Esta é uma chamada para reflexão/ação sobre as recomendações de ativi-dade física (AF) para a saúde no atual cenário de mudanças climáticas. Das recomendações da Organização Mundial da Saúde para AF (WHO guide-lines on physical activity and sedentary behaviour), destacam-se importan-tes mensagens, como: 1 - adultos e idosos devem acumular ≥150 minutos/ semana de AF moderadas a vigorosas; 2 - crianças e adolescentes devem acumular ≥60 minutos/dia de AF moderadas a vigorosas, incorporando ao menos 3 dias de atividades vigorosas; 3 - devemos reduzir o tempo de comportamento sedentário; 4 - em casos de incapacidades e/ou restrições pessoais ou sociais, fazer alguma AF é melhor que não fazer nenhuma. A despeito da importância deste documento, de sua robustez científica e de sua contemporaneidade, ele não contextualiza a prática da AF à luz do ce-nário das mudanças climáticas. O Brasil teve seu guia de promoção da AF publicado em 2021, fruto do esforço de pesquisadores/as de todo o país1. Mesmo sendo o Brasil um dos líderes mundiais em estudos da AF e Saúde, com casos de sucesso na promoção da AF, ainda não vemos, com a ênfase necessária, uma reflexão das recomendações de AF à luz do novo cenário climático. Este alerta foi trazido pelo Prof. Dr. Lamartine Pereira da Costa em reuniões do grupo do “Manifesto da Atividade Física no pós-Covid-19” (https://celafiscs.org.br/manifesto-da-atividade-fisica-pos-covid-19/), que agrega pesquisadores dedicados a pensar a promoção da AF no pós-Co-vid-19, desde 2020, sob a liderança do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS).
Em 2025, um documento de abrangência global - “The 2025 report of the Lancet Countdown on health and climate change: climate change action offers a lifeline”2 , aponta, por exemplo, que 84% dos dias de ondas de calor entre 2020-2024 não teriam ocorrido sem as mudanças climáticas; aumento de 304% na exposição de idosos a ondas de calor, comparativamente aos anos 1986-2005; piora no quadro de propagação de doenças infecciosas, como a dengue; aumento da insegurança alimentar, seja pelo impacto das secas e/ ou inundações nas áreas de plantio e/ou produção; aumento na pressão so-bre os sistemas de saúde. Este documento faz menção, enquanto alerta glo-bal, aos potenciais riscos da AF em condições de calor aumentado e ao fato de que as mudanças climáticas podem ser mais uma barreira à prática regu-lar de AF. Por exemplo, a exposição ao calor aumentou significativamente o risco de estresse térmico em pessoas se exercitando ao ar livre em 2024, comparativamente aos anos 1990, o que impacta nega-tivamente na prontidão das pessoas para a AF2. Ainda, uma revisão guarda-chuva de 2024 destaca a intera-ção entre AF e mudanças climáticas3. Recentemente, um artigo ainda em pré-print discute as oportunidades de aproximação das agendas de AF e mudanças cli-máticas, apresentando importante proposta de modelo conceitual dessas interrelações. Ambos os documentos demonstram a atualidade do tema, os impactos negati-vos do clima na AF e, sobretudo, caminhos promissores para a sustentabilidade do planeta, por meio do siner-gismo entre essas agendas4. A questão que se impõe é a urgência da reflexão/ação, paralelamente à necessária e crescente agenda da sustentabilidade.
No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia indica tendência de aumento significativo nas tem-peraturas entre 1961 e 2024, tendo 2024 como ano mais quente registrado no país (Portal Inmet). Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que a quantidade de ondas de calor vem aumentando expressivamente. Em comparação ao período entre 1961 e 1990, no período entre 2011 e 2020 houve um aumento de ≈642% de dias de ondas de calor (Portal MCTI). O mais recente relatório de acompanhamen-to do Painel Intragovernamental para Mudanças Cli-máticas indica que América do Sul, especialmente nas latitudes menores, é um dos locais sob maior risco de ocorrência de ondas de calor5.
