virile ideal that seek to give it some consistency, which, in contemporary times, fail to define what it means to be a man due to disruptions in the patriarchal order. This study concludes that masculinity is plural and that the idea of a closed set in which all are alike merely reflects a monotony sustained by the phallic reference.

Keywords:
woman; man; nonexistence; Lacan; sexuation.

Résumé :

Basé sur l’aphorisme lacanien «La femme n’existe pas », cet article interroge si L’homme existe. Pour ce faire, la construction lacanienne sur l’inexistence de La femme a été révisité à travers ses formules de la sexuation, suivie d’une exploration fondée sur les enseignements lacanienne des considérations qui nous permettent soutenir l’inexistence de L’homme. Ce fondement s’est complété par une discussion sur la manière dont la masculinité a été façonnée par des discours sur l’idéal viril qui cherchent à lui donner une certaine consistance mais qui, à l’époque contemporaine, échouent à définir ce que signifie être un homme en raison des bouleversements de l’ordre patriarcal. On conclut que la masculinité est plurielle, et que l’idée d’un ensemble fermé dans lequel tous sont semblables n’est qu’un reflet d’une monotonie soutenue par la référence phallique.

Mots-clés :
femme; homme; inexistence; Lacan; sexuation.

Resumen:

A partir del aforismo lacaniano “La mujer no existe”, este artículo tiene como objetivo cuestionar si El hombre existe. Para ello, se recuperó la construcción lacaniana sobre la inexistencia de LA mujer a través de sus fórmulas de la sexuación para fundamentarse, después, en las propias enseñanzas de Lacan acerca de las consideraciones que permiten sostener la inexistencia del hombre. Esta fundamentación se complementa con una discusión sobre cómo la masculinidad ha sido moldeada por discursos sobre el ideal viril que buscan darle cierta consistencia, pero que en la contemporaneidad fracasan en definir lo que significa ser un hombre debido a las disrupciones en el orden patriarcal. La conclusión es que la masculinidad es plural y que la idea de un conjunto cerrado en el que todos son semejantes es solo un reflejo de una monotonía sostenida por la referencia fálica.

Palabras clave:
mujer; hombre; inexistencia; Lacan; sexuación.

É possível recolher, ao longo do ensino lacaniano, uma série de aforismos que revelam um estilo particular de transmissão de conhecimento. Entre eles, temos: “A mulher não existe”. Sendo índice de controvérsia, ele foi capaz de despertar distintas reações entre as autoras feministas contemporâneas de Lacan, indo do júbilo ao rechaço, como afirma Rafael Cossi (2020). Sem dúvida um aforismo provocativo, que tem rendido inúmeros debates até os dias atuais. Para algumas teóricas feministas, esse aforismo foi tomado como a manutenção da lógica patriarcal e do machismo na psicanálise, pois seria mais uma estratégia de silenciamento no qual a mulher seria expropriada de sua identidade, em uma reiterada maneira de inferiorizá-la. Enquanto para outras, a tese de Lacan produziu uma desidentificação e desfalicilização que seria interessante ideológica e politicamente para o debate feminista. Ou seja, ao não essencializar o feminino - que, vale dizer, é uma tarefa produzida pela perspectiva masculina -, o aforismo lacaniano não limita um significado para a mulher, abrindo inúmeras possibilidades transformadoras, pois ela pode ser o que quiser (Cossi, 2020).

Se esse debate ainda tem o efeito de “chacoalhar” os que se fazem herdeiro do ensino lacaniano, pois os convoca a um trabalho de precisar responder e se posicionar diante de tais perspectivas críticas, por outro lado, tal proposição deixou intactas outras questões, especialmente no que concerne pensar sobre a inexistência do lado masculino. Podemos afirmar que a tese lacaniana permite supor que “O homem existe”? Estariam os homens isentos de precisar inventar sua própria masculinidade? A proposição de que existe um universal, de um modelo do lado dos homens, responde todas as questões que envolvem a sexuação masculina? Os homens também não precisam construir um saber-fazer com seu sexo? Estas são, portanto, as interrogações que nos conduzem na discussão ao longo deste texto.

A mulher não existe

A máxima “A mulher não existe” se inscreve em um momento de virada teórica do ensino de Lacan, especificamente no modo de abordagem do feminino. Essa virada pode ser localizada em seus seminários da década de 1970, em uma construção que atravessa os O Seminário, livro 18: De um discurso que não fosse semblante, O Seminário, livro 19: …ou pior e O Seminário, livro 20 - Mais ainda. Precisamente, o que se verifica Lacan elaborar é uma forma de pensar o sexual para além do Édipo, que inclui aceitar a proposição edípica, ao mesmo tempo em que aponta sua impossibilidade de dar conta de articular o que passa com a construção do feminino.

