Objetivo: Analisar os casos confirmados de dengue em Goiás entre 2015 e 2022 e estimar o risco de novos surtos até 2026.
Métodos: Estudo de série temporal com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídos registros mensais de casos confirmados por critérios laboratoriais ou clínico-epidemiológicos. O modelo Autorregressivo Integrado de Médias Móveis Sazonais (SARIMA) foi aplicado utilizando o software R (v.4.2.1). Foram avaliados estacionariedade, tendência, sazonalidade, autocorrelação dos resíduos e ajuste do modelo, com estimativas por máxima verossimilhança e intervalo de confiança de 95%.
Resultados: No período foram registrados 709.270 casos confirmados. As epidemias ocorreram de forma cíclica a cada dois anos, com picos em 2015 (101.261), 2016 (82.077), 2018 (70.794), 2019 (107.589) e 2022 (189.998), intercalados por anos de menor incidência, como 2017 e os anos de pandemia da COVID-19 (2020-2021). Observou-se substituição de sorotipos antecedendo os maiores surtos. O modelo SARIMA apresentou bom ajuste (Critério de Informação de Akaike - AIC 1.768,9; Critério de Informação Bayesiano - BIC 1.786,8) e previu novos picos em 2025 (177.775 casos) e 2026 (224.100 casos).
Conclusão: A dengue em Goiás apresenta ciclos epidêmicos recorrentes, que apontam para a intensificação de casos e reforçam a necessidade de estratégias integradas e sustentadas de prevenção e controle. O modelo SARIMA mostrou-se útil para vigilância e planejamento em saúde pública, embora sua precisão possa ser influenciada por fatores externos.
Palavras-chave:
Dengue; Modelos epidemiológicos; Série temporal; Modelos de predição; Epidemiologia
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Legenda: Número de casos de dengue reportados por mês ao longo dos anos (A); Número de casos de dengue reportados por trimestre (B). Qtr1: Primeiro trimestre; Qtr2: Segundo trimestre; Qtr3: Terceiro trimestre; Qtr4: Quarto trimestre.


