Propomos aqui uma reflexão sobre as candidaturas de indígenas mulheres nas eleições de 2022 e a sua ligação com a pauta ecológica. Partimos de uma discussão sobre a busca de representatividade indígena na política institucional e representativa brasileira como resposta a uma política anti-indígena intensificada no governo Bolsonaro e no tempo da pandemia de covid-19. Analisamos, em seguida, a emergência da Campanha Indígena lançada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em 2022 a partir de mobilizações que se fortaleceram na passagem da década de 2010 para a de 2020, como os Acampamentos Terra Livre e as Marchas das Mulheres. Examinamos, então, dois grandes “chamamentos” que decorrem desta Campanha: “aldear a política e retomar o Brasil” e “reflorestar-mentes em defesa dos corpos-territórios”. Este último revela o papel crucial das mulheres na luta contra a crise ecológica e climática. É nesse sentido que nos perguntamos, por fim, se o movimento de indígenas mulheres e as candidaturas que daí decorrem podem ser conectados com o chamado ecofeminismo.
PALAVRAS-CHAVE
candidaturas indígenas; indígenas mulheres; representatividade; ecologia; ecofeminismo