Resumo
Resumo: Este artigo parte do entendimento de que o Brasil, como sociedade constituída em sólidas bases coloniais, ainda enfrenta, no século XXI, questões herdadas desse passado. Uma dessas heranças, foco deste texto, é o padrão da brancura, ou, em termos mais recentes, da branquitude, entendida como a norma por meio da qual se estruturam as relações sociais e raciais, além de definirem os padrões estéticos da sociedade brasileira. A partir dos trabalhos de Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982), intelectual negro fundamental para o pensamento sociológico, que já no final da década de 1950 problematizou a questão da brancura, antecipando os atuais debates sobre a noção de branquitude, serão analisadas produções de artistas contemporâneos(as) que abordaram o tema em suas obras. Parte-se aqui, portanto, da compreensão de que o mundo da arte constitui um espaço social privilegiado para a leitura da sociedade, de suas ideologias, projetos políticos, regras e processos de autorização e subalternização. Nesse sentido, a análise permite compreender os questionamentos formulados por sujeitos racializados fora do espectro da brancura a respeito dos limites e das possibilidades de sua legitimação no campo da arte nacional.
Palavras-chave
brancura; branquitude; artes visuais; legitimação; Alberto Guerreiro Ramos