De modo mais preciso, Lacan propõe trabalhar a temática do sexual não somente pela perspectiva da identificação, com sua dimensão atributiva (fálico/castrado), mas pelo viés do gozo, a partir da lógica (todo fálico/ não todo fálico). Para inaugurar essa discussão, o pensador inventa uma palavra - sexuação - e faz dela um conceito que inclui pensar o sexual por meio do registro do real. Nesse caso, formalizar sobre a posição sexuada do sujeito, segundo Paola Francesconi (2014), avançaria em um terreno que não se restringe ao atributo natural/anatomia e simbólico/cultura, mas que se opera por meio de uma lógica de gozo que se distingue pela maneira de estar referido à função fálica, que, por sua vez, coloca uma série de obstáculos para realização da relação sexual - sendo, esta, uma consequência que Lacan irá extrair de suas fórmulas da sexuação, articulando-a com a ideia da inexistência dA mulher. Ou seja, trata-se de recorrer a lógica e a escrita como forma de apontar para aquilo que não pode ser escrito, no qual emana outro aforismo: “Não há relação sexual”.

Mas por que se servir da lógica e da escrita? Porque, para Lacan, no campo da palavra e da linguagem, toda combinação é possível. Seus efeitos metafóricos e metonímicos permitem levar a combinação e articulação de significantes a sentidos infinitos. Todavia, o registro da escrita introduz um limite e uma impossibilidade. Isso implica dizer que a relação entre homens e mulheres comporta ser enunciada por uma série de ficções, mas não pode ser propriamente escrita (Brodsky, 2008). Por outro lado, Lacan propõe as fórmulas da sexuação como uma forma de escrita, que pode ser tomada justamente como uma escrita lógica da não-relação sexual.

Ao referenciar-se nos preceitos lógicos, Lacan (1971/2009 argumenta: “O essencial da relação é uma aplicação, a aplicado sobre b: a → b” (p. 60)- o que implica dizer que toda relação só se sustenta a partir do escrito. Nesse ponto, então, encontra-se o limite e a impossibilidade de escrever a relação sexual, pois precisaria haver dois elementos, dois polos ou, ainda, dois conjuntos, de modo a produzir uma articulação entre eles. A pretensão de Lacan, pelo contrário, é justamente afirmar que um desses polos “não existe” enquanto um conjunto fechado sustentado por um universal. E esse conjunto é o das mulheres.

Essa articulação foi elaborada recorrendo precisamente à lógica aristotélica - uma lógica atributiva, expressa pelo: Todoaéb, algumcéa, logo,céb, que se estabelece por meio dos prosdiorismos: todos, alguns e nenhum, e tem como primeiro enunciado: Todos homens são mortais. Segue o silogismo aristotélico:

  1. Universal afirmativa (todo o A é B): todos os homens são mortais.

  2. Universal negativa (nenhum A é B): nenhum homem é mortal.

  3. Particular afirmativa (algum A é B): alguns homens são mortais.

  4. Particular negativa (algum A não é B): alguns homens não são mortais.

Lacan (1971/2009) sinaliza que tais enunciados buscam atender a uma universalidade, contudo, existe uma contradição em termos lógicos verificada na particular negativa. Por exemplo: Nenhum homem é mortal não desmente todos os homens são mortais, visto que sendo um verdadeiro, o outro é falso. Ou seja, eles se opõem de forma completa sem se contradizer. Todavia, na lógica aristotélica, se todos os homens são mortais, não é admissível que alguns homens não sejam mortais. Esse é o impasse de Aristóteles recolhido por Lacan para nomear a lógica do “não-todo”, enquanto uma abordagem para pensar o feminino. O não-todo é diferente de uma universal negativa. Ele não é o nenhum, nem o todos. E, portanto, segundo Brodsky (2008), ele afeta todos os universais, pois faz objeção ao universal afirmativo e negativo. A consequência, por sua vez, é que, ao serem negados, a própria existência fica indeterminada.

Lacan recorre a esse impasse para construir suas fórmulas da sexuação, ainda que não tome a lógica da mesma maneira que Aristóteles. Ou seja, o modo pelo qual Lacan organiza suas fórmulas não atende à relação de negação presente na base da lógica aristotélica. Ele produz enunciados independentes, na medida em que não se trata de fazer um negar o outro, de escolher entre verdadeiro ou falso. Seu interesse é justamente demarcar como um obstaculiza o outro, não permitindo a inscrição da relação sexual. Assim, o todo x não nega o não-todo, nem vice-versa. Se não se trata de um ser verdadeiro e o outro ser falso, a questão no ensino lacaniano é pensar como os sujeitos se repartem, se distribuem de um lado ou do outro (Lacan, 1971-1972/2012).

