Introdução Lesões traumáticas nas mãos são comuns em cirurgia plástica. Infecções do sítio cirúrgico (ISCs) são a complicação evitável mais comum após a cirurgia e as infecções nosocomiais mais frequentes. Os poucos estudos que avaliaram diretamente as ISCs em traumas de mão e punho relatam que o risco de seu desenvolvimento varia de 3% a 10%, taxa semelhante à de todos os procedimentos operatórios. No entanto, há preocupações crescentes quanto ao uso inadvertido de antibióticos e à crescente incidência de resistência a estes fármacos. Como a eficácia da profilaxia antibiótica na prevenção de infecções é questionável, realizamos este estudo.
Materiais e Métodos O estudo incluiu pacientes admitidos com lesão na mão entre 1° de junho de 2022 e 31 de junho de 2024. Os pacientes que receberam antibióticos profiláticos (1 dose nos primeiros 60 minutos após a incisão) e os que não receberam foram divididos em dois grupos. Nos registros do acompanhamento, verificamos os sinais de infecção ou evidência de ISCs nos dois grupos, e sua significância estatística foi analisada.
Resultados Dos 216 pacientes com lesões nas mãos analisados, 116 receberam antibióticos profiláticos (grupo A), e 100 não receberam (grupo NA). A taxa de desenvolvimento de ISCs foi de 1,7% no grupo A, e de 1% no grupo NA, sem diferenças estatisticamente significativas.
Conclusão Em termos de dados demográficos, jovens são desproporcionalmente mais afetados por lesões na mão; no entanto, eles apresentam menos comorbidades e alta vascularização, características vantajosas para a cicatrização de feridas e a resistência às ISCs. As variáveis relacionadas aos procedimentos cirúrgicos, como uso de implantes e duração da cirurgia, têm menos implicações na incidência de ISCs pós-operatórias.
Palavras-chave
profilaxia antibiótica; resistência a múltiplos medicamentos; traumatismos da mão; próteses e implantes; infecção da feridacirúrgica