Este artigo aborda movimentos e ações políticas indígenas a partir da etnografia de práticas expressivas de um coletivo kaingang denominado Nẽn Ga. Essas práticas, descritas pelos Kaingang como rituais [tỹnh], incluem cantos, danças, pinturas corporais, ornamentações, e são imprescindíveis para a realização de festas, as quais são atreladas a movimentos de retomada e de luta indígena. Propõe-se que as mobilizações indígenas, assim como as festas/ rituais kanhgág – das quais se destaca a festa funerária do Kiki –, produzem movimentos de afastamento e aproximação, construção e desconstrução de vínculos, promovidos muito por conta da experiência do cantar-dançar junto e do mobilizar-se contra inimigos comuns. A realização anual do Acampamento Terra Livre e outros eventos de mobilização são fundamentais para a renovação de alianças entre coletivos e povos diversos, que se unem especialmente contra governos mortíferos. A existência da Apib, maior rede do movimento indígena nacional contemporâneo, é, portanto, indissociável desses encontros, das lutas presenciais, que são cantadas, movimentadas por corpos pintados e ritmados.
PALAVRAS-CHAVE
cantos-dança; movimento indígena; festas funerárias; Acampamento Terra Livre; Kaingang
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