Além disso, Lacan (1971-1972/2012) não se utiliza propriamente das proposições todos, nenhum e algum por considerar que elas dariam margem a uma série de ambiguidades. Por conseguinte, ele força um pouco mais a discussão recorrendo à lógica matemática dos quantificadores - universal (Ɐx) e existencial (Ǝx) - para operá-los em relação com uma função F(x) - a função fálica. Isso, portanto, implicou reformular a discussão sobre o sexual na psicanálise. Dizendo de outra maneira: no último ensino de Lacan, passamos da forma atributiva de abordar o sexual em torno do ter ou não ter/ser o falo, para uma perspectiva na qual se busca pensar como os sujeitos se inscrevem ou não na função fálica, como ela se cumpre ou não para cada um, determinando seu modo de gozo. Ao propor esse novo arranjo, Lacan (1971-1972/2012) introduz, no Seminário 19, as seguintes fórmulas, tal como apresentada na Figura 1:

Posteriormente, essas fórmulas passaram a compor a parte superior do “Quadro da sexuação” (Figura 2), que pode ser encontrado no capítulo VII, de O Seminário, o livro 20 - Mais ainda. Lacan (1971-1972/ 2012) diz tratar-se de quatro inscrições que formam duas funções por seu pareamento. Nesse seminário, ele acrescenta que o lado esquerdo diz respeito aos sujeitos que estão totalmente submetidos à função fálica por seu gozo orientado pelo falo - o que localizaria o masculino. Já o lado direito corresponde àqueles que estão não-todo referido à lógica fálica, cujo efeito é uma modalidade de gozo suplementar, que inclui a função fálica, mas vai além - correspondendo ao feminino nos termos lacanianos (Lacan, 1972-1973/1985).

Figura 1
Fórmulas da sexuação

Vale salientar que as formulações lacanianas foram elaboradas há mais de 50 anos e que, portanto, se utilizam das formas históricas de descrever os gêneros, a partir dos significantes “homem” e “mulher”. Por outro lado, a discussão que Lacan privilegia não diz respeito aos papéis sociais, nem à anatomia, mas à modalidade de gozo, sendo mais interessante pensarmos essa temática a partir da ideia de como os sujeitos se distribuem em função do modo como respondem à função fálica. De um lado estariam aqueles que aderem e respondem totalmente à norma fálica, defendendo-se da face real do sexual por um enrijecimento da vivência corporal nos moldes masculino. Do outro, os sujeitos que a incluem, mas não completamente, abrindo a possibilidade de experimentar um gozo no corpo e não apenas restrito e fixado a um órgão ou parte corporal. Nesse caso, sobretudo, o lado “feminino”/“mulher” é muito mais abrangente, pois ultrapassa o domínio dos significantes.

Mas voltemos ao ponto central que nos interessa nesta discussão: a questão da existência/inexistência. A maneira inicial pela qual Lacan (1971-1972/ 2012) começa a formalizar o pareamento de quantificadores e de existenciais descritos na Figura 1 é situando que, no nível superior, demonstra-se: de um lado, o existe (xΦx¯) e, do outro, um não existe (x¯ Φx¯). No nível inferior, todavia, temos o todo x (xΦx) como um campo que define a função fálica, a submissão total à lei da castração, e, do outro lado, um não é toda mulher (x¯Φx) que se inscreve nessa função. Ou seja, o feminino está inscrito na lógica fálica, mas de forma não-toda, cuja articulação passa pela elaboração sobre a inexistência dA mulher.

Mas o que seria, para Lacan, afirmar que “A mulher não existe”? Tal aforismo, segundo Maria Josefina Fuentes (2012), busca localizar que o feminino comporta algo do real, e parte de seu gozo se inscreve fora da dialética falocêntrica - permanecendo, portanto, fora da linguagem no sentido de que não há nome no inconsciente que possa representá-la. O que não é o mesmo de dizer que infinitos nomes não possam surgir nessa tentativa de nomear e circunscrever algo sobre o feminino.

Nos termos lacanianos “A mulher, isto só se pode escrever barrando-se o A. Não há A mulher, artigo definido para designar o universal” (Lacan, 1972-1973/1985, p. 98). A barra no “A” busca, nesse sentido, designar a impossibilidade de escrever, de nomear, de encontrar um significante que possa designar a mulher em termos universais. Isto é: não encontramos do lado mulher um significante que forneça suporte para a construção do feminino, no qual se poderia afirmar: “Todas as mulheres…”.

Mas por que não há um universal do lado feminino? Em que se fundamenta a inexistência das mulheres? As leituras psicanalíticas também podem seguir tons e destaques distintos, apostando em uma visada que vai de uma leitura das consequências para o feminino de não inscrição no universo simbólico à possibilidade de subversão que o não-todo comporta. Para Vinicius Lima (2024), “existir” significa ser reconhecido em um universo discursivo socialmente partilhado - no caso, nosso universo enquanto pertencente à cultura ocidental seria o patriarcal. Ou seja, existir é ter um lugar na linguagem. As mulheres não teriam esse lugar, pois a medida de padrão é o falo. Essa medida é usada para ler - precariamente, vale dizer - os corpos por meio da presença e ausência, sendo o feminino considerado a ausência, a falta em termos discursivos. Assim, conclui Lima (2024): “Numa cultura em que a universalidade é tradicionalmente uma prerrogativa masculina, tendo o falo como operador da partilha dos corpos no laço social, o significante d’A mulher passa a ocupar aí um lugar de inexistência” (p. 277).