Tomando-se, portanto, os impactos negativos das mudanças climáticas, sejam por chuvas e/ou frio exces-sivos, ou por aumentos de ondas de calor e intensifica-ção de ilhas de calor urbanas, entende-se que é urgente que a área da AF revisite as recomendações de AF à luz desses novos desafios em saúde pública. No cenário do vasto referencial teórico, tanto dos benefícios da práti-ca regular de AF quanto dos prejuízos das mudanças climáticas, entende-se que não há tempo de esperar pela próxima atualização das recomendações em AF da Organização Mundial de Saúde, possivelmente em 2030. É necessário refletir, discutir e agir com a urgên-cia que o cenário climático exige. Admitindo-se que é recomendável distribuir os minutos de prática de AF ao longo da semana, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais acima mencionados mostram que, considerados 52 dias/ano de ondas de calor, teríamos ≈15% menos de dias/ano que poderiam ser considerados mais propensos e saudáveis para a prática de AF, pelo menos considerando-se ambientes ao ar livre e não climatizados. Significa limitar ainda mais as possibilidades de AF segura para boa parte da população que não tem acesso a ambientes climatizados ou a áreas verdes e bem arborizadas. Acrescente-se a preocupação com a crescente população acima dos 65 anos de idade. Este grupo merece especial atenção quanto à necessi-dade da prática regular de AF em razão de seus conhe-cidos benefícios, por exemplo, na promoção da saúde óssea, musculoesquelética e da saúde mental. Entretan-to, esta é a mesma população que tem vivenciado um aumento exponencial nos indicadores de morbimorta-lidade por condições associadas ao aumento do calor.
Se, por um lado, políticas intersetoriais para o aumento da mobilidade ativa devem ser estimuladas, incluindo mais investimentos em infraestruturas de transporte e de práticas de AF ao ar livre seguras e saudáveis para todos, tendo em vista seus benefícios na saúde, nos transportes, na qualidade do ar, na redução de emissão de poluentes etc.4, há que se compatibili-zar esta expectativa positiva com a segurança e a saúde ao nível do indivíduo. Assim, no cenário atual, as re-comendações da AF poderiam, por exemplo, falar em transporte ativo na perspectiva de pequenas distâncias, em dias sem calor extremo, realizado por opção, e em vias com proteção térmica (áreas verdes e arborizadas). Por outro lado, indaga-se: estaríamos provendo saúde aos milhares (ou milhões) que se valem do transpor-te ativo por absoluta falta de opção e que, por assim ser, devem fazê-lo mesmo em dias de extremo calor, em percursos longos e nada arborizados, como o que se vê nos centros urbanos? Será que a AF em dias de extremo calor seria benéfica para pessoas idosas sem acesso a ambientes climatizados ou a instalações públi-cas que possam mitigar o estresse térmico? Estaríamos promovendo saúde em aulas de Educação Física esco-lar realizadas sob o sol, em ambientes desprovidos de áreas verdes e realizadas, por exemplo, entre 10h e 16h, em períodos de ondas de calor? Todas essas questões devem ser refletivas à luz das iniquidades em saúde, considerando que, via de regra, as populações menos ativas também são as mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
É importante esclarecer que esta chamada para reflexão/ação, influenciada pela realização da COP-30 e fundamentada no atual cenário climático, não repre-senta qualquer oposição às recomendações atuais de AF para a saúde, visto que se fundamentam em ro-bustas evidências científicas. Igualmente, não se trata de oposição ao conceito “todo movimento conta”, que, respeitando os determinantes sociais da saúde e as diferenças entre AF realizadas por opção ou por obrigação, destina-se a realçar os benefícios à saúde que podem ser alcançados mesmo quando o acúmulo de AF é in-ferior ao mínimo preconizado. Trata-se, tão somente, mas de modo urgente, de uma chamada à ação para que as recomendações de AF passem a considerar a urgência do cenário climático atual, e de reforço para que a área de AF aprofunde o entendimento das in-terrelações entre as mudanças climáticas e AF3,4. Sig-nifica, por exemplo, considerar os impactos negativos das emergências climáticas tanto na frequência quanto na segurança das práticas, incorporando, por