Introdução: O letramento digital em saúde tornou-se uma competência essencial na formação de profissionais da saúde, diante da crescente digitalização do acesso à informação, da incorporação de tecnologias na prática clínica e do aumento da exposição à desinformação on-line. Apesar desse cenário, ainda são escassos os estudos nacionais que avaliam o nível dessa competência entre estudantes de graduação da área da saúde e os fatores associados.
Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o nível de letramento digital em saúde de estudantes de graduação da área da saúde utilizando a versão brasileira da eHealth Literacy Scale (eHEALS-Br) e investigar a associação com variáveis sociodemográficas.
Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa, realizado com 91 estudantes dos cursos de Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Medicina e Psicologia de uma instituição privada do Sul do Brasil. Os dados foram coletados por meio de questionário on-line contendo informações sociodemográficas e a eHEALS-Br. Realizaram-se análises estatísticas descritivas, testes univariados, regressão linear múltipla e análise de componentes principais (PCA).
Resultado: A amostra apresentou idade média de 22 ± 4 anos, com predominância do sexo feminino (83,5%). O escore médio global da eHEALS-Br foi de 32,66 ± 4,54 pontos. De acordo com pontos de corte nacionais, 52,7% dos estudantes apresentaram nível alto de letramento digital em saúde; 42,9%, moderado; e 4,4%, baixo. A regressão linear múltipla identificou o domínio de uma segunda língua (β = 2,17; p = 0,043) e o recebimento de bolsa de estudos (β = 1,81; p = 0,061) como preditores independentes do escore. A PCA revelou duas dimensões principais, preservando a estrutura unidimensional do instrumento. O item relacionado à confiança para uso das informações on-line na tomada de decisão apresentou a menor média.
Conclusão: Os estudantes demonstram elevado letramento digital em saúde para localizar e avaliar informações on-line, porém persistem incertezas quanto à aplicação prática dessas informações. O domínio de outra língua e o apoio institucional emergem como fatores facilitadores, indicando que estratégias de internacionalização curricular e políticas de equidade podem fortalecer competências digitais em saúde na graduação.
Palavras-chave:
Letramento em Saúde; Alfabetização Digital; Educação em Saúde
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