Complementando essa perspectiva, Lima (2024) chama atenção para o caráter violento da fundação do universal na medida em que ele é constituído pela segregação e exclusão daquilo que contrapõe a universalidade. Todavia, o autor considera que estar no lugar de exclusão da universalidade fálica não significa uma inferioridade, mas, pelo contrário, a lógica do não-todo admite uma indeterminação e uma maior liberdade, na medida em que admite um caráter subversivo daquilo que faz norma.

Fuentes (2012), por sua vez, destaca que Lacan, ao afirmar que a “A mulher não existe”, não tem a intenção de com isso desvalorizar a existência das mulheres - corroborando a lógica patriarcal e fálica de rechaço ao feminino. Seguindo a autora, é possível pensar justamente o contrário: a lógica falocêntrica que localiza apenas as mulheres como castradas e faz do falo a medida fracassa ao tentar nomear o que é “A mulher”. Esse foi o ponto no qual Freud não soube avançar.

Nessa direção, Cossi (2020) pondera que Lacan buscou com esse aforismo tratar as especificidades do feminino para além do regime patriarcal. O autor nos lembra que Lacan não ignorava o efeito discursivo de tal regime ao localizar o feminino de forma aviltante. Não é à toa, considera Cossi (2020), que Lacan tenha mencionado o quanto os ditos sobre as mulheres ao longo da história eram depreciativos, infamantes - como categoricamente denuncia o movimento feminista. Nas palavras de Lacan (1972-1973/1985): “é de origem que a gente a diferencia. A gente a dif…ama, a gente a diz fama. O que de mais famoso, na história, restou das mulheres é, propriamente falando o que delas se pode dizer de infamante” (p. 114-115)1.

Nesse sentido, Cossi (2020) complementa: “Lacan quer desatrelar mulher dos atributos inferiorizantes que lhe foram imputados, sem fazer com que ela suma, preservando seu caráter subversivo também quando recorre à lógica - ou para formalizar logicamente a transgressão inerente à posição feminina” (p. 258). Mais ainda, ele pondera que a indeterminação do lado feminino e a impossibilidade de saber sobre seu gozo (pois é da ordem da experiência própria), é uma forma de romper com o pensamento masculino de ditar o que é uma mulher e o que cabe a ela, notadamente a partir do discurso que aproxima feminino e maternidade, relegando-a certos papéis sociais de gênero.

Assim, é possível pensar que, no lugar de produzir mais um dito infamante, o aforismo lacaniano também deixa o campo feminino em aberto. Frente ao real do sexo dA mulher, o que há é um vazio a ser preenchido por semblantes que cada mulher precisará inventar para tentar circunscrever seu ser feminino e seu gozo. Esse trabalho de construção do feminino é, todavia, singular, fruto de uma invenção, que não está dada de antemão (no biológico), nem tem onde se agarrar (no simbólico), visto que implica consentir com a falta de fundamento, suportando a instabilidade da experiência de um gozo não-todo.

O Homem existe?

Partindo do aforismo lacaniano sobre a inexistência da mulher, caberia nos perguntarmos, como fez Carlos Drummond de Andrade:

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?

um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?

Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?

E não perde o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta

nem lhe subtrai
da doação do pai?
Como se faz um homem?2
(Andrade, 2013, p. 28)

Após fazer uma série de outras indagações sobre o homem, Carlos Drummond de Andrade (2013) encerra seu poema com a seguinte interrogação: “Mas existe o homem?”. Esta, portanto, é a pergunta que orienta este trabalho. Desdobrando um pouco mais: o que Lacan quis demonstrar ao trabalhar com os quantificadores existenciais sem barra (xΦx¯), localizando-se do lado do homem? A ideia de um universal, de um modelo do lado dos homens, encerra a discussão sobre a sexuação masculina? O masculino não demanda um trabalho de invenção?

Para avançar com essas questões, consideramos necessário, portanto, retomar as formulações de Lacan presente no Quadro da sexuação (Figura 2).

Figura 2
Quadro da sexuação

A partir da tábua da sexuação, é considerado “homem” o sujeito que se inscreve totalmente na lógica fálica, para além de sua anatomia. Nesse caso, a resposta diante do enigma sexual é sustentada por meio da identificação viril e da ostentação fálica, na qual uma das formas de satisfação pulsional opera mediante o estabelecimento da relação com o outro a partir do enquadre de sua fantasia $◊a. Lacan (1972-1973/1985) formaliza essa inscrição a partir dos quantificadores universais e existenciais, respectivamente: xΦxexΦx¯.

xΦx deve ser lido nos seguintes termos: para todo x, para todo sujeito, há a inscrição da função fálica. Ou seja, os sujeitos que aderem a essa lógica a cumprem como um todo, estando submetidos à função fálica. Além disso, isso implica se relacionar com o parceiro por intermédio de sua fantasia, fazendo-o causa do seu desejo - o que muitas vezes envolve uma modalidade de gozo limitado a um órgão e à eleição de uma fantasia de penetrante e objetificação da alteridade.