exemplo, ressalvas e orientações para que: 1 - gestores e formu-ladores de políticas tenham ciência da necessidade de implementar políticas intersetoriais que melhorem a qualidade e o acesso a ambientes públicos adequados para prática; 2 - se considere que a pandemia de ina-tividade física tende a piorar no contexto de extremos climáticos; 3 - a população e as instituições estejam cada vez mais capacitadas para decisões quanto à segu-rança da prática no contexto das mudanças climáticas. Portanto, sugere-se que as atuais recomendações de AF incorporem, de imediato, em boletins e/ou adendos aos documentos principais, as necessárias ressalvas no sen-tido de se compatibilizar as atuais recomendações de AF com os crescentes agressores à saúde associados às emergências climáticas. Claro que o ideal, necessário e mais importante, é que a humanidade consiga frear as mudanças climáticas e garantir a sustentabilidade do planeta para todos. Entretanto, o momento exige refle-xões/ações imediatas de adaptação e resiliência climáti-ca também no campo da AF. Quem sabe, para dias/pe-ríodos de onda de calor, se possa, por exemplo, enfatizar os benefícios de AF leves, relativizar a meta semanal de 150 minutos e/ou enfatizar a recomendação de redução do comportamento sedentário? As soluções devem ser variadas e fruto de reflexões/pesquisas coletivas. Este texto trata, portanto, de uma chamada no sentido de se buscar a necessária compatibilidade entre o cená-rio atual de emergência climática e as recomendações atuais de AF para a saúde.
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Financiamento
Universidade de Brasília, Programa de Pós-graduação em Educação Física, Edital 05/2025.
Declaração quanto ao uso de ferramentas de inteligência artificial no processo de escrita do artigo
Os autores não utilizaram ferramentas de inteligência artificial para elaboração do manuscrito.
Agradecimentos
Os autores agradecem a Maurício dos Santos, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul- CELAFISCS, pela elaboração do infográfico do artigo.
Disponibilidade de dados de pesquisa e outros materiais
Os conteúdos já estão disponíveis no momento da publicação do artigo.
Referências bibliográficas
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1 Ritt-Dias R, Átila AT, Farah BQ, Petreça DR, Lemos EC, Carvalho FFB et al. Atividade física para adultos: Guia de Atividade Física para a População Brasileira. Rev Bras Ativ Fís Saúde. 2021;26:1-11. doi: https://doi.org/10.12820/rbafs.26e0215
» https://doi.org/10.12820/rbafs.26e0215 -
2 R Romanello M, Walawender M, Hsu SC, Moskeland A, Palmeiro-Silva Y, Scamman D, et al. The 2025 report of the Lancet Countdown on health and climate change: climate change action offers a lifeline. Lancet. 2025;406(10521):2756. doi: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)02475-4
» https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)02475-4 -
3 Franco Silva M, Favarão Leão AL, O’Connor Á, Hallal PC, Ding D, Hinckson E, Benmarhnia T, Siqueira Reis R. Understanding the Relationships Between Physical Activity and Climate Change: An Umbrella Review. J Phys Act Health. 2024;21(12):1263-75. doi: https://doi.org/10.1123/jpah.2024-0284
» https://doi.org/10.1123/jpah.2024-0284 -
4 Hinckson E, Reis R, Romanello M, Ding D, Adelekan I, Leão ALF, et al. Living actively and sustainably: the opportunity of combining the physical activity and climate change agendas. Epub ahead of print 2 July 2025. doi: https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-6979732/v1
» https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-6979732/v1 -
5 IPCC, 2023: Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Core Writing Team, H. Lee and J. Romero (eds.)]. IPCC, Geneva, Switzerland, 184 pp. doi: https://doi.org/10.59327/IPCC/AR6-9789291691647
» https://doi.org/10.59327/IPCC/AR6-9789291691647
Editado por
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Editor in Chief
Átila Alexandre Trapé https://orcid.org/0000-0001-6487-8160Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.
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Section editor
Inaian Pignatti Teixeira https://orcid.org/0000-0002-9723-4297Universidade do Estado de Minas Gerais, Passos, Minas Gerais, Brasil.
