Objetivo: Esta pesquisa visa analisar a organização das táticas de resistência e das estratégias de mercado em modelos socioeconômicos al-- ternativos. Especificamente, examinamos como se forma a resistência e identificamos atributos compartilhados entre modelos socioeconômicos alternativos.
Originalidade/valor: O estudo redefine a resistência como geradora, em vez de meramente disruptiva, demonstrando como ela cria práticas e economias de mercado alternativas que vão além do lucro. Com base na teoria de De Certeau, revela modelos de mercado não capitalistas e amplia o escopo da resistência para além do ativismo do consumidor.
Design/metodologia/abordagem: Foi realizado um estudo etnográfico multissituado com duração de um ano. Além da observação sistemática, realizaram-se doze entrevistas relacionais com indivíduos presentes nos locais de pesquisa, incluindo Couchsurfing, fazendas de permacultura e cooperativas.
Resultados: Uma coleção diversificada de táticas de resistência pode ser empregada para desenvolver práticas de mercado, criando métodos alternativos de gestão da escassez e de trocas econômicas que transcendem as relações de mercado tradicionais. Essas táticas existem em contextos definidos por relações econômicas, o que influencia o desenvolvimento de diversas iniciativas socioeconômicas. Em vez de encarar a resistência como perturbações aleatórias que a ordem social deve resolver, é mais preciso compreendê-la como desvios espontâneos das tentativas de manter essa ordem.
Contribuição/implicação: Primeiro, com base na obra de De Certeau, práticas que transcendem as estratégias de mercado podem ser desenvol-vidas não apenas no cotidiano das pessoas comuns, mas também em iniciativas de mercado. Segundo, outras formas econômicas podem ser desenvolvidas, fomentando a interdependência entre os agentes sociais por meio de relações comunitárias que não exaltam o lucro nem a propriedade privada. Terceiro, a resistência do consumidor integra um conceito mais amplo de resistência ao mercado.
Palavras-chave:
táticas de resistência; estratégias dominantes; modelos socioeconômicos alternativos; relações de mercado; práticas cotidianas