Por outro lado, essa universal afirmativa só pode ser tomada como verdadeira ao ser sustentada por uma particular negativa: a exceção, o ao menos um, descrita pela fórmula correspondente a seu pareamento - xΦx¯. Esta, por sua vez, implica estabelecer que existe um x, ao menos um, que nega a função fálica. Ela corresponde a um limite no todo-fálico. Entretanto, ela se sustenta por um caráter mítico expresso na figura do Pai da Horda - um x que nega a castração (Lacan, 1972-1973/1985). Bessa (2012) entende que, nesse caso, o Pai da Horda instaura um limite, pois impõe a todos os filhos que se submetam à lei da castração.

Portanto, se no campo feminino falta um universal e uma exceção que fundamente o conjunto, do lado do homem, essa exceção é localizável, todavia, ela é mítica e nunca existiu. E se ela existe, vale dizer, é na fantasia do sujeito. Isso, contudo, promove todo tipo de engodo, pois o masculino se constrói com a ideia de que existe “Um Homem”, mas que nunca é o próprio sujeito. Nas entrelinhas da discussão sobre a existência, afirma Lacan (1971/2009):

não se pode fundar nada do status do homem, visto pela experiência analítica, senão juntando artificialmente, miticamente, o todohomem com o suposto homem, o pai mítico, de Totem e Tabu, isto é, aquele que é capaz de satisfazer o gozo de todas as mulheres. (p. 133)

Ou seja, o que existe é um suposto homem. Nesse caso, não podemos deduzir do ensino lacaniano que O homem exista. E, categoricamente, Lacan (1971/2009) adverte:

O homem é uma função fálica na qualidade de todo homem. Mas como vocês sabem, há enormes dúvidas incidindo sobre o fato de que todo homem existe. É isso que está em jogo - esse só pode sê-lo na qualidade de todohomem [touthomme], isto é, de um significante, nada mais. (pp. 132-133)

Em outras palavras, isso significa dizer que a sexuação masculina, segundo Lacan, é estruturada a partir de uma ficção, que tem no mito Totem e Tabu sua expressão. Em outros termos, nascer com o órgão do macho, o pênis, não oferece suporte para o processo de construção masculina. Este só se opera por meio de uma articulação entre linguagem e gozo. Lacan (1972-1973/1985) nos indica que o discurso, o significante, ao tocar no corpo, é causa de gozo. Assim, linguagem e gozo se articulam. Nesse sentido, é possível pensar que a interpretação do sexual na cultura ocidental por meio do significante fálico é capaz de produzir modalidades distintas de gozo no modo como ele toca no corpo, que aponta para como o sujeito o aceita, o adere, o recusa ou o subverte. O masculino, portanto, é aquele que aceita, consente e testemunha no corpo e no modo de gozar a lógica fálica.

Sobre os efeitos da linguagem no corpo, diz Lacan (1969-1970/1992): “O homem, o macho, o viril, tal como o conhecemos, é uma criação de discurso - nada, pelo menos, do que dele se analise pode ser definido de outra maneira. Não se pode dizer o mesmo da mulher” (p. 57). O discurso, por sua vez, Lacan (1971/2009) o situa como um semblante - um recurso imaginário e simbólico que envelopa o vazio, buscando dar conta do real. No caso do terreno sexual, o semblante busca dar conta da falta de saber quanto ao próprio sexo. O que é um homem? O que se faz com o próprio corpo e o corpo do outro? No fundo, nada sabemos, e só podemos contar com os discursos sobre o sexual advindos do campo do Outro para nos orientarmos, ainda que seja para rechaçá-lo ou produzir invenções.

Precisamente, Lacan (1971-1972/2012) afirma que o corpo é o suporte do discurso. Isso, então, permite pensar, juntamente com Lacan, que os corpos masculinos têm servido de suporte para os discursos pautados no ideal viril, que igualaram, desde a Antiguidade greco-romana até os dias atuais, masculinidade e virilidade. A noção de viril comporta um ideal, que constrói um modelo fundado na ideia de que o homem precisa ser forte, ter coragem, ser potente sexualmente, além de se relacionar por meio da dominação e demonstração de poder. Nesse enquadre, a reposta agressiva aos impasses e o embrutecimento dos afetos também são marcas do viril. O ideal viril constitui-se como um horizonte daquilo que os homens deveriam ser, cujos efeitos se produzem no campo de seu gozo e em seu circuito pulsional dos mesmos, bem como em suas formas de laço social. Esse ideal se insere, portanto, em uma construção histórica sobre a virilidade no Ocidente, mas que Lacan, seguindo a tradição freudiana, recorre à mitologia, precisamente, ao mito Totem e Tabu, para articular a discussão da sexuação do homem (Bonfim, 2022).