Avaliação dos pareceristas
Sobre o autor do parecerSCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGSAvaliador A
Para autor e editor
Parabenizo o autor pelo envio da carta que traz assun-to relevante e urgente. Sugiro que seja citado que o tema foi abordado durante o último Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde (CBAFS)! A carta vem como nome do artigo do autor, mas mesmo que não viesse sa-beria a fonte, pois tive privilégio de ouvir a palestra. Não vejo um problema, especialmente por ser um artigo de opinião, aliás com muita análise crítica e ciência.
Parecer final (decisão)
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Aceitar
- recomendação: aceitar
Peer-Review
Avaliação dos pareceristas
https://orcid.org/0000-0003-4960-3278 Guilherme Stefano Goulardins- recomendação: aceitar
Avaliador B
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Foi observado algum indício de Plágio no manus-crito?
Não
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Os autores forneceram esclarecimentos sobre os procedimentos éticos adotados para a realização da pesquisa?
Não se aplica
Comentários ao autor
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Em primeiro lugar, parabenizo os autores pela ini-ciativa de levantar e trazer à tona um tema de suma importância nos dias atuais. É crucial que todas as áreas da saúde comecem a observar e a estudar com atenção as consequências das mudanças climáticas. Em segundo lugar, parabenizo-os pela qualidade do trabalho, que está muito bem escrito e convida o lei-tor a refletir sobre o cenário atual que vivenciamos e acredito que é crucial e um grande acerto desse artigo a valorização das recomendações do Guia de Atividade Física para a População Brasileira.
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Compreendo a limitação no número de referências que este tipo de manuscrito possui. No entanto, gostaria de convidar os autores a refletirem - como já o fizeram muito bem sobre o conceito de atividade física por escolha ou por necessidade - sobre a possibilidade de incorporar a atualização do concei-to de atividade física proposta pelo professor Pedro C. Hallal e colaboradores no artigo “The future of physical activity: from sick individuals to healthy populations”. Acredito que essa inclusão possa con-tribuir para a rica discussão que o presente artigo propõe.
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Na página 4, linha 5, os autores debatem e apresen-tam de forma correta uma boa recomendação. Dei-xo aqui uma reflexão: acredito que seria interessante conectar essa recomendação ao conceito de first and last mile e apresentar isso como uma sugestão para a expansão de uma boa oferta de transporte público e melhorias no mesmo, como, por exemplo, o aumen-to das frotas e políticas de tarifa zero.
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Além disso, trago uma última reflexão: os autores poderiam aprofundar e destacar de que modo o impacto das mudanças climáticas atinge de forma mais intensa as populações mais vulneráveis em re-lação à renda, que não têm acesso à atividade física no tempo livre e que, com essas mudanças, serão ainda mais afetadas.
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Abaixo, seguem algumas pequenas revisões no tex-to, que deixo como sugestão para que os autores aceitem, se assim julgarem necessário e válido:
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Página 1, linha 17: Corrigir “...à luz no...” para “...à luz do...”.
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Página 2, linhas 1 e 2: Corrigir o espaçamento entre as palavras. Saliento esses pequenos pontos apenas para auxiliar na finalização do texto, pois, por vezes, um membro externo consegue visualizar pequenos erros que passam despercebidos aos olhos de quem já se dedicou intensamente ao trabalho.
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Página 2, linha 8: Corrigir e substituir a frase: “Ain-da que de forma modesta, este documento faz men-ção, talvez de modo pioneiro enquanto alerta global, aos potenciais riscos da AF em condições de calor aumentado e ao fato das mudanças climáticas pode-rem ser mais uma barreira à prática regular de AF” por “Ainda que de forma modesta, este documento faz menção, talvez de modo pioneiro enquanto aler-ta global, aos potenciais riscos da AF em condições de calor aumentado e ao fato de que as mudanças climáticas podem ser mais uma barreira à prática regular de AF”.
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Página 4, linha 20: Corrigir o espaçamento.
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Página 5, linha 13: Corrigir o espaçamento.
Parecer final (decisão)
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Aceitar
- recomendação: aceitar
Peer-Review
Avaliação dos pareceristas
Anônimo- recomendação: aceitar
Avaliador C
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Não autorizou a publicação do parecer.
- recomendação: aceitar