Os discursos pautados no ideal viril orientam a construção de corpos petrificados, autocentrados, autoerotizados, a serviço de si mesmo, limitados quanto à sua sensibilidade e expressividade, que colocam uma série de impasses para a relação com o outro, especialmente no que concerne ao terreno do amor. Logo, eles têm por efeito balizar e limitar a experiência de invenção no terreno masculino, como se existisse uma única maneira de ser homem. Ser homem é igual a ser viril.

Se os discursos em torno do masculino buscam igualar masculinidade e virilidade, não se trata, contudo, de supor que isso responda por completo ao enigma do que é ser homem. Nessa direção, Jimenez (2008) afirma que não devemos acreditar que do lado do homem exista alguma definição quanto a seu sexo, como se essa reposta só tivesse ausente do lado feminino. Ela nos adverte que a hipótese lacaniana apresenta uma complexidade maior e tende a demonstrar que as categorias de homem e mulher não existem, pois são definições vagas - ou, nos termos lacanianos: significantes, semblantes - que denunciam a inadequação do falasser quando o assunto é seu sexo.

De acordo com Jimenez (2008), Lacan trabalhou de forma mais detalhada a falta de um significante que pudesse promover a inscrição do ser dA mulher, localizando a partir daí uma maior abertura ao infinito no que se refere ao campo do gozo, bem como a necessidade de invenção do feminino como consequência dessa falta de fundamento no campo simbólico. Isso, porém, não implica supor que, do lado do homem, o enigma quanto ao sexual esteja resolvido, e o saber-fazer com seu próprio sexo esteja garantido pela dimensão simbólica, ainda que ele possa tentar se amparar nos discursos sobre a virilidade.

Jimenez (2008) escreve ainda que tanto os homens quanto as mulheres não encontram recursos consistentes no corpo que lhe garantam a respectiva construção do masculino ou feminino. Ainda que haja uma série de definições do que seja o papel viril - que, vale dizer, são formas imaginárias de dar sentido ao significante “homem”, como lembra Lima (2024) -, isso não apazigua a inquietação a respeito do ser sexual dos homens. Pelo contrário, do seu lado, isso promove uma régua, uma medida, que os coloca em dúvidas para saber se cumprem ou não os requisitos da virilidade. O que costuma, todavia, ser comum é o reconhecimento que não são tão viris assim e a tentativa de suprir essa defasagem por meio de uma série de esforços para parecer “ser homem”, para parecer que “existem”, para parecer que eles possuem o falo.

Para concluir: por que desvelar a hipótese da inexistência dO homem?

Ainda que os homens tenham buscado escapar e se proteger da inconsistência quanto a seu sexo por meio de uma identificação com aquele que nega a castração - como estrutura a lógica da sexuação lacaniana -, isso não os livra de precisar produzir um saber-fazer com sexo e inventar sua forma de ser homem. Essa invenção, contudo, tem sido obstruída pela exigência de que exista uma única maneira de viver o masculino - o que promoveria a ideia de um conjunto uniforme e fechado de homens, decorrente da conformidade à lógica do todo-fálico. Um conjunto no qual os homens estariam totalmente integrados à classe à qual pertencem, sendo cada um deles o próprio exemplo do universal em uma aspiração à hegemonia. “O fato é que um homem se faz O homem por se situar a partir de Um-entre-outros, por entrar-se entre seus semelhantes” (Lacan, 1974/2003, p. 558).

A frase “Os homens são todos iguais” é paradigmática. No entanto, ela nos impede de considerar que a masculinidade é atravessada por aspectos culturais, sociais, psíquicos, raciais e de orientação sexual, que acarretam diferenças no modo de viver o ser homem. Não podemos pensar que a construção da masculinidade de um homem branco heterossexual é a mesma de um homem negro ou de homem homossexual. Seria a mesma experiência construir-se homem na periferia do Rio de Janeiro ou no Nordeste? Cremos que não. E a clínica atesta os impactos que essas particularidades produzem na constituição subjetiva e nas possibilidades/impossibilidades de circulação no laço social. Basta, como analistas, estarmos dispostos a realizar esta leitura, que ela salta aos olhos - ou melhor, aos ouvidos. Lembremos que o homem tomado como universal é branco, europeu, heterossexual, de classe média e sem deficiências, e que, portanto, ela não contempla a nossa realidade de país colonizado. Como propõe Lima (2024), desconsiderar essa questão é promover uma universalidade abstrata e descorporificada, supostamente neutra, na qual se inviabiliza os privilégios e marcas que cada corpo possui. Nessa direção, Lima (2024) afirma:

A ilusão de que os homens seriam “todos iguais” - e, portanto, igualmente, não marcados por uma construção sócio-histórica de gênero - já seria uma operação performativa do discurso que busca ocultar as instabilidades e as tensões internas que caracterizam as disputas por hegemonia no campo das masculinidades. (p. 36)

Além disso, igualar todos os homens é tomar o masculino como um dado, no qual a dimensão da “inexistência” é apenas uma prerrogativa do lado feminino. Jimenez (2008) escreve que há uma dimensão imaginária que vela a inexistência do homem, impedindo de reconhecer que eles também são alteridade absoluta para as mulheres e para os outros homens. Essa semelhança, diz ela: “É apenas uma certa monotonia do simulacro fálico que os faz se ‘parecer’ entre si” (pp. 227-228).

A suposta similaridade entre eles igualmente escamoteia que o conjunto dos homens é sustentado por exigências rígidas de semelhanças instauradas pelo ideal viril, no qual já se nega, de saída, qualquer possibilidade de fissura com a condição de não fazer parte desse conjunto. Não é à toa que a qualquer “deslize” em seu papel viril, o homem é excluído dele, cujas expressões “virou mulherzinha?”, “viadinho!”, “isso não é coisa de homem!” e “boiola!” testemunham.

Por outro lado, se essas fissuras foram rechaçadas e invisibilizadas ao longo dos séculos, a contemporaneidade atesta a impossibilidade de vigorar essa suposta unidade. Atualmente, vivenciamos um momento de declínio da tradição, no qual a sustentação do ideal viril tem se mostrado cada vez mais incompatível com as novas formas horizontalizadas de laço social. Se a masculinidade parecia um dado inquestionável, o declínio da tradição, inclusive, tem nos permitido a possibilidade de não tomar o homem como a norma e a condição de humano, bem como questionarmos o que é um homem, que neste texto se desdobrou por meio da pergunta se O homem existe. A ressignificação simbólica da masculinidade mostra-se, nesse sentido, como um forçamento imposto aos homens, fruto das mudanças culturais decorrentes dos avanços do capitalismo, do processo de industrialização e globalização, da pauta feminista e do movimento LGBTQIAPN+. Essas mudanças, contudo, não se operam sem movimentos masculinistas reacionários, cuja tentativa é produzir a manutenção desse ideal e, por conseguinte, a dominação masculina e o horror ao feminino. Descolado de seu tempo, o que esses movimentos produzem são, na verdade, expressões caricaturadas de masculinidade, cuja figura do típico machão é exaltada em meio a uma tentativa de “reivindicação viril” de uma posição de soberania perdida.

Aqui, não podemos deixar de mencionar os defensores do “red pill” - um movimento que promove noções rígidas sobre os gêneros “homem” e “mulher”, no qual o primeiro precisaria assegurar uma masculinidade dominante. A ideia de red pill remete ao filme Matrix, no qual o personagem principal Neo precisa escolher entre tomar a pílula azul, que o deixaria numa ignorância sobre a ordem social, ou a vermelha, que lhe daria consciência sobre o que de fato acontece no mundo. O termo, por sua vez, foi apropriado por grupos de homens críticos à igualdade de gênero, cujo alvo direto são as feministas, ou “feminazi” - como eles se referem a essas mulheres, de forma pejorativa (Valle, 2023).

Ao estilo coach, um dos seus representantes ensina homens a “serem verdadeiros homens”: “seja firme, fale com voz grave, trate-a como uma menina, exerça uma autoridade protetora e comande” ou “toda vez que você abre informações que não deveria a uma mulher, ela pode identificar suas fraquezas e jogar sujo contra você”. Para tal movimento, a mulher é alvo de toda desconfiança, por ser controladora, aproveitadora e manipuladora. Logo, ela precisa estar submetida às vontades do homem e, como se não bastasse, deve atender a alguns padrões de beleza e comportamento para poder se relacionar com eles. Resumidamente, temos o lugar conferido à mulher: “Mulher de valor, valor mesmo, ela se adapta ao estilo do homem. Ela se adapta à caminhada do homem. Então ela faz parte disso. Não é o contrário3 (Suzuki, 2023). A figura de uma masculinidade ameaçada pelo feminino se faz gritante! É disso que eles se defendem, sendo a misoginia uma estratégia de ataque.

O que esse movimento busca ignorar é que a figura do homem potente, dominador, forte, chefe de família já não se sustenta, nem será aceita da mesma maneira em nossa sociedade. Cada vez mais os homens têm sido interpelados e criticados sobre seu modo de se relacionar com o feminino e sobre seu enrijecimento e truculência de habitar o meio social. De um modo geral, nas sociedades ocidentais, os grandes ideais em torno do lugar soberano do Pai já não ocupam a mesma função. Assim, a crença na existência de um Pai portador do falo, que sustenta o cedro do poder, cada vez menos pode ser um recurso para os homens construírem sua masculinidade. Isso, por outro lado, produz um forçamento em direção a uma forma mais singular de inventar seu próprio modo ser homem - o que os deixaria, por sua vez, em uma posição de instabilidade e indeterminação quanto a seu sexo.

Vale lembrar que a exceção que organiza o conjunto masculino é a figura do Pai da Horda, que possui um aspecto mítico e impossível. Não há possibilidade de gozar de todas as mulheres, pois elas não fazem conjunto - como Lacan anunciou. Ou seja, as próprias fórmulas da sexuação nos revelam as contradições no qual o lado homem tem se organizado. Contradições que se desvelam em nosso tempo.

O que fundamenta a lógica do todo-fálico já não tem a mesma integridade de suas bases. Como pondera Sinatra (2014), a exceção paterna, o ao menos um, que introduzia o Um totalizante, encontra-se em declínio. E com isso, inevitavelmente, os homens precisarão encontrar uma solução para o problema de seu gozo sem colocar todas as suas fichas no semblante viril, no Pai, no falo imaginário como símbolo de potência, pois essas fichas já não lhes oferecem as mesmas garantias. Essa solução, contudo, requer um esforço singular - o que implicará um trabalho de bricolagem como produto artesanal daquilo que se pode recolher e fazer uso a partir dos discursos que são transmitidos aos homens, bem como de seus encontros com o sexual, para o qual não há outra saída a não ser se confrontar com a vertente opaca do gozo.

Assim concluímos, retomando a questão: por que desvelar a hipótese da inexistência dO homem? Porque sem tal leitura não seremos capazes de acompanhar o que nosso século anuncia a respeito dos efeitos do abalo na lógica patriarcal e fálica, bem como do que é ser homem hoje, que se repercute na maneira como os pacientes chegam à clínica e nos diferentes modos como a masculinidade opera no laço social. E ainda que, na psicanálise, saibamos, como pondera Lima (2024), que os significantes “homem negro”, “homem gay”, “homem nordestino” não definem o ser do sujeito, e que cada um responde de maneira singular à incidência dos marcadores sociais da diferença, e isso não nos impede de sustentar uma “concepção de singularidade não despolitizante” (p. 38). É preciso, enquanto analistas, advertirmos, tanto clínica como teoricamente, que a masculinidade é plural e comporta um trabalho de invenção, pois, afinal, “O homem não existe”!

Declaração de disponibilidade de dados:

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foram publicados no próprio artigo.

Referências

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  • Bessa, G. (2012). Feminino: Um conjunto aberto ao infinito Belo Horizonte, MG: Scriptum.
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  • Brodsky, G. (2008). O homem, a mulher e a lógica. Latusa, 13, 171-192.
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  • Francesconi, P. (2014). Sexuação. In O. Machado & V Ribeiro. (Orgs.), Scilicet: Um real para o século XXI. Associação Mundial de Psicanálise (pp. 349-351). Belo Horizonte, MG: Scriptum .
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  • Jimenez, S. (2008). Máscaras, velhas e novas. Latusa, 13, 223-230.
  • Lacan, J. (1985). O Seminário, livro 20 - Mais, ainda Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor. (Trabalho original publicado em 1972-1973).
  • Lacan, J. (1992). O Seminário, livro 17 - O avesso da psicanálise Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor . (Trabalho original publicado em 1969-1970).
  • Lacan, J. (2003). Prefácio a O despertar da primavera. In Outros escritos (pp. 557-559). Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor . (Trabalho original publicado em 1974).
  • Lacan, J. (2009). O Seminário, livro 18 - De um discurso que não fosse semblante Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor . (Trabalho original publicado em 1971).
  • Lacan, J. (2012). O Seminário, livro 19 - … ou pior Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor . (Trabalho original publicado em 1971-1972).
  • Lima, V. (2024). Homens em análise: travessias da virilidade São Paulo, SP: Blucher.
  • Sinatra, E. (2014). Homem (O). In O. Machado & V. Ribeiro. (Orgs.), Scilicet: Um real para o século XXI (pp. 179-181). Belo Horizonte, MG: Scriptum .
  • Suzuki, S. (2023, 3 mar.). Como coaches da “red pill” atraem adeptos na esteira da crise da masculinidade. BBC News Brasil Recuperado de https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2v1y49yp6vo
    » https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2v1y49yp6vo
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    » https://www.institutoclaro.org.br/cidadania/nossas-novidades/reportagens/o-que-e-red-pill/#:~:text=Para%20Silva%2C%20os%20red%20pills,tarefas%20ou%20abra%C3%A7ar%20outros%20homens
  • 1
    Lacan joga com o equívoco linguístico proveniente da expressão na língua francesa on la dit femme [nós a dizemos mulher e nós a difamamos]. Dizer (dire) e mulher (femme) produz uma homofonia com diffame [difamação, calúnia]. Logo, dizer sobre mulher sempre implica difamá-la, como consequência de um discurso falocêntrico segregacionista.
  • 2
    Trecho do poema “Especulações em torno da palavra homem”. Agradecemos a Celso Rodrigues por ter-nos apresentado gentilmente a este belíssimo poema, ao apontar que nossa pergunta sobre a inexistência dO homem também havia sido feita por Drummond de Andrade.
  • 3
    As frases em itálico deste parágrafo são de Thiago Schutz, extraída do seu perfil do Instagram “Manual Red Pill” (citado em Suzuki, 2023).

Editado por

  • Editores responsáveis:
    Isabel Cristina Gomes

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Abr 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    11 Jul 2025
  • Aceito
    21 Set 2025
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